Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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A semana de Carnaval destaca a estreia de mais um título indicado ao Oscar: é SONHOS DE TREM, produção da Netflix que tem na equipe técnica o diretor de fotografia Adolpho Veloso, brasileiro que desponta como o favorito para levar o Oscar na categoria.
Junto com esta estreia, seguem em cartaz mais quatro títulos elogiados pela crítica e candidatos ao Oscar: O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias; VALOR SENTIMENTAL, que concorre a nove estatuetas; FOI APENAS UM ACIDENTE, que recebeu duas indicações; e o tunisiano A VOZ DE HIND RAJAB, que concorre ao Oscar internacional.
A ÚNICA SAÍDA, do diretor Park Chan-wook (de Oldboy), segue em cartaz, assim como DOIS PROCURADORES, do diretor ucraniano Sergei Loznitsa. Seguimos com as exibições, em última semana, de ZAFARI, da diretora venezuelana Mariana Rondón, e de UM CORPO SÓ, documentário do diretor gaúcho Cacá Nazário sobre a trajetória do grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.
Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicandoaqui.
Sinopse: Demitido abruptamente após 25 anos na mesma empresa, um homem desesperado chega a extremos para eliminar a concorrência pelo emprego que deseja.
Recentemente eu me preocupei com a possibilidade de ser demitido na empresa em que eu trabalho e fazendo com que eu temesse pelo meu próprio futuro. Mas o problema não é ser um desempregado, mas sim como você lidará com isso. "A Única Saída" (2025) mostra o indivíduo sugado por essa possibilidade e adentrando por um caminho de alto risco.
Dirigido por Park Chan-Wook, o filme conta a história de Man-Su (Lee Byung-hun) que perde o seu emprego depois de 25 anos no cargo, pois a empresa está sendo vendida por uma multi milionária norte-americana e provocando corte de funcionários. Desesperado, Man-Su mergulha em uma cruzada para reaver o seu emprego, mas ao mesmo tempo tendo que lidar com a família se desequilibrando perante esse cenário. Não demora muito para que ele elimine literalmente aqueles que podem ser uma futura concorrência caso ele tenha a chance de reaver a vaga.
Park Chan-Wook é um diretor que dispensa apresentações, já que ele se consagrou a partir da sua trilogia sobre vingança a partir da sua obra prima "Old Boy" (2003) e fazendo com que o mundo redescobrisse o cinema sul coreano. Desde então o realizador tem procurado explorar por outros caminhos que ligasse ao lado primitivo do ser humano e fazendo com que o mesmo liberasse a sua violência dentro de si. Aqui, porém, a violência acontece de forma acidental, quase se tornando uma comédia absurdamente sombria, pois a própria realidade, por vezes, acaba se tornando realmente uma grande piada.
Man-Su é escravo de um sistema capitalista do qual havia se entregado de corpo e alma por mais de duas décadas e não conseguindo aceitar viver de outra forma. Não é de hoje, seja em filme ou série, que a Coreia tem explorado essa questão delicada em tempos contemporâneos, seja com relação à divisão de classes vista em "Parasita" (2019), ou quando o indivíduo participa de um jogo mortal para obter renda na série "Round 6". Por conta disso há o declínio, onde o ser humano cada vez mais se torna descartável, sendo substituído por alguém mais qualificado, ou simplesmente pelas novas tecnologias que andam atualmente em passos largos.
O filme não nos poupa de situações inusitadas, seja quando o protagonista tenta eliminar a sua primeira concorrência, ou quando tudo dá errado e fazendo gerar em nós um riso involuntário. São nestes momentos que Park Chan-Wook capricha em uma direção impecável, onde num jogo de câmera criativo as cenas se tornam uma síntese de como o protagonista enxerga a situação em que está se envolvendo, ou simplesmente se tornando uma representação de uma sociedade em transe e da qual se entrega ao mínimo prazeres. Chega ao ponto que ficamos torcendo até mesmo para o protagonista, mesmo que lá no fundo a gente sabe que a sua situação acaba se tornando cada vez mais pecaminosa.
Em suma, o filme é uma crítica ácida com relação a uma sociedade cada vez mais presa em sua bolha particular, ou mais precisamente se tornando escrava dos seus bens materiais. Por mais que o protagonista de a desculpa que faz tudo pela sua família, porém, esse discurso se torna hipócrita, uma vez que o mesmo não se imagina diminuído em hipótese alguma. Ao final, constatamos o cenário de harmonia entre funcionário e empresa, mas não escondendo o derramamento de sangue e um alto preço a se pagar que visto durante os créditos finais de obra.
"A Única Saída" é retrato sarcástico e sombrio de uma sociedade cada vez mais materialista e cuja a desculpa em lutar pela família se torna algo cada vez mais hipócrita.
Sinopse: A partir do poderoso testemunho do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, o filme “A Queda do Céu” acompanha o importante ritual, Reahu, que mobiliza a comunidade de Watorikɨ num esforço coletivo para segurar o céu. O filme faz uma contundente crítica xamânica sobre aqueles chamados por Davi de povo da mercadoria, assim como sobre o garimpo ilegal e a mistura mortal de epidemias trazidas por forasteiros que os Yanomami chamam de epidemias “xawara”, e traz em primeiro plano a beleza da cosmologia Yanomami, dos espíritos xapiri e sua força geopolítica que nos convida a sonhar longe.
Elenco: Davi Kopenawa, Justino Yanomami, Givaldo Yanomami, Raimundo Yanomami,Dinarte Yanomami, Guiomar Kopenawa, Roseane Yariana e comunidade de Watorikɨ
LIVING THE LAND
China/Drama/2025 /129 min
Direção: Huo Meng
Sinopse: Living the Land se passa no ano de 1991 numa pequena vila chinesa. Chuang é um jovem que vê uma forte transformação socioeconômica afetar o seu país, principalmente os camponeses de sua região, incluindo a própria família. Em determinado momento, os integrantes da Vila Bawangtai e de outras zonas rurais passam a se deslocar para a cidade grande. Com dificuldades para se acostumar com as novidades da tecnologia, o longa mostra as trajetórias de diversas gerações da família que precisam se adaptar.
Elenco: Wang Shang (Chuang), Zhang Yanrong (Bisavó) e Zhang Chuwen
DOIS PROCURADORES
França / Alemanha / Países Baixos / Letônia / Romênia / Lituânia / Ucrânia /2025/117 min
Direção: Sergei Loznitsa
Sinopse: União Soviética, 1937. Milhares de cartas de detentos falsamente acusados pelo regime são queimadas em uma cela de prisão. Contra todas as probabilidades, uma delas chega a um recém-nomeado promotor local, Alexander Kornyev. Em busca de justiça, o jovem promotor se mobiliza para denunciar os métodos arbitrários de repressão praticados por agentes da polícia secreta, a NKVD.
Elenco: ALEKSANDR KUZNETSOV, ALEXANDER FILIPPENKO,ANATOLI BELIY
HORÁRIOS DIAS 12, 13 e 18 DE FEVEREIRO (ATENÇÃO! O CINEBANCÁRIOS ESTARÁ FECHADO DURANTE O CARNAVAL):
15h: DOIS PROCURADORES
17h10: A QUEDA DO CÉU
19h10: LIVING THE LAND
Ingressos: Os ingressos podemser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.
Sinopse: O filme Cabrini conta a história inspiradora de Francesca Cabrini, uma imigrante italiana que, em 1889, chega a Nova York e encontra pobreza, doença e exploração entre os imigrantes, especialmente crianças órfãs, e com sua fé, coragem e habilidade empreendedora, luta contra o preconceito e o sistema para construir um império de esperança, hospitais, orfanatos e escolas, tornando-se a primeira santa americana e uma grande empreendedora do século XIX, tudo isso apesar de sua saúde frágil e do sexismo da época.
Segunda dia 9 de fevereiro, às 20h "Climas" (2014) de Enrica Pérez, um tríptico de mulheres de três regiões peruanos
Segunda dia 9 de fevereiro, às 20h, segue o ciclo com o filme peruano "Climas" (2014) de Enrica Pérez, um tríptico de mulheres de três regiões do país Latino-americano. Eva é uma jovem do Peru amazônico que está descobrindo a sua sexualidade. Victoria mora numa Lima, numa umidade fria e cinzenta do pacífico, perturbada por segredos do passado. Zoraida é uma idosa que leva a vida tranquilamente nos Andes. Três mulheres desconhecidas, influenciadas pelo clima do local que habitam, compartilham semelhanças e angústias, mesmo distantes geograficamente e socialmente.
"La selva que calienta, la costa que enfría y la sierra que abandona" (Cinencuentro)
A sessão será realizada na segunda-feira, dia 26 de janeiro, às 20h, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres.
Entrada franca até a lotação do espaço.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Serviço:
O que: Exibição do filme "Climas" de Enrica Pérez
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 9/2, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
No ano de 1927, a sétima arte conta com o surgimento do som. Houve diversas tentativas de unir som e imagem até o surgimento do Vitaphone. Três anos após, mais precisamente no dia 1o de abril de 1930, estreou o filme que tornaria Marlene Dietrich uma das maiores estrelas da época, "O Anjo Azul".
Adaptado do romance ´´Professor Unrat“ de Heinrich Mann, esse clássico do cinema alemão, que naquele tempo estava começando a dar Adeus ao expressionismo, narra a história de Immanuel Rath, interpretado por Emil Jannings, do clássico "A Última Gargalhada" (1924), um educado, porém, severo e conservador professor de inglês e literatura que irá atrás de seus alunos na casa de espetáculos Anjo Azul para repreendê-los. Lá conhece a cantora de cabaré Lola Lola (Dietrich) e, assim como os demais, acaba se apaixonando pela jovem.
Há considerações a serem feitas sobre o filme que, dentre elas, as características expressionistas encontradas principalmente em sua edição de arte e fotografia, que esbanjam contraste de luz e sombras. A elaboração dos personagens que surgem sutilmente ingênuos e solitários perante a femme fatale. Tanto Lola como Rath têm seus desejos, frustrações e orgulho e fazendo com isso obtenham certa afinidade entre os dois em diversos momentos da projeção.
Porém, isso aos poucos vai deixando de existir, pois essa harmonia não sustenta, já que Rath a tinha como objeto idealizado de contemplação e a vida ao lado de Lola em nada corresponde aos seus sonhos. Portanto, a degradação de Rath é anunciada antes mesmo que ela aconteça, com a presença da figura de um palhaço triste do grupo que é diversas vezes encarado pelo professor com olhar melancólico.
Uma vez que o próprio protagonista se torna o palhaço da história, o ápice da degradação e humilhação, em meio aos risos da platéia e uma suposta traição de Lola Lola, o professor tem um surto nervoso e é amarrado em dos momentos mais chocantes da história do cinema. Quando solto, retorna pelas mesmas ruas que chegará pela primeira vez na casa de espetáculos para a escola, onde, sentado em sua antiga mesa, parte desta vida. .Emil Jannings, talvez crie neste, "O Anjo Azul", um dos personagens mais trágicos personagens do cinema.
A câmera se afastando e deixando-o sozinho diante de uma classe vazia com apenas alguns poucos livros sobre sua mesa não é um prenúncio de uma tragédia inevitável, mas sim uma lição de como jogar um personagem no fundo do poço. Curiosamente, eu vejo nesta cena a síntese do que a própria Alemanha enfrentaria, onde uma geração nova de rebeldes despreza o educador, deixando ele as traças e abraçando o fascismo que o país se tornaria. Para um olhar mais conservador tudo seria culpa de Lola, mas o problema talvez estivesse acontecendo mais embaixo naquela época.
Em "O Anjo Azul" Sternberg não só dá ao cinema uma de suas maiores musas do cinema, como nos brinda a todos com um longa que representa a autoestima de uma nação em quera.
No sábado, dia 7 de fevereiro, nos reuniremos na Cinemateca Capitólio às 10h15 da manhã para assistir O açougueiro, de Claude Chabrol, mestre do suspense psicológico francês e figura central da Nouvelle Vague.
Inspirado pelo cinema de Alfred Hitchcock, o filme constrói o suspense não a partir do mistério, e sim da observação do comportamento humano. Em uma pequena cidade do interior da França, a relação ambígua entre uma professora e um açougueiro se desenvolve paralelamente a uma série de assassinatos, criando uma atmosfera de tensão constante, feita de silêncios, olhares e gestos cotidianos.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 07/02, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cinemateca Capitólio
Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre
O açougueiro (Le boucher)
França, 1970, 93 min, 16 anos
Direção: Claude Chabrol
Elenco: Stéphane Audran, Jean Yanne
Sinopse: Em um vilarejo do interior francês, o relacionamento entre uma professora e um açougueiro coincide com uma série de assassinatos brutais. À medida que a convivência se intensifica, o filme revela tensões morais e afetivas que transformam a aparente normalidade em um terreno de inquietação e suspense.