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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Cine Dica: Em Blu-Ray - DVD – VOD: O MATADOR (2017)



Sinopse:Cabeleira, um temido assassino de Pernambuco, foi criado pelo cangaceiro Sete Orelhas, que o encontrou abandonado quando bebê. Agora adulto, ele vai à cidade procurar o desaparecido Sete Orelhas. Cabeleira encontra uma cidade sem lei governada pelo implacável Monsieur Blanchard, um francês que domina o mercado de pedras preciosas


O gênero bang bang, ou faroeste para os íntimos, foi ao longo do tempo aproveitado no cinema brasileiro. Isso se deve ao fato da  apropriação que o Cinema Novo fez sobre o sertão, tornando difícil brincar com o estilo numa região cujas mazelas foram representadas com tanta importância e profundidade social, como no caso do clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol. Chegamos então no filme O Matador, onde se abandona qualquer traço criado e analisado na obra prima de Glauber Rocha e se assumindo como uma espécie de westerns americano e até mesmo com toques a lá vídeo clipe.
Motivos é o que não faltam para se criar um filme dessa forma, seja ele por motivos mercadológicos, estéticos, ou até mesmo com o intuito de se casar com a realidade contemporânea de hoje e da qual vive em ritmo constante. Mas podemos simplificar que seja resultado da própria Netflix. A toda poderosa streaming constantemente analisa hábitos de consumo, para tomar decisões algumas vezes não muito bem pensadas, cujo resultado soa em alguns momentos como um mero produto para ser somente uma vez degustado do que um cinema mais autoral e do qual o nosso é tão rico e tendo muito a oferecer.
Portanto há uma indecisão clara de qual trama que é para se contar nesse filme, onde ela se transita entre a origem e busca do protagonista Cabeleira pelo seu pai adotivo, ou em sua cruzada em querer ser um matador profissional e do qual se torna ambicioso por pedras preciosas do local. Para piorar, existe a introdução de inúmeros personagens, dos quais surgem e somem num piscar de olhos. O próprio Cabeleira some da trama em momentos distintos, reaparecendo em momentos irregulares e somente se sustentando numa narração off que, por vezes, não é bem introduzida.
O personagem Cabeleira é deveras interessante, principalmente com relação a sua origem trágica e devidamente misteriosa. Ele acaba se tornando uma espécie de lenda do local, um estranho sem nome implacável e que nos faz lembrar os melhores momentos dos filmes de Sergio Leone. Infelizmente faltou um cuidado maior, não somente na produção, como também nos rumos que deram para o personagem.
Outro fator negativo é para aqueles que acompanharam o trailer do filme, já que lá havia sido revelado um momento chave da trama. Para aqueles que forem assistir ao filme sem ter visto o trailer, esse momento pode até ser interessante, mas se torna sem sal para aqueles que deram uma olhada antes. Uma tremenda bola fora da Netflix em termos de divulgação.
Visualmente, muito se falará sobre a beleza do sertão e a luz de seu sol quente. O filme usa ao estremo dos planos distantes, da fotografia de cores quentes, das silhuetas no contraluz e das cores desérticas.Porém, a produção comete o deslize na introdução de alguns efeitos especiais, por vezes, artificiais e dispensáveis em alguns momentos.
Alardeado durante o último festival de Gramado como o primeiro longa brasileiro criado pela Netflix, O Matador tinha todo o potencial, mas lhe faltou mais amor em sua concepção. 



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Cine Dica: HOMENAGEM A WALTER LIMA JR. NA CINEMATECA CAPITÓLIO PETROBRAS



Através da Sombra 

A partir de 24 de novembro, a Cinemateca Capitólio Petrobras realiza uma mostra com filmes do diretor brasileiro Walter Lima Jr. A programação conta com exibições de A Lira do Delírio, Inocência e A Ostra e o Vento. Na terça-feira, 28 de novembro, Walter Lima Jr. conversa com o público após a exibição da cópia restaurada em 35mm de seu primeiro longa-metragem, Menino de Engenho. A programação tem entrada franca.
A mostra Walter Lima Jr. faz parte do projeto Cinemateca Capitólio – Digitalização e Programação Especial 2017, patrocinado pela Petrobras e financiado através do Pró-Cultura RS da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Estado do Rio Grande do Sul.

O filme Colo, da diretora portuguesa Teresa Villaverde, seguem em exibição até o dia 29 de novembro. Na Praia à Noite Sozinha, de Hong Sang-soo, ganha mais uma semana em cartaz a partir do dia 24 de novembro. O valor do ingresso é R$ 16,00, com meia entrada para estudantes e idosos.

Na quinta-feira, 23 de novembro, às 20h, acontece uma reprise da mostra Diálogo de Cinema interrompida durante uma intensa tempestade. Com entrada franca, a sessão apresenta os curtas Não Me Prometa Nada, de Eva Randolph, A Moça Que Dançou Com o Diabo, de João Paulo Miranda, Constelações, de Maurílio Martins, Regresso de Saturno, de Bianca Muniz e Marcus Curvelo, Demônia, Melodrama em 3 Atos, de Fernanda Chicolet e Cainan Baladez. 

WALTER LIMA JR.
 Diretor e roteirista nascido em Niterói em 1938, começou escrevendo críticas para jornais diários. Em 1963, conheceu Glauber Rocha, que o convidou para fazer assistência de direção em Deus e o diabo na terra do sol. Seu primeiro longa-metragem foi Menino de engenho (1965), uma adaptação do romance de José Lins do Rego. Fez em seguida Brasil ano 2000 (1968), Urso de Prata do Festival de Berlim e Concha de Ouro no Festival de Cartagena. Em 1977, concluiu o longa-metragem A lira do delírio, prêmio de melhor filme no Festival de Brasília. Em 1983, fez Inocência, prêmio de direção em Brasília e prêmio Coral no Festival de Havana. Nos anos 1990 dirigiu, sob encomenda de um produtor americano, O monge e a filha do carrasco (1995) e pouco depois fez A ostra e o vento (1997), baseado no livro de Moacir C. Lopes, selecionado para a competição do Festival de Veneza. Para a televisão, fez documentários e minisséries, como Capitães da areia e Dossiê Chatô. É professor de cursos de direção de atores e assistência de direção para cinema no Rio de Janeiro.
FILMES

MENINO DE ENGENHO
Brasil, 1965, 110 minutos
Elenco: Maria da Conceição, Antonio Pitanga, Geraldo Del Rey
Exibição em 35mm
 1920, na Paraíba. Após a morte da mãe, o menino Carlinhos (Sávio Rolim) é enviado para o engenho Santa Rosa para ser criado pelo avô e pelos tios. Lá ele testemunha a chegada de um novo tempo, com o advento das modernas usinas de açúcar e as transformações econômicas e sociais pelas quais passa a produção canavieira, mudanças que irão afetar a vida de todos. Quando ele cresce e vai para o colégio, já não é mais o garoto ingênuo e inocente que chegou no engenho.

A LIRA DO DELÍRIO
Brasil, 1978, 105 minutos
Elenco: Tonico Pereira, Anecy Rocha, Paulo Cesar Pereio
Exibição digital
Dois momentos na vida de um grupo de personagens cariocas. No bloco carnavalesco “A Lira do Delírio” eles vivem o êxtase. Fora do carnaval, cruzam-se num cabaré da Lapa. Ness Elliot (Anecy Rocha) tem o filho sequestrado e cai na manipulação de Claudio (Claudio Marzo), misto de malandro e homem de negócios. O repórter de polícia Pereio (Paulo Cesar Pereio) faz de tudo para ajudá-la enquanto também investiga o assassinato de um homossexual.

INOCÊNCIA
Brasil, 1983, 118 minutos
Elenco: Chico Diaz, Fernando Torres, Fernanda Torres
Exibição digital
No Brasil imperial, um médico itinerante (Édson Celulari) em suas andanças conhece uma moça acometida de malária (Fernanda Torres) por quem se apaixona, sendo correspondido. Entretanto, o pai da jovem a prometeu para um rico fazendeiro da região e não admite ter sua vontade contestada.

A OSTRA E O VENTO
Brasil, 1997, 100 minutos
Elenco: Lima Duarte, Fernando Torres, Leandra Leal
Exibição digital
A jovem Marcela (Leandra Leal) vive com seu pai, o faroleiro Jose (Lima Duarte), e o velho Daniel (Fernando Torres) numa ilha. O único contato da menina com o mundo exterior se dá através de uma embarcação com 4 marinheiros que regularmente vai levar-lhes provisões. Através das palavras de Daniel, que a ensina a ler e sua fonte de ternura e conhecimento, e da severidade do pai, que quer protegê-la do resto do mundo, Marcela segue sua vida até que, ao tornar-se adolescente, passa a sentir sua sexualidade e seus anseios de viver de forma intensa.

GRADE DE HORÁRIOS
23 a 26 de novembro de 2017

23 de novembro (quinta)
17h40 – Colo
20h – Mostra Diálogo de Cinema (reprise)

24 de novembro (sexta)
14h - Na Praia à Noite Sozinha
15h45 – A Lira do Delírio
17h40 – Colo
20h – Projeto Raros (Tudo Por Dinheiro, Paul Bartel)

25 de novembro (sábado)
14h - Na Praia à Noite Sozinha
15h45 – A Lira do Delírio
17h40 - Colo
20h10 – Inocência

26 de novembro (domingo)
14h - Na Praia à Noite Sozinha
15h45 – A Lira do Delírio
17h40 – Colo
20h – A Ostra e o Vento

28 de novembro (terça)
14h - Na Praia à Noite Sozinha
15h45 – A Lira do Delírio
17h40 – Colo
20h – Menino de Engenho

29 de novembro (quarta)
14h - Na Praia à Noite Sozinha
15h45 – A Lira do Delírio
17h40 – Colo
20h – Sessão de Lançamento de Matheus Schmidt - Um Caso de Amor pelo Brasil

NOTA: MUDANÇA DE FILME NA SESSÃO ESPECIAL COM WALTER LIMA JR.
A Cinemateca Capitólio Petrobras recebeu um veto de última hora para exibição da cópia 35mm restaurada de Menino de Engenho que aconteceria nesta terça-feira, 28 de novembro, às 20h. O filme será substituído pela obra mais recente de Walter Lima Jr., Através da Sombra, adaptação do célebre romance de Henry James, A Volta do Parafuso. O diretor estará presente para uma conversa com o público após a exibição.

ATRAVÉS DA SOMBRA
Brasil, 2015, 100 minutos
Direção: Walter Lima Jr.
Exibição digital
Laura é contratada como professora de duas crianças órfãs que vivem na fazenda de café de um tio. Aos poucos, ela sente que as crianças estão sob influências malignas de espíritos hostis que ali viveram, e se empenha em descobrir o que está por trás de todo esse mistério, sem perceber que ela mesma poderá estar envolvida numa trama diabólica.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: A VILÃ



Sinopse: Menina treinada desde a infância para ser uma assassina sanguinária aceita um acordo de trabalho que a libertará do árduo ofício depois de dez anos de serviço. Mas mesmo depois de cumprir o prazo e começar a trilhar uma rotina normal, dois homens aparecem e a colocam de frente com seu passado.


O cinema sul coreano não é muito diferente do americano, sendo que produzem também inúmeros gêneros, desde a comédia romântica, terror e etc. A diferença é que lá se valoriza um cinema mais autoral, com direito de cada cineasta manter a sua visão pessoal na produção de seus filmes e resultando em obras indispensáveis. É claro que para o marinheiro de primeira viagem, principalmente para aquele que se acostumou com o comodismo do cinema americano, A Vilã pode ser um verdadeiro soco no estômago, mas superando qualquer filme de ação ianque que se preze.
Dirigido pelo documentarista Byeong-gil Jeong, acompanhamos a cruzada de uma espiã Sook-hee (Ok-bin Kim), que na infância viu o seu pai sendo assassinado e acabando sendo treinada desde cedo para se tornar uma verdadeira maquina de matar. Anos vão se passando, ela se casa com o seu próprio mentor, mas esse último acaba sendo morto pelos seus inimigos. Jurando vingança, ela passa os próximos dez anos em um novo treinamento, cuidando de uma filha e com a promessa de uma vida comum, mas mal sabendo das artimanhas que pessoas próximas estão criando contra ela.
É claro que alguns críticos neste momento irão comparar facilmente essa obra ao clássico francês Nikita de Luc Besson. Porém, é de estranhar a tamanha coincidência que o filme chegue aos cinemas pouco depois do filme Atômica, estrelado, produzido por Charlize Theron e cuja trama possui algumas passagens semelhantes a esse filme coreano. Contudo, esse último sai ganhando, principalmente pelo fato do cineasta não colocar as mãos no freio e com intuito de chocar e nos surpreender com cada cena de ação apresentada.
Os primeiros minutos de projeção, aliás, supera quase em tudo o que havia sido apresentado no cinema nesse ano em termos de ação e violência. Começando com uma sequência em primeira pessoa, testemunhamos algo parecido no que é visto num jogo de vídeo game, onde o jogador precisa atirar e recarregar a arma antes que venha a ser atacado. O Resultado é uma sequência (aparentemente) sem cortes, onde vemos os adversários tombando de um em um em meio a tiros, facadas e jatos de sangue para todos os lados.
Mas a cena não para por aí, pois o cineasta Byeong-gil Jeong tem a proeza de criar ângulos de câmera impossíveis e dos quais somente com o uso de efeitos visuais seria possível. Porém, é praticamente impossível de nós percebemos o uso desse recurso nessa sequência, assim como os cortes quase imperceptíveis e isso graças a uma montagem mirabolante. Quando vemos o reflexo da protagonista num espelho, por exemplo, a câmera deixa de ser a representação do seu olhar, mas quase não nos damos conta dessa mudança brusca na apresentação dessa abertura alucinante, pois já estamos mais do que eufóricos com relação ao que está acontecendo naquele momento na tela.
Após essa abertura, o filme desacelera um pouco, para que então comecemos a conhecer melhor a natureza daquela personagem e do porque ela ter entrado nesse labirinto de violência e sangue. O grande problema é que a trama em si poderia render pelo menos dois filmes, mas os realizadores optaram então em condensar tudo numa única história de pouco mais de duas horas. Não que tudo pareça ser incompreensivo, mas requer atenção, principalmente por possuir cenas que, por vezes, parecem um tanto que fragmentadas e incompreensíveis num primeiro momento.
A situação somente melhora pra valer no terceiro ato, quando a protagonista conhece a real natureza da realidade em que vive, até então distorcida e moldada por pessoas que até então a enganavam num jogo de múltiplas conspirações. Se a trama, por vezes, se torna inverossímil, pelo menos a atuação feroz da Ok-bin Kim compensa tudo, pois realmente sentimos uma fúria vinda de sua personagem e da qual ela bota pra fora nos minutos cruciais da trama. Esses minutos, aliás, é uma espécie de continuidade com os minutos iniciais do filme e nos deixando novamente anestesiados até mesmo quando começam a subir os créditos finais. 
A Vilã é desde já um dos melhores filmes de ação do ano, mas não recomendado para estômagos fracos. 



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