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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cine Clássico: OS OLHOS SEM ROSTO

Sala de Cinema P.F. Gastal apresenta obra prima do horror, para uma nova geração.
  Sinopse: Um famoso cirurgião, após desfigurar a filha num acidente de carro, lança-se no desenvolvimento de uma nova forma de transplante facial a partir de uma doadora viva, fato que o levava a matar suas pacientes para roubar-lhe os rostos. A técnica funcionou na sua assistente, mas o corpo da filha rejeita sucessivamente os novos rostos implantados, causando uma série infindável de crimes que logo chama a atenção da polícia, dando início às investigações.
Durante vários dias, OS OLHOS SEM ROSTO foi o grande destaque da mostra "Dialogo com o novo de Almodóvar" na Sala de Cinema P.F. Gastal, da Usina do Gasômetro, sendo então, redescoberto por uma nova geração de cinéfilos gaúchos, que até então a maioria, desconhecia sobre esse filme. Lançado em 1960 na França, essa produção faz parte da galeria de filmes que, embora obscuros para o grande público, são idolatrados por uma minoria de cinéfilos interessados em filmes de horror com originalidade. Só para se ter uma idéia, esse filme foi o primeiro longa-metragem de um dos fundadores da lendária Cinemateca Francesa, “Les Yeux Sans Visage”, porém, na época a produção não despertou muito interesse em seu lançamento, obtendo as piores criticas possíveis. Mas, como eu sempre prego, é o tempo que justifica os meios, pois o trabalho de Georges Franju vai além da simples proposta de pregar sustos na platéia, e sim, vai construindo um clima fantasmagórico e inquietante, no qual o publico jamais esquece tão cedo.
Embora tenha fracassado, o filme de Franju foi resgatado graças a opinião da crítica norte-americana Pauline Kael, que na época, era o nome de maior atividade na profissão durante os anos 1960 e 1970, Kael conseguiu ver neste filme, algo mais do que um mero filme de terror. Para Kael, o filme tinha uma qualidade etérea que transcendia os encantos do gênero. Como acontecia com freqüência, a crítica percebeu, antes de resto do mundo, que estava diante de uma obra original, um filme capaz de mesclar elementos de gêneros díspares – o surrealismo, o thriller policial e o naturalismo macabro do teatro Grand Guignol – para construir algo único.
OS OLHOS SEM ROSTO é um filme construído sobre uma imagem fascinante de Catherine, que se torna uma figura fantasmagórica, com sua máscara branca de porcelana e os seus vestidos brancos, vagando sem rumo pelos amplos corredores da mansão gótica, afastada da capital francesa, onde vive com o pai. Os enormes e expressivos olhos claros da atriz Edith Scob ajudam a transformar a figura de trágica de Christiane numa personagem complexa, de nuances que vão muito além das palavras. De fato, OS OLHOS SEM ROSTO é um filme lento, repleto de seqüências sem diálogos, e isso pode incomodar alguns espectadores, mas funciona a favor do filme, no sentido em que contribui para a construção de uma atmosférica lúgubre.
A grande fotografia do polaco Eugen Schüfftan (responsável pelos efeitos especiais do clássico “Metrópolis”, de Fritz Lang) vai além do mero contraste claro/escuro que sempre caracterizou o expressionismo alemão. A câmera busca ângulos que acentuam o isolamento da família Génessier, bem como a progressiva perturbação emocional de pai e filha. Há pelo menos três belas seqüências filmadas à noite, perturbadores por captar um senso agudo de desolamento e solidão. Schüfftan usa os cômodos do casarão da família (especialmente o sinistro porão) para dar um toque levemente macabro a Christiane, cujo guarda-roupa – observe que ela usa sempre vestidos claros e compridos, que a fazem parecer flutuar como um fantasma, ao invés de caminhar – completa o trabalho brilhantemente.
Pedro Almodóvar, que é grande fã dessa obra, fez recentemente, o seu mais novo sucesso, (A pele que Habito), se inspirando em elementos vistos nesta obra francesa. Com isso, muitos cinéfilos sabendo disso, foram correr atrás desse clássico, e atualmente, não me admira que a obra comece a ganhar mais e mais fãs gradualmente.


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