Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sobre o Filme: Joon-ho Bong é um desses casos de cineastas autorais que conseguem fazer uma análise crítica sobre o mundo contemporâneo em que vivemos através de diversos gêneros. Se por um lado "Expresso do Amanhã" (2013) era uma ficção futurística sobre a luta entre as classes dentro de um único cenário, do outro, "Okja" (2017) fala de uma sociedade consumista, zumbi e sem se importar com o consumo vindo de seres que não podem nem se defender. Eis então que chegamos ao filme "Parasita", onde novamente se tem um estudo sobre o atrito entre as classes e culminando em desdobramentos surpreendentes.
O filme conta a história da família Ki-taek que se encontra desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. Porém, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.
Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui e participe da próxima live do Cine Debate.
Cineclube Torres encerra o ciclo dedicado ao ator porto alegrense Júlio Andrade com o filme "Aos Olhos de Ernesto" da Ana Luiza Azevedo na segunda-feira dia 25 de maio, às 20h.
“Aos olhos de Ernesto” conta a história de um velho fotógrafo uruguaio que está ficando cego e tenta conviver com as limitações da velhice. Até que Bia, uma jovem e descuidada cuidadora de cães, atropela a sua vida colocando em risco seu metódico cotidiano e Ernesto descobre que a vida e o amor ainda são possíveis. A história de Ernesto é inspirada na vida do fotógrafo italiano Luigi Del Re, morador da capital gaúcha e pai do fotógrafo Fábio Del Re, com quem Ana Luiza trabalhou em seu longa de estreia, Antes que o mundo acabe (2009).
O filme obteve o Prêmio da Crítica n Mostra de São Paulo em 2019 e recebeu o prêmio de melhor filme pelo Júri Popular e Melhor ator protagonista (Jorge Bolani) no Festival de Punta del Este em 2020. A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Serviço:
O que: Exibição do filme "Aos Olhos de Ernesto" (2019) de Ana Luiza Azevedo
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 25/5, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
Em sua curta, porém marcante carreira, Krzysztof Kieślowski construiu obras que não falavam apenas de sua Polônia natal, mas também da França, país que tão bem o acolheu. Seus filmes trazem sempre uma exploração profunda sobre o individualismo e as escolhas que movem o sujeito — temática que foi brilhantemente explorada, por exemplo, em Sorte Cega (1987).
Contudo, a questão do individualismo talvez tenha encontrado seu ápice no período em que a sociedade atravessava a transição entre as décadas de 1980 e 1990. Naqueles primeiros anos da última década do século XX, o mundo caminhava para um cenário de solidão, onde a preocupação com o próximo parecia ceder lugar ao autocentramento. "A Liberdade é Azul" (1993) envereda por esse pensamento: nele, a protagonista aprende, a duras penas, que não é possível desvencilhar-se tão facilmente do calor humano.
Na trama, após um trágico acidente que vitima seu marido e sua filha, Julie (Juliette Binoche) decide renunciar à sua própria história. Ela se afasta de tudo e de todos, assumindo o anonimato em meio à multidão parisiense. Essa existência fantasmagórica começa a ruir quando ela se vê compelida a lidar com uma importante obra inacabada de seu falecido esposo, um compositor de fama internacional.
Kieślowski filma como poucos. Sua fotografia fria sintetiza o estado emocional de uma personagem que tenta, a todo custo, não expressar sentimentos. Além disso, quando Julie é confrontada por perguntas de outros personagens, o diretor frequentemente faz uso de fades para o preto (escurecendo a imagem), como se, em seu interior, ela buscasse forças para responder. É como se houvesse um lapso temporal; o mundo à sua volta já não é urgente o suficiente para exigir uma resposta imediata.
Juliette Binoche — que muitos conheceram pelo clássico O Paciente Inglês (1996) — nos brinda com uma atuação que sustenta o filme. Ela constrói um ser que busca a assepsia emocional, mas que recupera a humanidade aos poucos, conforme pessoas ligadas ao seu passado ressurgem. Os personagens secundários, por sua vez, orbitam Julie em busca de suas próprias respostas, revelando-se também em jornadas particulares de autodescoberta.
"A Liberdade é Azul" abre a "Trilogia das Cores" de Kieślowski, seguida por "A Igualdade é Branca" (1994) e encerrada com "A Fraternidade é Vermelha" (1994). Há quem diga que as cores são apenas uma homenagem à bandeira francesa, mas elas funcionam, primordialmente, em sintonia com os sentimentos da trama. Aqui, o azul talvez seja uma representação do amor que cerca a personagem; um sentimento que ela recusa, mas que a impregna conforme a narrativa avança.
Com um teor psicológico e, por vezes, sombrio, o longa é apontado como uma obra à frente de seu tempo, antecipando dilemas que o cinema exploraria com afinco na virada do milênio. Assim como "Amores Expressos" (1994), o filme de Kieślowski é um daqueles casos que tardei a assistir, mas que, ao conhecer, percebo o quanto ainda há de "diamantes" dos anos 90 a serem descobertos. Nunca é tarde para apreciá-los.
"A Liberdade é Azul" é Kieślowski em sua essência: uma poderosa representação da alma humana em tempos de mudança.
Neste sábado, dia 23 de maio, nosso encontro será no auditório do Instituto Goethe, às 10h15 da manhã, onde assistiremos ao filme Circusboy, dirigido por Julia Lemke e Anna Koch.
Misturando elementos de documentário, animação e road movie, o filme acompanha o cotidiano de uma das últimas famílias circenses itinerantes da Europa a partir do olhar de Santino, um menino de 11 anos que tenta descobrir qual será o seu lugar dentro do circo. Ao longo de um ano de viagens, apresentações e mudanças de cidade, o documentário observa não apenas a rotina de trabalho e convivência dessa comunidade, mas também as ambiguidades de uma forma de vida marcada simultaneamente pela liberdade, pela instabilidade e pela permanência de tradições familiares.
Também gostaríamos de te lembrar que o Clube de Cinema está em busca de recursos para realizar seu projeto de preservação da memória de seus 80 anos. Estamos participando de uma seleção pública por meio de uma emenda parlamentar na qual os projetos mais votados serão contemplados. Participar é muito simples: basta acessar o formulário neste link, preencher seus dados e avançar para a próxima etapa. Primeiro, é necessário votar em um projeto da área da saúde. Depois, na aba “Demais Áreas”, você poderá selecionar o Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). Após escolher um projeto da saúde e um projeto em “Demais Áreas”, confirme seu voto!
Confira dos detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 23/05, às 10h15 da manhã
📍 Local: Instituto Goethe
Rua 24 de Outubro, 112 - Moinhos de Vento, Porto Alegre
Circusboy (Zirkuskind)
Alemanha, 2025, 86min
Direção e roteiro: Julia Lemke e Anna Koch
Sinopse: Acompanhando a rotina de um circo itinerante familiar, o filme segue Santino, um garoto de 11 anos que cresce entre viagens, apresentações e encontros passageiros enquanto tenta descobrir qual será o seu papel dentro da tradição circense herdada de sua família.
Sinopse: Acompanha o caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin (Pedro Pascal) e seu aprendiz Grogu.
HOKUM: O PESADELO DA BRUXA
Sinopse: O escritor solitário Ohm Bauman, interpretado por Adam Scott, se refugia em um hotel isolado para cumprir o último desejo de seus pais. A despedida silenciosa se transforma em pesadelo quando histórias sobre uma antiga bruxa que assombra a suíte de lua de mel passam a invadir seus sonhos e sua mente.
SEXO E DESTINO
Sinopse: Um drama espiritual ambientado nos dias atuais que revela como paixões, culpas e escolhas mal resolvidas atravessam vidas e gerações.
PASSAGEIRO DO MAL
Sinopse: Durante uma viagem de van, um casal presencia um acidente fatal. A partir daí, uma entidade demoníaca passa a persegui-los incansavelmente.
Sinopse: Acompanhamos Darth Maul tentando reconstruir seu sindicato do crime no planeta Janix, longe dos olhos do Império.
George Lucas é o criador de "Star Wars", um universo vasto que não se limitou à trilogia clássica, mas se expandiu por todas as fronteiras: de filmes e séries a games, livros e HQs. Porém, é curioso observar que o próprio criador, às vezes, não enxergava o potencial de certos personagens que concebia. É o caso de Boba Fett, que ganhou uma legião de fãs mesmo tendo sido facilmente descartado em "O Retorno de Jedi" (1983). Mas um dos casos de descarte mais curiosos é, sem dúvida, o de Darth Maul.
O personagem surgiu como uma figura imponente em "A Ameaça Fantasma" (1999), com poucas palavras, feições demoníacas e um sabre de luz duplo. O vilão protagonizou uma das melhores lutas da franquia naquele filme, mas acabou sendo dado como morto pelas mãos de Obi-Wan Kenobi. Embora o personagem tenha retornado em outras produções derivadas, é em "Star Wars: Maul – Lorde das Sombras" (2026) que ele finalmente alcança o seu merecido estrelato.
Dirigida por Dave Filoni, a trama se passa anos após os acontecimentos das Guerras Clônicas. Maul planeja reconstruir seu sindicato criminal em um planeta isolado, que não possa ser encontrado e muito menos tocado pelo Império. No local, em meio à sua missão, ele cruza o caminho de uma jovem Padawan Jedi e enxerga nela o potencial para se tornar sua nova aprendiz.
É preciso reconhecer que, visualmente, a série é um verdadeiro colírio para os olhos, mesmo em tempos atuais, nos quais o CGI frequentemente desagrada o grande público. A animação é fluida e dinâmica, fazendo o espectador sentir o peso real de cada cena. Vale destacar a cidade onde os eventos principais acontecem, cujo visual é descaradamente inspirado no clássico "Blade Runner" (1982).
O que talvez desagrade a uma parcela dos fãs é o fato de que, por alguns momentos, Maul se torna secundário dentro de sua própria história, principalmente nos primeiros episódios, que dão mais enfoque a outras figuras. Porém, esses personagens acabam se tornando essenciais no decorrer da narrativa — seja o Capitão Brander, dublado pelo nosso Wagner Moura, ou a jovem aprendiz Devon, que se torna peça central nos planos de Maul. Por conta disso, testemunhamos personagens complexos, que não se limitam ao maniqueísmo entre luz e sombras, mas que convivem com ambas as partes nesse conflito interno.
Em termos de ação, as lutas com sabre de luz merecem destaque, consagrando-se desde já como algumas das melhores dos últimos anos. Por mais que os atores tenham se esforçado nos filmes e séries recentes em live-action, é preciso reconhecer que a animação oferece aos personagens a chance de serem retratados em seu potencial máximo, já que algumas acrobacias seriam quase impossíveis para seres humanos, correndo o risco de parecerem artificiais. Atenção especial aos episódios finais que, além de potencializarem esses embates, reservam uma aparição surpresa que promete impactar os fãs mais antigos.
"Star Wars: Maul – Lorde das Sombras" é a consagração que o ex-Sith não havia obtido no cinema, provando que não existem personagens ruins, mas sim a necessidade de oportunidades melhores para que eles conquistem o seu lugar ao sol.
A cinesemana de 21 a 27 de maio apresenta três estreias na nossa programação, com destaque para FANON, a cinebiografia sobre o psiquiatra Frantz Fanon, autor de livro sobre as consequências emocionais da colonização sobre as populações invadidas. Outra novidade é SEIS DIAS NAQUELA PRIMAVERA, produção franco-belga sobre uma mãe que não mede esforços para proporcionar um pequeno período de férias para seus filhos. Os lançamentos se completam com ERUPCJA, sobre duas amigas que vivem dias de reencontro e ebulição interior.
Seguem em cartaz produções elogiadas como SURDA, que traz uma reflexão sobre os desafios da maternidade a partir das dúvidas de uma mãe que é deficiente auditiva; e NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre um jovem francês que revê algumas prioridades antes de iniciar o tratamento contra um câncer. Entre os títulos brasileiros, continuam em exibição MAMBEMBE, do diretor Fabio Meira, um roadmovie que destaca personagens femininas do universo circense do Nordeste brasileiro, e PERTO DO SOL É MAIS CLARO, protagonizado pelo ator Reginaldo Faria e que reúne suas vivências sobre o envelhecimento.
Também seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, incluindo BETTY BLUE, drama erótico francês relançado nos cinemas depois de 40 anos. Outras atrações são PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus.
Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui.