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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 21 de julho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Convite'

Sinopse: Joe e Angela decidem quebrar a rotina do casamento convidando os vizinhos Hawk e Pina para jantar.

Não é de hoje que o cinema se casa com perfeição com a arte do teatro, existindo diversos longas cujas tramas se passam em um único cenário. Se por um lado temos clássicos de tribunal como "12 Homens e uma Sentença" (1957), do outro, temos comédias refinadas como "Deus da Carnificina" (2011) e "Qual o Nome do Bebê?" (2011). "O Convite" (2026) se alinha aos dois últimos citados, tornando-se uma das melhores surpresas do ano.

Dirigido por Olivia Wilde (de "Fora de Série", 2019), na trama conhecemos Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), um casal que se vê preso no marasmo da relação. Para sair da rotina, eles decidem convidar os seus vizinhos Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz) para jantar. No entanto, o que era para ser uma noite tranquila com coquetel se transforma em um evento repleto de reviravoltas inesperadas, onde segredos picantes começam a vir à tona.

Dividindo a carreira entre o cinema e séries de TV, Olivia Wilde surpreendeu nos últimos anos como diretora, e aqui ela obtém o equilíbrio perfeito. Nota-se, por exemplo, que logo na abertura temos a noção de que tudo se passará naquele apartamento, mas a realizadora opta por fazer um verdadeiro jogo de cenas: o uso dos espelhos nos dá a dimensão precisa da ação e reação do casal central e de como eles interagem no primeiro ato. Percebe-se o cuidado no domínio da cena não apenas pela forma de filmar, mas também pelo fato de a própria diretora estar à frente da câmera atuando com maestria.

Bebendo da fonte de realizadores autorais da comédia como Woody Allen, a diretora constrói personagens que transitam da lucidez à beira de um ataque de nervos na tentativa de sair da rotina e se sentirem mais vivos. A personagem de Olivia, por exemplo, sintetiza uma pessoa em busca de uma razão para continuar nesse casamento, nem que para isso precise se submeter a situações hilárias, para dizer o mínimo. A química entre ela e Seth Rogen é impecável ao representarem um casal em crise, mas que busca alguma fórmula para prosseguir junto.

Uma vez que o outro casal entra em cena, o filme nos brinda com um dos diálogos mais afiados do ano, no qual facilmente caímos na risada através de piadas criativas e ousadas, mas nunca apelativas. O que temos aqui é uma comédia adulta, feita para divertir, mas que ao mesmo tempo provoca reflexões sobre as complexidades dos relacionamentos contemporâneos. Nada melhor do que rir de uma desgraça com a qual nos identificamos facilmente.

E como é bom rever Edward Norton em cena — uma das grandes promessas do final do século passado que provou, e continua provando, o quanto tem a oferecer à sétima arte. Porém, é Penélope Cruz quem coloca o filme no bolso ao interpretar uma mulher que sabe exatamente o que quer em relação a relacionamento e sexo, colocando esses assuntos na mesa com total naturalidade e deixando o casal central de queixo caído. Não me surpreenderia se, no ano que vem, ela fosse novamente indicada ao Oscar, mesmo que sua personagem guarde semelhanças com o papel que lhe garantiu a estatueta em "Vicky Cristina Barcelona" (2008).

Com desdobramentos surpreendentes, a narrativa nos conduz por momentos em que cada protagonista revela sua verdadeira faceta, fazendo com que nos conectemos com eles à medida que a trama avança. O ato final é um belo exemplo de como o humor pode transitar por elementos dramáticos sem jamais soar piegas, mostrando-se extremamente humano. O final aberto quanto ao destino dos dois casais é mais do que proposital: como nossos próprios relacionamentos do lado de cá da tela guardam incertezas parecidas, compreendemos perfeitamente a situação deles.

"O Convite" é, desde já, uma das melhores comédias do ano. Nele, Olivia Wilde prova que o gênero continua pulsando forte — bastam um roteiro criativo e a sensibilidade necessária para arrancar do público um grande sorriso.

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