Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

quarta-feira, 9 de março de 2022

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEMATECA CAPITÓLIO 10 a 16 de março de 2022

Não Olhe Para Cima. 

CLÁSSICO DE CHARLES CHAPLIN NA SESSÃO VAGALUME

A próxima edição da Sessão Vagalume vai oferecer ao público uma verdadeira viagem à era de ouro do cinema mudo. Primeiro longa-metragem dirigido por Charles Chaplin, O Garoto será exibido nos dias 12 e 13 de março, às 15h, na Cinemateca Capitólio. Lançado em 1921, o filme alçou o artista britânico ao patamar de gênio da sétima arte. Marcado pelo humor, irreverência e sensibilidade, o título, até hoje, emociona crianças e adultos. O valor do ingresso é R$ 4,00.

Mais informações: http://www.capitolio.org.br/eventos/4922/sessao-vagalume-o-garoto/


TEATRO E CINEMA EM DEBATE NO CINECLUBE ACADEMIA DAS MUSAS

No domingo, 13 de março, às 19h, a Cinemateca Capitólio apresenta uma sessão especial do Cineclube Academia das Musas com Bookpink - O Livro dos Pássaros, de Liliane Pereira, e Sobre Portas e Janelas, de Victória Sanguiné, duas obras produzidas no RS que trazem a linguagem do teatro em diálogo com o cinema e o audiovisual. As diretoras participam de um debate após a exibição, uma parceria da Cinemateca Capitólio, Goethe-Institut Porto Alegre e Cineclube Academia das Musas. Entrada franca.


Mais informações: http://www.capitolio.org.br/novidades/4919/bookpink-o-livro-dos-passaros-e-sobre-portas-e-janelas-no-cineclube-academia-das-musas/


SESSÕES ESPECIAIS DE NÃO OLHE PARA CIMA E A MÃO DE DEUS

Os longas-metragens Não Olhe Para Cima, de Adam McKay, e A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino, ganham sessões na Cinemateca Capitólio a partir desta semana. O valor do ingresso é R$ 16,00.

Mais informações: http://www.capitolio.org.br/eventos/4917/nao-olhe-para-cima/ e http://www.capitolio.org.br/eventos/4915/a-mao-de-deus/


MOSTRA 4X BRESSON E A NUVEM ROSA EM EXIBIÇÃO

Os filmes da mostra 4x Bresson e o longa A Nuvem Rosa, de Iuli Gerbase, ganham mais uma semana de exibição até o dia 16 de março.

Mais informações: http://www.capitolio.org.br/novidades/4891/4x-bresson/ e http://www.capitolio.org.br/eventos/4893/a-nuvem-rosa/


GRADE DE HORÁRIOS

10 a 16 de março de 2022


10 de março (quinta-feira)

15h – O Batedor de Carteiras

17h – A Nuvem Rosa

19h – Não Olhe Para Cima


11 de março (sexta-feira)

15h – A Grande Testemunha

17h – A Nuvem Rosa

19h – A Mão de Deus


12 de março (sábado)

15h – Sessão Vagalume: O Garoto

17h – A Nuvem Rosa

19h – Não Olhe Para Cima


13 de março (domingo)

15h – Sessão Vagalume: O Garoto

16h30 – A Mão de Deus

19h – Cineclube Academia das Musas: Bookpink – O Livro dos Pássaros + Sobre Portas e Janelas


15 de março (terça-feira)

15h – Lancelot do Lago

17h – A Nuvem Rosa

19h – Não Olhe Para Cima


16 de março (quarta-feira)

15h – O Dinheiro

17h – A Nuvem Rosa

19h – A Mão de Deus

terça-feira, 8 de março de 2022

Cine Dica: Breve Em Cartaz: ' Adeus, Idiotas'

Sinopse: Mulher de 43 anos de idade (Virginie Efira) descobre uma doença letal, e decide procurar pela filha que abandonou quando era adolescente.

Filme bastante audacioso, que se encaixa perfeitamente no espírito rebelde deste diretor  Albert Dupontel, que pratica centrismo cinematográfico de alto nível sob o disfarce de "entretenimento" altamente contido que inclui risos, perseguições frenéticas de carro, tentativas de fuga, colisões e desenvolvimentos de tramas milagrosas. Ele faz uso maravilhoso do humor negro para denunciar as falhas deste mundo moderno, que está escorregando nas profundezas do absurdo tecnológico vistos no clássico "Brazil - O Filme" (1985) (dando um grito direto para Terry Gilliam e vários acenos de sua obra que são, aliás, reminiscentes do estilo trágico-burlesco de Dupontel). Mas isso não nos impede de sentir um grande carinho por seus personagens, seres comuns, diversos e frágeis, que aos poucos se transformam em tipos de Dom Quixote, solidários na adversidade e na busca do amor. É um coquetel de aventuras agitadas, quase como um desenho animado e repleto de voltas e reviravoltas, onde nossos dois protagonistas Suze e Jean-Baptiste (interpretado por Virginie Efira e o próprio Albert Dupontel) se cruzam e recebem a ajuda de um homem que perdeu sua visão em consequência de um erro da polícia (Nicolas Marié) e de um obstetra abatido pelo mal de Alzheimer (Jackie Berroyer).

"Adeus, Idiotas" avança na velocidade do turbilhão de júbilo em um ambiente urbano onde o reconhecimento facial, a vinculação de banco de dados de identidade e rastreamento digital são uma opção (para aqueles que têm o direito legal de fazer uso deles, ou para aqueles que sabem como sequestrá-los ), e onde a poluição, a burocracia, a linguagem profissional e as deficiências de comunicação reinam supremas.

Espalhando seu caminho com mensagens codificadas ("recurso morto ou recurso vivo?") Sobre a necessidade de dar às crianças e o futuro uma chance e de reconhecer aberrações mortais (como a doença autoimune de Suze), o desejo que sentimos de encontrar nosso lugar dentro uma sociedade desequilibrada e a importância vital de recarregar as baterias, olhando para trás, para a nossa juventude enérgica (deixe um flashback de uma dança da liberdade emocionante ao som de Malavida de Mano Negra), este filme que é altamente realizado e formalmente impecável, cortesia de seu ritmo e os belos efeitos de claro-escuro criados pelo diretor de fotografia Alexis Kavyrchine, tem um efeito deslumbrante sobre o espectador, como se uma lufada de ar fresco revigorante e estimulante, soprando para longe as teias de aranha tóxicas.



Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin e Instagram.  

Cine Dica: Sala Redenção retoma programação presencial com mostra em parceria com o Goethe-Institut Porto Alegre

Sob a Neve
 

Às vésperas de completar 35 anos, a Sala Redenção reabre suas portas para a comunidade no dia 10 de março de 2022, após dois anos de hiato devido à pandemia de COVID-19. A retomada presencial do cinema universitário se dá com uma reedição da mostra Diretoras do Cinema Alemão em Foco, realizada em parceria com o Goethe-Institut Porto Alegre, e que foi encerrada prematuramente em 2020 com a suspensão das atividades. De 10 a 18 de março, a programação traz sete longa-metragens produzidos por mulheres na Alemanha entre 1980 e 2013, com sessões de segunda a sexta-feira, às 15h e às 19h. 

A curadoria, realizada pela equipe da Sala Redenção, apresenta figuras conhecidas do grande público, como a experiente Margarethe Von Trotta, com um trabalho que enfoca a vida de uma forte personalidade da filosofia moderna, e a premiada Maren Ade, com seu primeiro longa-metragem. A mostra inclui ainda diretoras que tiveram pouco ou nenhum espaço no circuito comercial brasileiro nas últimas décadas, com destaque para Ulrike Ottinger, Jutta Brückner e Antonia Lerch.

A seleção abarca obras lançadas em um país que ainda hoje apresenta uma larga distinção entre homens e mulheres em suas produções: em 2016 e 2017, segundo relatório realizado pelas emissoras públicas ARD e ZDF, somente 20% dos filmes lançados no período na Alemanha foram dirigidos por mulheres. No Brasil, o cenário não é diferente. Em 2016, homens dirigiram 77,5% dos longas exibidos em salas comerciais, segundo a Agência Nacional de Cinema – Ancine.

O ciclo Diretoras do Cinema Alemão em Foco divide a programação de março da Sala Redenção com a mostra Francofonia, uma parceria com a Aliança Francesa e o Instituto Francês que celebra o Dia Internacional da Francofonia, em 20 de março. Nesta segunda mostra do mês, serão apresentadas produções realizadas na Armênia, Ruanda, Cambodja, Congo, Argélia, Bósnia e Herzegovina, além, é claro, da França.

Inaugurada em 22 de abril de 1987, a Sala Redenção – Cinema Universitário é um dos espaços mais antigos de difusão cinematográfica não-comercial em Porto Alegre, e é gerida pelo Departamento de Difusão Cultural da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ao longo de sua história, a Sala se consagrou como um local de formação audiovisual, propondo sessões e debates com base no princípio de acesso livre à comunidade. A programação comemorativa de seus 35 anos será divulgada em breve.

Confira a programação completa clicando aqui.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Cine Especial: "The Batman - Luz e Trevas"

Sinopse: Em início de carreira o homem morcego se vê em uma investigação misteriosa e que irá revelar os diversos segredos escondidos da cidade de Gotham.  



O nosso mundo vive em constantes mudanças, das quais é sentida em todos os setores e o universo do cinema, livros e HQ não é diferente. Portanto, é muito raro encontrarmos um personagem de ficção que consiga ser remodelado para novos tempos, dos quais consiga corresponder com o mesmo e se tornando mais atual dentro do possível. Batman, talvez, é o melhor neste quesito, pois é um personagem que precisou ser readaptado conforme o que acontecia em nosso mundo e nisso acabou se tornando bem sucedido.

No seriado "Batman e Robin" (1966) vemos uma aventura escapista, engraçada e que nada mais era do que um entretenimento puro para agradar a massa. Porém, se percebe que o programa era uma forma também de se vender uma realidade perfeita da sociedade norte americana, da qual a mesma já estava sentindo as dores do mundo real, mas da qual não se via na obra como um todo. O Batman daqueles tempos era uma representação do "paz e amor", mas que logo precisaria mudar caso continuasse em querer existir.

Os anos setenta e oitenta vieram para colocar o personagem sendo testado pelo tempo, atualizado conforme as ondas da mudança iam surgindo e tendo muito a dizer sobre o que estava acontecendo. Essas mudanças são retratas em "Batman - O Filme" (1989), de Tim Burton, onde vemos um herói sombrio, violento e indo contra a promessa dos tempos da era Reagan, da qual a mesma passava a promessa de uma nova utopia para a sociedade norte americana, mas da qual muitos não enxergavam isso nas metrópoles sendo invadidas pela criminalidade e a corrupção vindo das altas patentes. Esse pessimismo ainda se torna mais explicito em "Batman - O Retorno" (1992), onde Burton faz de sua Gotham City uma bela homenagem ao "Expressionismo Alemão", cujo o movimento sintetizava os tempos de medo de uma sociedade alemã ainda se recuperando de uma 1ª Guerra Mundial e mal sabendo dos tempos piores que viriam.

O estúdio Warner, por sua vez, não conseguia enxergar no mundo real esse lado sombrio que Burton pincelava em seus dois filmes. Descartado, o estúdio fez de "Batman Eternamente" (1995) e "Batman e Robin" (1997) espetáculos vazios, cujo o entretenimento para atrair a massa nada mais era do que vender produtos para serem consumidos e deixando a conteúdo de lado. Parcialmente, a fórmula funcionou até certo tempo, mas então veio o 11 de Setembro.

Com as torres Gêmeas vindo abaixo, a sociedade norte americana sentiu na pele o horror que antes era visto na ficção e o entretenimento de ação e aventura precisavam passar por uma repaginada. Com advento das adaptações das HQ para o cinema no início do século vinte um, a Warner decidiu que era a hora de surgir um Batman que falasse sobre os novos tempos e cujo o medo perante o desconhecido era preciso ser combatido. A trilogia "Cavaleiro das Trevas" comandada por Christopher Nolan vista hoje é um estudo sobre os tempos em que a maldade não vem somente de fora como muito se vendia, como também pode estar incrustado dentro da própria sociedade norte americana.

Com o encerramento da visão de Nolan, logicamente, o estúdio procurava saciar a sua sede pelo lucro, decidindo criar um universo expandido e unindo os seus heróis nas telas o mais rápido possível. Embora Ben Afleck tenha ficado perfeito como o personagem, tanto "Batman vs Superman" (2017) como "Liga da Justiça" (2017) sofreram com a pressa do estúdio, sendo que esse último foi retalhado, mesmo tendo obtido posteriormente uma versão definitiva comandada por Zack Snyder. O herói precisava, novamente, de uma repaginada e "The Batman" (2022) vem em um momento em que a nossa realidade se encontra duelando contra as trevas.

O filme segue o segundo ano de Bruce Wayne (Robert Pattinson) como o herói de Gotham, causando medo nos corações dos criminosos da sombria cidade. Com apenas alguns aliados de confiança - Alfred Pennyworth (Andy Serkis) e o tenente James Gordon (Jeffrey Wright) - entre a rede corrupta de funcionários e figuras importantes do distrito, o vigilante solitário se estabeleceu como a única personificação da vingança entre seus concidadãos. Durante uma de suas investigações, Bruce acaba envolvendo a si mesmo e Gordon em um jogo de gato e rato, ao investigar uma série de maquinações sádicas em uma trilha de pistas enigmáticas estabelecida pelo vilão Charada.

O filme vem logo depois em que "Coringa" (2019) complementou o que faltava na trilogia "Cavaleiro das Trevas", correspondendo com a proposta daquela produção, mas sendo moldada ainda com mais ambição. Se naquela produção de Todd Phillips a sua Gotham era um retrato mais sujo e decadente do início dos anos oitenta, aqui a cidade é uma verdadeira fusão da verossimilhança de Nolan com o lado sombrio e expressionista de Burton. O resultado é uma Gotham City assustadora, em que o expressionismo alemão fica ainda mais evidente e ao mesmo tempo nos lembrando o subgênero Noir.

Aliás, o filme é puramente cinema, cujo o cinéfilo irá encontrar na trama referências aos clássicos "Chinatown" (1974), "Seven" (1996) e "Zodíaco" (2007), sendo que esses dois últimos comandados por David Fincher serviram de inspiração para a criação de uma versão mais assustadora, porém, realista do Charada (Paul Dano). No decorrer do filme, vemos o personagem cometendo crimes, deixando pelo caminho os seus enigmas e fazendo com que o protagonista, aos poucos, descubra a real natureza das mazelas de sua cidade. Se em "Coringa" a família Wayne era questionada aqui não é diferente e fazendo com que o herói se pergunte sobre qual é o seu verdadeiro papel naquela sociedade.

Robert Pattinson cria para si um Bruce Wayme melancólico, cuja a sua imagem parece saída do expressionismo, mas ganhando vida e força sempre que usa o seu traje de morcego. Provando sua versatilidade em filmes como "Bom Comportamento" (2017) e "O Farol" (2019), sua interpretação acaba não ficando escondida em seu traje de borracha, cujo o seu olhar tem muito mais a dizer do que meras palavras. Um Batman moldado pela dor e desejo de vingança, mas que com o tempo aprenderá que isso só não basta. Através de outros personagens, a sua figura acaba se tornando mais humanizada, mesmo quando a sua imagem se torna um contraponto em meio as outras pessoas.

Se o detetive Gordon (Jeffrey Wright) é um aliado em meio a uma força policial corrompida, Selina Kyle (Zoë Kravitz) é uma mulher moldada em meio ao universo violento contra a mulher e o que faz dela não tomar partido de nenhum lado, mas sim somente consigo mesma. No filme, tanto ela como Batman são dois lados da mesma moeda, mesmo quando ela já se encontra em uma fase em que não mais enxerga nenhum pingo de esperança para uma cidade tão corrompida. Essa corrupção, aliás, é muito bem representada tanto por Carmine Falcone (John Turturro) como também por Oswald Chesterfield, o Pinguim (Collin Farrel), sendo que esse último joga para ambos os lados para sobreviver e sabendo como ninguém como funciona as engrenagens do submundo do crime.

Logicamente, o público espera desse tipo de filme cenas ação a todo momento, mas não é isso o que acontece. Elas existem, mas com um objetivo, para que elas se casem com a proposta principal da obra e não sendo poluída com cenas previsíveis de CGI ou explosões que nem precisavam existir. Destaco a fantástica cena de Batman com o seu Batmovel  perseguindo o Pinguim e que Matt Reeves, assim como fez Christopher Nolan com a sua trilogia "Cavaleiro das Trevas", buscou inspiração no clássico policial "Operação França" (1971).

Com três horas de duração, o filme jamais cansa em momento algum e isso graças a uma direção perfeccionista e que cada cena tem algo a mais para se dizer do que se imagina. Além de lembrar o Expressionismo já citado, essa Gotham não é muito diferente do que foi vista no clássico "Blade Runner" (1982) sendo que ambos os filmes o cenário se encontra sempre chovendo e cuja a luz do sol acaba se tornando quase um mero sonho. Falando em chuva, Batman nunca se casou tão bem com ela como agora, cuja determinadas cenas dele vindo em câmera lenta em meio a água incessante o faz lhe tornar uma figura ainda mais ameaçadora.

Porém, no terceiro ato da trama, o protagonista percebe que quase se tornou parte de um sistema que pretende destruir a cidade, quando na verdade a sua figura não deveria ser equiparada a vingança, mas sim de esperança em meio as sombras. Portanto, ao vermos o personagem se jogar nas entranhas da escuridão para guiar pessoas com medo da morte a cena se torna simbólica e que serve de passagem para que o protagonista tome uma nova iniciativa na vida. Antes disso, vemos um Charada tirar a sua máscara, esfregando verdades na cara do protagonista e cuja atuação de Paul Dano merece uma indicação ao Oscar.

Com uma poderosa trilha sonora criada pelo compositor Michael Giacchino, da qual é alinhada muito bem a com a música "Something in the Way" de Nirvana inserida de forma engenhosa dentro da trama, "The Batman" é sobre a busca de uma luz em meio as trevas e cuja essa cruzada é complexa, porém, recompensadora. 


Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin e Instagram.  

Cine Dica: CINEMA/SESSÃO VAGALUME: Clássico "O Garoto", de Charles Chaplin, será exibido dias 12 e 13/03 na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre.

 SESSÃO VAGALUME

O Garoto

- Lançado há 101 anos, filme foi primeiro longa-metragem dirigido por Charles Chaplin.   

- Público terá mais tempo para curtir as visitas guiadas pela cinemateca, que começarão uma hora antes das sessões.  


QUANDO: 12 e 13/03, sábado e domingo, às 15h. Visitas guiadas terão início às 14h. ONDE: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico, Porto Alegre). QUANTO: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia-entrada) - pagamento em dinheiro e pix, a bilheteria abre uma hora antes das sessões. 

DESCONTOS: meia-entrada para municipários e aplicação de todos os descontos previstos em lei (pessoas com mais de 60 anos com carteira de identidade; pessoas com deficiência e um acompanhante, mediante cartão de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social da pessoa com deficiência ou de documento emitido pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS); jovens de baixa renda com comprovante ID e doadores de sangue com carteira de comprovação).


DURAÇÃO: 68min

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: livre

EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS PARA ENTRADA NA SALA DE CINEMA: apresentação de comprovante vacinal e uso de máscara. 

A próxima edição da Sessão Vagalume vai oferecer ao público uma verdadeira viagem à era de ouro do cinema mudo. Primeiro longa-metragem dirigido por Charles Chaplin, O Garoto será exibido nos dias 12 e 13 de março, às 15h, na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre. Lançado em 1921, o filme alçou o artista britânico ao patamar de gênio da sétima arte. Marcado pelo humor, irreverência e sensibilidade, o título, até hoje, emociona crianças e adultos. 

- O Garoto é uma das maiores realizações de Charles Chaplin e passados 101 anos de sua estreia é um filme que segue encantado novas gerações de espectadores. Isso é algo muito raro e difícil de ser alcançado, especialmente se formos pensar que se trata de um filme mudo, em preto e branco, muito distante do universo altamente tecnológico do cinema contemporâneo, caracterizado por efeitos especiais cada vez mais sofisticados e ação frenética. O fato é que o humanismo de Chaplin, a concisão de seu cinema (O Garoto tem pouco mais de uma hora de duração), a sua habilidade em retratar relações humanas que são universais, a partir apenas do movimento e dos olhares de seus atores, são coisas que fazem com que o filme mantenha intacto o seu frescor e a sua capacidade de comunicação com diferentes públicos - explica o Marcus Mello, curador do Programa de Alfabetização Audiovisual da Cinemateca Capitólio.

Na trama, Charlie - também conhecido como Carlitos, no Brasil - interpreta um andarilho que encontra um bebê abandonado. Decide criá-lo e, com o passar do tempo, ele e o menino se envolvem nas mais diversas situações para sobreviver nas ruas de uma grande cidade. Essa obra universal teve como inspiração a própria infância de Chaplin, em Londres. Rejeitado pelo pai alcoólatra e após a mãe ser internada em um manicômio, teve que fugir da polícia para não ser levado a um orfanato. 

- O cinema de Chaplin é admirado em todos os lugares do mundo, e toca muito particularmente as crianças. Além disso, O Garoto é o primeiro grande filme da história do cinema a dar protagonismo a uma criança, eternizando a imagem do menino de rua interpretado pelo ator mirim Jackie Coogan. Não há ninguém que fique indiferente ao encanto dessa obra-prima do cinema, que segue provocando risos e lágrimas em crianças e adultos ainda hoje - comenta Marcus Mello.

Os ingressos populares custarão somente R$ 4,00 (R$ 2,00, a meia-entrada). A programação também inclui as visitas guiadas, que têm atraído cada vez mais público nessa temporada. Por isso, tiveram horário ampliado e serão realizadas a partir das 14h, uma hora antes do início do filme. Assim, pais e filhos poderão conhecer os bastidores do prédio histórico inaugurado em 1928 e que sempre abrigou um cinema. O roteiro inclui as salas de projeção e do acervo, além da biblioteca. 

A Sessão Vagalume é uma iniciativa do Programa de Alfabetização Audiovisual, projeto educativo da Cinemateca Capitólio. O objetivo é oferecer um circuito alternativo de cinema infantojuvenil. Quem desejar outras informações pode acessar o site da cinemateca (www.capitolio.org.br) e as redes sociais do programa (Facebook e Instagram - @alfabetizacaoaudiovisual).


SINOPSE:Uma mãe solteira deixa um hospital de caridade com seu filho recém-nascido. A mãe percebe que ela não pode dar para seu filho todo o cuidado que ele precisa, assim ela prende um bilhete junto a criança, pedindo que quem o achar cuide e ame o seu bebê, e o deixa no banco de trás de um luxuoso carro. Entretanto, o veículo é roubado por dois ladrões, que, quando descobrem o menino, o abandonam no fundo de uma ruela. Sem saber de nada, um homem (Charles Chaplin) faz o seu passeio matinal e encontra a criança. Inicialmente, quer se livrar dele, mas diversos fatores sempre o impedem e, gradualmente, ele passa a amá-lo, decidindo criar o menino (Jackie Coogan).


> INFORMAÇÕES TÉCNICAS:

O Garoto (The Kid), de Charles Chaplin (EUA, 1921, 68 minutos). Com Charles Chaplin, Jackie Coogan e Edna Purviance. 

ASSESSOR DE IMPRENSA

Léo Sant´Anna

(21) 97613.4462 ou (21) 3988.0561

leosantanna@hotmail.com

domingo, 6 de março de 2022

Cine Especial: Próximo Cine Debate: 'A Filha Perdida'

 

É muito mais fácil julgar as pessoas do que compreender elas, principalmente quando o assunto é a questão das mulheres e que na maioria das vezes são sempre julgadas antes mesmo de serem ouvidas. Porém, isso não significa que elas sejam obrigadas a ter que se explicar pelos seus atos, pois cabe elas próprias se julgarem e verem se realmente erraram, seja no seu presente ou em um passado distante. "Filha Perdida" (2021) fala sobre as escolhas e consequências dentro do universo feminino do qual, por vezes, é solitário e que em alguns casos elas gritam por socorro.

Dirigido pela atriz e agora diretora Maggie Gyllenhaal, além de ser baseado no livro da escritora Elena Ferrante, "A Filha Perdida" fala sobre Leda (Olivia Colman) é uma mulher de meia-idade divorciada, devotada para sua área acadêmica como uma professora de inglês e para suas filhas. Quando ambas as filhas decidem ir para o Canadá e ficarem com seu pai nas férias, Leda já antecipa sua rotina sozinha. Porém, apesar de se sentir envergonhada pela sensação de solitude, ela começa a se sentir mais leve e solta e decide, portanto, ir para uma cidade costeira na Itália. Porém, ao passar dos dias, Leda encontra uma família que por sua mera existência a faz lembrar de períodos difíceis e sacrifícios que teve de tomar como mãe. Uma história comovente de uma mulher que precisa se recuperar e confrontar o seu passado.

Confira a minha crítica completa clicando aqui e participe do Cine Debate na próxima terça. 


Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin e Instagram.  

sexta-feira, 4 de março de 2022

Cine Especial: 'O Poderoso Chefão - 50 Anos Depois'


 "Eu Acredito Na América" 

Essa frase abre o prólogo do filme que hoje é considerado um clássico, "O Poderoso Chefão" (1972). Na abertura, vemos o depoimento Amerigo Bonasera (Salvatore Corsitto), imigrante italiano e que se mudou para os EUA por acreditar no sonho americano. Em território estrangeiro ele se torna dono de uma funerária bem sucedida, mas que vê o sonho em que acreditava virar poeira ao ver sua filha ser estuprada por um bando de delinquentes e cuja a justiça da qual o mesmo acreditava não fez nada.  

Dirigido por Francis Ford Coppola, a cena se torna ainda mais emblemática pela forma em que nos é apresentada. A primeira visão que temos é de Bonasera contando a sua história, enquanto a câmera do cineasta vai se distanciando e apresentado aos poucos o cenário em que o mesmo se encontra. Ao final do seu depoimento só então que finalmente conhecemos Vitor Corleone e do qual é magistralmente interpretado por Marlon Brando.  

Tanto as palavras de Bonasera como a resposta que Vitor faz a ele nesta abertura sintetiza a proposta que Coppola quer nos passar através do seu filme, assim como também a ideia principal de Mario Puzo, realizador do livro que deu origem ao projeto e sendo também mentor do roteiro. Ambos falam do sonho americano, do qual o país vende que é a terra da prosperidade e que está aberta para todos os povos do globo. Um país construído com uma grande parcela de imigrantes, mas cujo os mesmos lutam para sobreviverem e na espera de falsas promessas.    

Ao chegar à terra prometida se percebe que é preciso, ou seguir as regras do jogo, ou então criar o seu próprio para conseguir determinado status. Alinhado com "O Poderoso Chefão - Parte 2" (1974) Coppola cria um épico sobre uma parte da história norte americana, iniciada na cidade Corleone da Itália e encerrada em um momento da história em que do sonho somente restou vagas lembranças douradas de um tempo cheio de promessas. Mais do que um filme sobre gangster a obra fala sobre amadurecimento e numa nova forma de se enxergar o mundo e isso é muito bem representado pela presença de Michael Corleone e do qual foi interpretado pelo até então desconhecido Al Pacino.  

Ao acreditar no sonho americano, Michael se alistou para o combate na 2ª Guerra Mundial e posteriormente retornou para sua família ainda acreditando que pode construir uma vida através das promessas vindas da terra prometida. Porém, ao ver o seu pai sofrendo um atentado de uma gangue rival começa então a jornada de Michael para uma nova realidade, da qual lutará pelo bem estar de sua família, mas pagando um alto preço ao longo dessa jornada. Al Pacino se entrega de corpo e alma no melhor papel de sua carreira e cuja a sua cena do restaurante do qual ele toma uma decisão que mudará sua vida para sempre está entre os melhores momentos da história do cinema.  

Embora tenha tido atritos com os produtores na época, principalmente por insistir na escolha do seu elenco, Francis Ford Coppola aproveitou a ocasião para falar um pouco sobre suas raízes. Com a participação de sua família dentro do projeto, o cineasta criou um longa em que retrata os costumes de uma família italiana, mesmo quando a mesma se vê envolvida no universo da máfia. Vale destacar que o filme marca a estreia de sua irmã Talia Shire como atriz, da qual a mesma faz a filha de Vitor Corleone e que posteriormente se tornaria ainda mais conhecida ao interpretar Adrian no filme "Rocky" (1976). 


"O Sonho Acabou" 

"O Poderoso Chefão" veio em um momento que Hollywood perdia a sua inocência, principalmente em uma época que a contracultura estava a todo o vapor e o mundo real não poderia mais ficar no lado de fora da sala escura. Com advento da "Nova Hollywood" surgiram filmes que carregavam o peso dos tempos de um país que se encontrava pra baixo devido a Guerra do Vietnã, o escândalo Watergate e uma crise financeira que não se via desde a quebra da bolsa de 1929. Porém, a semente para essa virada de mesa está mais precisamente em 22 de novembro de 1963.  

O Presidente norte-americano John Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas ao ser atingido por disparos que simplesmente abriram o seu crânio. A cena vista posteriormente em imagens de arquivos fizeram com que, finalmente, a sociedade norte americana saísse de sua bolha ilusória sobre um mundo perfeito. Por conta disso, aos poucos, o cinema norte americano se via em um beco sem saída, pois a violência antes sem sangue de um simples faroeste não poderia mais ser reconhecida aos olhos de um público que já havia testemunhado o lado cru do mundo. 

Em 1967, o diretor Arthur Penn lança o filme que se tornaria a porta de entrada da nova "Nova Hollywood". "Bonnie e Clyde" não somente retratou os dias de aventura do mais famoso casal de roubo de bancos dos anos trinta, como também um retrato da transição da inocência norte americana para um cenário em que um passo em falso poderia gerar um sério risco. A cena do assassinato do casal central nos minutos finais do filme é emblemática, pois simboliza o que o norte americano testemunhou ao olho nu em 22 de novembro de 1963.  

A cena final de "Bonnie e Clyde" serviria de inspiração para que Francis Ford Coppola construísse a cena que também entraria para a história do cinema. A morte de Sonny Corleone (James Caan), do qual o mesmo foi metralhado por diversas balas, simboliza a morte da inocência de alguns personagens da trama como no caso de Michael Corleone. Porém, ao saber da morte do filho, Vito Corleone age com certa frieza, pois já sabe como se joga em uma realidade cheia de máscaras.   


"O Começo do Fim" 

Olhando para trás se percebe que a trilogia mafiosa de Francis Ford Copolla fala mais sobre   ascensão e a queda de Michael Corleone, que antes acreditava no sonho americano para logo depois entender que é preciso ser duro se quiser continuar vivo. Com a morte do seu pai, Michael decide eliminar todos aqueles que ele considera uma grande ameaça, em uma cena emblemática e que se distancia da sua imagem inocente e cheio de vida no início da trama. Ao se tornar poderoso, Michael ao mesmo tempo perde o que é mais precioso que é a sua família e isso é muito bem representado nas cenas finais das duas partes da trilogia.  

Na primeira, vemos Michael mentido para a sua esposa Kay (Diane Keaton) sobre os assassinatos, para logo depois se fechar em sua sala e sendo cortejado pelos seus principais aliados. No final do segundo filme, após ter mandado matar o seu próprio irmão Fredo (John Cazale), Michael relembra tempos mais dourados, reunido com os seus irmãos em uma sala de jantar para aguardar a chegada do seu pai, mas ao mesmo tempo anunciando que está partindo para a 2ª Guerra Mundial. Inconformados, cada um sai da sala aos poucos e deixando Michael para atrás, enquanto os demais festejam a chegada do pai.  

A cena marcaria a volta de Marlon Brando como Vitor, mas que devido atritos da época acabou não comparecendo para as filmagens. Porém, a cena se torna ainda mais impactante, pois mesmo ausente sentimentos a presença do personagem, da qual surge pelas lembranças de Michael, de uma época em que a sua inocência ainda estava intacta assim como também a sua família. Para Coppola, esse seria o final definitivo dessa saga mafiosa, sendo que "O Poderoso Chefão - Parte III" (1990) nada mais foi do que um filme exigido pelo estúdio, muito embora feche a trilogia com certa dignidade e respeito.  

A obra prima "O Poderoso Chefão" é sobre a perda da inocência, em que as falsas promessas vindas de uma nação são facilmente descartadas a partir do momento em que o indivíduo descobre sobre a melhor e a pior maneira de sobreviver neste mundo.  


Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin e Instagram.