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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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domingo, 11 de janeiro de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (11/01/26)

 Marty Supreme

Sinopse: Marty Mauser, um jovem com uma ambição desmedida, está pronto para tudo para realizar seu sonho e provar ao mundo inteiro que nada é impossível para ele.


HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET

Sinopse: Agnes, esposa de William Shakespeare, luta para suportar a dor da perda do filho, Hamnet.


FAMÍLIA DE ALUGUEL

Sinopse: Um ator americano em Tóquio, em busca de um propósito na vida, consegue um emprego incomum: trabalhar para uma agência japonesa de "famílias de aluguel" interpretando papéis de estranhos.


AGENTES MUITO ESPECIAIS

Sinopse: Jeff e Johnny têm um sonho: entrar para a polícia do Rio de Janeiro. Durante um treinamento, eles recebem do comandante a missão de se infiltrar numa penitenciária para desmantelar o terrível "Bando da Onça", que aterroriza a cidade. 


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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas'

Até o início dos anos sessenta os EUA era vendido para o mundo como o símbolo perfeito de uma nação democrática e cujo bem e o mal eram bem definidos. Mas o mundo estava mudando, a contracultura explodindo e uma nova geração de jovens que começou a surgir não se via nesta propaganda que, por vezes, era bastante enganosa. Porém, o que talvez tenha matado essa inocência tenha sido justamente o assassinato de John F. Kennedy.

No dia 22 de novembro de 1963, em Dallas, Texas, Estados Unidos às 12h30. Kennedy foi mortalmente ferido por um disparo enquanto circulava no automóvel presidencial na Praça Dealey. Posteriormente as cenas de vinte e nove segundos que mostram o político sendo morto veio à tona para o público e fazendo com que a realidade perfeita daquela sociedade fosse desfeita. Por conta disso, não havia como mais Hollywood vender o que eu chamo de “cinema plástico” da época e tendo que ousar assim como os outros cinemas do mundo que estavam colocando isso em prática, como no caso, por exemplo, do movimento cinematográfico francês conhecido como Nouvelle Vague.

A virada começou mais precisamente nos últimos anos da década de sessenta, onde os estúdios decidiram dar carta branca para jovens diretores que queriam colocar os seus projetos na mesa. Com o código Rays enfraquecido, eles se viram no direito de fazer filmes mais realistas, reflexivos e revelando a verdadeira cara dos EUA que não se via muito nas salas de cinema. Foi então que 1967 veio e com ele surgiu aquele filme que inaugurou o que hoje chamamos de " A Nova Hollywood"..... Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas".

Baseado em fatos verídicos, o filme se durante a Grande Depressão, onde Bonnie Parker (Faye Dunaway) conhece Clyde Barrow (Warren Beatty), um ex-presidiário que foi solto por bom comportamento, quando este tenta roubar o carro de sua mãe. Atraída pelo rapaz, ela o acompanha. Ambos iniciam uma carreira de crimes, assaltando bancos e roubando automóveis.

Em seu início de carreira, Warren Beatty se viu obcecado pela história do casal de assaltantes que desafiou o sistema e indo até as suas últimas consequências. O intérprete entrou no projeto como produtor e convidando Arthur Penn para a direção, sendo que o realizador já havia chamado atenção através do incrível "O Milagre de Anne Sullivan" (1962). No decorrer da pré-produção foi então que Beatty o decidiu atuar como Clyde, mas faltava saber qual seria a intérprete para Boonie.

Muitas atrizes foram sondadas, sendo que até mesmo Jane Fonda foi pensado para a personagem. O papel acabou ficando para a bela Faye Dunaway, sendo que para os familiares da verdadeira Bonnie ela não tinha nada a ver com relação ao que se lembravam dela. Porém, ao assistirmos aos minutos iniciais do longa, se percebe o quanto eles estavam errados, pois foi em poucos instantes que Dunaway consegue nos transmitir uma personagem à beira da loucura perante a sua vida monótona e vendo em Clyde a chance de fazer algo de diferente. É então que nascia ali um dos casais da ficção mais famosos do cinema.

A química entre Beatty e Dunaway impressiona até hoje, onde vemos ambos se complementarem, mesmo quando Beatty demonstra sinais de impotência e sendo algo até então raro ao ser discutido para aquela época. Em termos de novidade, por exemplo, logicamente se tem na questão da violência, por vezes, explícita e onde o sangue jorra na tela a partir do momento em que os personagens levam bala. Até então isso era algo nunca explorado no cinema, sendo que Arthur Penn encheu os atores com saquinhos de sangue falso e uma vez que sendo estourados se criava então um momento bastante verossímil e violento.

Vale destacar também um dos primeiros trabalhos elogiados do ator Gene Hackman, que aqui interpreta o irmão de Clyde chamado Buck e nos brindando com uma interpretação digna de nota e que nos dá uma dimensão do que o intérprete faria posteriormente ao longo da carreira. Outra presença que nos chama atenção é a esposa do personagem de Hackman chamada Blanche, sendo interpretada pela atriz Estelle Parsons e que aqui ela é filha de um pastor e cuja o seu lado alterado nos passa a sensação de que ela está no lugar errado e na hora errada dentro do grupo. Não é à toa que ela veio a ganhar um Oscar de atriz coadjuvante pelo seu desempenho.

Em termos de reconstituição de época Arthur Penn caprichou tanto na fotografia como também na edição de arte. Ao retratar os tempos da depressão norte-americana vemos um país quase em frangalhos, onde assistimos os necessitados vendo no casal de assaltantes um símbolo de resistência contra o sistema capitalista que levou a nação a ruína. Curiosamente, o filme estava chegando em um momento em que os EUA estavam novamente em crise econômica com a sua entrada na guerra do Vietnã e se alinhando posteriormente com o escândalo Watergate.

Não faltou logicamente críticos conservadores da época alegando que o filme seria uma má influência para os jovens, pois segundo eles o longa endeusava a jornada criminosa do casal central. O caso é que o filme foi justamente abraçado pela nova geração da época que não seguia regras, gostava de seguir a sua própria moda e não se intimidavam ao questionar o próprio governo que vendia a todo o custo a propaganda do mundo perfeito. O que talvez ninguém estivesse preparado para época era o seu fulminante final como um todo.

A morte de Bonnie e Clyde nos minutos finais de projeção foi o fim e o início de uma nova era para Hollywood, cujo estúdios começaram a se arriscarem mais e lançando obras que hoje são consideradas obras primas do cinema como foi o caso de "O Poderoso Chefão" (1972). A cena por si só remete o próprio assassinato de John F. Kennedy, sendo uma espécie de mensagem subliminar ao nos dizer que os próprios norte-americanos se matam uns aos outros a partir do momento em que determinados indivíduos mudam o seu próprio percurso. A inocência, portanto, se desfez e o cinema norte americano acordou de forma tardia, mas muito bem-vinda.

Marcando também a estreia do inesquecível ator Gene Wilder, "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas" é o marco inicial da melhor fase do cinema norte americano e simbolizando a morte da inocência do país como um todo.  


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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Joaquim Phoenix'

Sinopse: Um impasse entre um xerife e um prefeito de uma pequena cidade gera um conflito entre vizinhos, em maio de 2020, em Eddington, Novo México.

Ari Aster é aquele tipo de cineasta autoral que ame ou odeie e por conta disso os seus longas sempre terão algo a dizer mesmo quando alguém não entender de imediato. Se "Hereditário" (2018) e "Midsommar" (2019) foram filmes que serviram para ele obter carta branca ao fazer o que bem entender, por outro, essa liberdade ganhou estranhamento e dividindo a opinião do público e da crítica com o seu "Beau Tem Medo" (2023)."Eddington" é mais um longa que irá dividir o público e é justamente por isso que merece ser conferido.

A trama se passa em Maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19.Uma desavença entre o xerife (Joaquin Phoenix) e o prefeito (Pedro Pascal) de uma pequena cidade do Novo México chamada Eddington rapidamente transforma o local em caos ao instalar um estopim. Vizinhos são colocados uns contra os outros, deixando para trás a serenidade e tranquilidade que aparentemente predominava na cidade.

Em tempos de pandemia foi comum cada vez mais ver as pessoas quebrando as regras da quarentena, desde a sair sem máscara, desrespeitando o distanciamento e propagando fake news para denegrir aqueles que buscavam um meio de proteger a população do vírus. Ari Aster propõe fazer uma espécie de parábola com relação àquele período e usando a trama para termos uma dimensão do que já tínhamos visto no nosso mundo real. Revermos na tela determinadas situações nos faz perguntar o quanto recuamos ao abraçarmos a ideia de sermos sempre a voz da razão e endeusar aqueles que eram contra o combate à pandemia.

Ao mesmo tempo, o realizador escancara uma sociedade cada vez mais presa às redes sociais, em não somente se tornar uma celebridade instantânea, como também ficar propagando mentiras falsas e denegrindo outras pessoas. Neste cenário, portanto, há uma disputa política, seja pelos pensamentos distintos com relação ao vírus, como também usar isso como mera desculpa para piorar as diferenças um do outro. Uma realidade em que o indivíduo mesquinho se torna a voz que molda a mente de muitos e causando diversos estragos.

Joaquin Phoenix interpreta um xerife que vai contra todas as regras imposta pela prefeitura, ao ponto que enxerga o poder das redes sociais como uma forma de se promover como a solução para a cidade e desejando ser o novo prefeito. Ao mesmo tempo, Pedro Pascal interpreta a voz da razão na trama, mesmo se deparando com situações que o colocam encurralado e fazendo com que o xerife obtenha espaço. Já Emma Stone surpreende em uma atuação contida, mas que não esconde alguém esgotada perante tantas desinformações, mentiras e o desequilíbrio que começa a adentrar aquela cidade.

Desequilíbrio talvez seja a melhor palavra que se encaixa com relação ao seu desenvolvimento da história. Ari Aster exagera um pouco na criação de subtramas, mas que embora não apresente certa relevância, somente na reta final elas possuem alguma importância. Ao mesmo tempo, o sentimento com relação ao protagonista se torna conflituoso, já que a gente deseja que ele pague pelos atos que ele cometeu, mas não escondendo uma certa inocência quando achava que tudo tinha sob controle. É então que Ari Aster surpreende até mesmo em cenas de ação, onde o protagonista se vê encurralado e se armando até os dentes para enfrentar um inimigo desconhecido.

Acima de tudo, é um filme que fala sobre tempos sombrios, mas cuja desinformação, fake news e falsos profetas prosseguem e gerando assim a desinformação desenfreada que ainda persiste. Curiosamente, o realizador não permite que somente haja um lado culpado dessa história, pois os próprios que acreditam estar defendendo uma causa justa podem estar alimentando também a máquina de ódio e que deseja que tudo pegue fogo. Ao final constatamos que ambos os lados perdem nesta batalha, pois sempre tem algo maior que acaba saindo por cima.

"Eddington" nos revela uma sociedade em que cada um está preso em sua bolha e acreditando somente no que lhe convém mesmo quando tudo em volta se deteriora.

 

Onde Assistir: Apple TV

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Cine Dica: Primeira sessão do ano no Clube de Cinema! "Gosto de Cereja" (10/01, sábado) na Cinemateca Paulo Amorim

Olá! Estava com saudades?

Nosso primeiro encontro em 2026 já tem data marcada! Será neste sábado, dia 10 de janeiro, às 10h15 da manhã, na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim, com a exibição de Gosto de Cereja, obra fundamental do cinema iraniano e um dos filmes mais reconhecidos de Abbas Kiarostami, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes (1997).

O filme acompanha o percurso silencioso de um homem pelas colinas de Teerã enquanto busca alguém disposto a ajudá-lo em seu plano de morte. Sem oferecer explicações fáceis ou respostas diretas, Kiarostami constrói uma reflexão sobre vida, morte, escolhas e a relação entre o cinema e a realidade.

Ah! E aqueles que ainda não pegaram as suas camisetas, podem buscá-las na sessão! Basta entrar em contato com a Kelly, nossa diretora de comunicação, via WhatsApp: (51) 981350432.


Confira os detalhes:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 10/01, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Gosto de Cereja (Ta'm e guilass)

Irã, 1997, 87 min

Direção: Abbas Kiarostami

Elenco: Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri

Sinopse: Um homem de meia-idade percorre as colinas de Teerã em busca de alguém que aceite enterrá-lo após sua morte. Durante o trajeto, encontra diferentes pessoas, cujas respostas revelam visões distintas sobre a vida, a fé e o sentido da existência.

Até sábado!



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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Nouvelle Vague'

Sinopse: Paris, 1959. Um realizador desconhecido, um produtor aventureiro, um orçamento irrisório, uma equipa minúscula, e o projeto louco de rodar um primeiro filme em 20 dias com um embrião de roteiro sobre um marginal em fuga e a sua namorada.

Richard Linklater é um dos poucos diretores norte americanos que procura nos dizer algo independente de qual gênero. Se por um lado ele cria uma bela história de amor de sua trilogia pessoal a partir do filme "Antes do Amanhecer" (1995), por outro lado, ele surpreende em projetos que ele nos força a  querer pensar como foi no caso de "Waking Life" (2001). "Nouvelle Vague" (2025) se encaixa perfeitamente com o que ele realizou em sua carreira, ao fazer a reconstituição das filmagens de um dos filmes mais importantes da história e que com certeza influenciou o seu modo de filmar no decorrer de sua carreira.

Na trama, acompanhamos os bastidores das filmagens de "Acossado" (1960) e que acabou se tornando um dos pilares do movimento Nouvelle Vague. Dirigido por Jean-Luc Godard, o até então crítico de cinema decide reunir amigos próximos da profissão para dirigir o seu primeiro longa-metragem, Porém, o desafio é grande já que o orçamento é apertado e tendo que ser rodado em apenas vinte dias.

Richard Linklater capricha ao fazer com que retornemos para Paris do final dos anos cinquenta e termos uma noção de uma metamorfose em que aquela sociedade estava passando e da qual poderia ser retratado no cinema. Jean Luc enxergava isso e queria criar algo que fugisse do convencional daqueles tempos. Quando assistiu ao filme "Os Incompreendidos" (1959), do seu amigo François Truffaut, foi então que ele sentiu o estalo.

Isso é muito bem retratado no primeiro ato do longa, onde Richard Linklater surpreende, não somente na reconstituição da época, como também em sua bela fotografia em preto e branco e na caracterização dos atores que está incrível. Guillaume Marbeck como  Jean-Luc Godard surpreende, sendo que em nenhum momento ele tira os óculos escuros e que eram a marca registrada do realizador. O intérprete, por sua vez, nos espanta até mesmo ao saber transmitir todo o lado excêntrico, porém, genial do realizador que foi contra tudo o que estava acontecendo no ramo cinematográfico francês daqueles tempos.

 Assim como foi em sua filmografia, Richard Linklater nos passa a impressão que "Acossado" foi um pouco de sua pessoa, ao colocar em prática um lado perfeccionista, mas que tem muito a dizer mesmo com as suas limitações. Portanto, todas as cenas me passaram a impressão que foram feitas com carinho e respeito ao clássico, ao fato que nos dá a impressão que estamos diante dos verdadeiros intérpretes que foram trabalhar em um projeto que parecia fadado ao fracasso. Se Aubry Dullin é a representação perfeita de Jean-Paul Belmondo, por outro lado, Zoey Deutch é a encarnação perfeita da inesquecível atriz  Jean Seberg e que havia se tornado a musa daquele movimento cinematográfico.

Por conta disso, o filme de  Richard Linklater é uma experiência deliciosa para os cinéfilos de plantão, mas que também agradará o público em geral, pois ele possui um humor refinado e bem convidativo. Não é sempre que assistimos a reconstituição de uma obra prima e neste caso o filme obtém o feito e com grande êxito. "Nouvelle Vague" não é somente uma carta de amor com relação ao clássico "Acossado", como também uma celebração à sétima arte como um todo. 


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Cine Dica: Cinesemana de 8 a 14 de janeiro de 2026

A cinesemana de 8 a 14 de janeiro reúne vários títulos que se destacam na temporada de premiações deste início de ano, incluindo  SE EU TIVESSE PERNAS EU TE CHUTARIA, com a elogiada atuação de Rose Byrne, e SORRY BABY, protagonizado por Eva Victor – ambas atrizes na lista de indicações do Globo de Ouro. Também estão em cartaz três longas que disputam na categoria de melhor filme de drama da premiação: O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho; VALOR SENTIMENTAL, de Joachim Trier; e FOI APENAS UM ACIDENTE, de Jafar Panahi. A lista se completa com NOUVELLE VAGUE, de Richard Linklater, indicado a melhor filme de comédia/musical.

Entre as novidades, entra em cartaz o documentário CONVERSAS NAS ZONAS AZUIS, do diretor Gabriel Martinez, que parte da cidade gaúcha de Veranópolis para investigar a longevidade em algumas regiões do planeta. Também apresentamos uma pré-estreia do novo filme do diretor sueco Tarik Saleh, que com ÁGUIAS DA REPÚBLICA encerra sua trilogia sobre o Egito.

Esta é a última semana para conferir três filmes muito bem recebidos pelo nosso público: VIZINHOS BÁRBAROS, de Julie Delpy; LIVROS RESTANTES, de Marcia Paraiso; e PRIMEIRO ENCONTRO, de Paolo Genovese.

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Valor Sentimental'

Sinopse: As irmãs Nora e Agnes se reúnem com seu excêntrico pai, Gustav, um famoso diretor que desapareceu há muito tempo. Ele oferece a Nora o papel principal em seu novo filme. 

Joachim Trier sabe como ninguém lidar na construção de personagens que buscam por um equilíbrio sobre si mesmo. Em seus últimos filmes, "Thelma" (2017) e "A Pior Pessoa do Mundo" (2022), são exemplos de tramas em que os protagonistas buscam uma nivelação perfeita entre  o próximo e saber lidar com relação a si mesmo. "Valor Sentimental" (2025) vai mais a fundo, onde um realizador do ramo cinematográfico busca reatar os laços familiares em frangalhos, mas usando a arte como uma forma para obter um novo recomeço. 

Na trama, diante do frágil laço paternal, o carismático Gustav (Stellan Skarsgård), pai distante de Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) e um renomado diretor de cinema, decide que seu próximo longa será o seu filme de retorno. Sabendo o quão pessoal é importante é o projeto, o cineasta oferece à filha Nora, uma estabelecida atriz de teatro, o papel principal da trama. Porém, a mesma recusa e o realizador busca através da atriz americana Rachel Kemp (Elle Fanning) uma forma de seguir em frente com o seu projeto.Abertura do filme já surpreendente, ao vermos Nora lutar contra si mesma para subir ao palco em meio a uma crise de ansiedade. No decorrer do longa vemos esses personagens tendo que lidar com as suas dores interiores e que, por vezes, não sabem ao certo porque acontecem. O filme gira em questões de problemas não resolvidos, desde ao não saber lidar com a perda, como também questionar e compreender as ações da pessoa próxima. 

Gustav usou a arte do cinema para afastar os seus próprios fantasmas do passado, mas ao mesmo tempo gerando um desequilíbrio familiar com as suas filhas. Não creio que o personagem de Stellan Skarsgård seja uma espécie de alter ego do diretor Joachim Trier, pois sempre achei ele um intérprete que busca uma identidade própria para os seus personagens e que nunca tenha uma comparação com outras figuras em volta dele. Saindo do recente sucesso da série "Andor", Stellan Skarsgård é aquele típico ótimo artista que é reconhecido, tanto pelo grande público, como também pela crítica especializada no assunto.Já Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas interpretam duas irmãs que se complementam  uma com a outra, sendo que o apoio que Agnes dá para Nora seja o único elo para que essa última não caia na tentação de acabar com tudo. Ambas na realidade seriam um reflexo sobre o passado de Gustav, sendo que a avó delas se torna uma peça primordial para uma melhor compreensão da trama e fazendo com que a questão sobre as raízes familiares se tornem algo que os interligue desde sempre. Atenção para um plano em que os rostos de cada um sejam moldados em único ser e fazendo do laço familiar forte, mesmo quando cada um procura se distanciar.

Curiosamente, a atriz Elle Fanning interpreta uma personagem que poderia ser facilmente descartada dentro da trama, já que ela interpreta uma atriz que se torna uma segunda opção para Gustav para o seu projeto. Porém, a sua personagem se torna uma representação do nosso olhar para tentarmos compreender sobre quais as reais intenções do protagonista na realização do seu longa e fazendo com o que o seu papel se torne relevante dentro da história. Elle Fanning é aquele tipo de bela jovem atriz, mas do qual demonstra sinais de uma grande intérprete e que poderá obter voos mais altos, diga-se de passagem.

O grande charme do filme é dele fazer a gente imaginar como seria o filme fictício dentro da trama e sendo, enfim, realizado. Portanto, a cena final se torna antológica, ao não somente nos pregar uma peça, como também sentirmos certo alívio com relação ao destino dos personagens, pois é através do cinema que eles obtiveram um equilíbrio familiar que tanto precisavam. A arte talvez não seja o caminho exato para obter a paz de espírito, mas ao menos lhe dá uma visão melhor sobre o seu eu verdadeiro.

"Valor Sentimental" é um belo filme dramático, onde uma família procura se redimir através de assuntos não resolvidos e cuja janela do cinema pode lhe dar acesso a um novo recomeço.


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