Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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“Entre partidas e retornos” é a nova mostra gratuita da Sala Redenção. Entre 18 e 28 de maio, o Cinema da UFRGS exibe oito curtas-metragens de diferentes países do continente africano – como Senegal, Moçambique e Egito –, além de três produções de Désiré Écaré, importante diretor costa-marfinense.
A programação da primeira semana de mostra contempla as obras “Eu prometo o paraíso” (2023), “O regresso de um aventureiro” (1966),“Barcelona ou a morte” (2007),“Josepha” (1975),“Reou-Takh” (1972),“Karingana: os mortos não contam estórias” (2020) e“Fallou” (2017). Os filmes tematizam a imigração africana e os impactos da globalização e do colonialismo.
Durante a 14ª Semana da África na UFRGS, a mostra segue com uma homenagem ao cineasta costa-marfinense Désiré Écaré. Graduado na França, sua trajetória é marcada pela experiência da diáspora e pelo interesse nas tensões entre África e Europa. Do diretor, são exibidas as produções “Concerto para um exílio” (1968) – cuja sessão inclui o curta-metragem “África sobre o Sena” (1955), de Paulin Soumanou Vieyra –, “A nós dois, França” (1970) e “Faces de mulheres” (1985).
A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. Confira a programação completa no site oficial da sala clicandoaqui.
O Cineclube Torres integra a 24ª Semana Nacional de Museus, uma iniciativa promovida pelo IBRAM, o Instituto Brasileiro de Museus. Na qualidade de Ponto de Memória, o Cineclube Torres, junto com instituições museais de todo Brasil, participa da plataforma Visite Museus e desta iniciativa nacional. Duas foram as atividades inscritas na manifestação nacional que tem como tema "Museus: unindo um mundo dividido":
No dia 18 de maio, na tradicional segunda-feira cineclubista, será exibido na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, o longa-metragem "Maresia" do diretor Marcos Guttmann e com o Júlio Andrade, ator homenageado na programação de maio do Cineclube. O filme traz uma visão inspirada sobre artes plásticas, abordando de forma poética a relação entre a existência e a criação artística.
No sábado, dia 23, a atividade será uma Gincana Histórica, uma visita guiada aos principais testemunhos da história de Torres, na perspectiva do resgate do valor de edifícios e espaços públicos como principais contadores da história local e como patrimônio material a conservar e proteger. A atividade, que terá a mediação do historiador Leo Gedeon, é em parceria com o CEHTR - Centro de Estudos Históricos de Torres.
A 24ª Semana Nacional de Museus ocorre no Brasil de 18 a 24 de maio de 2026, com o tema "Museus: unindo um mundo dividido". Promovida pelo Ibram, a iniciativa destaca o papel das instituições como agentes de diálogo, inclusão e memória em um mundo com profundas divisões.
O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Na abertura, em que Zorg (Jean-Hugues Anglade) e Betty (Béatrice Dalle) transam na frente do quadro da Mona Lisa, "Betty Blue" (1986) acaba se tornando contagiante na medida em que os minutos passam. Um curioso caso de filme dramático em que a história de amor, e não exatamente as coisas que eles prezam, se tornam o foco principal. Zorg, é um pau para toda obra, não tendo muitas ambições no decorrer de sua vida. Ao conhecer Betty a mesma acaba morando com ele e ambos vivem uma tórrida relação que transita entre o amor e a loucura.
"Betty Blue" pode ser interpretado tanto a frente do seu tempo como também como um longa que sintonizou a nova geração daquele período de 1986. Pode ser analisado como uma representação de uma geração francesa que buscava a sua identidade própria. Zorg vai até o fundo do poço por Betty, desde agredir, roubar e até mesmo quase a matar. Tudo por Betty, mesmo com a possibilidade de leva-lo à ruína iminente.
Assim como alguns títulos franceses da época, "Betty Blue" parece um longa estrangeiro que copia o que o cinema norte americano apresentava naqueles tempos, onde as falsas promessas quase nunca eram alcançadas, mas que Hollywood vendia como água. Com planos abertos, o diretor Jean-Jacques Beineix elabora planos abertos onde apreciamos os cenários e o dia a dia do casal de protagonistas. A trilha-sonora de Gabriel Yared é triste, porém, nos conquista de uma maneira contagiante.
Mesmo sendo o seu papel de estreia, Béatrice Dalle está magistral como Dalle, uma personagem bela, porém, uma verdadeira entidade da natureza imparável e que não mede esforços para obter os seus sonhos mesmo quando parece tudo impossível. Em suas três horas de duração, sendo inclusive a versão do diretor, o longa explora em potência máxima como a protagonista mudou a vida de Zorg, um filho de uma Segunda Guerra distante e sendo considerado descartável em uma França que não sabe ao certo em que direção trilhar.
Zorg escreve como ninguém as suas memórias, mas deixa em um canto qualquer da casa sem ao menos tentar a possibilidade de ser publicado por uma editora. Betty, por sua vez, surge em sua vida com uma energia sem igual, sendo que ela foge de algo que nós desconhecemos e sonhando alto por uma realidade que se assemelha aos contos de fadas que tanto anseia em obter. Juntos eles dão de encontro com a paixão e cujo sexo se torna uma forma de esquecer os dilemas da vida que tanto os aflige a cada dia que passa.
Essa relação que transita entre o céu e o inferno faz com que o casal central mude de vida a todo momento, sendo de pintores de casas de refugiados para vendedores de piano na casa de um amigo. Tudo girando em uma forma de melhorar o amor que ambos passam, mesmo correndo certo risco de entrarem em um labirinto sem fim em que as emoções os traem a todo momento. Ao final, o destino acaba se tornando cruel, onde os sonhos estilhaçados fazem ambos serem levados ao inferno astral, mesmo quando um fio de esperança surja mesmo de uma forma tão tardia.
"Betty Blue" possui uma identidade própria ao conseguir explorar aquele casal de protagonistas que possuem uma imensa paixão, mas que infelizmente obtém também uma força destruída que os levam ao amargurado fim. Por mais que tenham força de vontade parece que Zorg e Betty chegam ao ponto que a desistência em não continuar lutando seria uma forma de manter o que haviam construído e para que assim, ao menos um deles, possa se lembrar dos melhores momentos. Uma representação de uma parcela francesa em busca do seu lugar no mundo e qual ainda viveria com mudanças ao final do século.
"Betty Blue" é o retrato de uma geração oitentista em busca de uma paixão genuína, mas que acaba dando de encontro com a sua própria aura destrutiva.
Neste sábado, dia 16 de maio, nosso encontro será no Cine Bancários, às 10h15 da manhã, onde assistiremos ao documentário 800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva, de Thiago Lazeri. A sessão contará com a presença do diretor, que conversará conosco após o filme.
Partindo da catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o filme acompanha personagens que viveram diretamente os impactos das enchentes e da destruição provocada pelo maior desastre ambiental da história do estado. A partir de relatos e imagens marcadas pelos vestígios da tragédia, o documentário procura registrar não apenas a dimensão material das perdas, mas também as transformações subjetivas, os traumas e os esforços de reconstrução que permaneceram após a água baixar.
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 16/05, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cine Bancários
Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre
🎤 Sessão comentada com o diretor Thiago Lazeri
800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva
Brasil, 2024, 65min
Direção: Thiago Lazeri
Roteiro: Thiago Lazeri e Vitor Chagas
Sinopse: Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história. Em apenas dez dias, cidades inteiras foram devastadas pela chuva, pela lama e pelas enchentes. A partir dos testemunhos de pessoas que atravessaram essa experiência, o documentário acompanha histórias de perda, sobrevivência e reconstrução, refletindo sobre memória, trauma coletivo e os impactos sociais e ambientais da tragédia.
A cinesemana de 14 a 20 de maio destaca três novos filmes na nossa programação, sendo uma produção espanhola e dois títulos brasileiros. Da Espanha vem SURDA, elogiado filme da diretora Eva Libertad e que traz uma reflexão sobre os desafios da maternidade a partir das dúvidas de uma mãe que é deficiente auditiva. As estreias brasileiras são MAMBEMBE, do diretor Fabio Meira, um roadmovie que destaca personagens femininas do universo circense do Nordeste, e PERTO DO SOL É MAIS CLARO, um filme protagonizado pelo ator Reginaldo Faria e que reúne suas vivências sobre o envelhecimento.
O enfrentamento de problemas de saúde serve de pano de fundo para dois títulos que seguem em cartaz nesta semana: ERA UMA VEZ MINHA MÃE é baseado na autobiografia do advogado Roland Perez, nascido com uma condição de deficiência; e NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre um jovem francês que revê algumas prioridades antes de iniciar o tratamento contra um câncer. Também continuam em exibição filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, incluindo BETTY BLUE, drama erótico francês relançado nos cinemas depois de 40 anos. Outras atrações são PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus.
Esta é a última semana para conferir A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes; o longa-metragem gaúcho EDIFÍCIO BONFIM, inspirado nas lendas fantásticas da ilha de Florianópolis; ECLIPSE, o novo filme da cineasta Djin Sganzerla e com ela como protagonista.
Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui.
Sinopse: A trajetória revolucionária do psiquiatra e filósofo martinicano Frantz Fanon, que lutou pela libertação da Argélia.
No filme brasileiro "Nise — O Coração da Loucura" (2015), vemos Glória Pires interpretar uma psiquiatra que enfrentou o sistema arcaico da época para buscar um tratamento mais digno a pessoas com sofrimento mental. Às vezes, porém, o desafio perante o sistema leva o indivíduo a um patamar cujo cenário é muito maior do que se imagina. "Fanon" (2026) fala sobre um médico que se envolveu em uma luta anticolonial e cujo exemplo ressoa até os dias de hoje.
Dirigido por Jean-Claude Barny, o filme narra a história de Fanon, um psiquiatra de origem martinicana cujo desafio profissional é chefiar os serviços do hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia. Rapidamente, seus métodos inovadores e seu tratamento humanístico atraem a ira de colegas e do diretor da instituição. Determinado, Fanon não abandona seus princípios; perante o conflito entre argelinos e colonizadores franceses, ele opta por ficar ao lado dos "condenados da terra".
Barny constrói um cenário, por vezes claustrofóbico, dentro da clínica, mas que aos poucos ganha luz à medida que Fanon faz a diferença. Acreditando no diálogo e na prática de suas virtudes, o protagonista não mede esforços para tratar seus pacientes como seres humanos, mesmo que precise desafiar seus superiores ou o próprio poder estabelecido. Conforme a trama avança, percebe-se que era questão de tempo até que seu papel médico se tornasse indissociável da luta política no país.
Alexandre Bouyer se sai bem ao encarnar Fanon, construindo um personagem que contém seus sentimentos perante o horror da injustiça, mas que não esconde no olhar uma revolta prestes a explodir. Entretanto, Stanislas Merhar se sobressai ao interpretar um sargento francês que não consegue mais ocultar o trauma das atrocidades cometidas a mando do governo, revelando-se um homem mentalmente quebrado. O embate entre ambos rende momentos de tensão, evidenciando dois lados de uma mesma moeda nesse conflito.
Em suma, o filme aborda uma luta universal com a qual todos podem se identificar, especialmente aqueles que defendem a liberdade. Por mais que a causa aparente ser perdida em certos momentos, o tempo faz justiça àqueles que acreditaram no sonho, mesmo quando não puderam testemunhar sua concretização. Embora se alongue um pouco em passagens específicas, a obra prende a atenção pelo tema necessário.
"Fanon" resgata uma figura histórica por vezes desconhecida do grande público, mas que merece ser descoberta em tempos em que o mundo ainda lida com as sombras do colonialismo.
Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.
Elenco: Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta
PERTO DO SOL É MAIS CLARO
Brasil/Drama/2025/110min.
Direção: Regis Faria
Sinopse: Comovente retrato de Regi, engenheiro carioca de 85 anos, no momento em que lida com a perda recente de sua esposa. A resiliência e o poder do amor nas complexidades do envelhecimento.
Elenco: Reginaldo Faria, Marcelo Faria, Vanessa Gerbelli, André Faria.
EM CARTAZ:
AQUI NÃO ENTRA LUZ
Brasil/Documentário/2025/78min.
Direção: Karol Maia
Sinopse: Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre o Brasil procurando rastros da escravidão na arquitetura. No caminho, encontra outras mulheres que enfrentam o mesmo legado.
HORÁRIOS SESSÕES DE 14 A 20 DE MAIO (não há sessões nas segundas):
15h: AQUI NÃO ENTRA LUZ
17h: PERTO DO SOL É MAIS CLARO
19h: SURDA
Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.