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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Cine Especial: Clube de cinema de Porto Alegre: 'O Homem Mosca' - A escala para o sucesso

Sinopse: O Rapaz (Harold Lloyd) deixa a sua terra natal para ir para a grande cidade, com a promessa de que, quando tiver ganho dinheiro suficiente, chamará a Rapariga (Mildred Davis), para que casem. 

A figura de Harold Lloyd na história cinematográfica forma uma espécie de trindade ao lado Charles Chaplin e Buster Keaton dentro da era de ouro da comédia no cinema. Curiosamente, ele parece uma espécie de mistura desses dois grandes talentos, ao criar um perfil do indivíduo comum que busca pelo sucesso, mas que se mete em situações que se exige um bom preparo físico. Dessa mistura se criou a imagem do jovem em busca pelo sonho americano, mas que precisa enfrentar diversos obstáculos.
Muitos dos seus filmes sintetizam muito bem isso, ao ponto de alguns terem propostas quase sempre semelhantes, mas onde Harold Lloyd consegue obter a nossa simpatia e muitas gargalhadas. Porém, embora tenha atuado mais de duzentos filmes, se há um filme que sintetize toda a sua carreira esse filme foi "O Homem Mosca" (1923), do qual retrata o jovem norte americano em busca pelo sucesso, mas que para isso precisará passar por um inferno. O Resultado é uma verdadeira montanha russa de humor pastelão, com direito até mesmo de umas pitadas de suspense, já que sempre tememos na possibilidade dele se sair malsucedido nas situações em que ele se mete.
O início do filme, aliás, começa de uma forma simbólica e nos dizendo muito o que irá acontecer em seguida. Harold Lloyd parece que está na cadeia, recebendo visita dos seus parentes e aguardando ser enforcado. Porém, a câmera revela que estamos diante de uma estação de trem e onde o jovem protagonista está prestes a embarcar para ir trabalhar na cidade grande sempre em movimento.
O que torna esse minuto simbólico é forma como ele possui uma mensagem subliminar quase explicita sobre os percalços que o personagem enfrentará em seguida. No ambiente de trabalho, mais precisamente em uma loja de tecidos, o protagonista se mete em diversas situações em que transitam entre o sucesso e o fracasso e exigindo dele até mesmo momentos de força para se manter lucido. Ao mesmo tempo, ele finge a todo momento que é um empresário bem-sucedido, para assim agradar a sua noiva e realizar o sonho de se casar com ela.
Isso resulta em um emaranhado de situações que deixam o protagonista, além de nós que assiste, no maior sufoco e fazendo a gente se perguntar o que virá em seguida. Ao mesmo tempo, acontecem elementos que nos faz relembrar os grandes clássicos, tanto de Buster Keaton, como também do mestre Charles Chaplin. Porém, Harold Lloyd fala por si, principalmente em situações imprevisíveis e que resultam em um ato final inesquecível.
Difícil de descrever a sensação ao assistir o protagonista escalando um prédio e ficando pendurado em um grande relógio. A situação não é só uma forma para que o protagonista se tornar bem-sucedido na visão dos seus patrões e do público, como também representa a escalada do homem comum para poder obter os sonhos quase nunca alcançados. Mesmo com humor, o momento transita entre o suspense e nos prendendo na poltrona até o último minuto da obra.
"O Homem Mosca" é uma obra prima da era de ouro da comédia e da qual não envelhece ao nos identificarmos facilmente com o protagonista que luta contra os obstáculos que surgem em sua vida. 

NOTA: O filme terá exibição para associados e não associados nesta terça-feira (12/11/19), as 19horas na Sala Redenção da UFRGS.  Av. Paulo Gama, 110 - Farroupilha, Porto Alegre. 


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Cine Dica: Hitchcock é uma das atrações dessa semana na Sala Redenção

Cinema Universitário exibe produções gaúchas e filme de Hitchcock na próxima semana

A próxima semana na Sala Redenção terá filmes para todos os públicos: crianças, jovens e adultos poderão aproveitar a programação. A Mostra SESC de Cinema, iniciada na última, continua a exibir produções nacionais no Cinema Universitário, apresentando filmes realizados no Rio Grande do Sul e produções voltadas ao público infanto-juvenil. O Cinema recebe também as sessões mensais do Clube do Cinema de Porto Alegre, no dia 12, com o clássico “Homem Mosca”, e do CineDHebate Direitos Humanos, no dia 13, com a obra de Hitchcock “Um corpo que cai”.
Entre os filmes da Mostra SESC, está o curta-metragem “Poética de Barro”, um stop motion realizado com argilas do Vale das Viúvas de Maridos Vivos (Jequitinhonha/MG). Baseado no trabalho de ceramistas mineiras e com trilha original composta por instrumentos de cerâmica, o filme, dirigido por Giuliana Danza, retrata a saga de uma pequena criatura que precisa sobreviver às mudanças da vida. A sessão acontece na quarta-feira, 13 de novembro, às 14h.
Também como parte da programação do ciclo, o mais recente filme da cineasta gaúcha Iuli Gerbase será exibido na Sala na quinta-feira, 14, às 16h. “A pedra” conta a história de uma família que vai fazer um passeio de rafting. Após o bote em que estão emperrar em uma pedra, uma situação inesperada surge e algumas questões nunca antes ditas vem à tona. Isso faz com que a filha mais nova (Ester Schafer) revele ao pai (Felipe Krannenberg) algo que não devia ter visto. A situação faz com que ela seja obrigada a perder um pouco de sua ingenuidade. A atriz mirim, Ester Schafer, foi destaque no último Festival de Cinema de Gramado ao receber uma menção honrosa.

Confira abaixo a programação completa clicando aqui. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Cine Dicas: Estreias Do Final De Semana (08/11/19)

'Cadê Você, Bernadette?'

Sinopse: A vida de Bernadette começa a parecer sem rumo, e ela resolve fugir da sua zona de conforto e desaparecer misteriosamente, deixando tudo para trás. Agora, Bee, sua filha, precisa juntar todas as pistas para descobrir onde foi parar essa mulher que imaginava conhecer tão bem, mas que se transformou em um verdadeiro ponto de interrogação.

'Bate Coração' 

Sinopse: Sandro é conquistador, acostumado a uma vida de luxo. Quando sofre um ataque cardíaco, precisa urgentemente de um coração novo, e recebe o transplante da travesti Isadora (Aramis Trindade), recém-falecida devido a um acidente. 

'Cine São Paulo'

Sinopse: Desde 1940, quando seu pai comprou um cinema na cidade de Dois Córregos, a vida de Chico passou a ser dedicada ao local. O edifício, que está deteriorado, precisa ser restaurado e Chico tem a obsessão de fazer o velho cinema voltar a funcionar.

'Link Perdido' 

Sinopse: Apresentamos o Mr. Link: dois metros e quarenta, 290 quilos e coberto de pelo. Mas não se deixem enganar pelas aparências. Ele é divertido, simpático e adoravelmente literal, o que faz dele a lenda mais cativante do mundo. 

'Mama Colonel'

Sinopse: Ela usa seu uniforme, boina e bolsa preta como um escudo protetor, no trabalho diário de dirigir uma unidade policial dedicada a proteger as mulheres que foram estupradas e as crianças que sofreram abusos nas regiões do Congo, que estão assoladas pela guerra.

'O Relatório'

Sinopse: O longa retrata o idealista Daniel J. Jones (Adam Driver), encarregado pela senadora Dianne Feinstein (Annette Bening) de liderar uma investigação sobre o Programa de Detenção e Interrogatório da CIA, criado após os atentados de 11 de setembro.

'Retablo'

Sinopse: Segundo Paucar é um menino de 14 anos que quer se tornar o melhor montador de caixas de brinquedo, como seu pai Noé, para manter o legado da família. À caminho de uma celebração da comunidades nos Andes, Segundo acidentalmente observa seu pai em uma situação que abala seu mundo inteiro.

'Sefarad' 

Sinopse: Em 1496, o rei D. Manuel proibiu o judaísmo e, por este motivo, a religião desaparece do país. 400 anos depois, Barros Basto (Rodrigo Santos), capitão do exército português, foi convertido ao judaísmo, e cerca de vinte comerciantes judeus fundaram a Comunidade Judaica do Porto, no norte de Portugal.

'Ventos para a liberdade'

Sinopse: No verão de 1979, na Alemanha Oriental, uma família bola um ousado plano para finalmente conseguir deixar o local: montar um grande balão caseiro que irá flutuar até a fronteira ocidental e repousar naturalmente logo depois. 


Veja Também: Leia a minha crítica sobre "Doutor Sono". "Meu Amigo Fela" chega ao CineBancários. 


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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Parasita' - Delírio Cinematográfico

Sinopse: Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. 

Joon-ho Bong é um desses casos de cineastas autorais que conseguem fazer uma análise crítica sobre o mundo contemporâneo em que vivemos através de diversos gêneros. Se por um lado "Expresso do Amanhã" (2013) era uma ficção futurística sobre a luta entre as classes dentro de um único cenário, do outro,  "Okja" (2017) fala de uma sociedade consumista, zumbi e sem se importar com o consumo vindo de seres que não podem nem se defender.  Eis então que chegamos ao filme "Parasita", onde novamente se tem um estudo sobre o atrito entre as classes e culminando em desdobramentos surpreendentes.
O filme conta a história da família Ki-taek que se encontra desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. Porém, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.
Assim como ocorreu no já citado "Expresso do Amanhã",  Joon-ho Bong procura criar aqui uma  história com poucos cenários, ou seja, somente dois em que represente a realidade das duas famílias vistas na tela. Enquanto a família Ki-taek vive em um lar apertado e sem muitos recursos em uma periferia, a família rica, por sua vez, vive em um casarão e do qual contem até mesmo alguns segredos que os próprios desconhecem com um todo. De similaridade, percebemos que em ambos os casos são pessoas presas ao sistema do capitalismo, independente de quem tem mais recursos para obtê-los.
Na abertura, por exemplo, vemos os Ki-Taek desesperados em obter um sinal wi-fi de um vizinho, mesmo que para isso precisem ficar em cima da pia ou até mesmo de uma privada a todo custo. Lógico que se percebe uma ambição dessa família em querer sair dessa realidade limitada, nem que para isso trapaceie e vendam a sua alma.  Porém, a partir do momento em que eles conseguem os tão sonhados recursos através da família rica, é então que o cineasta abri as cortinas.
Com um primeiro ato onde há diversos pontos com pitadas de comédia. o filme vai se encaminhando para um teor de humor mais sombrio e culminando com a revelação nua e crua sobre a divisão entre as classes de hoje em dia. Não é de hoje que o cinema nos dá obras que nos fale sobre esse assunto, pois basta pegarmos, por exemplo, o clássico "Metrópoles" (1927) para constatarmos que isso já algo antigo e muito debatido. Porém,  Joon-ho Bong cria uma história em que sincroniza com esse sufoco cada vez maior dessa política neoliberal atual, do capitalismo desenfreado e culminando em momentos em que nada mais poderá ser controlado, mas sim sendo tudo transbordado.
É aí que chegamos ao derradeiro ato final, onde nada mais pode ser refeito, nem através de algum plano, pois não importa qual status a pessoa tenha, pois no final tudo se descarrilha. Se em "Coringa" Todd Phillips retrata o indivíduo comum se tornar uma entidade da natureza que não tem mais nada  perder ao ser moldada por uma sociedade doente,  Joon-ho Bong, por sua vez, nos diz que esse indivíduo está muito mais perto do que nós imaginamos e, por nossa culpa, nos pegará desprevenidos. Realidade é estilhaçada, novos sonhos são criados, mas tudo se torna indefinido.
"Parasita" é um dos melhores filmes do ano, ao nos dizer que estamos todos perdidos ao sermos consumidos pelo sistema do capitalismo e fazendo a gente se devorar uns aos outros. 


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Cine Dica: Próxima Sessão do Clube de Cinema de Porto Alegre: Cidade dos Piratas


Bom dia !!
Segue a programação do Clube de Cinema para o próximo sábado:

Sessão comentada
com a presença do diretor Otto Guerra
Local: Sala Eduardo Hirtz, Casa de Cultura Mario Quintana
Data: 09/11/2019, sábado, às 10:15 da manhã

"A Cidade dos Piratas"
Brasil, 2018, 80 min, 16 anos.
Direção: Otto Guerra
Elenco: Matheus Nachtergaele, Marco Ricca, Laerte

Sinopse: O diretor Otto Guerra transporta para a tela os muitos problemas que enfrentou durante a produção do longa "Os Piratas do Tietê", baseado nos quadrinhos de Laerte. Além do próprio Otto ter enfrentado um câncer, a cartunista Laerte começou a rejeitar seus personagens quando o roteiro estava praticamente pronto. A solução para finalizar o filme foi incluir estas histórias e também outros personagens.


Meia entrada para o público em geral: R$ 7,00.
Associados do Clube de Cinema não pagam.


Confira a minha crítica sobre o filme já publicada clicando aqui. 


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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Doutor Sono' - Kubrick vs King

Sinopse: Ainda extremamente marcado pelo trauma que sofreu quando criança no Hotel Overlook, Dan Torrance lutou para encontrar o mínimo de paz. Essa paz é destruída quando ele encontra Abra, uma adolescente corajosa com um dom extra-sensorial, conhecido como Brilho.   

"O Iluminado" (1980) é um daqueles filmes que tinha tudo para dar errado, pois as filmagens foram um verdadeiro inferno e cujo o resultado se tornou positivo graças ao sorriso vindo dos Deuses do cinema. Dentre as coisas mais problemáticas se encontrava justamente no atrito entre o cineasta Stanley Kubrick e o escritor Stephen King, cujas suas visões eram diferentes uma da outra na concepção da obra. Visto hoje, se percebe que neste embate quem saiu ganhando foi Kubrick, mesmo no contragosto de King e que sempre considerou adaptação inferior à sua fonte original de sua autoria.
Não satisfeito com o resultado, mesmo quando o filme se tornou um grande clássico, King procurou a televisão para os mesmos fazerem uma minissérie baseada em seu livro. o resultado foi a minissérie "O Iluminado" (1997), bastante fiel a sua fonte, mas sem nenhum pingo de personalidade autoral e se tornando nada especial. Eis que agora chega ao cinema "Doutor Sono", filme que dá continuidade aos eventos do clássico e cujas as visões autorais dos dois artistas estão impregnadas na obra como um todo.
Dirigido por Mike Flanagan, que havia comandado recentemente a série "A Maldição da Residência Hill" (2018), o filme foca novamente na infância de Danny Torrance, que conseguiu sobreviver a uma tentativa de homicídio por parte do seu pai, um escritor perturbado por espíritos malignos do Hotel Overlook. Ao se tornar adulto (Ewan McGregor) ele é alguém traumatizado e alcoólatra. Sem residência fixa, ele se estabelece em uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospital local. Mas a paz de Danny está com os dias contados a partir de quando cria um vínculo telepático com Abra, uma menina com poderes tão fortes quanto aqueles que bloqueia dentro de si.
Se havia alguma dúvida se o filme focaria mais em sua fonte original, ou não visão autoral de Stanley Kubrick, isso é dissipado no momento em que a trama retorna justamente no cenário dos derradeiros acontecimentos do filme original. É na abertura, por exemplo, que já se percebe que Mike Flanagan faz um grande esforço, não somente na reconstituição do clássico cenário do hotel, como também na caracterização dos atores para que eles ficassem quase idênticos aos interpretes originais. Não é somente uma forma para alegrar os fãs da velha guarda, como também fisgar a curiosidade das novas plateias e fazerem com que elas tenham interesse em conhecer o grande clássico oitentista.
Porém, se há um respeito nítido pelo inesquecível cineasta, por outro lado, há também um interesse dos realizadores em não se esquecerem do verdadeiro pai da fonte literária. Há então no primeiro ato um alinhamento entre as duas visões, tanto de Kubrick como também de King, mesmo quando a gente sabe muito bem que nenhum dos dois se sentou na cadeira de direção, mas nos dando a entender que os realizadores fizeram questão de incrementar as duas visões autorais e que são vistas na tela. É, portanto, um primeiro ato em que se respeita até por demais da fonte literária da autoria de King e cujo o resultado é algo parecido do que foi visto em sua última adaptação recente que foi "It – Capítulo Dois".
Isso acaba exigindo certa paciência para aqueles que forem assistir ao filme, mesmo quando inúmeras situações acontecem na tela a todo momento. Porém, é preciso destacar que Ewan McGregor se sai muito bem como Danny adulto, onde ele se torna uma pessoa cheio de conflitos internos e cuja a sua única forma de exorcizar os seus demônios é aceitar o seu verdadeiro fardo. É nesse meio tempo que então conhecemos Abra (Kyliegh Curran), jovem que possui o mesmo dom de Danny e que ambos irão se unir contra algo muito ruim que estará por vir.
A ala de vilões, por sua vez, é muito bem representada por seres imortais, que sugam o potencial de jovens com o mesmo dom de Danny e para sim continuarem caminhando na terra. Destaque para a líder do grupo Rose the Hat, interpretada pela atriz Rebecca Ferguson e que simplesmente dá um show toda vez que surge na tela. É a partir deles, por exemplo, que o filme ganha ares mais pesados, principalmente em uma sequência em que eles cometem tamanha crueldade contra uma criança e cuja a cena se torna até mesmo explicita.
É a partir desse momento em que os dois lados dessa moeda se chocam e é então que Mike Flanagan tenta criar um visual que lembre, tanto as ideias megalomaníacas de King elaboradas em seu livro, como também a visão autoral de Kubrick. O resultado é uma salada visual bastante curiosa, cujo os efeitos visuais são incrementados justamente para expandir as ideias criativas do escritor e que antigamente, por falta de recursos, não seriam possíveis de serem adaptadas para o cinema. Atenção para a sequência em que a personagem Rose viaja entre o tempo e o espaço e cujo o momento é tão criativo que nem com o recurso 3D causaria o mesmo efeito.
Embora o segundo ato em diante aconteça alguns furos no roteiro, além de momentos um tanto que forçados, é no seu ato final que mora o coração do filme como um todo.  Ao retornarmos para o Hotel Overlook, por exemplo, Mike Flanagan se entrega ao clássico de Stanley Kubrick como um todo e fazendo a gente sentir aquela gostosa sensação de nostalgia ao revisitarmos um cenário que nos brindou com cenas que entraram para a história do cinema. Pode não possuir o mesmo impacto que a obra original havia adquirido, mas também não faz feio.
"Doutor Sono" é uma boa continuação de um grande clássico e que nem a mistura de visões diferentes de dois grandes artistas atrapalham o resultado. 


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Cine Dica: FelaKuti é tema do documentário “Meu Amigo Fela” que estreia dia 7 de novembro no CineBancários na sessão das 15h


Filme sobre músico nigeriano que virou lenda em seu país já foi exibido e premiado em festivais internacionais; direção é de Joel Zito Araújo e distribuição da O2 Play Fela Kuti em ação no documentário “Meu Amigo Fela”

O documentário musical “Meu Amigo Fela” sobre o músico Fela Kuti estreia dia 7 de novembro no CineBancários na sessão das 15h. Dirigido pelo brasileiro Joel Zito Araújo (“A Negação do Brasil” e “As Filhas do Vento), o filme já percorreu festivais no Brasil e no exterior. Nascido na Nigéria em outubro de 1938, Fela estudou música em Londres e se tornou uma lenda em seu país. O documentário traz uma nova perspectiva sobre ele, considerado um dos maiores nomes da música africana e o criador do afrobeat.
Na história acompanhamos a complexidade de sua vida, desvendada através dos olhos e conversas de seu amigo íntimo e biógrafo oficial, o africano-cubano Carlos Moore. Segundo o diretor, a intenção do filme não é ser celebrativo, mas mostrar lados do cantor que poucos conhecem. “A minha tentativa de contar a história de um gênio musical, chamado Fela Kuti, foi a de que, apesar do seu grande sucesso internacional, ele passou despercebido no Brasil, e encarando de frente seu lado de sombra e as tragédias que abateram o seu espírito guerreiro.” afirma. Kuti faleceu em agosto de 1997 em decorrência de uma complicação devido ao vírus HIV.
“Meu Amigo Fela” é uma produção da Casa de Criação Cinema e faz parte do programa O2 Play Docs, da distribuidora O2 Play, ocupando salas de cinema em cidades brasileiras de todas as regiões com sessões em horário nobre. A arte do pôster de “Meu Amigo Fela” foi criada por Babatunde Banjoko, artista que trabalhou com Kuti e que fez capas de discos clássicos do músico, como “Coffin for Head of State”.

Dez anos até a conclusão do longa
Entre a concepção e a finalização do documentário o diretor levou dez anos. O período entre filmagens, montagem, a longa negociação por seus direitos de imagem e de música até o lançamento foram quatro anos. “Esse filme me tomou muito tempo, desde o momento que resolvi contar esta história e busquei patrocínio no Brasil. Além de ser a história de um rebelde e iconoclasta negro, era a história de um africano pouco conhecido por aqui”, avalia.
Foi o próprio biógrafo de Fela, Carlos Moore, que tomou a iniciativa de procurar Joel para sugerir o filme. “Me encantei com a idéia e passei a pensar como seria a forma mais viável de contar esta história, diminuindo a pressão dos direitos. Mas confesso que o momento chave em que me encantei, foi ao ler a biografia escrita por Carlos Moore e perceber que tinha muita coisa para ser contada além dos documentários existentes. Especialmente, o pan-africanismo e o lado trágico da última parte da vida de Fela, evitada pelos outros filmes”, comenta Araújo.

Prêmios internacionais
“Meu Amigo Fela” ganhou o Prêmio Paul Robeson, como o Melhor Filme realizado na diáspora africana (o que significa fora da África) no Fespaco (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou) de Burkina Faso, que é o maior festival de cinema africano, realizada a cada dois anos. Por lá, o documentário já é considerado um dos 15 melhores filmes do ano, apesar de ter sido concebido e dirigido por um diretor afro-brasileiro. E está indicado para disputar o Oscar Africano.

Assista o trailer clicando aqui. 

C i n e B a n c á r i o s 
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