Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sobre o Filme: O embate de dois grandes astros na tela sempre nos rendeu grandes momentos na história do cinema. Meryl Streep, ao interpretar uma diretora de escola que desconfia que o padre local (Philip Seymour Hoffman) possa ter abusado sexualmente de um dos seus alunos, se inicia então um duelo verbal onde ambos tentam descascar um do outro os seus pontos fracos interiores. Sreep e Hoffman se digladiam em diálogos soberbos, onde um não supera o outro e em ambos os casos se fica realmente a dúvida de quem estava certo.
Destaque também para a atriz Amy Adams que aqui faz uma jovem freira e professora que procura ser gentil com os seus alunos, mas tendo que enfrentar regras severas da diretora interpretada por Sreep. Porém, o grande destaque fica por conta da atriz Viola Davis, que aqui interpreta a mãe do menino que possivelmente foi abusado pelo padre, mas escolhendo um caminho imprevisível sobre a situação. Em poucos minutos, Viola rouba a cena o que lhe garantiu uma de suas primeiras indicações ao Oscar.
Curiosamente, a direção desse filme ficou por conta de John Patrick Shanley, um realizador que ao longo da carreira trabalhou mais como roteirista e que aqui foi um dos seus primeiros trabalhos na direção. Vale lembrar que o filme é baseado em uma peça teatral a qual ganhou o prêmio Pulitzer de drama em 2005 e sendo que o diretor admirava muito o trabalho feito nos palcos. Por conta disso ele levou a peça para o cinema, cujo resultado foi extremamente positivo, mas não sendo o suficiente para ele embarcar em outros projetos futuros.
"Dúvida" foi um filme até mesmo a frente do seu tempo, onde os escândalos dentro da igreja ainda eram silenciados, mas que posteriormente acabou explodindo nos anos que vieram.
Nota: Filme exibido para os associados no dia 21/02/26.
Sinopse: Sinopse: Diante de um futuro incerto, Witek, um jovem estudante de Medicina polonês, suspende seus estudos e corre para pegar um trem rumo a Varsóvia. A partir desse instante, o filme apresenta três desdobramentos possíveis de sua vida, cada um determinado por ter alcançado ou não o trem — e pelas escolhas que se seguem.
O termo loops se dá a determinadas tramas em que o protagonista se vê na mesma história, mas da qual testemunhamos versões diferentes de acordo com pequenos detalhes que fazem a diferença. Um dos primeiros filmes que eu assisti ao explorar isso foi no alemão "Corra Lola, Corra" (1998), de Tom Tykwer, mas sendo que antes disso havia sido moldado com o paladar hollywoodiano em "Feitiço do Tempo" (1993). Porém, "Sorte Cega" (1987) acaba sendo mais ousado ao colocar o protagonista diante de escolhas com relação aos rumos que o seu próprio país está vivendo.
Dirigido por Krzysztof Kieślowski, da trilogia das cores, o filme conta a história que se passa na Polônia, em 1981, onde o estudante de medicina Witek (Boguslaw Linda) pede uma licença de um ano da faculdade após a morte de seu pai, para repensar sua vocação. Ele decide viajar para Varsóvia, mas enquanto corre para tentar alcançar o trem na estação, três possíveis eventos acontecem. Na primeira possibilidade, Witek alcança o trem e reencontra sua ex-namorada, que pertence a um movimento clandestino anti-comunista, e acaba se juntando ao partido. No segundo evento, Witek é pego por um guarda na estação e reage, sendo enviado para julgamento e condenado a 30 dia de serviço comunitário. Ele se junta a um grupo de estudantes contrários ao sistema e publica artigos na imprensa underground. Na terceira possibilidade, ele não alcança o trem e decide voltar à universidade, casa-se com sua namorada e os dois se formam em medicina.
Conhecido por filmes com teor político, mesmo de forma subliminar, Kieślowski sofreu com a censura do seu próprio país ao lançar esse filme da sua maneira. Porém, a obra foi somente liberada em 1987, em um período em que o calor do conflito que estava acontecendo na Polônia já estava adormecendo. Antes tarde do que nunca, pois o longa capricha em uma trama em que se explora pequenos gestos ou atitudes que fazem toda a diferença com relação ao destino do indivíduo. No caso do protagonista visto na trama, não importa quais caminhos ele toma, pois o seu destino está traçado de acordo com o impasse do seu próprio país que se encontra naquele momento.
Os pequenos detalhes que moldam o destino do protagonista se concentram na estação do trem, sendo causado por uma simples moeda, ou pelo tropeço que o protagonista faz contra um mendigo que está tomando uma cerveja. Quando começa essa cena já sabemos que há uma nova chance para o protagonista trilhar, mas sempre o levando por um caminho sem volta e do qual não consegue escapar. Sem nenhum aprofundamento com relação a teorias sobre viagem no tempo, mas sim somente explorando o lado mais humano das escolhas que o indivíduo toma e que define a sua pessoa.
Boguslaw Linda dá um show de interpretação ao interpretar Witek em três situações que o moldam como pessoa. Em algumas situações, por exemplo, nem parece a mesma pessoa de acordo com os rumos que escolheu a partir do momento em que alcança, ou não, o trem que tanto corria para alcançar. Isso faz com que tenhamos uma dimensão da maneira como um indivíduo tem diversas escolhas para tomar um rumo, mas tendo que aceitar o fato que as suas decisões podem mudar completamente o seu curso que havia traçado.
Diante disso Krzysztof Kieślowski capricha em planos sequências caprichados, onde em alguns momentos a câmera se torna a representação da perspectiva do protagonista, para logo depois tomarmos o seu lugar e vermos a sua expressão diante dos fatos que ocorrem em cena. Além disso, o cineasta prega uma ficção alinhada com o teor quase documental, onde a sua câmera acompanha os seus personagens de forma granulada, tremida e como se nos passasse o fato que aquilo é verossímil, ao menos é o que ele anseia que a gente sinta isso. Tudo alinhado com uma fotografia sombria, onde as cores vibrantes dos anos oitenta não obtêm espaço diante de um país indefinido com relação ao seu próprio futuro.
A terceira e última história se torna o momento mais simples e claro do longa, mas não menos chocante diante da cena final que nos faz refletir sobre o filme após a sua sessão. Ao final, constatamos que não teremos saída enquanto um governo estiver sempre em conflito com os seus interesses mesquinhos e fazendo da democracia se tornar um mero sonho. Não é sempre que uma ideia extraída da mais pura ficção nos rende algo que nos faça pensar sobre o que nos faz seres humanos diante das diversas escolhas que nós tomamos.
"Sorte Cega" é um mosaico de possibilidades que podemos obter a partir de nossas escolhas, mas tendo o risco de sempre adentrarmos em um beco sem saída.
Sinopse: Depois de salvar o Reino dos Cogumelos, Mario e seus amigos se encontram em uma missão intergaláctica para deter um novo vilão ameaçador.
O DRAMA
Sinopse: Apaixonados e no meio dos últimos preparativos para o grande dia do casamento, o casal entra em conflito ao descobrirem segredos que jamais poderiam imaginar. A imprevisibilidade do acontecimento coloca em risco toda a confiança e amor dos dois, trazendo ao longa uma nova perspectiva sobre o romantismo. Intrigados com a situação, eles passam a se perguntar se realmente conhecem um ao outro e precisam refletir sobre o futuro dos dois.
A Última Ceia
Sinopse: Os discípulos de Jesus se unem pela última vez antes da traição iminente. Cristo se prepara para oferecer o sacrifício final enquanto seus seguidores se veem perdidos sem o Mestre.
Neste sábado, dia 4 de abril, às 10h da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre promove uma sessão cheia de pirraça com a exibição do filme O Agente Secreto no Cine Bancários.
Filme brasileiro de maior destaque na última temporada, com premiações em Cannes, Globo de Ouro e quatro indicações ao Oscar, o longa mais recente de Kleber Mendonça Filho acompanha Marcelo, misterioso personagem vivido por Wagner Moura, que deixa São Paulo rumo ao Recife. Ao chegar à cidade em plena semana de Carnaval, ele se integra a um grupo de personagens enigmáticas, enquanto, aos poucos, vêm à tona episódios de seu passado e as tensões de um contexto de ditadura militar.
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 04/04, às 10h da manhã
📍 Local: Cine Bancários
Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico, Porto Alegre
🚨 Atenção para o horário das 10h, mais cedo que o nosso usual, levando em consideração que o filme possui 2h40min.
O Agente Secreto
Brasil, 2024, 158 min
Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Isabel Zuaa, Udo Kier
Sinopse: Em 1977, um professor universitário deixa São Paulo e segue para Recife, onde se envolve em uma rede de relações e situações marcadas por mistério, vigilância e violência.
A programação da primeira cinesemana de abril traz quatro estreias em nossas salas, incluindo um grande sucesso do cinema francês: A MULHER MAIS RICA DO MUNDO, em que a diva Isabelle Huppert dá vida a uma protagonista inspirada em um dos maiores escândalos da alta sociedade francesa. Outro destaque é A CRONOLOGIA DA ÁGUA, filme de estreia da atriz Kristen Stewart como diretora e com foco na história real de uma mulher que superou traumas pessoais por meio da escrita. A lista de novidades se completa com o longa brasileiro BARBA ENSOPADA DE SANGUE, drama baseado no romance do escritor Daniel Galera, e A COBRA NEGRA, coprodução entre Brasil e Colômbia ambientada no deserto de Tatacoa.
Segue em cartaz ENZO, filme póstumo do diretor francês Laurent Cantet, sobre um adolescente que deixa sua família rica para realizar os seus projetos pessoais, junto com O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO, produção chilena que traz a visão de uma adolescente sobre o início da disseminação da Aids. Em última semana, o público pode conferir NARCISO, novo longa do diretor Jeferson De, e EU, TU, ELE, ELA, primeiro longa da diretora Chantal Akerman (1950 – 2015) que volta aos cinemas em versão restaurada em 4k. Esta também é a última semana de exibição de A GRAÇA, sétima parceria do diretor italiano Paolo Sorrentino com o ator Toni Servillo, e do vencedor do Oscar de filme internacional VALOR SENTIMENTAL, de Joachim Trier.
Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicandoaqui.
França- Letônia- Estados Unidos – Reino Unido/Drama/2025/128min
Direção: Kristen Stewart
Sinopse: Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura.
Elenco Imogen Poots, Thora Birch, James Belushi :
RUAS DA GLÓRIA
Brasil/ Drama/ 2025/109 min.
Direção: Felipe Sholl
Sinopse:Ao sofrer uma grande perda, Gabriel deixa o Recife para se reinventar no Rio de Janeiro. Sozinho na nova cidade, o professor encontra Adriano, um garoto de programa com quem desencadeia uma conturbada paixão, que beira a obsessão.
Sinopse:Após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. Lá, ele encontra uma trama complexa em torno da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.
Elenco: Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller , Roberto Birindelli.
HORÁRIOS DE 02 A 08 DE ABRIL (não há sessões nas segundas):
14h50: RUAS DA GLÓRIA
16h50: CRONOLOGIA DA ÁGUA
19h10: BARBA ENSOPADA DE SANGUE
Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.
Sinopse: Lucas (Tom Blyth), um jovem policial infiltrado, é treinado para atrair e prender homens gays em banheiros públicos. Sua carreira e convicções são abaladas ao se apaixonar por Andrew (Russell Tovey), um de seus alvos.
Entre os anos oitenta e noventa havia uma perseguição contra a comunidade LGBT devido ao temor da AIDS. Infelizmente devido essa perseguição havia opressão, fazendo com que muitas pessoas não serem elas mesmas e fazendo se esconderem para não se machucarem internamente. "À Paisana" (2026) é o retrato de tempos conservadores onde o indivíduo se vê sufocado por não poder ser ele mesmo.
Dirigido por Carmen Emmi, o filme conta a história de Lucas (Tom Blyth), agente secreto com a missão de atrair homens gays para detê-los dentro dos banheiros. No entanto, durante uma festa de ano novo, ele se desespera com a possibilidade de encontrarem uma carta dele - que ninguém deveria ler. Há alguns meses, Lucas conseguiu aprender um homem chamado Andrew (Russell Tovey), mas o encontro com ele foi ainda mais íntimo e intenso.
Estreando na direção, Carmen Emmi cria uma curiosa edição de cenas, onde assistimos certas imagens pela perspectiva do protagonista, sendo que elas são granuladas, como se estivéssemos vendo cenas reais documentadas. Isso talvez seja proposital, já que o filme retrata tempos passados, cuja as imagens eram analógicas, sendo uma representação curiosa das câmeras escondidas que eram usadas com frequência pela vigilância conservadora. Neste caso, por exemplo, há uma vigilância ferrenha contra os gays no local onde o protagonista trabalha e fazendo do cenário do banheiro se tornar claustrofóbico e um beco sem saída.
Lucas se vê diante de diversos dilemas, pois aqueles que ele caça não são muito diferentes dele, sendo que o mesmo somente coloca para a fora a sua real natureza a partir do momento que conhece uma de suas vítimas de forma mais íntima. Tom Blyth surpreende em um papel que exige de sua pessoa, principalmente nas cenas onde ocorrem ataques de ansiedade e fazendo com que o protagonista deseje liberar todo o seu ser. Reparem, por exemplo, onde testemunhamos o passado e presente do protagonista, sendo que não temos uma certa noção em que período se passa certas cenas, mas cujo ato final as explicações vêm à tona.
Curiosamente, o filme me lembrou do recente "Ato Noturno" (2025), dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Em ambos os casos são longas que exploram a questão do indivíduo com receio perante o olhar conservadores da sociedade, mas que chega um ponto que o segredo se desfaz quando o ódio sufoca os oprimidos e fazendo com que os mesmos lutem para serem eles mesmos. Ao final, a liberação acontece em forma explosiva independente das consequências que venham a seguir.
"À Paisana" é um retrato cru de tempos mais conservadores e onde o diferente não podia agir como eles mesmos perante os olhares contestadores.