Sinopse: Na Chicago da década de 1930, uma cientista traz uma jovem assassinada de volta à vida para ser uma companheira para o monstro de Frankenstein. O que acontece em seguida está além do que qualquer um deles poderia ter imaginado.
Nos últimos tempos o clássico literário "Frankenstein" de Mary Shelley começou a ser redescoberto para essa nova geração através de novas adaptações ou simplesmente de filmes que prestam uma homenagem à obra. Se o recente "Frankenstein" (2025) de Guillermo del Toro busca ser fiel a sua fonte original, por outro lado, "Pobres Criaturas" (2023), de Yorgos Lanthimos, pega emprestado a ideia e criando uma obra original e provocadora. Temos então "A Noiva" (2026) que segue a premissa do clássico literário, mas sendo modelado para provocar essa nova geração de cinéfilos.
Dirigido pela atriz e diretora Maggie Gyllenhaal, o longa se passa em Chicago na década de 1930 e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada que ganha vida novamente. Sua trágica morte é conhecida pelo monstro do cientista Frankenstein que, solitário, pede por uma companhia para a Dr. Euphronius revive-la. Os dois, então, trazem de volta à vida uma jovem e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva.
Vou ser direto e deixar claro que esse filme não é para todos, sendo que é mais direcionado para os fãs da obra literária, como também para aqueles que são apaixonados pelo próprio cinema. Digo isso porque a trama se passa nos anos trinta, tempos em que a libertinagem e a cultura andavam de mãos dadas até que a igreja conservadora se meteu em cena e obrigando os estúdios a criarem famigerado Código Hays. Esse período, por sua vez, foi visto no longa "Babilônia" (2022), ótimo filme que se aprofunda nesse período, mas sendo ignorado na época de lançamento pelo grande público.
Isso talvez venha acontecer inicialmente com "A Noiva", já que ele não veio para agradar ninguém, mas sim provocar e fazer a pessoa pensar se ela quiser. Maggie Gyllenhaal tem consciência do vespeiro em que está se metendo, ao alinhar elementos até mesmo de outros gêneros e fazendo uma transição entre horror e musical. Se "Coringa: Delírio a Dois" (2024) foi apontado como problemático neste quesito, o filme de Maggie Gyllenhaal não fugirá desse julgamento.
Curiosamente, é notório que alguns elementos vistos aqui são semelhantes ao serem comparados com o polêmico filme de Todd Phillips. Jessie Buckley interpreta uma Noiva que mais parece uma entidade da natureza fora do controle antes mesmo de se tornar a criatura da trama e provocando aqueles que a ofendem ou quando se vê diante de uma situação politicamente incorreta contra as mulheres. Sua atuação é tão assombrosa que se o mundo fosse perfeito deveria ter sido ela Arlequina no já citado "Coringa: Delírio a Dois".
Christian Bale, por sua vez, tem uma atuação que é quase nublada perante a sua companheira de cena, mas se esforçando ao máximo para nos apresentar a criatura de Frankenstein de uma maneira nunca vista. Ambos em cena colaboram para que o filme ganhe diversos contornos, por vezes, pouco lúcidos e nos brindando com situações que beiram o surreal. Não há explicação do momento quando todos surtam em uma festa e o casal central começa a dançar, pois o que vale é aceitar e mergulhar nesta insanidade que nem todos irão comprar.
O filme talvez seja acusado por adotar um discurso feminista que por vezes surge do nada, mas que talvez se case com a proposta inicial da diretora. O filme nada mais é sobre uma síntese de seres desajustados perante um mundo que não os aceita, mas que mesmo assim abraçam a ideia de não dar satisfação para aqueles que os julgam de forma tão fácil. Ao meu ver, o filme é uma representação do próprio posicionamento de Maggie Gyllenhaal e da qual a mesma espera que o tempo julgue o seu longa futuramente.
Com uma curiosa homenagem ao clássico "Bonnie e Clyde" (1967) na reta final da história, "A Noiva" é um verdadeiro estranho no ninho nos tempos atuais de uma Hollywood presa ao único pensamento em adquirir lucro.
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