Sinopse: Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) alcança o objetivo pelo qual tanto lutou: o Trono de Ferro. No entanto, a vitória revela-se muito mais amarga do que esperava.
O tempo é a principal peça em relação a tudo e, perante a arte de contar histórias, não é diferente — seja no cinema ou nas séries de TV. O livro "Fogo & Sangue", escrito por George R. R. Martin, se tornou o principal alvo da HBO desde que "Game of Thrones" foi encerrada, fazendo muitos fãs se perguntarem como seria o formato da adaptação. O resultado foram, até agora, três temporadas, sendo que a quarta será a última.
Olhando para trás, percebe-se um certo erro de cálculo ao estender por tantas temporadas uma obra baseada em um único livro, visto que o segundo ano mais parecia a construção do que viria mais adiante. É exatamente essa a sensação que tive com esta terceira temporada, que já começa a todo vapor com a famosa "Batalha da Goela" — desde já um dos confrontos mais sangrentos de Westeros, resultando em perdas irreversíveis. Isso afeta Rhaenyra Targaryen de forma fulminante, fazendo com que a sua conquista pelo trono se torne ainda mais dramática e brutal.
Emma D'Arcy consegue construir muito bem para sua personagem alguém à beira do colapso mental perante a responsabilidade de obter o trono, tendo que pagar um alto preço e carregar um peso incalculável. Pode-se dizer que, daqui em diante, a Rhaenyra que conhecíamos de uma forma até então inocente dá lugar, aos poucos, a uma personagem com um ar de ambiguidade, fazendo com que a gente testemunhe sua entrega gradativa à escuridão contra a qual tanto lutou. Pelo visto, a família Targaryen está condenada a conviver com a loucura nascida do poder e do peso da responsabilidade em abundância.
Do outro lado da moeda temos Aegon, vivido intensamente pelo jovem ator Tom Glynn-Carney. Aqui temos um personagem se reerguendo das cinzas aos poucos e provando não ser inútil, mas sim sabendo usar o seu lado desalmado na hora certa. Daemon Targaryen, interpretado novamente por Matt Smith, nos brinda não somente com uma grande atuação, mas também protagonizando as melhores cenas de luta com espada até este momento da série, provando ser o verdadeiro e fiel braço direito da rainha. E, como não poderia deixar de ser, a série carrega novamente aquele velho jogo político, onde alianças e traições correm a todo vapor, tornando a trama ainda mais imprevisível.
E se alguns ainda estavam reclamando da falta de ritmo, pode-se dizer que o último episódio desta temporada é uma aula de como se elabora uma bela história alinhada com muita ação do gênero fantástico e épico na medida certa. Dirigido por Andrij Parekh (da série "Watchmen", de 2019), o realizador elabora cenas maravilhosas, como aquela em que Rhaenyra Targaryen discursa perante o seu povo enquanto o seu exército se prepara para a Batalha de Tumbleton, tudo embalado por uma bela trilha sonora. Aliás, essa batalha entra facilmente entre os momentos mais violentos e sangrentos da série, cujos atos e consequências nos levam para um caminho sem volta.
Em suma, a terceira temporada termina de forma mais do que satisfatória, com uma linguagem cinematográfica tão elaborada por seus criadores que nos faz desejar assisti-la em uma tela grande. Mas estamos falando do universo dos Sete Reinos, onde ninguém está a salvo, fazendo-nos temer ainda mais por personagens com os quais estamos cada vez mais nos simpatizando. O quarto ano, pelo visto, será um rio de lágrimas, sangue e fogo em todos os sentidos.
"A Casa do Dragão - 3ª Temporada" supera em todos os sentidos o ano anterior, preparando-nos psicologicamente para a sua derradeira temporada final.
Onde Assistir: HBO MAX.
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