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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Cine Especial: 'Aliens, O Resgate - 40 Anos Depois'

Em tempos atuais, nos quais convivemos com franquias infinitas, é difícil acreditar que já houve uma época em que fazer uma continuação de sucesso representava um sério risco. Lógico que já existiam cine-séries como "Planeta dos Macacos" e "007" em meados dos anos 1960 e 1970, mas eram exemplos que não buscavam a superação em relação aos primeiros filmes, funcionando mais como uma maneira de lucrar com a marca. Se isso hoje é corriqueiro, percebe-se que, décadas atrás, a lógica talvez não fosse muito diferente da de nosso tempo.

Porém, até os anos 1980, quando se falava em uma continuação que superava o capítulo anterior, o exemplo imediato era "O Poderoso Chefão: Parte II" (1974) — status de perfeição que, posteriormente, passou a dividir com "Star Wars: O Império Contra-Ataca" (1980). Pode-se dizer que tanto George Lucas quanto Francis Ford Coppola foram pioneiros ao provar que uma continuação bem conduzida pode, sim, elevar a ideia inicial da história e expandi-la. Contudo, é preciso também dar mérito ao realizador James Cameron.

Vindo de filmes B como "Piranha II - Assassinas Voadoras" (1982), Cameron provou que, mesmo com um orçamento minúsculo, poderia revolucionar o cinema através de seu pequeno projeto intitulado "O Exterminador do Futuro" (1984). Sucesso de público e crítica, o realizador ainda assinou o roteiro de "Rambo II: A Missão"(1985), mas foi a partir de um convite do estúdio FOX que sua carreira alcançou outro patamar: quando caiu em seu colo o projeto "Aliens, O Resgate" (1986).

Na trama, após um sono criogênico de cinquenta e sete anos, Ellen Ripley (Sigourney Weaver), a única sobrevivente da tragédia espacial, descobre que o planeta onde sua antiga tripulação encontrou a criatura foi colonizado por humanos. Inicialmente relutante, ela aceita retornar para enfrentar seu pior pesadelo e tentar salvar as setenta famílias que lá habitam. Não demora muito para que sua missão, ao lado de soldados treinados, se torne um verdadeiro inferno.

"Alien, o 8.º Passageiro" (1979), do realizador Ridley Scott, era um filme exemplar, perfeccionista e com começo, meio e fim muito bem amarrados. A obra não somente deu um passo à frente no gênero de ficção científica como também, vista hoje, revela o quanto estava à frente de seu tempo — e olha que era uma época em que o mundo já havia testemunhado o fenômeno de "Star Wars: Uma Nova Esperança" (1977). Então, por que arriscar em um projeto tão desafiador?

Com certeza o estúdio via em James Cameron o potencial para domar projetos que muitos não viam com bons olhos, mas cujo resultado fazia com que todos reconhecessem que estavam errados. Talvez o maior acerto do diretor tenha sido não recriar exatamente o visual elaborado por Ridley Scott, mas sim dar continuidade à franquia imprimindo sua própria visão autoral sobre aquele universo. Rever o filme hoje nos faz perceber o quanto ele dialoga com as obras que Cameron dirigiria posteriormente, como o ótimo "O Segredo do Abismo" (1989).

Com carta branca do estúdio, Cameron reuniu quase toda a equipe com a qual havia trabalhado em "O Exterminador do Futuro", utilizando novamente a criatividade para a elaboração dos efeitos visuais em uma época na qual o CGI ainda engatinhava. Nota-se como as cenas da colônia passam um realismo impressionante, mesmo quando, em alguns momentos, transparece a sensação de estarmos assistindo a algo construído em maquete. O mesmo vale para as naves espaciais e veículos terrestres: tudo feito de forma tão criteriosa que mal notamos as limitações técnicas da época.

Mas o que talvez mais diferencie esta obra do primeiro longa é o fato de não estarmos lidando com apenas uma criatura, mas com vários aliens em cena, o que torna todas as sequências ainda mais sufocantes e claustrofóbicas. Surpreendentemente, Cameron utilizou apenas seis dublês vestindo as fantasias do alienígena; a ilusão de um exército de criaturas foi toda criada por meio de ângulos de câmera, edição ágil e iluminação. E se isso já é um grande feito, o que dizer da Rainha Alien?

A sinistra criatura foi concebida como uma imponente marionete animatrônica gigante de 4,2 metros, combinando efeitos práticos, sistemas hidráulicos e operadores humanos. O design foi idealizado por Cameron em parceria com o mestre dos efeitos especiais Stan Winston. O resultado é uma das aparições mais marcantes da história do cinema, que até hoje impressiona por sua imponência.

Contudo, nada disso funcionaria sem um grande elenco, a começar por Sigourney Weaver. Ela retorna ao papel que a consagrou, mas surpreende ao entregar algo muito além do que havia sido mostrado no primeiro capítulo. Aqui, Ripley carrega os traumas do passado e é forçada a encará-los de frente para salvar vidas. Nesse contexto, a jovem sobrevivente Rebecca "Newt" (Carrie Henn) torna-se uma peça fundamental para que a protagonista encontre forças em meio ao horror.

Talvez seja esse o maior trunfo da narrativa: resgatar o lado maternal de Ripley — ferido pelo isolamento de cinquenta e sete anos no espaço. Sua relação com a pequena Rebecca emociona e faz o espectador torcer genuinamente para que ambas saiam vivas dessa jornada. Não à toa, Sigourney Weaver foi indicada a diversos prêmios, e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz foi um feito histórico, dada a raridade de ver atuações em filmes de gênero (ficção e terror) reconhecidas pela Academia. Além da entrega dramática, é eletrizante vê-la se armar até os dentes; a cena em que ela opera o exoesqueleto robótico no confronto direto contra a Rainha figura facilmente entre os momentos mais icônicos do cinema.

Vale destacar também a presença de outros nomes do elenco que já haviam trabalhado com Cameron, como Michael Biehn — que viveu o herói em "O Exterminador do Futuro" e aqui interpreta o Cabo Hicks, o grande aliado de Ripley. Lance Henriksen, como o androide Bishop, é outra figura marcante, protagonizando com sua proeza com a faca diante de um amedrontado Bill Paxton um dos momentos mais descontraídos do longa. Não se pode deixar de mencionar a destemida soldada Vasquez, interpretada com intensidade por Jenette Goldstein, provando o interesse recorrente de James Cameron em destacar figuras femininas fortes.

Sucesso de público e crítica, além de vencedor de dois Oscars, o filme entrou para a história como um belíssimo exemplo de continuação que, se por um lado não supera o antecessor em termos de originalidade, obtém personalidade própria e permanece no imaginário dos fãs de ficção científica. Embora a franquia tenha ganhado outras sequências — umas de qualidade, outras nem tanto —, nenhuma superou os dois primeiros capítulos. Afinal, trata-se de dois longas dirigidos por cineastas de visões autorais distintas e marcantes. Revisto hoje, o longa de James Cameron já dava todos os indícios da grandiosidade de seus projetos seguintes — mas essa é uma história para ser contada mais à frente.

"Aliens, O Resgate" é um exemplo de continuação perfeita: dotado de personalidade própria e cinema autoral de James Cameron em sua forma mais pura.


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Cine Dica: Próxima Sessão do Clube de Cinema - 'Marinheiro de Encomenda'

Neste sábado (01/08), teremos a Assembleia Geral do Clube de Cinema de Porto Alegre e gostaríamos de contar com a presença de todos os associados. Nos reuniremos na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para este importante momento de elegermos a diretoria da gestão 2026–2028, apresentarmos o balanço das atividades e das finanças do Clube, discutirmos os projetos para o próximo ano e, principalmente, ouvirmos as sugestões e contribuições dos associados.

Após a Assembleia, realizaremos uma sessão exclusiva do clássico do cinema mudo Marinheiro de Encomenda, estrelado pelo inesquecível Buster Keaton.


📅 Programação:

09h30 – Primeira chamada da Assembleia

10h00 – Segunda chamada

11h – Exibição de Marinheiro de Encomenda (1928)

12h30 – Almoço de confraternização

Após a sessão, seguiremos para um almoço de confraternização no Restaurante Tauta, onde reservamos um espaço para os associados. O restaurante oferece buffet com diversas opções, incluindo pratos vegetarianos, opções sem lactose, saladas, carnes, peixes, sobremesas, sucos e muito mais (em breve divulgaremos o cardápio do dia). O valor do buffet é R$ 55, ou R$ 50 para pagamento em dinheiro.


📍 Local da Assembleia e da sessão:

Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mario Quintana

Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico


📍 Local do almoço:

Restaurante Tauta

Rua dos Andradas, 804 – Centro Histórico


Marinheiro de Encomenda (Steamboat Bill, Jr.)

EUA, 1928, 70 min

Direção: Charles Reisner e Buster Keaton

Roteiro: Carl Harbaugh, Joseph Farnham e Lew Lipton

Elenco: Buster Keaton, Ernest Torrence, Marion Byron, Tom McGuire

Sinopse: O jovem William Canfield Jr. chega a River Junction para reencontrar o pai, um ranzinza capitão de barco a vapor que esperava encontrar um filho bem diferente. Enquanto tenta conquistar a aprovação do pai, William apaixona-se por Marion, filha do principal rival da família. Entre rivalidades, confusões e acrobacias memoráveis, Buster Keaton protagoniza uma das maiores obras da comédia silenciosa, célebre por sua impressionante sequência final.



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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 30 de julho a 05 de agosto de 2026

A cinesemana que abre o mês de agosto traz um relançamento aguardado pelos cinéfilos. É A PROFESSORA DE PIANO, do diretor austríaco Michael Haneke, filme que estreou em 2001 e volta agora em versão restaurada. A protagonista é a atriz Isabelle Huppert, que interpreta uma musicista perturbada por seus pensamentos em relação à sexualidade.

A programação da semana segue com vários filmes elogiados, como O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, campeão absoluto de público e que coloca em cena dois casais que discutem as relações, e também o longa-metragem francês A DIVINA SARAH BERNHARDT, em que Sandrine Kiberlain dá vida a uma das maiores atrizes de todos os tempos. Continuam em exibição dois títulos baseados na vida e obra de autores consagrados: FRANZ é uma elogiada produção da polonesa Agnieszka Holland sobre o escritor Franz Kafka, enquanto FANON destaca o trabalho do psiquiatra Franz Fanon na Argélia.

A sessão Almanaque 21 fecha o mês com uma exibição especial do longa TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, de Alan Pakula, marcando o lançamento da revista que destaca os filmes que estrearam em 1976. Com Robert Redford e Dustin Hoffman, o longa reconstrói a investigação jornalística que culminou na renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon.

Esta é a última semana para conferir os longas PRIMAVERA, do cineasta italiano Damiano Michieletto, e UMA INFÂNCIA ALEMÃ, do diretor Fatih Akin. Outros títulos que se despedem da programação são os longas brasileiros FUTURO FUTURO, do diretor gaúcho Davi Pretto; XICA DA SILVA, de Cacá Diegues; e PEQUENAS CRIATURAS, Anne Pinheiro Guimarães.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui.  

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Não Se Preocupe, Querida'

Sinopse: Alice (Florence Pugh) é uma dona de casa que vive em uma comunidade utópica e aparentemente perfeita nos anos 1950 ao lado de seu marido, Jack (Harry Styles).

Olivia Wilde já pode ser apontada como uma das grandes promessas da direção contemporânea. Começando a carreira como atriz no cinema e na TV, a realizadora surpreendeu na comédia "Fora de Série" (2019), onde estreou no comando de um longa, e mais recentemente com "O Convite" (2026), que aponto facilmente como uma das melhores comédias dos últimos anos. No meio desse percurso, ela lançou o divisivo "Não Se Preocupe, Querida" (2022) — um filme que vem crescendo bastante à medida que o tempo passa.

Na trama, Alice vive com o marido e os colegas de trabalho dele, acompanhados de suas esposas, em um isolado condomínio em pleno anos 1950. As mulheres vivem reclusas no local, onde passam o dia esperando o regresso dos companheiros. No entanto, o tom idílico começa a ruir quando uma das moradoras passa a questionar o objetivo do misterioso Projeto Vitória, mantido em segredo pelos homens. Ao começar a investigar o seu entorno, a vida perfeita do casal se desfaz conforme os segredos da empresa vêm à tona.

Ao pensar sobre o cinema estadunidense convencional dos anos 1950, enxergo uma realidade plástica que pouco condizia com o mundo real daquela época. O próprio governo norte-americano vendia a ideia de uma sociedade perfeita e intocável. Com o passar do tempo, ficou claro que aquele "cartão-postal" não resistiria aos anos 1960, impulsionado por movimentos sociais e feministas que redefiniram a sociedade.

Na sociedade atual, é impensável reduzir a mulher ao papel de mero adorno do lar, ainda que parcelas conservadoras e machistas almejem o retorno desse passado patriarcal. Wilde acerta ao estruturar uma crítica ácida a homens que não aceitam a perda do papel de dominadores e se sentem ameaçados por mulheres independentes. Contudo, a forma como a realizadora constrói essa narrativa para explorar tais temas é o que torna o filme tão especial.

Com uma direção de arte e uma fotografia que resgatam as cores quentes dos "anos dourados", a diretora constrói um cenário impecável — perfeito até demais —, fazendo com que a própria protagonista duvide daquela perfeição. Aliada a uma montagem ágil, cujos jogos de câmera traduzem a mente confusa de Alice, a trama nos conduz por um enigma. Embora a premissa da realidade simulada não seja novidade para fãs de ficção científica (lembrando clássicos como "Matrix" ou a série "Black Mirror"), as raízes e motivações dessa simulação tornam o longa assustadoramente próximo da nossa realidade.

Sendo uma das grandes atrizes de sua geração, Florence Pugh carrega o filme com maestria. Seu olhar contestador é o convite principal para desvendarmos o mistério junto com ela. A própria Olivia Wilde interpreta uma personagem ambígua, que demonstra saber da verdade, mas cujas motivações revelam o quanto foi persuadida por um sonho absurdo. E se por um lado Harry Styles vive um marido fracassado que toma a pior decisão possível, por outro, Chris Pine surpreende com uma atuação intimidadora — com discursos que não soam muito diferentes de certos políticos atuais e falsos profetas.

Em suma, o longa alinha com precisão o suspense de ficção científica a dilemas sociais e ideologias retrógradas que insistem em se perpetuar. O final abrupto é um acerto que faz o filme continuar ecoando na mente, provocando debates e teorias. Um filme provocativo, feito sob medida para desafiar a roda de conversa entre cinéfilos.

"Não Se Preocupe", Querida ganha força com o tempo e se consolida como um testemunho contundente da visão de direção de Olivia Wilde.



Onde Assistir: Netflix.

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 30 de julho a 5 de agosto de 2026

 Últimas sessões dos indicados ao Prêmio Grande Otelo, mostra de filmes de Robert Altman, o premiado Futuro Futuro e David Bowie em cartaz na Cinemateca Capitólio.

A Cinemateca Capitólio recebe até domingo as últimas sessões da mostra que vem exibindo com sucesso os 16 longas indicados ao Prêmio Grande Otelo 2026, premiação anual da Academia Brasileira de Cinema que reconhece as produções nacionais de destaque entre os lançamentos da última temporada. A partir de terça-feira, 4 de agosto, tem início uma pequena mostra dedicada a Robert Altman (1925-2006), um dos grandes nomes do cinema norte-americano do século XX. Ambas programações dividem horários com o longa gaúcho em estreia Futuro Futuro, de Davi Pretto, vencedor do Festival de Brasília no ano passado.

Já na sexta-feira, 31 de julho, às 19h30, ocorre mais uma edição do projeto Raros, com a exibição do drama de suspense Maldita Paixão (1980), único longa dirigido pelo célebre fotógrafo Gordon Willis. Sábado e domingo, dias 1º e 2 de agosto, às 15h, a Sessão Vagalume exibe o clássico Labirinto – A Magia do Tempo, de Jim Henson, com Jennifer Connelly e David Bowie.

Mais informações em www.capitolio.org.br/programacao

terça-feira, 28 de julho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'A Fabulosa Máquina do Tempo'

Sinopse: Meninas brincam no árido interior brasileiro, equilibrando-se entre o passado difícil de suas mães e os sonhos fantásticos que inventam para o futuro.

Uma das coisas que mais me fascina quando um documentário foca em crianças é o quanto elas acabam sendo sinceras perante a realidade em que convivem e com relação ao que lhes é ensinado. No documentário "Últimas Conversas" (2015), de Eduardo Coutinho, uma menina esbanja total sinceridade sobre quem é Deus, em uma resposta que surpreendeu até mesmo o veterano cineasta. "A Fabulosa Máquina do Tempo" (2026) mistura o teor documental com pitadas de ficção e o lado mais cru do dia a dia dessas jovens.

Dirigido por Eliza Capai, os eventos que ocorrem na tela se passam no sertão do Piauí, onde meninas navegam entre cultos evangélicos, redes sociais e sonhos de futuro. Ao inventarem uma máquina do tempo, elas revisitam as histórias duras de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e pela desigualdade, e viajam para um futuro onde se enxergam livres e realizadas. Entre brincadeiras e fabulação, elas questionam o que significa se tornar mulher.

Eliza Capai opta por poucos recursos, mas os utiliza para realizar uma obra criativa que expande a imaginação das crianças. A simples ideia de imaginá-las viajando no tempo se torna o ponto de partida para que as jovens testemunhem as palavras de suas mães sobre o passado, estabelecendo um paralelo com suas próprias vidas e com como poderia ser o seu futuro. Nota-se, por exemplo, que ainda vigora uma cultura patriarcal naquele local, onde o homem é visto como uma figura dominante enquanto a mulher deve obedecer às suas ordens.

Porém, o documentário procura não abordar esse machismo de forma solene, mas sim de maneira sensível e reflexiva, através do olhar inocente de jovens que ainda estão descobrindo o mundo. Há tanto perguntas feitas pela cineasta quanto momentos em que a realização apenas deixa a câmera rodar enquanto as meninas são elas mesmas ou imaginam o que poderiam ser na vida adulta — uma curiosa transição entre o documental, a ficção e a fábula, unindo criatividade e inocência.

Em suma, o filme é um retrato de uma nova geração que ainda engatinha perante uma realidade nacional cada vez mais complexa, na qual se misturam religião e política, e cujos valores ultrapassados insistem em ter espaço no nosso futuro. É um documentário sobre a esperança de um amanhã melhor, onde o acesso à informação pode formar uma geração mais consciente, desde que orientada por aqueles que nutrem a cultura. Afinal, nunca é demais sonhar com um futuro mais dourado.

"A Fabulosa Máquina do Tempo" é a união da linguagem documental, da ficção e do olhar puro de uma geração que pode, quem sabe, se tornar nossa nova esperança.


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 30 DE JULHO A 05 DE AGOSTO

 CineBancários exibe estreia de “A Fabulosa Máquina do Tempo” e “Não sei Viver sem Palavras”, sobre Ignácio de Loyola Brandão, na cinesemana de 30 de julho

Premiado documentário de Eliza Capai estreia junto de filme sobre um dos grandes nomes da literatura brasileira; “Pequenas Criaturas” segue em cartaz na sala

Estreia dia 30 de julho o documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo”, após estrear mundialmente no Festival de Berlim. Dirigido por Eliza Capai e rodado no Piauí, o filme acompanha de perto um grupo de meninas, que, através de conversas e brincadeiras, revelam um universo lúdico que dialoga diretamente com temas que vão desde a complexidade do casamento e das diferenças de gênero até as alegrias da infância.

Recentemente, no Cine PE, o longa conquistou o Troféu Calunga nas categorias de Melhor Longa-metragem pela ABRACCINE; Melhor direção (Eliza Capai); Melhor trilha sonora (Décio 7 com participação especial de Juliana Linhares); e Melhor Atriz, concedido ao coletivo de meninas que protagonizam juntas o filme. A Mostra Ecofalante contemplou a produção com o prêmio de Melhor Longa-metragem pelo voto popular e concedeu Menção Honrosa. Além disso, o filme esteve no FICA - Festival Internacional de Cinema Ambiental, em Goiás, na Mostra  Macambira, no Rio Grande do Norte, e passou anteriormente pelo É Tudo Verdade, principal festival de documentários da América Latina.

“A Fabulosa Máquina do Tempo” reforça também a projeção internacional do cinema brasileiro. O filme conquistou o prêmio de Melhor Feito Técnico-artístico da Competição Ibero-americana de Documentários do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (FICG). Além disso, teve exibições no Festival Internacional de Cinema de Shanghai, consolidando uma trajetória notável do longa, que foi iniciada na estreia mundial no Festival de Berlim, abrindo a Mostra Generation Kplus, e se expandiu para eventos de destaque como: Krakow Film Festival, na Polônia; Festival Internacional de Cine en Puerto Vallarta, no México; Thessaloniki International Documentary Festival, na Grécia; Festival Cinematográfico Internacional del Uruguay; e Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias, na Colômbia.

Ignácio de Loyola Brandão desvendado pelas lentes do filho, fotógrafo e cineasta

A outra estreia da semana é “Não sei Viver sem Palavras”, documentário sobre Ignácio de Loyola Brandão, um dos principais nomes da literatura brasileira, dirigido pelo filho do escritor, André Brandão. Nascido em Araraquara (SP) em 1936, Ignácio inscreveu seu nome na literatura brasileira com romances, crônicas, livros infanto-juvenis, biografias, relatos de viagens, peças de teatro, entre tantos outros textos. O documentário resgata de forma bastante pessoal essa trajetória a partir de depoimentos do escritor e um rico material de arquivo. O longa teve sua première no Festival do Rio e também foi exibido na Mostra de São Paulo.

O filme nasceu na pandemia, quando, vivendo novamente com seu pai, André começou a filmar despretensiosamente o cotidiano deles. Depois, percebeu que desse material poderia surgir um documentário. “O filme é muito caseiro, feito a poucas mãos. Fizemos oito entrevistas de duas a três horas cada, principalmente na casa dele, mas também no bairro Praça Roosevelt, onde morou por dez anos quando chegou em São Paulo, na biblioteca municipal e na estação de trem de Araraquara - lugares importantes na história dele”, resume o diretor.

André, que teve uma longa carreira como fotógrafo, e fez uma transição para o cinema em 2015, conta que muito do material de arquivo do filme veio do próprio Ignácio. O artista mantém bastante organizada uma rica coleção de materiais: “Atrelado ao escritório dele tem um pequeno quartinho, com muitas caixas, e cada uma tem muitos envelopes dentro. A maioria dos envelopes tem fotos, mas tem também uma boa quantidade com cartões postais, programas de peças, de museus, exposições etc. E cada envelope tem um texto escrito do lado de fora , explicando, em detalhes, o que tem lá dentro”.

Além disso, André encontrou nesse arquivo 38 rolos de Super-8, todos filmados pelo escritor durante a década de 1970. Essas imagens acabaram se tornando uma parte importante do filme. Numa camada mais íntima, são imagens da família, de São Paulo, dele próprio, Araraquara, Berlim, até do nascimento do cineasta.

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PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 30 DE JULHO A 5 DE AGOSTO


ESTREIAS:


A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO

Brasil/Documentário/2025/70 min.

Direção: Eliza Capai

Sinopse: No sertão do Piauí, meninas de 10 anos navegam entre TikTok, cultos evangélicos e sonhos de futuro. Ao inventarem uma máquina do tempo, revisitam as histórias duras de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e desigualdade, e viajam para um futuro onde se enxergam livres e realizadas. Entre brincadeiras e fabulação, elas questionam o que significa se tornar mulher. Um filme sobre o delicado limiar entre infância e adolescência, narrado por quem ainda está vivendo essa travessia.



NÃO SEI VIVER SEM PALAVRAS

Brasil/Documentário/2026/81 min.

Direção: André Brandão

Sinopse: Um filme sobre um dos grandes nomes da literatura brasileira: Ignácio de Loyola Brandão — escritor, jornalista, cinéfilo, observador atento da realidade, sonhador. Subvertendo os papéis, este documentário transforma o contador de histórias em personagem principal de uma narrativa que entrelaça os muitos homens que existem em um só. Muito mais do que uma biografia, porém, “Não Sei Viver Sem Palavras” é um devaneio pelas obras, memórias e desejos de Loyola. Além de um encontro. Um jogo de lembranças e invenções, em que um filho, o diretor André Brandão, se debruça sobre o pai para decifrá-lo — ou se perder ainda mais em seus labirintos narrativos.

EM CARTAZ:


PEQUENAS CRIATURAS

Brasil/Drama/ 2025/ 106min.

Direção: Anne Pinheiro Guimarães

Sinopse: Helena e a família se mudam para a futurista Brasília de 1986, mas ela é deixada para trás pelo marido em uma viagem de negócios. Frustrada, Helena lida com a adaptação à cidade desconhecida e as crises do filho adolescente e do caçula, de sete anos.

Elenco:  Carolina Dieckmann, Letícia Sabatella, Caco Ciocler




HORÁRIOS DE 30 DE JULHO A 5 DE AGOSTO

(não há sessões nas segundas)

15h: PEQUENAS CRIATURAS

17h: NÃO SEI VIVER SEM PALAVRAS

19h: A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484