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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Sorte Cega'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 21/02/26.  

Sinopse: Sinopse: Diante de um futuro incerto, Witek, um jovem estudante de Medicina polonês, suspende seus estudos e corre para pegar um trem rumo a Varsóvia. A partir desse instante, o filme apresenta três desdobramentos possíveis de sua vida, cada um determinado por ter alcançado ou não o trem — e pelas escolhas que se seguem. 

O termo loops se dá a determinadas tramas em que o protagonista se vê na mesma história, mas da qual testemunhamos versões diferentes de acordo com pequenos detalhes que fazem a diferença. Um dos primeiros filmes que eu assisti ao explorar isso foi no alemão  "Corra Lola, Corra" (1998), de  Tom Tykwer, mas sendo que antes disso havia sido moldado com o paladar hollywoodiano em "Feitiço do Tempo" (1993). Porém, "Sorte Cega" (1987) acaba sendo mais ousado ao colocar o protagonista diante de escolhas com relação aos rumos que o seu próprio país está vivendo.

Dirigido por Krzysztof Kieślowski, da trilogia das cores, o filme conta a história que se passa na Polônia, em 1981, onde o estudante de medicina Witek (Boguslaw Linda) pede uma licença de um ano da faculdade após a morte de seu pai, para repensar sua vocação. Ele decide viajar para Varsóvia, mas enquanto corre para tentar alcançar o trem na estação, três possíveis eventos acontecem. Na primeira possibilidade, Witek alcança o trem e reencontra sua ex-namorada, que pertence a um movimento clandestino anti-comunista, e acaba se juntando ao partido. No segundo evento, Witek é pego por um guarda na estação e reage, sendo enviado para julgamento e condenado a 30 dia de serviço comunitário. Ele se junta a um grupo de estudantes contrários ao sistema e publica artigos na imprensa underground. Na terceira possibilidade, ele não alcança o trem e decide voltar à universidade, casa-se com sua namorada e os dois se formam em medicina.

Conhecido por filmes com teor político, mesmo de forma subliminar, Kieślowski sofreu com a censura do seu próprio país ao lançar esse filme da sua maneira. Porém, a obra foi somente liberada em 1987, em um período em que o calor do conflito que estava acontecendo na Polônia já estava adormecendo. Antes tarde do que nunca, pois o longa capricha em uma trama em que se explora pequenos gestos ou atitudes que fazem toda a diferença com relação ao destino do indivíduo. No caso do protagonista visto na trama, não importa quais caminhos ele toma, pois o seu destino está traçado de acordo com o impasse do seu próprio país que se encontra naquele momento.

Os pequenos detalhes que moldam o destino do protagonista se concentram na estação do trem, sendo causado por uma simples moeda, ou pelo tropeço que o protagonista faz contra um mendigo que está tomando uma cerveja. Quando começa essa cena já sabemos que há uma nova chance para o protagonista trilhar, mas sempre o levando por um caminho sem volta e do qual não consegue escapar. Sem nenhum aprofundamento com relação a teorias sobre viagem no tempo, mas sim somente explorando o lado mais humano das escolhas que o indivíduo toma e que define a sua pessoa.

Boguslaw Linda dá um show de interpretação ao interpretar  Witek em três situações que o moldam como pessoa. Em algumas situações, por exemplo, nem parece a mesma pessoa de acordo com os rumos que escolheu a partir do momento em que alcança, ou não, o trem que tanto corria para alcançar. Isso faz com que tenhamos uma dimensão da maneira como um indivíduo tem diversas escolhas para tomar um rumo, mas tendo que aceitar o fato que as suas decisões podem mudar completamente o seu curso que havia traçado.

Diante disso Krzysztof Kieślowski capricha em planos sequências caprichados, onde em alguns momentos a câmera se torna a representação da perspectiva do protagonista, para logo depois tomarmos o seu lugar e vermos a sua expressão diante dos fatos que ocorrem em cena. Além disso, o cineasta prega uma ficção alinhada com o teor quase documental, onde a sua câmera acompanha os seus personagens de forma granulada, tremida e como se nos passasse o fato que aquilo é verossímil, ao menos é o que ele anseia que a gente sinta isso. Tudo alinhado com uma fotografia sombria, onde as cores vibrantes dos anos oitenta não obtêm espaço diante de um país indefinido com relação ao seu próprio futuro.

A terceira e última história se torna o momento mais simples e claro do longa, mas não menos chocante diante da cena final que nos faz refletir sobre o filme após a sua sessão. Ao final, constatamos que não teremos saída enquanto um governo estiver sempre em conflito com os seus interesses mesquinhos e fazendo da democracia se tornar um mero sonho. Não é sempre que uma ideia extraída da mais pura ficção nos rende algo que nos faça pensar sobre o que nos faz seres humanos diante das diversas escolhas que nós tomamos.

"Sorte Cega" é um mosaico de possibilidades que podemos obter a partir de nossas escolhas, mas tendo o risco de sempre adentrarmos em um beco sem saída. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (03/04/26)

Super Mario Galaxy - O Filme

Sinopse: Depois de salvar o Reino dos Cogumelos, Mario e seus amigos se encontram em uma missão intergaláctica para deter um novo vilão ameaçador.


O DRAMA

Sinopse: Apaixonados e no meio dos últimos preparativos para o grande dia do casamento, o casal entra em conflito ao descobrirem segredos que jamais poderiam imaginar. A imprevisibilidade do acontecimento coloca em risco toda a confiança e amor dos dois, trazendo ao longa uma nova perspectiva sobre o romantismo. Intrigados com a situação, eles passam a se perguntar se realmente conhecem um ao outro e precisam refletir sobre o futuro dos dois.


A Última Ceia

Sinopse: Os discípulos de Jesus se unem pela última vez antes da traição iminente. Cristo se prepara para oferecer o sacrifício final enquanto seus seguidores se veem perdidos sem o Mestre.


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Cine Dica: Sessão de sábado no Clube de Cinema: "O Agente Secreto" (04/04) no Cine Bancários

Neste sábado, dia 4 de abril, às 10h da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre promove uma sessão cheia de pirraça com a exibição do filme O Agente Secreto no Cine Bancários.

Filme brasileiro de maior destaque na última temporada, com premiações em Cannes, Globo de Ouro e quatro indicações ao Oscar, o longa mais recente de Kleber Mendonça Filho acompanha Marcelo, misterioso personagem vivido por Wagner Moura, que deixa São Paulo rumo ao Recife. Ao chegar à cidade em plena semana de Carnaval, ele se integra a um grupo de personagens enigmáticas, enquanto, aos poucos, vêm à tona episódios de seu passado e as tensões de um contexto de ditadura militar.


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 04/04, às 10h da manhã

📍 Local: Cine Bancários

Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico, Porto Alegre

🚨 Atenção para o horário das 10h, mais cedo que o nosso usual, levando em consideração que o filme possui 2h40min.


O Agente Secreto

Brasil, 2024, 158 min

Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho

Elenco: Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Isabel Zuaa, Udo Kier

Sinopse: Em 1977, um professor universitário deixa São Paulo e segue para Recife, onde se envolve em uma rede de relações e situações marcadas por mistério, vigilância e violência.


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Cine Dica: Cinesemana de 2 a 8 de abril de 2026

A programação da primeira cinesemana de abril traz quatro estreias em nossas salas, incluindo um grande sucesso do cinema francês: A MULHER MAIS RICA DO MUNDO, em que a diva Isabelle Huppert dá vida a uma protagonista inspirada em um dos maiores escândalos da alta sociedade francesa. Outro destaque é A CRONOLOGIA DA ÁGUA, filme de estreia da atriz Kristen Stewart como diretora e com foco na história real de uma mulher que superou traumas pessoais por meio da escrita. A lista de novidades se completa com o longa brasileiro BARBA ENSOPADA DE SANGUE, drama baseado no romance do escritor Daniel Galera, e A COBRA NEGRA, coprodução entre Brasil e Colômbia ambientada no deserto de Tatacoa.

Segue em cartaz ENZO, filme póstumo do diretor francês Laurent Cantet, sobre um adolescente que deixa sua família rica para realizar os seus projetos pessoais, junto com O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO, produção chilena que traz a visão de uma adolescente sobre o início da disseminação da Aids. Em última semana, o público pode conferir NARCISO, novo longa do diretor Jeferson De, e EU, TU, ELE, ELA, primeiro longa da diretora Chantal Akerman (1950 – 2015) que volta aos cinemas em versão restaurada em 4k. Esta também é a última semana de exibição de A GRAÇA, sétima parceria do diretor italiano Paolo Sorrentino com o ator Toni Servillo, e do vencedor do Oscar de filme internacional VALOR SENTIMENTAL, de Joachim Trier.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui. 

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 02 A 08 DE ABRIL

 ESTREIAS:


CRONOLOGIA DA ÁGUA

França- Letônia- Estados Unidos – Reino Unido/Drama/2025/128min

Direção: Kristen Stewart

Sinopse: Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura.

Elenco Imogen Poots, Thora Birch, James Belushi :


RUAS DA GLÓRIA

Brasil/ Drama/ 2025/109 min.

Direção: Felipe Sholl

Sinopse:Ao sofrer uma grande perda, Gabriel deixa o Recife para se reinventar no Rio de Janeiro. Sozinho na nova cidade, o professor encontra Adriano, um garoto de programa com quem desencadeia uma conturbada paixão, que beira a obsessão.

Elenco: Caio Macedo, Alejandro Claveaux, Diva Menner.


BARBA ENSOPADA DE SANGUE

Brasil/Drama/2025/128min

Direção: Aly Muritiba

Sinopse:Após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. Lá, ele encontra uma trama complexa em torno da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.

Elenco:  Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller , Roberto Birindelli.


HORÁRIOS DE 02 A 08 DE ABRIL (não há sessões nas segundas):

14h50: RUAS DA GLÓRIA

16h50: CRONOLOGIA DA ÁGUA

19h10: BARBA ENSOPADA DE SANGUE


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Cine Dica: Streaming -  'À Paisana'

Sinopse: Lucas (Tom Blyth), um jovem policial infiltrado, é treinado para atrair e prender homens gays em banheiros públicos. Sua carreira e convicções são abaladas ao se apaixonar por Andrew (Russell Tovey), um de seus alvos. 

Entre os anos oitenta e noventa havia uma perseguição contra  a comunidade LGBT devido ao temor da AIDS. Infelizmente devido essa perseguição havia opressão, fazendo com que muitas pessoas não serem elas mesmas e fazendo se esconderem para não se machucarem internamente. "À Paisana" (2026) é o retrato de tempos conservadores onde o indivíduo se vê sufocado por não poder ser ele mesmo.

Dirigido por Carmen Emmi, o filme conta a história de Lucas (Tom Blyth), agente secreto com a missão de atrair homens gays para detê-los dentro dos banheiros. No entanto, durante uma festa de ano novo, ele se desespera com a possibilidade de encontrarem uma carta dele - que ninguém deveria ler. Há alguns meses, Lucas conseguiu aprender um homem chamado Andrew (Russell Tovey), mas o encontro com ele foi ainda mais íntimo e intenso.

Estreando na direção, Carmen Emmi cria uma curiosa edição de cenas, onde assistimos certas imagens pela perspectiva do protagonista, sendo que elas são granuladas, como se estivéssemos vendo cenas reais documentadas. Isso talvez seja proposital, já que o filme retrata tempos passados, cuja as imagens eram analógicas, sendo uma representação curiosa das câmeras escondidas que eram usadas com frequência pela vigilância conservadora. Neste caso, por exemplo, há uma vigilância ferrenha contra os gays no local onde o protagonista trabalha e fazendo do cenário do banheiro se tornar claustrofóbico e um beco sem saída.

Lucas se vê diante de diversos dilemas, pois aqueles que ele caça não são muito diferentes dele, sendo que o mesmo somente coloca para a fora a sua real natureza a partir do momento que conhece uma de suas vítimas de forma mais íntima. Tom Blyth surpreende em um papel que exige de sua pessoa, principalmente nas cenas onde ocorrem ataques de ansiedade e fazendo com que o protagonista deseje liberar todo o seu ser. Reparem, por exemplo, onde testemunhamos o passado e presente do protagonista, sendo que não temos uma certa noção em que período se passa certas cenas, mas cujo ato final as explicações vêm à tona.

Curiosamente,  o filme me lembrou do recente "Ato Noturno" (2025), dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Em ambos os casos são longas que exploram a questão do indivíduo com receio perante o olhar conservadores da sociedade, mas que chega um ponto que o segredo se desfaz quando o ódio sufoca os oprimidos e fazendo com que os mesmos lutem para serem eles mesmos. Ao final, a liberação acontece em forma explosiva independente das consequências que venham a seguir.

"À Paisana" é um retrato cru de tempos mais conservadores e onde o diferente não podia agir como eles mesmos perante os olhares contestadores. 


Onde Assistir: Filmelier

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Cine Dica: Newsletter Três filmes de John Malkovich

Cinemateca Capitólio exibe três filmes de John Malkovich na semana em que o ator se apresenta na cidade


Entre os dias 2 e 8 de abril, a Cinemateca Capitólio realiza uma pequena mostra dedicada a John Malkovich, exibindo três títulos marcantes na trajetória artística do ator norteamericano, que na noite de 3 de abril estará no palco do Theatro São Pedro apresentando o espetáculo The Infamous Ramírez Hoffman.

A mostra 3X John Malkovich tem entrada franca e reúne os filmes Um Lugar no Coração (que valeu a Malkovich sua primeira indicação ao Oscar, como melhor ator coadjuvante), Ligações Perigosas (a atuação que o consagrou, como o maquiavélico e sedutor Visconde de Valmont) e A Sombra do Vampiro (filme sobre os bastidores de filmagens da obra-prima expressionista Nosferatu, em que interpreta o diretor alemão F. W. Murnau).

Uma chance rara de assistir na tela grande a três performances que contribuíram para consolidar a persona cinematográfica de Malkovich, um dos atores mais talentosos de sua geração. E com a possibilidade extra de talvez ainda cruzar com Mr. Malkovich em carne e osso em alguma sessão.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 31 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Nino de Sexta a Segunda'

 Nota: O filme estreia nos cinemas dia 23 de Abril

Sinopse: Nino é um jovem que vive em Paris e descobre em um exame de rotina que tem câncer. O tratamento deve começar no início da semana seguinte.  

Filmes em que o protagonista descobre que possui uma doença terminal pode tanto soar como um grande dramalhão como também um filme que faz nos identificar com o personagem e sua situação. Se por um lado temos algo que soa artificial como "Lado a Lado" (1998), ao menos de vez em quando surge algo que nos faça refletir como no caso do clássico "Filadélfia" (1993).  "'Nino de Sexta a Segunda'" (2025) é um caso interessante em que a busca do personagem não é com relação a cura de sua doença, mas sim na busca motivacional de seguir em frente pela sua vida.

Dirigido por Pauline Loquès, na história acompanhamos a vida de um jovem garoto (Théodore Pellerin) que mora em Paris e recebe um diagnóstico de câncer. Tendo que iniciar o tratamento na semana seguinte, o rapaz procura da maneira mais delicada possível contar a verdade, seja para os seus parentes, ou para os seus amigos próximos. Dessa fase complexa surge uma nova forma dele enxergar as coisas com relação a sua própria vida.

Embora aborde um assunto delicado, a diretora Pauline Loquès procura nos convidar para assistir uma trama que nos faça ficarmos ao lado do protagonista, como se fossemos um visitante e ele o nosso guia com relação ao que ele fará em seguida após saber de sua doença. Há, portanto, um casamento perfeito entre direção e atuação, sendo que o jovem ator Théodore Pellerin carrega o filme nas costas em cenas  emocionais e que se tornam fáceis da gente se emocionar. Além disso, ao procurar uma forma de revelar a verdade para os seus entes queridos, eis que o filme nos conquista como um todo.

Curiosamente, o filme me remeteu ao título "Dois Dias, Uma Noite" (2015), estrelado por   Marion Cotillard, onde sua personagem se vê em um beco sem saída na possibilidade de perder o seu emprego, mas tendo uma nova perspectiva a partir do momento que interage com as pessoas que vão trilhando pelo seu caminho. Neste caso, o filme de Pauline Loquès segue por uma premissa similar, onde vemos o protagonista interagindo com a sua mãe, amigos em sua festa de aniversário e o seu reencontro com uma antiga colega de escola. São nesses momentos que nos revela que o calor humano é o único elo para continuarmos existindo, mesmo quando o outro lado da situação nos diz o contrário.

É um filme que aborda os laços famíliares de hoje, a interatividade das pessoas em meio a falta de comunicação do mundo real cada vez mais latente e a possibilidade de abraçar um novo recomeço. Claro que nem todos se sentem à vontade para assistir a um assunto delicado como esse, mas cabe a gente enfrentá-lo sem medo e para assim nos darmos conta que não é tão difícil encararmos os nossos próprios medos. Acima de tudo, sempre devemos buscar um ombro amigo em tempos que soem nebulosos.

"Nino de Sexta a Segunda'" é um filme delicado, porém necessário para ser visto e analisado. 

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Cine Dica: Curso - Novo Cinema Alemão

Apresentação

O movimento dos cinemas novos dos anos 1960 inaugurou uma outra maneira de entender a sétima arte e consolidou uma vertente crítica dentro das estéticas cinematográficas. Jean-Luc Godard, Glauber Rocha, Agnès Varda, Pier Paolo Pasolini, grandes nomes se formaram a partir deste momento da cultura. Na Alemanha, contudo, essa efervescência não é compreendida de imediato, e é apenas no final da década que veremos um grupo de cineastas reivindicar o chamado "cinema de autor" para si.

Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog e Wim Wenders se tornam as grandes personalidades do chamado Novo Cinema Alemão, que ainda contaria com cineastas tão díspares quanto Alexander Kluge, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Volker Schlöndorff, Margarethe Von Trotta, Rosa Von Praunheim, Ulrike Ottinger, Harun Farocki e outros. Se na França e no Brasil a tendência do cinema moderno foi de radicalizar a denúncia dos clichês narrativos, na Alemanha, salvo exceções, tomou-se o rumo de refundar a narração a partir das experiências da juventude. Um cinema "sem pais, apenas avós", como disse Herzog, tinha de se haver com o passado sombrio do nazismo para poder reformular uma outra relação entre estética e política.


Objetivos

O curso NOVO CINEMA ALEMÃO: CRÔNICAS DO SUBLIME, ministrado por Lennon Macedo, percorre a história e a geografia do cinema moderno na Alemanha, suas origens, seus diálogos com o passado e com o presente, seus principais nomes e filmes. A partir desse exame, será possível compreender a contribuição alemã para o movimento dos cinemas novos e suas influências sobre o cinema contemporâneo. As aulas serão expositivas e dialogadas, onde serão trabalhadas cenas de filmes e citações de textos recomendados.


Ministrante: Lennon Macedo

Professor e pesquisador da Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Doutor em Comunicação pela UFRGS, participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC/UFRGS) e da Unidade de Investigação em Artes da Universidade da Beira Interior, de Portugal (iA*/UBI). Atuou como jornalista no fanzine de crítica de cinema Zinematógrafo e em festivais como Cine Esquema Novo e Fantaspoa. Compõe também o coletivo de arte gráfica Selo Manada, em Porto Alegre. Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo. Ministrou os cursos O Dragão Vive: Glauber Rocha 80 Anos (2019) e Cinema de Fluxo: A Estética Desacelerada do Contemporâneo (2025) para a Cine UM.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/03/cinema-alemao.html

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Cronologia da Água'

 Nota: O filme estreia dia 02/04/26   

Sinopse: Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura.

Acompanho Kristen Stewart desde quando a conheci no filme "O Quarto do Pânico" (2002) onde ela faz o papel da filha da personagem de Jodie Foster. A consagração viria na saga "Crepúsculo", do qual a tornou conhecida mundialmente, mas fazendo muitos duvidarem da sua versatilidade. Isso mudou com o passar do tempo ao se entregar em papéis que desafiavam a sua pessoa.

Foi a partir de filmes como "Personal Shopper" (2016) que a crítica especializada via nela como alguém que poderia avançar mais em termos dramáticos. Foi então que veio "Spencer" (2021), longa onde ela encarna a princesa Diana e cuja sua interpretação assombrosa espantou os mais céticos. Eis então que ela embarca em um novo desafio na carreira como diretora no filme "A Cronologia da Água" (2026), sendo um projeto provocador e que faz a gente pensar quais serão os seus próximos projetos.

O filme é uma adaptação da autobiografia de Lídia Yuknavitch. Atualmente como escritora, ela já foi uma aspirante a nadadora olímpica, e essa oportunidade a fez se libertar de um ambiente repleto de violência e abusos. Fadado ao fracasso, Lidia Yuknavitch conseguiu superar traumas através da arte da escrita. Hoje, ela tenta encorajar meninas a retomarem suas próprias histórias sangrentas, para que assim, suas vozes sejam ouvidas.

Ao levar às telas a vida dessa pessoa  Kristen Stewart busca criar uma representação das memórias da protagonista ao criar uma edição de cenas em que sintetize uma mente, por vezes, fragmentada. A opção para isso talvez se deva à forma em que a protagonista nos é apresentada, ao ser uma espécie de entidade da natureza pronta para explodir, mas que inicialmente não sabemos porquê. Porém, aos poucos, as cenas vão sendo jogadas diante de nós, para que então possamos montar um enorme quebra cabeça, mas cuja as respostas já temos uma noção devido ao que virá em seguida.

A questão do abuso físico e psicológico é colocada na mesa, ao ponto que o filme nos entrega certos momentos de tensão e faz a gente se preocupar com o que virá em seguida. Porém,  Kristen Stewart procura não explicitar o que realmente está acontecendo nas cenas, mas usando momentos em que a sugestão é muito mais dura do que qualquer cena que soaria por demais explícita. Se em um determinado ponto do longa já tínhamos uma noção da real natureza do pai da protagonista, muito se deve ao que já havia sido apresentado no decorrer da trama.

Imogen Poots entrega uma atuação cujo seu olhar tem muito mais a dizer do que meras palavras. Porém, a sua narração off faz com que tenhamos uma melhor noção sobre o que a sua personagem passa e sintetizando ainda mais a sua dolorida jornada em busca de sua redenção em meio a violência, sexo e drogas. Desde já uma das interpretações mais interessantes que eu vi neste início de ano.

Curiosamente, não me admiraria se a diretora tivesse buscado inspiração nas obras de outros cineastas. Ao assistir o filme ele me lembrou bastante "A Árvore da Vida" (2011), de Terrence Malick, sendo que em ambos os casos são longas que abordam as questões familiares e que, mesmo com os seus atritos infinitos, os laços de sangue são dificilmente cortados. Embora com um final reconfortante ele também não esconde o fato que toda a jornada que se preze é um desafio que nem todos conseguem obter um certo equilíbrio.

"A Cronologia da Água" revela o talento de Kristen Stewart por detrás das câmeras,  ao nos apresentar uma jornada complexa de uma jovem em busca de um sentido na vida através dos percalços que teve que enfrentar ao longo de sua jornada.


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Cine Dica: Sala Redenção apresenta adaptações de clássicos da literatura

Por mais um ano, o cinema da UFRGS promove o ciclo “Filmes & Livros”. Com curadoria conjunta entre a Sala Redenção e a professora e pesquisadora Fatimarlei Lunardelli, o projeto convida o público a refletir sobre as estratégias e os procedimentos adotados pelo cinema ao adaptar obras literárias. Neste primeiro semestre, o ciclo se debruça sobre as obras-primas de duas grandes escritoras, a britânica Emily Brontë e a francesa Marguerite Duras.

No dia 2 de abril, quinta-feira, às 16h, a Sala Redenção exibe o filme “Morro dos Ventos Uivantes” (1939), de William Wyler, adaptação do clássico homônimo de Emily Brontë. Na segunda-feira seguinte, dia 6, às 15h, as obras são discutidas em um bate-papo conduzido por Fatimarlei. Já no dia 1º de junho, o livro “Os pequenos cavalos de Tarquínia”, de Marguerite Duras, e sua adaptação para o cinema, “Azuro” (2021), de Matthieu Rozé, são o tema da sessão-debate. Ambas as obras acompanham um grupo de amigos que tem suas férias pacatas interrompidas com a chegada de um homem misterioso.

O ciclo “Filmes & Livros” tem entrada franca e aberta à comunidade geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. 

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

domingo, 29 de março de 2026

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - "Meu Bolo Favorito"

 O filme iraniano "Meu Bolo Favorito" encerra a programação de março do Cineclube Torres dedicada às mulheres, na segunda-feira, dia 30, às 20h.

A programação continuada segue na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, com muita cultura audiovisual e bate-papo com entrada franca. O Irã, atualmente centro da atenção mídiatica por razões da guerra deflagrada com o assassinato do seu líder, possui historicamente uma cinematografia relevante no panorama internacional. Desde o eterno mestre Abbas Kiarostami até os mais recentes Asghar Farhadi e Jafar Panahi, o país se destacou por filmes emocionantes e dotados de primorosa técnica cinematográfica.

A obra mais recente do casal de diretores Maryam Moqadam e Behtash Sanaeeha, segue esse caminho que, pela censura imposta pelo regime, muitas vezes transforma temas espinhosos em pujantes metáforas. Mahin, uma viúva de 70 anos, solitária depois que seu marido morreu e sua filha se mudou para Europa,  decide reavivar sua vida amorosa e u mim encontro casual se transforma em uma noite inesquecível.

"A receita de “Meu bolo favorito” tem dois ingredientes principais: crítica política e memória. E os dois combinam-se de forma sublime – é bolo de produção caseira" (Bruno Leal, Café História). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Serviço:

O que: Exibição do filme "Meu Bolo Favorito" (2024) de Maryam Moqadam e Behtash Sanaeeha - Irã

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 30/3, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sábado, 28 de março de 2026

Cine Especial: 'Um Drink No Inferno - 30 Anos Depois'

Era início dos anos noventa e os filmes de vampiros voltaram a fazer sucesso a partir do ótimo "Drácula de Bram Stocker" (1992). Todos queriam fazer esse tipo de filme da sua maneira e proporcionando uma experiência até mesmo incomum. "Um Drink No Inferno" (1996) se encaixa nesta primeira observação, já que o filme surpreendeu aqueles que foram assistir a obra sem nenhuma informação.

O longa foi realizado pela união entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. No início dos noventa, Tarantino estava colhendo o que havia plantado dentro do universo do cinema independente, ao realizar suas obras primas como "Cães de Aluguel" (1992) e principalmente "Pulp Fiction" (1994). Curiosamente, Rodriguez estava surgindo também por um caminho similar, ao realizar "El mariachi" (1992) com um orçamento de apenas R$ 7,000 e ganhando carta branca para obter um orçamento maior e realizar a continuação "A Balada do Pistoleiro" (1995).Nota-se que ambos os realizadores possuem uma linguagem similar ao realizar os seus filmes, ao criar tramas que remetem aos longas  de antigamente, principalmente aqueles vistos na década de setenta e sendo muitas vezes rotulados como filmes B. A diferença está no ritmo, sendo que Tarantino preza por longos diálogos afiados e fazendo com que a gente não perca nenhum segundo na tela. Rodriguez até preza por diálogos dinâmicos, mas que logo se envereda por cenas de ação absurdas e quase mesmo cartunescas.

Não é à toa que os realizadores logo se conheceram e fizeram parceria na realização de alguns filmes e o "Drink no Inferno" foi o auge dessa parceria. O roteiro é do próprio Tarantino, que estava guardado há um bom tempo. Na trama, os irmãos Seth (George Clooney) e Richard Gecko (Quentin Tarantino) são procurados pela polícia por 16 mortes. Eles seqüestram um ex-pastor e seu casal de filhos, para poderem atravessar a fronteira com o México e lá se dirigem à uma casa noturna frequentada por caminhoneiros e motoqueiros, que é uma mistura de cabaré e prostíbulo. Porém, ao chegar lá a dupla se depara com algo totalmente inacreditável.  O grande trunfo do filme talvez esteja em sua quebra de expectativa, ou até mesmo a troca de gênero ao longo da história. Inicialmente estamos diante de um filme policial, onde vemos dois bandidos tentando escapar da polícia e cujo os diálogos e  a construção dos personagens apresentada fazem toda a diferença. Porém, uma vez que eles adentram  a casa noturna, o gênero de horror invade a tela, com direito a muito sangue, gore, cabeças rolando e que remete aos melhores momentos do cinema B como um todo.

Além de escrever o roteiro, não me surpreenderia se a primeira parte do longa tivesse sido dirigida por Tarantino, pois há algumas passagens que remetem a sua forma de dirigir, desde ao enquadramento, como também dando um enfoque maior aos diálogos. Na realidade, o filme pertence ao universo interligado dos filmes do realizador, já que o longa não só tem referência aos seus títulos anteriores, como também os que seriam lançados posteriormente. O xerife Earl McGraw (Michael Parks) que surge no início do longa retornaria em "Kill Bill: Volumes 1" (2003), "Planeta Terror" (2007) e "À Prova de Morte"(2007), sendo que esses dois últimos filmes foi outro projeto que uniu Tarantino e Rodriguez.

O grande charme do longa está realmente em sua mudança de tom de história e isso causa maior impacto principalmente para aqueles que foram assistir ao filme no cinema sem muita informação sobre a história. Me lembro que o primeiro contato que eu tive com a obra foi ao ver um poster na locadora onde se destaca George Clooney e Quentin Tarantino apontando as armas em nossa direção. Houve diversas pessoas que alugaram na época achando que fosse uma história policial e dando de cara com um filme de horror sem igual.

O filme serviu para consagrar George Clooney nos cinemas, já que na época ele era mais conhecido por atuar na série de tv "Plantão Médico" e depois desse longa ele retornaria em outros sucessos como "O Pacificador" (1997) e "Um dia Especial" (1996). O filme também foi a segunda parceria entre o diretor Rodriguez com a atriz Salma Hayek, que já havia trabalhado com o diretor no já citado "A Balada do Pistoleiro". Aqui, Hayek interpreta o Satanico Pandemonion, uma vampira stripper que protagoniza uma das danças mais sensuais da história do cinema.

Revisto hoje nota-se que o longa possui diversas misturas de histórias já contadas diversas vezes em outros longas, mas nos passando a sensação de algo fresco para época. Em meio aos absurdos a história explora a questão sobre a fé e a busca de uma redenção pessoal, sendo que isso é muito bem representado pelo personagem pastor interpretado por Harvey Keitel. Esses momentos mais sérios alinhados com teor de horror nos passa uma sensação, por vezes, estranha, mas que tenha sido justamente a intenção dos cineastas em nos provocar essa sensação mórbida.Não posso deixar de mencionar a participação do ator e maquiador Tom Savini. Aqui ele interpreta o personagem Sex Machine que surge dentro do bar em meio aos acontecimentos e cuja sua principal arma se encontra no ponto mais inacreditável do seu corpo. Savini já era conhecido na época por ser um grande maquiador em filmes de horror e aqui marcou sua primeira parceria com Rodriguez e que se repetiria posteriormente em longas como "Planeta Terror" e "Machete" (2010).

Outra presença marcante dentro do bar é do ator Fred Williamson, que aqui interpreta um ex -soldado traumatizado devido a guerra do Vietnã. Williamson se tornou um ator bastante conhecido na década de setenta, principalmente ao protagonizar títulos que pertenciam ao movimento Blaxploitation. Curiosamente, Tarantino prestaria uma homenagem a esse movimento no seu filme "Jackie Brown" (1997).

Revisto hoje, o filme é um ponto alto da carreira de Rodriguez, que hoje se mantém firme como realizador autoral, mesmo tendo que realizar projetos de sua não autoria como foi no caso do cultuado  "Alita: Anjo de Combate" (2019). Pode-se dizer que a sua criatividade se alinha muito bem com filmes de baixo orçamento, onde a criatividade fala mais alto e cujas limitações técnicas se tornam o seu maior triunfo. Em tempos em que o CGI se encontra mais do que desgastado, um cineasta que preza pela velha fórmula de se fazer filmes é sempre bem vindo.

Servindo até mesmo de inspiração para longas recentes como "Pecadores" (2025), "Um Drink No Inferno" é um dos melhores e mais divertidos filmes de horror do século passado e que sempre merece ser revisitado. 


Onde Assistir: Mercado Play. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (28/03/26)

 UMA SEGUNDA CHANCE

Sinopse: Após um passeio perfeito com o namorado, Kenna (Maika Monroe, de A Mão que Balança o Berço, Longlegs – Vínculo Mortal) comete um erro imperdoável que a leva à prisão. Sete anos depois, ela retorna à sua cidade natal, no Wyoming, na esperança de reconstruir a vida e conquistar a chance de se reencontrar com sua filha pequena, Diem, a quem nunca conheceu.

VELHOS BANDIDOS

Sinopse: Velhos Bandidos" acompanha o casal de aposentados Marta e Rodolfo, enquanto planejam o crime perfeito: um enorme assalto a banco. Só que para o roubo ser bem-sucedido, eles precisam de um casal de jovens assaltantes, Nancy e Sid, que viram parceiros no crime. O maior problema do grupo de ladrões é o obstinado investigador Oswaldo.


NUREMBERG

Sinopse: Um psiquiatra dos Estados Unidos é designado para examinar 22 oficiais nazistas que aguardam julgamento por crimes de guerra. À medida que ele se aproxima de um de seus pacientes e tenta desvendar a essência do mal, ele se vê envolvido em uma jornada sem volta.


ELES VÃO TE MATAR

Sinopse: New Line Cinema e Nocturna apresentam Eles Vão Te Matar, eletrizante e sanguinária comédia de ação de terror na qual uma jovem precisa sobreviver à noite no Virgil, o misterioso e mortal esconderijo de um doentio culto demoníaco, antes de se tornar a próxima oferenda em uma batalha única, um verdadeiro e autêntico evento cinematográfico com mortes épicas e sarcástico humor ácido.


VINGADORA

Sinopse: Nikki (Milla Jovovich) é uma ex-militar que lutou nos piores campos de batalha da guerra, mas nada se compara à dor de ter sua filha sequestrada. Caçada por bandidos e policiais, ela usará cada habilidade mortal que aprendeu em combate para invadir o submundo do crime e resgatar a única coisa que importa para ela.

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sexta-feira, 27 de março de 2026

Cine Dica: Newsletter de 26 de março a 1ª de abril

Cinemateca Capitólio comemora seu 11º aniversário com exibições especiais e mostra destacando a produção cinematográfica realizada no interior do RS. Entre os dias 26 de março e 1° de abril, a Cinemateca Capitólio recebe a programação da 1ª Semana do Cinema Gaúcho. A iniciativa, fruto de uma parceria da Capitólio com o SIAV RS, o Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul, tem como foco a produção audiovisual no interior do Estado, e acontece justamente na semana em que se celebra o Dia do Cinema Gaúcho, comemorado em 27 de março.

A mostra tem entrada franca e inclui nove longas realizados em diferentes regiões do Estado, e um programa de curtas que destaca o trabalho da produtora TV OVO, de Santa Maria. Entre os longas, serão exibidos títulos produzidos nas cidades de Santa Cruz do Sul (InfiniMundo), Cachoeira do Sul (Extermínio), Canoas (Um Filme de BR), Mostardas (Campo Grande é o Céu), Santa Maria (Câncer - Sem Medo da Palavra, Manhã Transfigurada e Os Abas Largas), Caxias do Sul (Porto de Elis, uma Viagem à Diversidade da Arte) e Erechim (Sem Saída). A programação inclui ainda mesas de debates e a exibição especial dos longas Saneamento Básico, o Filme, de Jorge Furtado (que será apresentado ao ar livre, na Praça dos Açorianos, no dia 28 de março (junto com o curta A Diferença Entre Mongóis e Mongoloides, de Jonatas Rubert) e Um Certo Cinema de Porto Alegre, de Boca Migotto.

Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui.