Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Já é comum se ouvir que os laços familiares de hoje são unidos através de certos interesses, principalmente quando a questão envolve o dinheiro. Porém, uma vez que o indivíduo abaixa a sua guarda, pode-se desfrutar de momentos que os faz lembrar de como é serem realmente humanos e terem sentimentos genuínos pelo próximo. "Como Ganhar Milhões Antes que a Avó Morra" (2024) é um conto delicado sobre o neto e a sua avó, cuja aproximação gera sentimentos que há muito tempo ele havia se perdido.
Dirigido por Pat Boonnitipat, acompanhamos a história do jovem When M (Putthipong Assaratanakul), que passa a cuidar de sua avó Amah (Usha Seamkhum) para que assim possa ser dono de seus bens. Porém, desse interesse surge laços familiares mais fortes e que fará M mudar gradativamente. Até lá, vamos conhecendo um pouco a vida de ambos e como os mesmos eram ligados um ao outro desde sempre.
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Entre os dias 2 e 16 de junho, a Sala Redenção apresenta a mostra “Amor em diferentes formas”. Ao exibir dez filmes que exploram a ideia do amor enquanto encontro, o cinema da UFRGS propõe uma jornada sensível por diversas formas de afeto e pelas complexidades do que é amar.
No primeiro dia da programação, “Sem coração” (2024), de Nara Normande e Tião, explora as dores e desejos da adolescência, e uma sessão dupla reúne os filmes “Pouco mais de um mês” (2013) e “O dia que te conheci” (2023), de André Novais Oliveira, nos quais o cotidiano se constrói como espaço para o nascimento do romance.
Entre outros destaques da mostra, estão “Jules e Jim” (1962), clássico de François Truffaut sobre um triângulo amoroso que atravessa o tempo e as guerras; “Hiroshima, meu amor” (1959), de Alain Resnais, em que o amor e a memória se entrelaçam em meio às ruínas do pós-guerra; e “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, que transforma a travessia solitária de um geólogo pelo sertão nordestino em um diário de perdas e saudades.
A entrada é franca e aberta à comunidade em geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.
Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.
Esses filme é um dos menos conhecidos de Charlie Chaplin. Logo no início do filme vemos o aviso:
“Para evitar qualquer mal entendido, gostaria de precisar que não apareço nesse filme. É o primeiro drama sério escrito e realizado por mim.”
Assinado: Charles Chaplin
Em "Casamento ou Luxo" (1923) Chaplin entrava em uma cruzada para provar que poderia fazer um drama e não somente comédia ao longo de sua carreira. Porém, diferente do aviso que é lançado no início do longa, Charlie faz uma pequena aparição, um cameo na estação de trem derrubando uma mala enorme.
O filme é a história de Marie (Edna Purviance), que deixa o vilarejo que mora depois de uma fuga fracassada com o futuro marido Jean (Carl Miller). Ela deixa pra traz uma vida cheia de pobreza e infelicidade por uma vida de luxo e muitas festas em Paris. Lá ela conhece Pierre (Adolphe Menjou), que seria o tipo de homem rico bancando a amante. Depois de um ano da saída do vilarejo, ao se confundir com o endereço de uma festa, Marie acaba reencontrando o amor que deixou pra traz. Daí fica a questão: “Casamento ou Luxo”?
Apesar de se enveredar para o lado dramático neste projeto, Charlie Chaplin usa e abusa de um humor sombrio e ironico. Mostrando, por exemplo, o lado sarcastico de alguns personagens centrais da trama como no caso de Pierre. Quando o mesmo mostra para Marie na janela como seria a vida de casada se baseando ao observar um casal e seus vários filhos passando pelo local; a cena em que a massagista ouve a conversa de Marie e suas amigas e acha aquilo tudo fútil; e outros interessantes exemplos.
Aliás, a cena da massagem e a festa são exemplos da maneira implícita que foi usada durante todo o filme para tratar de assuntos polêmicos pra época. O que Chaplin faz na maioria das cenas é exatamente sugerir, mas entenda quem quiser: um colarinho que cai da gaveta da Marie e Jean vê, isso revela a ele o tipo de vida que Marie tem levado. Os filmes mudos são a maioria das vezes extremamente artísticos, porque usam somente do recurso visual para contar a história.
Então geralmente são cheio de simbolismos que expressem coisas que não podem ser ditas. Charlie Chaplin sempre foi acusado de não utilizar enquadramentos interessantes, mas o filme possui uma gama de sacadas geniais, como por exemplo um contra-plongée no momento em que Jean percebe que seu pais está morto, que acentua o susto e espanto que ele sente. O cenário e a iluminação são muito bem utilizados. A vida no interior tanto no começo como no fim do filme indica uma vida limpa, certa, a cidade grande é um símbolo de uma vida mundana e cheia de pecados.
Mas a vida limpa e mostrada como mal iluminada e com poucos adornos e decorações e a vida de pecados cheia de luz, brilho e beleza, outra ironia. Falando de iluminação, as sombras do pai de Jean e de Marie na primeira vez que aparecem os fazem parecer amedrontadores. Também interessante é a parte do trem na estação, o que é o marco da mudança de vida de Marie. O trem não existe, não vemos trem nenhum, mas as luzes do trem chegando e saindo são suficientes.
"Casamento ou Luxo" é um dos filmes menos conhecidos da carreira de Charlie Chaplin, mas sendo redescoberto através do tempo e ganhando o seu merecido reconhecimento.
Um fim de semana, duas sessões que não passam despercebidas. No sábado, o peso poético de um Brasil profundo em Mais Pesado é o Céu, de Petrus Cariry. No domingo, o olhar provocador do norueguês Dag Johan Haugerud sobre amor, desejo e afeto em Love, parte da trilogia Sex/Love/Dreams. Duas experiências cinematográficas que atravessam a alma por caminhos diferentes — e igualmente potentes.
Confira os detalhes abaixo:
SESSÃO DE SÁBADO – 31/05
Local: Sala Redenção – Cinema Universitário
Rua Eng. Luiz Englert, 333 – UFRGS
Data: Sábado, 31/05
Horário: 10h15 da manhã
Entrada franca!
Mais Pesado é o Céu
Brasil, 2023, 90 min, 14 anos
Direção: Petrus Cariry
Elenco: Matheus Nachtergaele, Ana Luiza Rios
Sinopse: Dois desconhecidos se encontram à beira da estrada. O que começa como um pedido de carona se transforma em um mergulho poético e doloroso por um Brasil marcado por abandono, sobrevivência e esperança. Com uma fotografia de cores vibrantes, o filme traz o céu como metáfora do peso da existência — belo, sufocante e persistente.
SESSÃO DE DOMINGO – 01/06
Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim
Casa de Cultura Mario Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico
Data: Domingo, 01/06
Horário: 10h15 da manhã
Love
Noruega, 2024, 120 min, 14 anos
Direção: Dag Johan Haugerud
Elenco: Andrea Bræin Hovig, Tayo Cittadella Jacobsen
Sinopse: Parte da trilogia Sex / Love / Dreams, o filme acompanha Marianne, uma médica em busca de liberdade afetiva, e Tor, um enfermeiro gay entre encontros casuais e afetos duradouros. Com diálogos intensos, Haugerud investiga como sexo e amor (não) se encontram nos vínculos contemporâneos. Um retrato sensível, provocativo e cheio de nuances sobre os afetos modernos.
Sinopse: O magnata Zsa-zsa Korda sofre mais um acidente aéreo, mas logo se recupera. Ao voltar para casa, ele decide nomear sua filha, uma freira, como única herdeira de sua fortuna. Os dois então embarcam na consolidação de um novo empreendimento, que se torna alvo de espionagem industrial, intrigas, ataques terroristas e assassinos.
Confinado
Sinopse: O assaltante Eddie (Bill Skarsgård) invade um SUV de luxo acreditando ter encontrado o alvo perfeito, mas cai em uma armadilha mortal. O veículo pertence a William (Anthony Hopkins), um autoproclamado justiceiro que impõe sua própria visão de justiça. Transformado em uma prisão sobre rodas, o carro torna cada movimento uma ameaça. Sem saída e à mercê de um inimigo frio e calculista, Eddie precisa lutar para sobreviver nesse jogo implacável.
O Refúgio
Sinopse: Após uma bomba nuclear ser detonada em Los Angeles e a nação mergulhar no caos, o ex-soldado Jeff Eriksson e sua família encontram abrigo em O Refúgio, onde precisam enfrentar ameaças externas e lutar pela sobrevivência.
A cinesemana de 29 de maio a 4 de junho marca o relançamento de um dos títulos mais queridos da cinematografia gaúcha: SANEAMENTO BÁSICO, O FILME, longa de Jorge Furtado que estreou em 2007 e que fala do amor pelo cinema de uma maneira inteligente e bem-humorada. Junto com o filme, o público poderá rever ILHA DAS FLORES, também de Furtado, um dos curtas mais premiados da nossa história. A atriz Juliette Binoche, estrela do cinema francês, é a protagonista de ENTRE DOIS MUNDOS, baseado no trabalho documental de uma jornalista sobre o universo das profissionais da limpeza. Outra novidade da semana é o longa INVENTÁRIO DAS IMAGENS PERDIDAS, distopia que o diretor brasiliense Gustavo Galvão rodou no interior do Rio Grande do Sul.
Três produções brasileiras seguem em destaque na preferência do público: MANAS, da diretora Marianna Brennand, construído a partir de denúncias sobre as violências sofridas por meninas na região amazônica; RITAS, documentário dedicado a Rita Lee e que celebra a trajetória de uma das maiores artistas brasileiras; e VIRGÍNIA E ADELAIDE, que mostra o encontro das duas mulheres pioneiras da psicanálise no Brasil.
Confira a programação completa no site oficial da sala clicandoaqui.
Sinopse: O agente especial Ethan Hunt e sua equipe continuam as suas perigosas missões após os eventos da última missão.
Quando o primeiro "Missão Impossível" (1996), dirigido por Brian de Palma, estreou nos cinemas ninguém imaginava que uma versão cinematográfica da clássica série de tv dos anos setenta chegaria tão longe. O sucesso do filme não foi somente graças a visão autoral do diretor, como também pela dedicação de Tom Cruise como astro e produtor e acreditando que o longa daria uma duradoura franquia para o cinema. Quase trinta anos depois chegamos então ao oitavo filme, "Missão Impossível - O Acerto Final" (2025) que encerra, aparentemente, a franquia de grande sucesso, mas até por quanto tempo?
Dirigido por Christopher McQuarrie, responsável pelos três capítulos anteriores, acompanhamos o protagonista than Hunt (Tom Cruise) e seus colegas da FMI buscando dar continuidade a missão que é derrotar a inteligência artificial que despertou no filme anterior e ameaçando toda a população global. Ao mesmo tempo, eventos e personagens vistos nos filmes anteriores retornam e fazem com que a missão se torne ainda mais difícil. Por conta disso, Hunt terá que talvez enfrentar certos sacrifícios e para que assim a sua missão se torne bem-sucedida.
O charme deste último capítulo está no fato de tudo parecer um ato final, com direito de vários elementos que se interligam aos filmes anteriores. Porém, é interessante o grande respeito que os realizadores criaram com relação ao primeiro longa e fazendo com que ele se torne de suma importância para que a missão desta história se torne bem-sucedida. Alguns personagens retornam, outros dão a Deus de forma mais do que satisfatória e fazendo a gente se emocionar em algumas passagens da trama.
Acima de tudo, é um filme pensado em ser visto no cinema, sendo que Tom Cruise sempre pregou essa importância de ver produções como essa na tela grande. Se isso foi sentido nos capítulos anteriores, além do ótimo "Top Gun: Maverick" (2022), aqui tudo é potencializado em carga máxima, onde o astro, como sempre dispensando dublês nas cenas perigosas, sendo que essas quase não se têm uso do CGI, o que gera ainda maior peso e verossimilhança. Atenção para a cena subaquática, da qual o protagonista retorna ao cenário inicial do filme anterior e que me fez relembrar do clássico "O Segredo do Abismo" (1989).
Claro que a trama em si, por vezes, se torna complexa demais devido aos seus vários desdobramentos. Porém, embora seja o mais longo da franquia, o filme não nos cansa em nenhum momento, pois sempre está acontecendo algo na tela e prendendo a nossa atenção até o final dessa jornada. A última cena de ação, por sua vez, nos deixa com muita aflição, pois é neste ponto que todos os personagens envolvidos estão interligados ao próprio protagonista e cujo resultado dependerá do seu grande sacrifício. Se encerrando a trama com chave de ouro, cabe ao astro e os produtores decidirem se está mais do que na hora da franquia se encerrar de uma vez por todas ou então inventar uma nova aventura que faça jus a tudo o que foi feito até agora.
"Missão Impossível - O Acerto Final" é um belo encerramento para uma das mais bem sucedidas franquias cinematográficas e que, acima de tudo, é um espetáculo para ser visto obrigatoriamente no cinema.