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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 12 de maio de 2020

Cine Dica: Durante a Quarentena Assista: 'Distúrbio'

Sinopse: Traumatizada e angustiada por um assunto do passado, a jovem Sawyer procura ajuda em uma clínica, onde acaba ficando presa. Lá, ela acredita que está sendo perseguida e começa a questionar se tudo é real ou uma invenção da sua cabeça.

"Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça". Era assim que o nosso mestre do cinema brasileiro Glauber Rocha dizia sempre ao se referir sobre fazer cinema, pois não importa o quanto tenha de pirotecnia nas mãos, pois o que conta mesmo é a sua criatividade e da maneira como se fazer um ótimo filme. Independente de qual tipo de câmera seja usada, é através dela que enxergamos o lado autoral e o perfeccionismo de um cineasta e do qual pode resultar em uma obra que dificilmente será esquecida.
Steven Soderbergh é um desses casos de cineastas criativos, dos quais mesmo com pouco recursos na mão conseguiu obter grande êxito. Vindo do cinema independente como, por exemplo, "Sexo, mentiras e videotape" (1989), para superproduções como o genial, para não dizer profético "Contágio" (2011), Soderbergh construiu uma carreira sólida ao realizar filmes muito diferentes um do outro, mas que na maioria deles passavam a sua criatividade e muito para ser dito. "Distúrbio" é um filme rodado com poucos recursos, mas demonstrando todo o seu potencial de criatividade e na sua ótima direção com o elenco.
O filme conta a história de Sawyer Valentini, interpretada pela atriz Claire Foy da série (2016), que está sendo perseguida por um perigoso stalker virtual (Joshua Leonard). Ao tentar recorrer à ajuda legal, ela é involuntariamente cometida à uma instituição mental onde é confrontada pelo seu maior medo - mas é real ou apenas um produto de sua ilusão? 
Logicamente, o que chama em primeiro lugar nesse filme é o fato de Soderbergh rodar todo ele em  iPhones e passando para nós uma sensação de simplicidade com relação a determinadas cenas, mas não escondendo a criatividade do cineasta na maneira como ele fez para realiza-las. Com ângulos de câmera criativos, o filme nos passa uma sensação, tanto claustrofóbica com relação ao que a protagonista passa, como também uma sensação de pesadelo constante, como se tudo o que a gente está testemunhando pode ser, ou não, delírios da protagonista. Muito se deve, tanto na forma de filmar do cineasta, como também na atuação de Claire Foy e que aqui nos brinda com uma das grandes atuações de sua carreira.
Desde o início da projeção, temos a sensação de que sua personagem Sawyer esteja com sérios problemas mentais e fazendo a gente duvidar sobre as suas reais motivações e pensamentos. Porém, na medida em que a trama avança, cada vez mais desconfiamos que algo está extremamente errado e fazendo com que passemos a torcer para que ela se dê bem ao final desse percurso. O problema é ela dar de encontro com o sistema corrupto do universo da medicina, do qual não mede esforços para obter algum lucro por meio da saúde das pessoas.  
É aí então que o roteiro se divide entre o verossímil, para momentos, por vezes, ligeiramente absurdos. Nada contra aos pontos forçados da trama para fazer com que acreditemos na protagonista, mas ao surgir em cena a verdadeira causa dos problemas da protagonista, os roteiristas se arriscaram ao tentar nos convencer de que aquilo realmente seria possível. Se por um lado isso soe um tanto que forçado, ao menos, isso é compensado pela ótima atuação, tanto da atriz principal, como os demais do elenco secundário e que cada um está ali por ter uma participação extremamente essencial no decorrer do tempo.
Do final do segundo ato, para o terceiro e final ato em diante, o filme se divide entre a imprevisibilidade com momentos em que se é usado velhas fórmulas do cinema de suspense. Nas mãos de outros cineastas, talvez, o resultado seria parcial, mas Steven Soderbergh consegue obter a nossa satisfação de forma eficaz na medida do possível. O minuto final pode até parecer bobo, mas ao mesmo tempo ele soa divertido e sendo uma espécie de refresco perto de tudo que a nossa protagonista havia passado até aquele ponto.
Com uma participação hilária de Matt Damon, “Distúrbio” é um ótimo exemplo de criatividade do qual é realizado com poucos recursos, mas que conta com a genialidade e na forma de filmar vinda de um grande mestre cinematográfico.   

Onde assistir: Amazon Prime Video 

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