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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 26 de maio de 2026

Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio - 28 de maio a 3 de junho

 Cinemateca Capitólio realiza mostra em homenagem aos 100 anos de Marilyn Monroe

A partir de quinta-feira, 28 de maio, a Cinemateca Capitólio dá início a uma programação especial que destaca a carreira de um ícone do cinema do século XX, a atriz Marilyn Monroe (1926-2026), em comemoração ao seu centenário de nascimento, celebrado em 1º de junho próximo. Até o dia 10 de junho, a Capitólio irá exibir uma seleção de sete filmes que ilustram os principais momentos da rápida – Marilyn morreu em 1962, com apenas 36 anos de idade – mas fulgurante trajetória da atriz, de Torrentes de Paixão (1953), de Henry Hathaway, seu primeiro grande sucesso nas telas, a seu último filme, o melancólico Os Desajustados (1961), de John Huston, em que trabalhou ao lado de Clark Gable e Montgomery Clift. Completam a programação Os Homens Preferem as Louras (1953), Como Agarrar um Milionário (1953), O Rio das Almas Perdidas (1954), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Nunca Fui Santa (1956), títulos que consolidaram a figura de Marilyn Monroe como maior símbolo sexual da história do cinema. Toda a programação tem entrada franca.

Ainda no dia 28 de maio, às 15h30, acontece a última sessão de O Riso e a Faca, do diretor português Pedro Pinho, eleito pela revista francesa Cahiers du Cinèma um dos 10 melhores filmes de 2025. Atendendo a pedidos, o público terá uma nova oportunidade de assistir a dois títulos da pequena mostra dedicada a Diana Ross, com sessões extra de O Mágico Inesquecível (na sexta-feira, dia 29, às 21h) e O Ocaso de uma Estrela (no sábado, 30 de maio, às 19h).

Na sexta-feira, 29, às 19h30, acontece também mais uma edição do projeto Raros, com Jovem e Saudável como uma Rosa, produção de 1971 que ganhou fama como uma versão iugoslava de Acossado de Godard.


Programação 28 de maio a 3 de junho de 2026


28 de maio (quinta-feira)

15:30 – O Riso e a Faca (R$ 16,00 e R$ 8,00) – 211 minutos

19:00 – Abertura Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Pecado Mora ao Lado (entrada franca) – 105 minutos


29 de maio (sexta-feira)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Rio das Almas Perdidas (entrada franca) – 91 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Os Desajustados (entrada franca) – 125 minutos

19:30 – Projeto Raros: Jovem e Saudável como uma Rosa (entrada franca) – 76 minutos

21:00 – Mostra Diana Ross no Cinema: O Mágico Inesquecível (entrada franca) – 134 minutos


30 de maio (sábado)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Torrentes de Paixão (entrada franca) – 92 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Os Homens Preferem as Louras (entrada franca) – 91 minutos

19:00 – Mostra Diana Ross no Cinema: O Ocaso de uma Estrela (entrada franca) –154 minutos


31 de maio (domingo)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Pecado Mora ao Lado (entrada franca) – 105 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Nunca Fui Santa (entrada franca) – 96 minutos

19:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Como Agarrar um Milionário (entrada franca) – 95 minutos


2 de junho (terça-feira)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Como Agarrar um Milionário (entrada franca) – 95 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Torrentes de Paixão (entrada franca) – 92 minutos

19:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Os Homens Preferem as Louras (entrada franca) – 91 minutos


3 de junho (quarta-feira)

15:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: Nunca Fui Santa (entrada franca) – 96 minutos

17:00 – Mostra Marilyn Monroe 100 Anos: O Pecado Mora ao Lado (entrada franca) – 105 minutos

19:00 – Lançamento Encruzilhadas, com sessão de autógrafos do livro sobre o espetáculo (entrada franca)

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Especial: Clube de Cinema - 'Circusboy'

 ​Nota: Filme exibido para os associados no dia 23/05/26.

Sinopse: O filme acompanha Santino, um garoto de circo que viaja pelo país com sua família e seus animais. Para ele, o lar está aqui hoje e lá amanhã.

​Por ter nascido no início dos anos oitenta, cheguei a conhecer os circos dos velhos tempos, época em que o picadeiro nos brindava com verdadeiros espetáculos. Posteriormente, conheci o clássico "O Maior Espetáculo da Terra" (1952), no qual as andanças de um grupo circense através dos EUA eram retratadas como uma grande aventura. Hoje, o circo já não é mais o mesmo de seus tempos dourados.

​Com o advento de novas tecnologias e o fácil acesso a outros meios de entretenimento, o circo atual sobrevive apenas através da paixão daqueles que não sabem viver de outra forma a não ser manter o espetáculo vivo, mesmo com poucos recursos. O filme brasileiro "O Grande Circo Místico" (2018) sintetiza bem essa realidade ao retratar uma família que, de geração em geração, insiste em manter a lona erguida mesmo quando se encontra à beira da falência. É aí que chegamos ao ponto central de "Circusboy" (2025), um documentário alemão sobre a cruzada de uma família circense através das décadas, testemunhada pelo olhar de uma criança sonhadora.

​Dirigido por Julia Lemke e Anna Koch, o documentário foca em Santino, um menino que cresce em um circo itinerante, onde o lar é a sua família, e não um lugar geográfico. Seu bisavô Ehe, um lendário diretor de circo alemão, compartilha histórias de sua carreira, incutindo em Santino o amor pela vida nômade. Em seu aniversário de 11 anos, Ehe o desafia a descobrir seu próprio talento e a contribuir ativamente para a comunidade.

​Assistir ao documentário não apenas me fez relembrar a minha infância, como também trouxe à memória os filmes citados acima. No longa, não vemos as cineastas interagindo com as figuras centrais da obra; elas optam por registrar o dia a dia de forma observacional, conduzidas pela perspectiva do pequeno Santino. Os minutos iniciais são uma representação genuína dessa escolha estética, já que a câmera o acompanha de perto, tornando-se uma extensão do nosso próprio olhar sobre o que virá a seguir.

​Santino procura sempre ser prestativo nas tarefas diárias para erguer a lona e começar o espetáculo. Ao mesmo tempo, o documentário revela o peso desse nomadismo precoce, já que a rotina itinerante faz com que o jovem mude de escola inúmeras vezes. Curiosamente, nada abala o garoto, que se encontra totalmente encantado pelo universo criado por sua família.

​Esse encanto é fortalecido pelo bisavô, que comanda o circo desde a juventude e mantém a tradição viva através das décadas. É nessa relação, por exemplo, que o documentário revela seu real charme: o uso de desenhos tradicionais como uma espécie de reconstituição do passado da família. Essa jornada entre altos e baixos nos encanta pela criatividade, sendo impossível não se emocionar com a trajetória de um determinado elefante que se tornou figura fundamental para aquela comunidade circense.

​Acima de tudo, "Circusboy" não é apenas um documentário sobre a resistência da arte circense em pleno século XXI, mas também sobre a jornada de um jovem em busca de seu lugar no picadeiro. Um longa que reforça a importância de mantermos nossos sonhos intactos, mesmo quando as adversidades surgem com o tempo. O show precisa continuar, mesmo quando o mundo diz o contrário.

​"Circusboy" é uma sensível declaração de amor para aqueles que guardam boas lembranças da era de ouro do circo e para os que, ainda hoje, lutam para manter esse espetáculo vivo.

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Cine Dica: CINEMA ESTRUTURAL: UMA BATALHA CONTRA A ILUSÃO

De Frederico Franco

* Datas: 06 e 07 / Junho (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30


Apresentação

Em 1969, o historiador do cinema P. Adams Sitney publica na revista Film Culture Reader o texto Structural Film. Nesse curto artigo, o autor propõe uma nova nomenclatura para uma específica produção de cinema experimental norte-americano: Filmes Estruturais. A categoria de Sitney diz respeito a obras que priorizam a forma em detrimento do conteúdo através de uma objetividade da linguagem. Planos simples, movimentos de câmera, cópias em loop e o efeito de flicker são utilizados com o objetivo de revelar as particularidades materiais da película, ou, como descrito no ensaio, revelar sua “estrutura”.

Objetivos

O curso CINEMA ESTRUTURAL: UMA BATALHA CONTRA A ILUSÃO, ministrado por Frederico Franco, tem como objetivo analisar as principais características estéticas e as principais obras que moldaram o Cinema Estrutural norte-americano ao longo dos anos 1960 e 1970. Ao longo dos encontros, serão observados seus diálogos com sua herança vanguardista, os debates que formaram o movimento, possíveis interlocuções com as artes visuais e reflexos no cinema brasileiro. Ao final, busca-se compreender como o estrutural não representa apenas uma força reativa formal, mas também um instrumento de subversão política.

Ministrante: Frederico Franco

Pesquisador e crítico de cinema. Bolsista de Doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV | UFRGS), na linha de pesquisa Imagem, cultura e memória. Mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná (PPG-CINEAV | UNESPAR). Autor de artigos e um capítulo de livro a respeito do cinema estrutural e da obra de Michael Snow. Atualmente pesquisa interlocuções entre cinema experimental e artes visuais, cinema experimental brasileiro e cultura marginal a partir da obra de Torquato Neto.

Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/05/cinema-estrutural.html

domingo, 24 de maio de 2026

Cine Dica: Streaming - 'The Pitt 2ª Temporada'

Sinopse: acompanha o veterano Dr. Robby lidando com um severo esgotamento (burnout) e graves crises de saúde mental enquanto orienta novos médicos. 

A primeira temporada de "The Pitt" (2025) conquistou o público e a crítica de forma imediata. Seguindo os moldes da estrutura de "24 Horas", o programa retratou em tempo real o cotidiano de uma ala de emergência, mostrando como cada minuto pode se tornar um beco sem saída a partir do momento em que o médico esgota todos os métodos para salvar uma vida. "The Pitt – 2ª Temporada" (2026) surpreende ao manter o mesmo ritmo, provando que os realizadores não estão interessados em mexer em time que está ganhando.

Criada por R. Scott, a série explora ao longo de seus 15 episódios o que acontece em um turno de pronto-socorro. O Dr. Michael "Robby", interpretado pelo ator Noah Wyle, é o encarregado de liderar a equipe mais uma vez. No entanto, ele está prestes a sair de férias após vários meses de trabalho exaustivo — embora uma sucessão de obstáculos o faça duvidar se realmente conseguirá se afastar do hospital.

É curioso observar que os realizadores optaram por não arriscar inventar algo novo em termos de formato ou roteiro, seguindo a cartilha apresentada no ano anterior. Contudo, os roteiristas foram engenhosos ao explorar assuntos atuais dentro da trama, como o impacto da Inteligência Artificial e da internet, e como essas ferramentas tornaram as pessoas excessivamente dependentes em tempos de crise. Além disso, os criadores foram felizes ao traçar uma crítica contundente e muito bem-vinda às políticas anti-imigração, fazendo com que o programa dialogue perfeitamente com os dilemas debatidos no mundo real.

O Dr. Michael "Robby" é novamente o coração da série, defendido com maestria por Noah Wyle. Ele procura, de todas as formas, manter intacta a sua tão sonhada viagem de moto pelos próximos três meses, mas a responsabilidade que carrega dentro do ambiente de trabalho o faz questionar se um dia poderá, de fato, embarcar sem rumo. Do começo ao fim, o espectador se pergunta qual será o seu destino derradeiro, gerando até mesmo um certo temor pelo seu futuro.

Os demais personagens também ganham seu lugar de destaque, com ênfase na estreante Dra. Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi), que assumirá a chefia da equipe na ausência de Robby. Defensora do uso de IA e da tecnologia para otimizar o atendimento hospitalar, ela entra em constante conflito com o protagonista. Paralelamente, a personagem esconde segredos que vão sendo revelados aos poucos ao longo do percurso.

Acima de tudo, esta é uma série com a qual facilmente nos identificamos, mesmo não sendo médicos. Afinal, todos temos noção do que é trabalhar sob pressão no dia a dia — especialmente lidando com vidas humanas, onde cada paciente carrega a sua própria história. Por conta disso, nos pegamos torcendo pelos personagens, não apenas para que salvem as vidas que chegam à emergência, mas também para que, ao final do expediente, estejam mentalmente bem para enfrentar o dia seguinte.

A segunda temporada de "The Pitt" mantém as cartas de um jogo que já havia dado certo, consolidando seu status como uma das melhores séries dos últimos anos.


Onde Assistir: HBO MAX

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Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'PARASITA'

Sobre o Filme: Joon-ho Bong é um desses casos de cineastas autorais que conseguem fazer uma análise crítica sobre o mundo contemporâneo em que vivemos através de diversos gêneros. Se por um lado "Expresso do Amanhã" (2013) era uma ficção futurística sobre a luta entre as classes dentro de um único cenário, do outro,  "Okja" (2017) fala de uma sociedade consumista, zumbi e sem se importar com o consumo vindo de seres que não podem nem se defender.  Eis então que chegamos ao filme "Parasita", onde novamente se tem um estudo sobre o atrito entre as classes e culminando em desdobramentos surpreendentes.

O filme conta a história da família Ki-taek que se encontra desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. Porém, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.

Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui e participe da próxima live do Cine Debate. 

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Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - 'Aos Olhos de Ernesto'

Cineclube Torres encerra o ciclo dedicado ao ator porto alegrense Júlio Andrade com o filme "Aos Olhos de Ernesto" da Ana Luiza Azevedo na segunda-feira dia 25 de maio, às 20h.

 “Aos olhos de Ernesto” conta a história de um velho fotógrafo uruguaio que está ficando cego e tenta conviver com as limitações da velhice. Até que Bia, uma jovem e descuidada cuidadora de cães, atropela a sua vida colocando em risco seu metódico cotidiano e Ernesto descobre que a vida e o amor ainda são possíveis. A história de Ernesto é inspirada na vida do fotógrafo italiano Luigi Del Re, morador da capital gaúcha e pai do fotógrafo Fábio Del Re, com quem Ana Luiza trabalhou em seu longa de estreia, Antes que o mundo acabe (2009).

O filme obteve o Prêmio da Crítica n Mostra de São Paulo em 2019 e recebeu o prêmio de melhor filme pelo Júri Popular e Melhor ator protagonista (Jorge Bolani) no Festival de Punta del Este em 2020. A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Serviço: 

O que: Exibição do filme "Aos Olhos de Ernesto" (2019) de Ana Luiza Azevedo

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 25/5, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur

CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Cine Especial: Conhecendo 'A Liberdade é Azul'

Em sua curta, porém marcante carreira, Krzysztof Kieślowski construiu obras que não falavam apenas de sua Polônia natal, mas também da França, país que tão bem o acolheu. Seus filmes trazem sempre uma exploração profunda sobre o individualismo e as escolhas que movem o sujeito — temática que foi brilhantemente explorada, por exemplo, em Sorte Cega (1987).

Contudo, a questão do individualismo talvez tenha encontrado seu ápice no período em que a sociedade atravessava a transição entre as décadas de 1980 e 1990. Naqueles primeiros anos da última década do século XX, o mundo caminhava para um cenário de solidão, onde a preocupação com o próximo parecia ceder lugar ao autocentramento. "A Liberdade é Azul" (1993) envereda por esse pensamento: nele, a protagonista aprende, a duras penas, que não é possível desvencilhar-se tão facilmente do calor humano.

Na trama, após um trágico acidente que vitima seu marido e sua filha, Julie (Juliette Binoche) decide renunciar à sua própria história. Ela se afasta de tudo e de todos, assumindo o anonimato em meio à multidão parisiense. Essa existência fantasmagórica começa a ruir quando ela se vê compelida a lidar com uma importante obra inacabada de seu falecido esposo, um compositor de fama internacional.

Kieślowski filma como poucos. Sua fotografia fria sintetiza o estado emocional de uma personagem que tenta, a todo custo, não expressar sentimentos. Além disso, quando Julie é confrontada por perguntas de outros personagens, o diretor frequentemente faz uso de fades para o preto (escurecendo a imagem), como se, em seu interior, ela buscasse forças para responder. É como se houvesse um lapso temporal; o mundo à sua volta já não é urgente o suficiente para exigir uma resposta imediata.

Juliette Binoche — que muitos conheceram pelo clássico O Paciente Inglês (1996) — nos brinda com uma atuação que sustenta o filme. Ela constrói um ser que busca a assepsia emocional, mas que recupera a humanidade aos poucos, conforme pessoas ligadas ao seu passado ressurgem. Os personagens secundários, por sua vez, orbitam Julie em busca de suas próprias respostas, revelando-se também em jornadas particulares de autodescoberta.

"A Liberdade é Azul" abre a "Trilogia das Cores" de Kieślowski, seguida por "A Igualdade é Branca" (1994) e encerrada com "A Fraternidade é Vermelha" (1994). Há quem diga que as cores são apenas uma homenagem à bandeira francesa, mas elas funcionam, primordialmente, em sintonia com os sentimentos da trama. Aqui, o azul talvez seja uma representação do amor que cerca a personagem; um sentimento que ela recusa, mas que a impregna conforme a narrativa avança.

Com um teor psicológico e, por vezes, sombrio, o longa é apontado como uma obra à frente de seu tempo, antecipando dilemas que o cinema exploraria com afinco na virada do milênio. Assim como "Amores Expressos" (1994), o filme de Kieślowski é um daqueles casos que tardei a assistir, mas que, ao conhecer, percebo o quanto ainda há de "diamantes" dos anos 90 a serem descobertos. Nunca é tarde para apreciá-los.

"A Liberdade é Azul" é Kieślowski em sua essência: uma poderosa representação da alma humana em tempos de mudança.

Onde Assistir: MUBI. 

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