Sinopse: Um estranho fenômeno cósmico arranca abruptamente a pacata vizinhança da Rua Oak de seu subúrbio e a transporta para um lugar desconhecido e irreconhecível.
David Robert Mitchell se tornou uma grande promessa para os amantes do cinema de horror a partir do genial "A Corrente do Mal" (2014). De lá para cá, porém, o realizador não lançou muitos títulos de mesmo porte, tendo como seu último destaque o intrigante "O Mistério de Silver Lake" (2018). Em "Fim da Rua" (Flowervale Street, 2026), o cineasta prometia muito, mas entregou uma obra no mínimo peculiar — para dizer o mínimo.
A trama se passa nos anos 1980 e acompanha o casal Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor), que enfrenta uma crise no relacionamento enquanto gerencia a rotina familiar com os dois filhos adolescentes. Entretanto, tudo muda quando uma tempestade abrupta transporta toda a vizinhança para a era dos dinossauros. Isolados, os quatro são forçados a cooperar para sobreviver e tentar retornar a 1980, em uma jornada repleta de ação e tensão.
Dito isso, acredito que o filme teria alcançado um impacto muito maior se a grande reviravolta não tivesse sido escancarada nos trailers de divulgação. Quem conseguir assistir ao longa sem muitas informações prévias certamente irá se surpreender, já que os dinossauros surgem de forma gradual, alimentando o suspense e fazendo o público se perguntar o que realmente está acontecendo. Até atingir esse ponto, há uma construção muito eficiente da dinâmica familiar, criando personagens com os quais nos identificamos com facilidade.
É fato que a produção pega carona na constante onda de nostalgia dos anos oitenta, tornando-se um prato cheio de referências. O cenário de subúrbio não difere muito do clássico "E.T.: O Extraterrestre" (1982), assim como o pavor de uma família diante do inexplicável remete a "Poltergeist" (1982) — ambos ligados à estética de Steven Spielberg. No entanto, é inevitável que "Jurassic Park" (1993) venha à mente do espectador. Apesar das semelhanças, é curioso observar a escolha criativa dos realizadores em retratar dinossauros com penas, reforçando o vínculo evolutivo entre essas criaturas e as aves modernas.
Em relação ao elenco, pode-se dizer que 2026 é o ano de Anne Hathaway. Após grandes projetos como "O Diabo Veste Prada 2" e "A Odisséia", Hathaway entrega aqui uma atuação segura como uma mãe que tenta resolver os dilemas familiares por meio da escrita, mas precisa se transformar rapidamente para encarar feras pré-históricas se quiser manter todos vivos. Ewan McGregor, por sua vez, tem um papel mais contido, surgindo como a peça de apoio fundamental para manter a família unida em meio ao caos.
O ponto mais curioso do longa é a coragem de David Robert Mitchell ao inserir cenas pontuais de violência gráfica que beiram o gore, algo inusitado para um filme com vocação de grande apelo popular. O ato final, porém, cede a soluções mais convencionais — especialmente ao resolver o destino de um dos protagonistas de um jeito que lembra bastante a clássica série "O Elo Perdido" (1974). Para quem aprecia teorias sobre viagem no tempo, o desfecho oferece um prato cheio, ainda que deixe no ar aquela sensação incômoda de que nem tudo foi executado com o devido esmero.
No fim das contas, "Fim da Rua" é uma espécie de "estranho no ninho" no cenário dos blockbusters atuais. Pode não agradar a todos os públicos, mas certamente vale a visita pela sua proposta fora do comum.
Onde Assistir: Prime Vídeo.
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