Nota: O filme estreia nos cinemas dia 23 de Abril
Sinopse: Nino é um jovem que vive em Paris e descobre em um exame de rotina que tem câncer. O tratamento deve começar no início da semana seguinte.
Filmes em que o protagonista descobre que possui uma doença terminal pode tanto soar como um grande dramalhão como também um filme que faz nos identificar com o personagem e sua situação. Se por um lado temos algo que soa artificial como "Lado a Lado" (1998), ao menos de vez em quando surge algo que nos faça refletir como no caso do clássico "Filadélfia" (1993). "'Nino de Sexta a Segunda'" (2025) é um caso interessante em que a busca do personagem não é com relação a cura de sua doença, mas sim na busca motivacional de seguir em frente pela sua vida.
Dirigido por Pauline Loquès, na história acompanhamos a vida de um jovem garoto (Théodore Pellerin) que mora em Paris e recebe um diagnóstico de câncer. Tendo que iniciar o tratamento na semana seguinte, o rapaz procura da maneira mais delicada possível contar a verdade, seja para os seus parentes, ou para os seus amigos próximos. Dessa fase complexa surge uma nova forma dele enxergar as coisas com relação a sua própria vida.
Embora aborde um assunto delicado, a diretora Pauline Loquès procura nos convidar para assistir uma trama que nos faça ficarmos ao lado do protagonista, como se fossemos um visitante e ele o nosso guia com relação ao que ele fará em seguida após saber de sua doença. Há, portanto, um casamento perfeito entre direção e atuação, sendo que o jovem ator Théodore Pellerin carrega o filme nas costas em cenas emocionais e que se tornam fáceis da gente se emocionar. Além disso, ao procurar uma forma de revelar a verdade para os seus entes queridos, eis que o filme nos conquista como um todo.
Curiosamente, o filme me remeteu ao título "Dois Dias, Uma Noite" (2015), estrelado por Marion Cotillard, onde sua personagem se vê em um beco sem saída na possibilidade de perder o seu emprego, mas tendo uma nova perspectiva a partir do momento que interage com as pessoas que vão trilhando pelo seu caminho. Neste caso, o filme de Pauline Loquès segue por uma premissa similar, onde vemos o protagonista interagindo com a sua mãe, amigos em sua festa de aniversário e o seu reencontro com uma antiga colega de escola. São nesses momentos que nos revela que o calor humano é o único elo para continuarmos existindo, mesmo quando o outro lado da situação nos diz o contrário.
É um filme que aborda os laços famíliares de hoje, a interatividade das pessoas em meio a falta de comunicação do mundo real cada vez mais latente e a possibilidade de abraçar um novo recomeço. Claro que nem todos se sentem à vontade para assistir a um assunto delicado como esse, mas cabe a gente enfrentá-lo sem medo e para assim nos darmos conta que não é tão difícil encararmos os nossos próprios medos. Acima de tudo, sempre devemos buscar um ombro amigo em tempos que soem nebulosos.
"Nino de Sexta a Segunda'" é um filme delicado, porém necessário para ser visto e analisado.
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