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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Cabo do Medo'

Sinopse: Ex-presidiário sai da prisão para se vingar da advogada que o defendeu.

"Cabo do Medo" (1991), do mestre Martin Scorsese, é uma verdadeira obra-prima do gênero suspense, cuja atuação monstruosa de Robert De Niro assombrou uma geração inteira. Baseado na obra do escritor John D. MacDonald, lançada em 1957, o romance havia sido levado pela primeira vez ao cinema em 1962, dirigido por J. Lee Thompson e estrelado por Gregory Peck como o advogado Sam Bowden e Robert Mitchum como o psicopata Max Cady. Agora, eis que chega a versão em minissérie pela Apple TV+, que surpreende por sua fidelidade à fonte original, mesmo tendo sido atualizada para os novos tempos.

Criada por Nick Antosca e produzida pelo próprio Martin Scorsese ao lado de Steven Spielberg, a trama gira em torno da família de um casal de advogados que começa a ser ameaçada quando o criminoso que ajudaram a condenar sai da prisão em busca de vingança. Uma vez solto, Max Cady (Javier Bardem) decide transformar a vida de sua ex-advogada Anna (Amy Adams) e do promotor Tom Bowden (Patrick Wilson) em um verdadeiro inferno. Para piorar, os filhos do casal acabam sendo seriamente atingidos por esse evento.

Ouvira com muita desconfiança sobre essa nova versão, mas logo me interessei ao saber que Scorsese estava envolvido no projeto. O resultado é uma minissérie que respeita sua fonte e, principalmente, o legado que o filme de 1991 construiu, mantendo até mesmo a trilha sonora assustadora composta por Bernard Herrmann para a primeira versão do clássico de 1962. O resultado, porém, não é mero saudosismo, mas um belo exemplo de que histórias do passado podem sim ser recontadas para os novos tempos, desde que conduzidas com maestria.

Além de uma direção segura, autoral e que remete aos truques de câmera operados por Scorsese em sua versão pessoal, a minissérie obtém seu maior êxito através do elenco. Amy Adams se sai bem como a versão feminina da defensora de Max no passado — que, por um motivo obscuro, deixou que ele fosse condenado pelo promotor e agora seu marido, brilhantemente interpretado por Patrick Wilson. Ambos possuem uma química curiosa, sem esconder que seus respectivos personagens guardam segredos nas entrelinhas que aos poucos são revelados no decorrer dos episódios.

Destaque também para a atuação dos jovens atores que interpretam os filhos, sendo Lily Collias um talento a ser observado de perto em futuros projetos. Porém, a minissérie pertence a Javier Bardem, que se entrega a uma atuação tão assustadora quanto a de Robert De Niro. Se em "Onde Os Fracos Não Têm Vez" (2007) Bardem nos assustava na pele de um inesquecível matador profissional, aqui ele nos assombra por sua capacidade de persuasão, fazendo com que todos caiam em seu jogo maléfico.

Curiosamente, a série dá espaço para algumas subtramas, como o surgimento de uma filha misteriosa de Max e de outros parentes que nos dão a dimensão de como sua infância foi complexa. Ponto alto para o retorno da atriz Juliette Lewis — que deu vida à jovem filha do casal na versão de 1991 — interpretando aqui uma personagem misteriosa com forte ligação com Max. Não é preciso ser um gênio para notar que, além dela, outros elementos remetem ao clássico original, como a presença do barco, utilizado porém em um momento de tensão inédito.

Se há um ponto falho a destacar, é justamente o final. No decorrer dos episódios, a trama flui de forma bastante fresca, mesmo para quem já conhece a história, escapando de comparações diretas com as versões anteriores. Infelizmente, o último episódio falha ao mimetizar por demais o desfecho do clássico de 1991, como se os realizadores fossem obrigados a isso, quando poderiam ter optado por algo mais criativo.

Isso faz com que a minissérie termine meio em aberto, sugerindo uma possível continuação. A meu ver, é um risco desnecessário: o conto possui começo, meio e fim bem amarrados e, ao inventar novos desdobramentos, corre o sério risco de se tornar repetitivo. Ainda assim, com o sucesso da produção, não me surpreenderia ver Max retornando do inferno mais uma vez.

"Cabo do Medo" é uma grata surpresa para os amantes do clássico de Scorsese, funcionando perfeitamente para os dias atuais e surpreendendo por suas incríveis atuações.


Onde Assistir: Apple TV. 

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