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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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domingo, 29 de outubro de 2023

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 26 DE OUTUBRO A 01 DE NOVEMBRO

 ESTREIAS:


OS DELINQUENTES


Argentina-Brasil/2023/Drama/190 min.

Direção: Rodrigo Moreno

Sinopse: Morán e Román procuram fugir das obrigações da sociedade e do mundo do trabalho. Um deles comete um assalto e desaparece por alguns dias, descobrindo uma alternativa à vida monótona e chata a que estava acostumado. Enquanto isso, o outro esconde em casa uma grande quantia em dinheiro que não lhe pertence. O destino comum como novos criminosos une os dois homens e enquanto isso, o cúmplica Román conhece uma mulher que transforma a sua vida para sempre.

Elenco: Esteban Bigliardi, Margarita Molfino, Mariana Chaud



MESMO QUE TUDO DÊ ERRADO,  JÁ DEU TUDO CERTO

Brasil/2023/ Documentário/120min.

Direção: Lais Chaffe

Sinopse:  As experiências que vêm inspirando a obra de um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea, a santista Maria Valéria Rezende, são tema do documentário Mesmo que tudo dê errado, já deu tudo certo. O filme destaca as andanças da escritora pelo mundo como educadora popular, a resistência à ditadura militar, seu ativismo, a opção pelos invisíveis, o movimento Mulherio das Letras, a vocação religiosa, o humor afiado com o qual ela questiona rótulos como os de "freira feminista" e "freira comunista".


EM CARTAZ:

MEU NOME É GAL

Brasil/Drama/90min

Direção: Dandara Ferreira e Lô Politi

Sinopse: Meu Nome é Gal acompanha de perto e de dentro o breve e efervescente momento da Tropicália, o principal movimento da contracultura no Brasil, responsável pela maior mudança musical e comportamental que o país já viveu. Gal Costa foi a principal voz feminina do Tropicalismo mas, para isso, precisou se libertar das amarras de uma timidez que quase a impediu de seguir sua vocação inequívoca. Com sua presença, sua atitude, seu corpo e sua voz, Gal Costa transformou a música brasileira e também toda uma geração, principalmente de mulheres. O filme mostra como ela e seus companheiros Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Jards Macalé, Tom Zé e Wally Salomão, ainda muito jovens, enfrentaram a dificuldade de serem tão vanguardistas em meio ao conservadorismo e à violência impostos pela ditadura militar no Brasil.

Elenco: Sophie Charlotte, Rodrigo Lellis, Camila Mardila, Luis Lobianco, Dan Ferreira, Dandara Ferreira, Chica Carelli e George Sauma


HORÁRIOS 26 DE OUTUBRO A 01 DE NOVEMBRO (NÃO HÁ SESSÕES NAS SEGUNDAS-FEIRAS):


15H: MESMO QUE TUDO DÊ ERRADO,  JÁ DEU TUDO CERTO

17H: MEU NOME É GAL

19H: OS DELINQUENTES


Os ingressos podem ser adquiridos por R$ 12,00 na bilheteria do cinema . Idosos, estudantes, bancários sindicalizados, jornalistas sindicalizados, portadores de ID Jovem, trabalhadores associados em sindicatos filiados a CUT-RS e pessoas com deficiência pagam R$ 6,00.Aceitamos Banricompras, Visa, MasterCard e Elo.

ATENÇÃO: NAS QUINTAS-FEIRAS TODOS PAGAM MEIA ENTRADA EM TODAS AS SESSÕES!

CINEBANCÁRIOS :Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre -Fone: 30309405/Email:cinebancarios@sindbancarios.org.br


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO DE 26 DE OUTUBRO A 1º DE NOVEMBRO DE 2023

 SEGUNDA-FEIRA NÃO HÁ SESSÕES

A cinesemana deste finalzinho de outubro traz muitas novidades para o nosso público. São três estreias: o longa argentino OS DELINQUENTES, de Rodrigo Moreno; o italiano BRADO, de Kim Stuart; e o documentário PELE, do diretor mineiro Marcos Pimentel.

Atendendo a pedidos, o filme MEU NOME É GAL, das diretoras Lo Politi e Dandara Ferreira, entra em cartaz na nossa programação, fazendo uma dobradinha de música brasileira com ELIS & TOM – sucesso absoluto de público aqui na Cinemateca Paulo Amorim.

A semana ainda garante algumas sessões especiais na programação. Entre os destaques estão a pré-estreia de AFIRE, novo filme do festejado diretor alemão Christian Petzold, e uma exibição especial pelo DIA DA ANIMAÇÃO, com curtas nacionais e estrangeiros. Para entrar no clima do Halloween, teremos uma sessão comentada de PSICOSE, clássico absoluto (e assustador) de Alfred Hitchcock.


Confira a programação completa e o portal do cinema gaúcho em www.cinematecapauloamorim.com.br


SALA PAULO AMORIM


15h15 – OS DELINQUENTES - ESTREIA Assista o trailer aqui.

(Argentina/Brasil, 2023, 190min). Direção de Rodrigo Moreno, com Daniel Elias e Esteban Bigliardi. Vitrine Filmes/Mubi, 14 anos. Comédia dramática.

Sinopse: Morán planeja um crime perfeito para se livrar da monotonia do seu cotidiano: ele vai roubar do banco onde trabalha o suficiente para uma aposentadoria modesta, confessar o crime e, quando sair da prisão, poderá viver a vida que sempre quis. Mas, para o plano dar certo, Morán terá que contar com a ajuda de Román, que também trabalha no banco e precisa esconder o dinheiro até que ele saia da cadeia. O longa foi indicado pela Argentina para concorrer ao Oscar de melhor filme internacional.


19h15 – MEU NOME É GAL Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2022, 90min). Direção de Lo Politi e Dandara Ferreira, com Sophie Charlotte, Rodrigo Lelis e Dandara Ferreira. Downtown/Paris Filmes, 16 anos. Cinebiografia.

Sinopse: Com sua presença, sua atitude, seu corpo e sua voz, Gal Costa foi a musa do movimento Tropicalista e ajudou a transformar os rumos da música e da cultura brasileiras. Junto com os companheiros Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Jards Macalé, Tom Zé e Wally Salomão, ela enfrentou as dificuldades de ser de vanguarda em meio ao conservadorismo e à violência impostos pela ditadura militar no Brasil.

(NÃO HAVERÁ SESSÃO NA TERÇA, DIA 31)


SALA EDUARDO HIRTZ

PRÉ-ESTREIA

DOMINGO, DIA 29, ÀS 19h


AFIRE Assista o trailer aqui.

(Roter Himmel - Alemanha, 2023, 103min). Direção de Christian Petzold, com Thomas Schubert, Paula Beer, Langston Uibel, Enno Trebs, Matthias Brandt. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: Um grupo de jovens, entre conhecidos e desconhecidos, é obrigado a conviver por alguns dias em uma casa de férias junto ao mar Báltico. À medida que o tempo passa, surge um clima de amizade e até de romance em parte do grupo, enquanto Leon se irrita com o desenrolar da situação. Lá fora, os dias estão quentes, não chove há semanas e as florestas secas da região começam a pegar fogo. O filme foi o vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim 2023.


14h45 – BRADO - ESTREIA Assista o trailer aqui.

(Itália, 2022, 117min). Direção de Kim Rossi Stuart, com Saul Nanni, Kim Rossi Stuart, Viola Sofia Betti. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: Tommaso precisa voltar para casa depois que seu pai, Renato, sofre um ferimento grave. Além de cuidar do rancho da família, Tommaso terá que ajudar Renato a domar um cavalo bravo e vencer uma competição internacional. Junto com isso, os dois terão que encontrar um caminho para superar a raiva e os ressentimentos do passado.


17h – ELIS & TOM, SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2022, 100min). Documentário de Roberto de Oliveira. O2 Play, 12 anos.

Sinopse: Lançado em 1974, "Elis & Tom" é um dos discos mais importantes da história da música brasileira. As gravações deste encontro entre Elis Regina e Tom Jobim ficaram guardadas por mais de quatro décadas e ganham às telas dos cinemas depois de um cuidadoso processo de restauração e remasterização. Além de clássicos como “Águas de Março”, Chovendo na Roseira” e “Modinha”, o público vai conhecer os bastidores no estúdio, incluindo algumas tensões e um pouco do processo criativo destes monstros sagrados da nossa música. A produção é também um reencontro emocionante do diretor com amigos e com os artistas envolvidos no projeto.


19h – BRADO (SOMENTE NOS DIAS 26 E 27)

(Itália, 2022, 117min). Direção de Kim Rossi Stuart, com Saul Nanni, Kim Rossi Stuart, Viola Sofia Betti. Imovision, 14 anos. Drama.

Sinopse: Tommaso precisa voltar para casa depois que seu pai, Renato, sofre um ferimento grave. Além de cuidar do rancho da família, Tommaso terá que ajudar Renato a domar um cavalo bravo e vencer uma competição internacional. Junto com isso, os dois terão que encontrar um caminho para superar a raiva e os ressentimentos do passado.


SESSÕES ESPECIAIS DA SEMANA

SÁBADO, DIA 28, ÀS 19h – ENTRADA FRANCA


DIA INTERNACIONAL DA ANIMAÇÃO

(2023, 110min).

Sinopse: Mostra de curtas nacionais e estrangeiros. As animações internacionais vêm da Inglaterra, Argentina, Austrália e Canadá; já a seleção brasileira reúne curtas de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do filme gaúcho "Carcinização", que concorreu no Festival de Gramado.


QUARTA, DIA 1º, ÀS 19h – MEIA ENTRADA (R$ 7,00)


SEMANA DO HORROR

(Psycho - Estados Unidos, 1960, 109min). Direção de Alfred Hitchcock, com Janet Leigh e Anthony Perkins.

Sinopse: Marion rouba 40 mil dólares para se casar com o namorado e, na fuga, decide passar a noite em um hotel que encontra pelo caminho. Quem a recebe é Norman Bates, um jovem que tem uma relação conturbada com sua mãe. Clássico do cinema, o filme foi indicado a quatro Oscars e é baseado no livro de Robert Bloch.

(APÓS SESSÃO HAVERÁ DEBATE SOBRE CINEMA E LITERATURA COM MÔNICA KANITZ E RENATA DE SOUZA.)


SALA NORBERTO LUBISCO


15h – ELAS POR ELAS Assista o trailer aqui.

(Tell It Like a Woman – Itália/Estados Unidos, 2022, 112min). Direção de Silvia Carobbio, Catherine Hardwicke, Taraji P. Henson, Mipo Oh, Lucía Puenzo, Maria Sole Tognazzi e Leena Yadav. Elenco formado pelas atrizes Marcia Gay Harden, Eva Longoria, Freida Pinto, Leonor Varela, Margherita Buy, Andrea Vergoni, Jennifer Hudson, Jennifer Ulrich. A2 Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse:  O filme reúne sete histórias dirigidas e protagonizadas por mulheres em lugares tão diferentes quanto Estados Unidos, Índia, Japão ou Itália. Em cada curta-metragem, as mulheres vivem episódios sobre amizade, desafios profissionais, preconceito, maternidade, família ou violência doméstica que exigem determinação e coragem.  O filme é uma iniciativa da associação We Do It Together e o objetivo é transmitir mensagens de empoderamento e unidade feminina.


17h15 – PELE - ESTREIA Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2022, 75min). Documentário de Marcos Pimentel. Embaúba Filmes, 12 anos.

Sinopse:  A partir de grafites, pichações, símbolos, palavras de ordem e declarações de amor, o documentário faz uma interseção entre arte urbana e engajamento político, mostrando como a história recente do país se espalhou pelos muros e prédios das grandes cidades. Os registros foram captados nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.


18h45 – RETRATOS FANTASMAS Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2023, 91min). Documentário de Kleber Mendonça Filho. Vitrine Filmes, 12 anos.

Sinopse:  O quinto filme do diretor é uma visão pessoal sobre memória e cotidiano. A partir de materiais de arquivo, próprios e pertencentes a instituições, ele costura lembranças sobre o apartamento onde cresceu e sobre os antigos cinemas de rua de Recife, o que acaba revelando algumas verdades sobre a vida em sociedade. O documentário estreou no Festival de Cannes, em maio, e foi o filme de abertura do Festival de Cinema de Gramado 2023.


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 14,00 (R$ 7,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 16,00 (R$ 8,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). CLIENTE BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES MEDIANTE PAGAMENTO COM O CARTÃO DO BANCO.

Estudantes devem apresentar Carteira de Identidade Estudantil.

Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Cine Especial: 'O Exorcista - 50 Anos Depois'

Na minha infância eu era uma criança medrosa, ao ponto de ter medo até mesmo da transformação do Hulk na cultuada série para a tv. Quando filmes de terror eram anunciados durante os comerciais eu ficava morrendo de medo, pois o narrador colaborava para eu sentir isso durante a chamada. Nunca me esqueço do anúncio de um filme de terror na tarde da noite, sendo que não me lembro do seu título, mas foi o suficiente para deixar as minhas pernas moles de tanto medo.

Porém, eu me desafiava, ao ponto de desobedecer aos meus pais em assistir a determinados filmes de horror. Muitos deles foram exibidos na saudosa "Sessão das Dez" do SBT e foi a partir dessa sessão que eu tive a chance de assistir obras cultuadas como "Um Lobisomem Americano em Londres" (1981). Curiosamente, me lembro que assistia junto com a minha mãe, enquanto o meu pai dormia mais cedo devido ao trabalho ou quando ele pegava o turno da noite. Porém, embora a minha mãe assistisse filmes de horror comigo, ela nunca permitiu que eu assistisse ao clássico absoluto "O Exorcista" (1973).

Me lembro muito bem quando esse filme era anunciado no SBT, pois o canal do Silvio Santos alardeava como o melhor filme de horror de todos os tempos e cuja trilha sonora ao fundo não era pertencente a obra, mas sim do filme "Poltergeist - O Fenômeno" (1982). Foi algo que me assombrou por vários anos, como se assistir aquele filme era o mesmo que me sentenciar ao inferno. Quando o filme completou vinte cinco anos ele acabou ganhando uma matéria especial no programa do Fantástico da Globo, fazendo com que os meus pais se assustassem ainda mais, porém, eu estava disposto em encarar o demônio após aquele programa que marcou a minha adolescência.

Dias depois, eu fui em uma locadora das redondezas, onde eu loquei o clássico escondido dos meus pais e finalmente consegui quebrar o tabu. Era tempos em que eu tinha dois vídeos cassetes eu aproveitei para fazer uma cópia para rever quando eu quisesse. Não demorou muito para a minha mãe descobrir que eu havia assistido, mas decidiu também assistir e assim quebrar com os seus temores. Assim foi a minha cruzada para desfrutar pela primeira vez a chance de conhecer um dos filmes mais assustadores de todos os tempos.

Baseado no livro escrito por William Peter Blatty, "O Exorcista" foi dirigido por William Friedkin, que na época era conhecido pelo seu premiado "Operação França" (1971). Ao embarcar no projeto, o cineasta optou em não seguir as velhas fórmulas dos filmes de horror, como casas fantasmagóricas ou algo do gênero, mas sim retratar a trama com pés firmes no chão, como se aquela terrível trama poderia realmente acontecer no mundo real. É aí que descobrimos o verdadeiro potencial do clássico, ao possuir um alto grau de verossimilhança e fazendo com que o público da época adentrasse ainda mais na trama.

Acima de tudo, Friedkin era um diretor que ia ao extremo, ao ponto de usar armas de fogo durante o set de filmagens com o intuito de deixar todos tensos e tornar as cenas ainda mais convincentes na medida do possível. O que dizer da famosa cena do telefone, onde o padre Karras, interpretado pelo ator Jason Miller, leva o maior susto quando o telefone toca, quando na verdade foi o diretor que disparou perto da cabeça do intérprete durante a filmagem da cena. Como se isso já não bastasse, a intérprete Ellen Burstyn é arremessada para longe por sua filha possuída, sendo que atriz bateu violentamente com as costas contra a cama e gritou de dor no mesmo instante. 

Por mais mórbido que seja, esse grau de perfeccionismo se alinhou com perfeição com os efeitos práticos da época, sendo que alguns podem até ter envelhecido mal, mas são muito melhores do que esses CGI que vemos por aí hoje em dia. O quarto da menina possuída, por exemplo, foi todo rodado constantemente refrigerado, para que se pudesse capturar com exatidão a respiração gélida dos atores. Para tanto, foram usados quatro aparelhos de ar-condicionado, todos ligados simultaneamente. 

O que impressiona ainda mais hoje em dia é a sua maquiagem, já que Linda Blair simplesmente desaparece e dando lugar a um rosto demoníaco e que amedrontou uma geração inteira. Porém, o que mais me impressionou foi a maquiagem que fez envelhecer o ator Max von Sydow, que na época eu ainda não o conhecia através dos filmes de Ingmar Bergman e fazendo me convencer que era realmente uma pessoa idosa. É uma pena, portanto, que na época não havia uma premiação para a categoria no Oscar, sendo que ela somente foi criada a partir do início dos anos oitenta e para premiar o já citado "Um Lobisomem Americano em Londres".  

Curiosamente, William Friedkin também tinha uma predileção pela área do documentário, já que em alguns momentos testemunhamos diversos planos-sequência, seja nas cenas em que vemos os personagens correrem nas escadas, ou do modo frio e calculista no retrato dos hospitais da época. É neste ponto, por exemplo, que os cinéfilos daquele ano tiveram ainda mais incomodo durante a projeção, já que a forma que os médicos tentavam encontrar uma solução para a jovem regam chegava a ser tão assustador quanto as cenas de exorcismo. Vale destacar que estamos falando de tempos em que a medicina ainda não estava avançando como se deveria e testemunhamos o horror que é um hospício quando padre Karras vai visitar a sua mãe enferma.

Portanto, o gênero fantástico transitando com o lado realístico do mundo foi a fórmula certa para o grande sucesso que esse filme acabou obtendo. Filas quilométricas invadiram as calçadas para entrarem nos cinemas, a crítica especializada aclamou o filme como o mais assustador de todos os tempos e se tornando a primeira obra de horror a ser indicada ao Oscar de melhor filme. Claro que tudo isso renderia continuações, séries, mas nenhum superando o poder que esse clássico havia adquirido.

O longa de William Friedkin é aquele tipo de projeto que nasceu com o intuito de sobreviver além de sua época de lançamento e neste caso conseguiu com grande êxito. Além do diretor, é preciso também dar crédito ao seu elenco, em especial a Ellen Burstyn que aqui obtém, não somente um dos melhores papeis da carreira, como também soube nos passar o que uma mãe sente ao testemunhar o horror que a sua cria sofre ao não saber como ajudá-la. Já Linda Blair jamais se desvencilhou de sua melhor atuação da carreira, sendo que após esse grande sucesso ela não obteve outro grande desempenho, ao ponto de se entregar ao lado satírico da situação na comédia "A Repossuída" (1990).

Curiosamente, o filme obteve uma versão estendida com onze minutos a mais e com alguns efeitos visuais inseridos em determinadas cenas em 2001. Tive, portanto, a grande chance de assistir ao filme no saudoso Cine Imperial de Porto Alegre e ter uma noção do que o público sentiu quando testemunhou pela primeira vez esse filme no início dos anos setenta. Para alguém que fugia desse grande filme de horror eu acabei no final me superando com louvor.

"O Exorcista" é o melhor filme de horror de todos os tempos, sendo algo até hoje insuperável e que nem a própria Hollywood atual consegue obter outro grande feito. 



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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Cine Dica: Streaming - 'Jogo Justo'

Sinopse: Uma promoção inesperada em um fundo de investimentos competitivo leva o relacionamento de um casal ao limite, ameaçando muito mais do que seu recente noivado. 

Em tempos em que as grandes empresas crescem mais rápido que o próprio tempo parece que há uma competição desenfreada entre as pessoas, mesmo quando as mesmas são próximas uma da outra. Em tempos em que o machismo se encontra encurralado o mesmo se mostra cada vez mais fragilizado e pensando somente em si mesmo. "Jogo Justo" (2023) é um eficiente trailer de suspense psicológico, onde a busca pelo poder desencadeia consequências desastrosas e ao mesmo tempo revelando o cenário misógino.

Dirigido por  Chloe Domont, o filme é estrelado por Phoebe Dynevor (Bridgerton) e Alden Ehrenreich (Han Solo: Uma História Star Wars). O filme acompanha o jovem casal Emily (Dynevor) e Luke (Ehrenreich), que trabalha em uma empresa de finanças e embarca em um romance proibido que vai contra as regras da organização. O segredo parece tornar as coisas ainda mais intensas, e tudo parece ir muito bem no relacionamento - até que Emily é promovida inesperadamente. Agora, os dois serão levados ao limite e devem enfrentar ameaças que podem afetar muito mais do que sua relação.

Um suspense não precisa de um assassino mascarado ou qualquer monstro dentro do gênero, mas sim fazer um retrato das verdadeiras tensões do dia a dia em que as pessoas convivem na esperança de conseguir melhores status dentro do emprego. Quando não se consegue surgir então a frustração e podendo revelar a verdadeira face da pessoa que não consegue aceitar a derrota de uma maneira fácil. Neste filme, vemos o papel do homem machista, que surge a partir do momento em que a mulher ganha um cargo que era a sua maior ambição e não aceitando de bom grado.

Vividos por Phoebe Dynevor e Alden Ehrenreich, ambos estão ótimos em cena, principalmente por demonstrarem total química e fazendo a gente acreditar por um momento em que eles são um casal perfeito. Porém, os primeiros minutos dizem ao contrário, já que a empresa onde trabalham eles mantem a relação em segredo e fazendo a gente se perguntar se esse amor é apenas uma cortina de fumaça para ocultar os reais interesses de ambos. As máscaras caem quando um cargo é disputado e revelando o jogo de cintura entre os funcionários e já nos passando uma noção de quem obterá a chance e quando alguém cairá pelo mal rendimento.

O filme ganha contornos cada vez mais pesados na medida em que Luke começa a se desconstruir na tentativa de crescer na empresa, quando na verdade se mantém mais distante dela e começando a se tornar o monstro que estava escondendo dentro de si. Já Emily não esconde as suas ambições de crescer no cargo, mas se esforçando para obter poder e jamais se vendendo ao sistema em si. Interessante observar, por exemplo, as cenas em que ela somente observa o cenário em que ela trabalha, onde vê como as engrenagens funcionam e se dando conta o quanto podem ser descartáveis a qualquer momento.

Do segundo ao terceiro ato o filme desencadeia para um caminho sem volta, onde a realidade do casório começa a desmoronar, onde Luke revela o seu verdadeiro ser e ameaçando a vida profissional de Emily como um todo. Chloe Domont filma como ninguém essas cenas, alinhado com a interpretação do casal central e cujo mesmos se entregam ao máximo em momentos pesados e de pura tensão. Aguardem para a cena do escritório onde Luke está completamente fora de si, ou quando ele e Emily fazem sexo dentro do banheiro, mas gerando uma situação imperdoável.

Em tempos em que o machismo se encontra, com razão, cada vez mais encurralado, o mesmo se vê diante de suas fraquezas e não aceitando o sexo feminino se igualar a ele como um todo. O filme em si mostra esse machismo sufocado, enlouquecido e revelando, enfim, um monstro para ser logo enjaulado. "Jogo Justo" é a briga pelo poder, pelos status e ao mesmo tempo revelando a verdadeira fraqueza do homem perante os novos tempos.       



Onde Assistir: Netflix

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Cine Dica: Clint Eastwood - Ícone do cinema clássico norte-americano

 Ícone do cinema clássico norte-americano

O ator e cineasta americano Clint Eastwood é normalmente vítima de uma sensibilidade atual que varre para debaixo do tapete as ambiguidades e complexidades do ser humano e de uma obra de arte. Daí ele e seus filmes serem considerados racistas, belicistas ou reacionários, o que um olhar atento negará. Está na ambiguidade, aliás, sua maior força.

Eastwood se apoia na complexidade do ser humano e nas contradições de suas ações porque sabe que a melhor arte é ambígua, dificilmente redutível a uma única classificação. Como ele questiona o politicamente correto, principalmente por ser de uma outra geração, mas também por encontrar na prática alguns exageros e uma certa hipocrisia, a incompreensão aumenta.


Objetivos

O curso Clint Eastwood: Entre Meninos e Lobos, de Sérgio Alpendre, não vai se limitar a falar sobre a vida de Clint Eastwood, seu posicionamento político e suas declarações. O interesse do estudo estará direcionado à reflexão sobre sua condição de realizador clássico do cinema norte-americano e ao pensar sobre seus filmes e no que eles nos dizem e informam sobre sua personalidade. É neles que estão todos os elementos necessários para estudar seu cinema, marcado pela crença no indivíduo e por um humanismo que parece não mais existir.


* APROVEITE O LOTE COM VALOR PROMOCIONAL *


Ministrante: SÉRGIO ALPENDRE

Crítico e professor de cinema, jornalista, pesquisador, curador e consultor para textos. Escreve na Folha de S. Paulo, no site Leitura Fílmica e no blog pessoal sergioalpendre.com, entre outros veículos. É doutor em Comunicação pela UAM - SP, mestre em Cinema pela ECA-USP. Atualmente faz pós-doutorado em Comunicação na PUC-RS. Ministrou o curso Panorama do Cinema Japonês pela Cine UM.


Curso

CLINT EASTWOOD: ENTRE MENINOS E LOBOS

de Sérgio Alpendre


* Datas

28 e 29 de Outubro

(sábado e domingo)


* Horário

14h30 às 17h30


* Local

Cinemateca Capitólio

(Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)


INSCRIÇÕES / INFORMAÇÕES

https://cinemacineum.blogspot.com/2023/09/clint-eastwood.html


Realização

Cine UM Produtora Cultural

Apoio

Cinemateca Capitólio


quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Cine Dica: Streaming - 'Ninguém Vai Te Salvar'

Sinopse: A trama segue uma jovem reclusa que sofre de transtorno de ansiedade e luta para sobreviver aos seres extraterrestres que invadiram sua casa. 


Em certa ocasião o mestre Charles Chaplin disse que o cinema sonoro matou o cinema, já que os primeiros anos da sétima arte as histórias eram contadas somente pela imagem e pelos movimentos e expressões dos atores e atrizes. Embora hoje estejamos mais do que acostumados com o som é bem da verdade que uma trama pode sim ser bem compreendida sem nenhum diálogo, desde que a trama possua um bom roteiro e um grande intérprete em cena. "Ninguém Vai te Salvar" (2023) é mais ou menos isso, um horror de ficção que se sustenta sem nenhum diálogo e se tornando incomum para os olhares contemporâneos.

Dirigido por Brian Duffield, o filme é estrelado por estrelado por Kaitlyn Dever (Fora de Série, Inacreditável). Na trama, Brynn Adams (Dever) é uma garota que vive isolada da sociedade, passando os dias na casa onde cresceu e lutando para controlar seu transtorno de ansiedade e, pouco a pouco, superar a morte da mãe e da melhor amiga. Porém, um dia, seu santuário de solidão são abalados por intrusos extraterrestres que invadem seu lar e a forçam a lidar com cada um dos traumas do seu passado.

Pegando uma premissa simples, o diretor Brian Duffield nos brinda com uma narrativa que em que faz um estudo sobre a solidão e a culpa e como ambas moldam a protagonista ao longo da história. Durante todo o filme não há quase nenhum diálogo, sendo que temos somente Brynn Adams em cena e somente algumas pessoas que surgem na cidade próxima da casa dela. Porém, ela mantém distância dessas pessoas, tendo certo receio e cujo esse medo aos poucos é revelado na projeção.

Até lá, somos conduzidos a ter que encarar a protagonista tendo que se virar contra uma invasão na sua casa, mas não de pessoas comuns, mas sim de alienígenas peculiares e que não sabemos ao certo porque eles estão ali. Curiosamente, as figuras vindas de outro mundo possuem características familiares, já que havíamos testemunhado elas, tanto no cinema, como também em séries, livros e HQ. Aqui elas retornam, mas sendo filmadas de uma forma que aparentam serem mais ameaçadoras do que se imagina e fazendo a gente temer pela protagonista.

Porém, o verdadeiro vilão da trama acaba não sendo os seres vindos do próprio mundo, mas sim os próprios sentimentos da jovem, que convive com uma culpa que lhe corroí por dentro e na medida em que a trama avança vamos conhecendo o do porquê disso. Até lá, o realizador nos brinda com maravilhosas cenas muito bem filmadas, desde aos movimentos inusitados com a câmera, como também no uso de efeitos sonoros mirabolantes e que dos quais elevam a tensão ao máximo. Isso sem contar a poderosa trilha sonora de Joseph Trapanese e da qual as suas notas tornam certos momentos muito mais tensos e imperdíveis.

O terceiro ato final nos reserva diversas reviravoltas na trama e que fazem a gente se perguntar sobre qual será o real destino da protagonista. Acima de tudo, o filme fala sobre dores, culpa e o medo cada vez maior das pessoas em não saberem se conduzir ao círculo de amizades de hoje em dia, já que existe um número cada vez mais crescente de pessoas que não sabem se interagirem mais e cabem as mesmas quebrarem esse muro invisível que os aflige. Por conta disso, o filme pode ser tanto interpretado como uma boa ficção de horror, como também uma bela reflexão sobre o comportamento atual de todos nós.

"Ninguém Vai te Salvar" é uma das mais gratas surpresas desse ano, da qual uma simples ficção de horror nos conduz para uma interessante análise sobre os medos mais profundos de todos nós.   

Onde Assistir: Star+ 

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Cine Dica: Sessões Clube de Cinema 28 e 29/10/2023

Segue a programação do Clube de Cinema no próximo final de semana. Sábado teremos uma sessão comentada na Sala Redenção com Boca Migotto e no domingo veremos os bastidores da gravação do disco Elis & Tom na Cinemateca Paulo Amorim.


SESSÃO DE SÁBADO CLUBE DE CINEMA 

Evento com a presença do diretor do filme 

Local: Sala Redenção, Campus Central da UFRGS

Data: 28/10/2023, sábado, às 10:15 da manhã


"Um Certo Cinema Gaúcho de Porto Alegre"

Brasil, 2023, 107 min, livre

Direção: Boca Migotto

Sinopse: Este documentário aborda quarenta anos, e três gerações, de um certo cinema gaúcho. Portanto, é um filme sobre cinema. Mas não só. É também um filme sobre o Rio Grande do Sul e sua capital, Porto Alegre. Por isso, não deixa de ser, também, um filme sobre a América Latina e sobre a fronteira que une e separa a América de colonização espanhola do Brasil. Em nenhum outro lugar do país é possível vencer a fronteira em apenas um passo e isso diz muito sobre os gaúchos e sobre o cinema realizado nessas paragens. De um lado a Argentina e o Uruguai, do outro, o Brasil e, no meio, esse Estado esquizofrênico que, há séculos, busca compreender a si mesmo. Nessas andanças, o cinema gaúcho é quase como um espelho que reflete os inúmeros conflitos deste Brasil quase hermano.


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SESSÃO DE DOMINGO CLUBE DE CINEMA 

Local: Sala Eduardo Hirtz, Cinemateca Paulo Amorim, Casa de Cultura Mario Quintana

Data: 29/10/2023, domingo, às 10:15 da manhã


"Elis & Tom, Só Tinha de Ser com Você"

Brasil, 2023, 100 min, 12 anos

Direção: Roberto de Oliveira, Jom Tob Azulay 

Elenco: Elis Regina, Antonio Carlos Jobim, André Midani, Roberto Menescal, Roberto de Oliveira, João Marcelo Bôscoli, Cesar Camargo Mariano, Beth Jobim, Humberto Gatica, Paulo Braga 

Sobre o Filme: Se você houve uma música sertaneja atual é o mesmo que ouvir todas. Estou tocando o dedo na ferida pois realmente são poucos talentos da música brasileira atual que fale algo a respeito que vai além do que esses sertanejos tocam, sendo que na maioria deles somente lançam músicas que falam só sobre paixão, traição e motel. Se você acha que eu estou exagerando pare um momento e compare uma música com a outra e que terá o mesmo resultado.

A nossa cultura brasileira é vasta e não pode se limitar a isso, sendo que a nossa própria história pode ser contada e ouvida através da música, mas para isso é preciso de grandes gênios na realização das letras. Tom Jobim e Elis Regina foram duas entidades da nossa música, sendo que o primeiro praticamente inaugurou o movimento da Bossa Nova enquanto ela revitalizou a forma como as cantoras se apresentavam, porém, enfrentando oposição daqueles que a perseguição até o final dos seus dias. "Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você" (2023) fala sobre o encontro desses grandes talentos e dos quais geraram uma música inesquecível.

Dirigido por Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay, o documentário e conta com imagens da gravação do antológico álbum que juntou a cantora Elis Regina com Antônio Carlos Jobim (popularmente conhecido como Tom Jobim). Gravado pelo produtor Roberto de Oliveira durante os registros, em Los Angeles, nos Estados Unidos, do álbum lançado em 1974, o filme apresenta uma série de materiais de bastidores inéditos, que permaneceram guardados desde então, e que mostram todos os altos e baixos por trás da produção do álbum - que por muito pouco não foi interrompida.

Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 

Atenciosamente,

Carlos Eduardo Lersch

Diretor de Programação CCPA.

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