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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Cine Dica: Durante a Quarentena Assista: 'Ya No Estoy Aqui'

Sinopse: Ulises, líder de um grupo apaixonado pelo ritmo da cúmbia, é forçado a fugir do México para salvar sua vida após um mal-entendido com uma gangue local.

“Odisseia”, uma das maiores obras primas da literatura escrita por Homero, já rendeu diversas adaptações para outras mídias como no caso do cinema e rendendo clássicos como aquele estrelado por Kirk Douglas intitulado “Ulysses” (1954). Porém, ao longo das décadas, surgiram também filmes que somente se inspiraram na ideia do conto como, por exemplo, “E Aí Meu Irmão Cadê Você?” (2000) dos Irmãos Coen. Mas porque ocorre esse fascínio pela obra até nos dias de hoje?
No meu entendimento, ‘Odisseia’ é uma de inúmeras histórias que falam sempre sobre a jornada do herói, ou seja, sobre a nossa própria jornada com relação as inúmeras encruzilhadas da vida que a gente enfrenta. Em sua conclusão, Ulysses percebe que o mundo a havia lhe mudado, assim como o seu próprio lar que havia prosseguido e continuado sem ele ao longo dos anos. “Ya No Estoy Aqui’ segue a premissa da “Odisseia” mas falando sobre a jornada do indivíduo atual perante uma realidade de mudanças bruscas e sem retorno.
Dirigido por Fernando Frias, o filme se passa em Monterrey, México. Ulises Samperio é um jovem de 17 anos que ama a cumbia, ritmo colombiano o qual dança desde quando era pequeno. Líder de uma gangue local chamada Terkos, ele vive no limiar da criminalidade devido à proximidade do cartel local. Quando um atentado o aponta como suspeito, ele é obrigado a fugir do local onde cresceu.
Se por um lado aquele Ulysses do livro “Odisseia” ele embarcava em uma longa jornada cheia de guerras como, por exemplo, “A Guerra de Troia”, por outro lado, esse Ulysses enfrenta uma guerra não declarada, independente se for guerra de gangues ou de divisão de classes. Esse Ulysses é um sobrevivente em meio a pobreza, falta de recursos, mas que se mantem vivo pelo seu amor da dança e da música. A sua arte se torna a sua arma para manter a sua sanidade, mas a violência, por sua vez, lhe alcança e lhe fazendo encarar a triste a realidade que o próprio ainda não enxergava.
O cineasta Fernando Frias cria um retrato universal sobre o nosso mundo atual, independente da trama se passar no México ou não, pois ela é facilmente identificável por todos nós e começamos a simpatizar pelo protagonista de tal forma que desejamos estar sempre ao lado dele nesta jornada. Diferente dos filmes americanos, onde sempre há o famigerado filtro amarelado quando retrata um país latino, aqui a fotografia é a mesma em todos os cenários e fazendo a gente se perguntar por alguns segundos onde Ulysses se encontra naquele determinado momento. Não demora muito para descobrirmos que, ao menos no primeiro ato, a trama é não linear, onde o tempo vem e volta e mostra tanto o passado do protagonista no México, como também os dias atuais dele em uma cidade dos EUA.
Uma vez que descobrimos os motivos que o levaram a abandonar a sua terra, é então que a trama engrena de vez e fazendo a gente compreender as escolhas de sua jornada. Juan Daniel Garcia Treviño nos brinda com uma grande atuação em cena, onde ele constrói para o seu personagem um ser que aparenta um certo desligamento com relação as emoções, mas não esconde elas quando ele prática a sua arte e tenta compartilhar para as pessoas e ao mundo em sua volta. Porém, devido a falta de comunicação e culturas diferentes, Ulysses começa a perder a sua própria identidade a partir do momento que tenta se inserir em solo estrangeiro, mas se dando conta que as suas raízes falam mais alto.
Simplificando, o filme fala sobre os nossos dilemas que carregamos nestes tempos atuais, onde os problemas sociais estão cada vez mais transbordando e fazendo a gente se perguntar aonde devemos fugir para nos sentirmos seguros. Porém, por mais que tentamos fugir em território que nos diz “bem-vindo”, nos damos conta que, ou enfrentamos uma guerra física de frente, ou aquela interna dentro de nós e da qual pode ser ainda muito mais mortal quando nos faz a gente se perguntar quem somos nós nesse mundo atual vertiginoso e com um futuro indefinido. Não há escapatória, a não ser abraçar aquilo que a gente realmente se identifica e seguir em frente com o pouco que nos resta.
“Ya No Estoy Aqui’ fala sobre os nossos tempos atuais perdidos e dos quais a nossa jornada pela sobrevivência está somente começando.

Onde Assistir: Netflix. 

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Um comentário:

Luiz Gomes disse...

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