Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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No sábado, dia 7 de fevereiro, nos reuniremos na Cinemateca Capitólio às 10h15 da manhã para assistir O açougueiro, de Claude Chabrol, mestre do suspense psicológico francês e figura central da Nouvelle Vague.
Inspirado pelo cinema de Alfred Hitchcock, o filme constrói o suspense não a partir do mistério, e sim da observação do comportamento humano. Em uma pequena cidade do interior da França, a relação ambígua entre uma professora e um açougueiro se desenvolve paralelamente a uma série de assassinatos, criando uma atmosfera de tensão constante, feita de silêncios, olhares e gestos cotidianos.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 07/02, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cinemateca Capitólio
Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre
O açougueiro (Le boucher)
França, 1970, 93 min, 16 anos
Direção: Claude Chabrol
Elenco: Stéphane Audran, Jean Yanne
Sinopse: Em um vilarejo do interior francês, o relacionamento entre uma professora e um açougueiro coincide com uma série de assassinatos brutais. À medida que a convivência se intensifica, o filme revela tensões morais e afetivas que transformam a aparente normalidade em um terreno de inquietação e suspense.
Sinopse: A família Garrity sobrevive a uma catástrofe e precisa deixar a segurança do bunker que estão abrigados para embarcar em uma jornada perigosa pela devastada e congelada paisagem da Europa.
(DES)CONTROLE
Sinopse: Kátia Klein é uma escritora bem-sucedida que enfrenta uma crise criativa às vésperas da entrega do seu novo livro, ao mesmo tempo em que descobre a falência do seu casamento e administra o acúmulo das demandas dos filhos e dos pais. Sobrecarregada e em busca de alívio, ela passa de uma simples taça de vinho ao total descontrole, sendo gradualmente engolida pelos excessos do vício.
O SOM DA MORTE
Sinopse: Um grupo de estudantes disfuncionais se depara com um Apito da Morte Asteca amaldiçoado. Logo eles descobrem que usar o objeto causa um som aterrorizante que prevê suas futuras mortes.
Sinopse: A partir do poderoso testemunho do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, o filme “A Queda do Céu” acompanha o importante ritual, Reahu, que mobiliza a comunidade de Watorikɨ num esforço coletivo para segurar o céu. O filme faz uma contundente crítica xamânica sobre aqueles chamados por Davi de povo da mercadoria, assim como sobre o garimpo ilegal e a mistura mortal de epidemias trazidas por forasteiros que os Yanomami chamam de epidemias “xawara”, e traz em primeiro plano a beleza da cosmologia Yanomami, dos espíritos xapiri e sua força geopolítica que nos convida a sonhar longe.
Elenco: Davi Kopenawa, Justino Yanomami, Givaldo Yanomami, Raimundo Yanomami,Dinarte Yanomami, Guiomar Kopenawa, Roseane Yariana e comunidade de Watorikɨ
LIVING THE LAND
China/Drama/2025 /129 min
Direção: Huo Meng
Sinopse: Living the Land se passa no ano de 1991 numa pequena vila chinesa. Chuang é um jovem que vê uma forte transformação socioeconômica afetar o seu país, principalmente os camponeses de sua região, incluindo a própria família. Em determinado momento, os integrantes da Vila Bawangtai e de outras zonas rurais passam a se deslocar para a cidade grande. Com dificuldades para se acostumar com as novidades da tecnologia, o longa mostra as trajetórias de diversas gerações da família que precisam se adaptar.
Elenco: Wang Shang (Chuang), Zhang Yanrong (Bisavó) e Zhang Chuwen (Xiuying)
DOIS PROCURADORES
França / Alemanha / Países Baixos / Letônia / Romênia / Lituânia / Ucrânia /2025/117 min
Direção: Sergei Loznitsa
Sinopse: União Soviética, 1937. Milhares de cartas de detentos falsamente acusados pelo regime são queimadas em uma cela de prisão. Contra todas as probabilidades, uma delas chega a um recém-nomeado promotor local, Alexander Kornyev. Em busca de justiça, o jovem promotor se mobiliza para denunciar os métodos arbitrários de repressão praticados por agentes da polícia secreta, a NKVD.
Elenco: ALEKSANDR KUZNETSOV, ALEXANDER FILIPPENKO,ANATOLI BELIY
HORÁRIOS 05 A 11 DE FEVEREIRO (não há sessões nas segundas):
15h: A QUEDA DO CÉU
17h: LIVING THE LAND
19h20: DOIS PROCURADORES
Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas.
EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.
Sinopse: Impulsionada por garra, determinação feroz e um desejo inabalável de vencer, Christy Martin surge no mundo do boxe sob a tutela de seu treinador e empresário, Jim.
Sempre quando é lançado um filme baseado em fatos reais sobre um grande talento é quase praxe já termos uma noção de como começa e como termina o enredo. Há sempre a consagração, para então ocorrer o declínio e, por fim, a redenção. "Christy: Um Novo Round" (2025) é um desses casos de filmes que nasceu até mesmo para ser indicado há vários prêmios, mas faltou alguns detalhes durante o trajeto.
Dirigido por David Michôd Christy, o filme conta a história da pioneira boxeadora Christy Martin (Sidney Sweeney) que deseja ser muitas coisas na vida, mas jamais imaginaria que o seu maior talento fosse dentro dos ringues de boxe. Se tornando uma das primeiras grandes lutadoras do boxe feminino, Christy conheceu o seu auge, mas também o lado sombrio do sucesso através do seu empresário, treinador e marido Jim Martin (Ben Foster). Christy precisará passar por um verdadeiro inferno e enfrentar o seu pior temor em vida.
Visualmente o filme é caprichado em termos de reconstituição de época, principalmente ao revelar tempos de mudança, ou mais precisamente a transição dos anos oitenta para os noventa. O filme não esconde um teor mais conservador daqueles tempos, onde ser diferente era decretar ser perseguido e isso a protagonista sente dentro de sua própria família. Por mais mórbido que seja, ao menos o filme acerta sobre o quanto a comunidade LGBT lutava para ser feliz em uma época de muito preconceito e intolerância.
É bem verdade que Chisty foi obrigada a ser moldada a ser algo que no fundo jamais queria, mas não escondendo o seu desejo pelo sucesso, mas mal sabendo o preço que iria pagar. Em uma carreira que transita entre sucessos e fracassos é preciso reconhecer que Sydney Sweeney se esforçou ao dar corpo e alma para essa personagem e não se limitando em cenas que exigem força física nas cenas de luta. Embora não tenha uma boa direção vinda do diretor, é preciso reconhecer que as cenas destes momentos simbolizam a entrega da atriz, mesmo com os passos em falso da produção.
Talvez um dos passos em falso da produção mais nítida seja justamente a passagem de tempo inverossímil retratada no longa, sendo que a protagonista quase não envelhece, mesmo sendo a reconstituição de um período de sua vida que cobre em torno de quase vinte anos. Outro fator negativo é justamente Ben Foster, onde ele cria um Jim Martin que faz a gente odiá-lo mas de uma forma errada, já que a sua atuação é sonolenta, como se o intérprete estivesse se perguntando porque ele está ali naquele momento. Ao menos ele seria um bom Donald Trump caso houvesse uma nova adaptação sobre a vida do Presidente, pois a sua caracterização aqui lembra muito o chefão da Casa Branca.
Se por um lado o filme fracassa nestes pontos, ao menos o terceiro ato final nos brinda com momentos de pura tensão e angústia, principalmente quando a protagonista decide enfrentar os seus piores temores de frente. Um final digno de nota, mas cujo os desdobramentos que antecipam esse momento prejudicam o resultado final do longa. "Christy: Um Novo Round" é aquele filme que tinha todos os ingredientes para ser candidato ao Oscar, mas não fizeram com o exato carinho que merecia.
Um menino solitário mergulha em um maravilhoso mundo de fantasia através das páginas de um livro misterioso. Filme escolhido pelos diretores para a Sessão Vagalume do mês de fevereiro.
República dos Assassinos
(Entrada franca)
Brasil | 1979 | 105 minutos | DCP
Direção de Miguel Faria Jr.
Classificação indicativa: 18 anos [NAC]
A violência e a corrupção do Esquadrão da Morte no Rio de Janeiro dos anos 70, focado no policial Mateus Romeiro e sua facção “Homens de Aço”, mostrando a ligação entre polícia, crime e interesses políticos.
“Um dos nossos filmes brasileiros preferidos, um policial queer quase noir. Consideramos a personagem de Anselmo Vasconcellos a maior femme fatale do cinema nacional. Matias e Fabio têm na sala do apartamento deles um pôster desse filme. Fica visível em especial na cena em que Matias dança. Entramos em contato direto com o Miguel para pedir um arquivo do cartaz, e tivemos a oportunidade de dizer isso tudo a ele”.
O Homem Invisível
The Invisible Man (Entrada franca)
EUA | 1933 | 71 minutos | DCP
Direção: James Whale
Classificação: Livre
Legendado: Um cientista encontra uma maneira de se tornar invisível, mas ao fazer isso, ele mergulha na insanidade.
O Ninho
R$ 16,00
Brasil | 2016 | 104 minutos | DCP
Direção: Marcio Reolon e Filipe Matzembacher
Classificação indicativa: 16 anos
Bruno está procurando por seu irmão, mas acaba encontrando uma nova família.
“O Ninho” é uma minissérie de 4 episódios dirigida por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon , premiada em festivais, comercializada na Alemanha e França (em salas de cinema, DVD / Bluray e VOD) e tema da mesa “In The Nest: a drama series made by Talents” na programação do Berlinale Talents 2016.
Crash – Estranhos Prazeres
Crash (Entrada franca)
CAN e UK | 1996 | 100 minutos | DCP
Direção: David Cronenberg
Classificação: 18 anos
Legendado
Depois de sofrer um grave acidente de carro, um diretor de televisão descobre uma cultura subterrânea de pessoas que associam a violência no trânsito com o prazer sexual, afetando seu relacionamento com a esposa.
“Filme preferido da vida do Filipe, e somos um tanto obcecados por Cronenberg. A abordagem não moralista do fetiche era algo importante para nós e achamos que ele faz isso muito bem nesse filme. A cena final do Ato Noturno é um aceno direto ao final de Crash”.
Confira horários, dias e a programação completa no site oficial clicandoaqui.
A primeira cinesemama de fevereiro traz a estreia do elogiado longa DOIS PROCURADORES, do diretor ucraniano Sergei Loznitsa, que se debruça sobre um episódio-chave do regime totalitário de Stalin. Outra novidade é ZAFARI, em que a diretora venezuelana Mariana Rondón se vale de uma realidade distópica para abordar o momento atual em seu país. Também entra em cartaz o longa UM CORPO SÓ, documentário do diretor gaúcho Cacá Nazário sobre a trajetória do grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.
Sucesso de público, o longa tunisiano A VOZ DE HIND RAJAB segue entre os destaques da lista da temporada de premiações. Junto com ele, seguem em cartaz mais quatro títulos elogiados pela crítica e candidatos ao Oscar: O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias; VALOR SENTIMENTAL, que concorre a nove estatuetas; SE EU TIVESSE PERNAS EU TE CHUTARIA, com Rose Byrne concorrendo ao prêmio de melhor atriz; e FOI APENAS UM ACIDENTE, que recebeu duas indicações.
Atendendo a pedidos, A ÚNICA SAÍDA, do diretor Park Chan-wook (de Oldboy), ganha mais uma semana de exibições, bem como ATO NOTURNO, novo título dos diretores gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher.
Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicandoaqui.
Sinopse: Dois colegas ficam presos em uma ilha deserta, os únicos sobreviventes de um acidente de avião.
Sam Raimi é um diretor autoral que revolucionou o gênero de horror e criando o termo "terrir" a partir da sua trilogia clássica "Uma Noite Alucinante". O realizador usa e abusa, não somente de sua câmera frenética, como também de bastante sangue e nojeira na medida certa. Em "Socorro!" (2026) o cineasta retorna novamente as suas raízes, tendo total liberdade criativa, mesmo quando o mesmo tropeça na hora errada.
Na trama, Linda Liddle (Rachel McAdams) é uma funcionária de uma empresa comandada por um chefe insuportável chamado Bradley Preston (Dylan O'Brien). O relacionamento conturbado da dupla será levado aos limites quando ambos sobrevivem a um acidente de avião e ficam isolados em uma ilha deserta. Eles são obrigados a enfrentar os velhos ressentimentos de sua relação e trabalhar juntos para tentar sobreviver, mas não significa que essa união será exatamente perfeita ao longo da história.
Sam Raimi não só tem a sua visão autoral na realização dos seus filmes, como também tem o interesse em construir os seus personagens que transitem para o realismo para o mais puro cartunesco. Bruce Campbell, por exemplo, parecia um cruzamento de desenho animado com os "Três Patetas" no já citado "Uma Noite Alucinante" e aqui não é diferente. A atuação de Rachel McAdams é quase unidimensional inicialmente, como se ela estivesse brincando o tempo todo em cena e fazendo de sua personagem um ser que não nos transmite certo equilíbrio mental mesmo fazendo parte de um sistema trabalhista que tanto almeja.
Porém, a sua personagem ganha novos contornos a partir do momento em que ela e seu colega de cena ficam presos em uma ilha misteriosa. Atenção para a cena do acidente, onde Sam Raimi usa todos os seus ingredientes de sucesso, desde cortes rápidos, mortes absurdas e tudo moldado de um jeito quase cartunesco. É como se fosse o desenho clássico do Papa Léguas, mas que aqui qualquer passo em falso já lhe dá o direito de não retorno dentro da trama.
Uma vez que o longa somente foca os dois protagonistas é então que os mesmos acabam ganhando contornos mais humanos e fazendo a gente compreender a real natureza de cada um deles. Contudo, Sam Raimi opina em deixar claro que não somos obrigados a escolher a qual lado torcer, já que ambos são personagens com atitudes ambíguas e que vão se revelando cada vez mais na medida em que o tempo passa. Quando se menos espera você não está torcendo para nenhum dos dois, mas somente esperando sobre quem sairá vivo disso tudo.
Até lá vemos de tudo um pouco, desde situações bizarras, mortes absurdas, vômitos surreais e um cenário paradisíaco que transita entre o verossímil para o lado mais bizarro do cartunesco e bem ao estilo do realizador. Sam Raimi, porém, peca um pouco pela criação do ritmo, onde ele dá espaço para o desenvolvimento entre os dois personagens, mas que soa um tanto forçado algumas vezes. Porém, não deixa de ser interessante o personagem Preston fora de sua zona de conforto, mas não fugindo do seu lado escroto que nos foi apresentado desde o início.
Mas talvez o maior erro de Sam Raimi neste filme nem seja com relação ao seu ritmo, mas sim devido ao seu fator surpresa com relação a um grande segredo escondido na ilha. infelizmente quando essa revelação surge em cena, ao invés de nos surpreender, gera um grande dejavu, principalmente para aqueles que já assistiram ao longa "Triângulo da Tristeza" (2023) de Ruben Östlund. Pode pegar de jeito um desavisado, mas para um cinéfilo de olhar atento não será pego desprevenido.
Entre atos e consequências os personagens se tornam figuras bem diferentes de como foram apresentadas no início do filme, mas não muito distantes de suas naturezas internas. Mesmo que o final não nos surpreenda ao menos o diretor nos revela uma lição de moral nada hipocrita, pois desde o início os personagens lutaram para obter os seus reais objetivos, nem que para isso tentassem se matar a cada momento. No final a luta pela sobrevivência é igual, seja ela na natureza selvagem ou em uma selva de pedra moldada por aqueles que procuram se tornarem mais fortes.
"Socorro!" é o Sam Raimi como nos velhos tempos, mesmo quando falha em alguns momentos em termos de ritmo e de fator surpresa para dizer o mínimo.