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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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domingo, 3 de maio de 2026

Cine Dica: Cinema da UFRGS apresenta mostras “Delírias” e “Cinema socioambiental”

Reunindo obras protagonizadas por mulheres, a Sala Redenção apresenta, de 4 a 13 de maio, a mostra “Delírias”. São sete filmes de diferentes gêneros que, em comum, encaram o onírico e o fantasioso como espaços de liberdade feminina.

A programação inicia no próximo dia 4 com dois longas-metragens que tematizam o luto: “Cleo” (2019), produção alemã que acompanha a trajetória de uma jovem marcada pela culpa após a morte do pai; e “Despedida” (2021), fantasia gaúcha protagonizada por uma menina de 11 anos que viaja ao interior do estado para o funeral da avó. Na mesma semana, a Sala Redenção exibe “O céu de Alice” (2020), primeiro longa-metragem da diretora francesa Chloé Mazlo. O filme mistura ficção, stop motion e animação para retratar a relação de Alice, recém-chegada no Líbano vinda da Suíça, e Joseph, um astrofísico excêntrico que tem o sonho de enviar ao espaço o primeiro libanês.

A mostra segue com dois musicais: “Orféa apaixonada” (2022), de Axel Ranisch, que acompanha o romance entre uma aspirante a cantora de ópera e um criminoso surdo; e “Anos dourados” (1986), de Chantal Ackerman, emblemático musical ambientado em um shopping center. “Delírias” encerra com as comédias “Franky Five Star” (2023), da alemã Birgit Möller; e “A bruxa do amor” (2016), da estadunidense Anna Biller.

Todas as sessões têm entrada franca e aberta à comunidade em geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.

Sala Redenção estreia mostra “Cinema socioambiental”

Com nove produções brasileiras na programação, como Ilha das Flores (1989), “Xingu” (2011) e “Lixo extraordinário” (2010), a Sala Redenção convida o público a refletir sobre o cenário global de crise climática por meio da mostra “Cinema socioambiental”. A programação, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis do Rio Grande do Sul (Ibama/RS), acontece de 8 a 22 de maio com entrada franca.

A mostra inicia no dia 8, às 14h, com “Xingu” (2011), longa-metragem de Cao Hamburger que acompanha os irmãos Villas-Bôas na Expedição Roncador-Xingu, na década de 1940. No dia 14, no mesmo horário, “Lixo extraordinário” (2010) documenta o trabalho do artista visual Vik Muniz no Jardim Gramacho (RJ), maior aterro sanitário da América Latina. Ambas as sessões são seguidas de conversa com o setor Educativo do Ibama/RS.

Já no dia 15 de maio, às 14h, são exibidos os curta-metragens “O veneno está na mesa” (2011), “Ilha das Flores” (1989) e “Recife frio” (2009). Após a sessão, integrantes do G6+Direitos Humanos, grupo ligado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, conduzem um bate-papo sobre os filmes. Na noite do mesmo dia, às 19h, a programação segue com “Águas de maio” (2025), longa-metragem que registra o trabalho voluntário realizado pela Faculdade de Farmácia da UFRGS e por outras entidades farmacêuticas durante as enchentes de 2024 no estado. A exibição é seguida de conversa com o diretor Lucas Moraes.

No dia 21, às 19h, é a vez de “Comida de mentira” (2025), documentário sobre a indústria dos ultraprocessados cuja apresentação é acompanhada de conversa com as professoras Tatiana Camargo e Marilisa Hoffman, do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências (PPGECI), e com os mestrandos Edu Lopes e Julia Sokolovsky.

Para finalizar a mostra, no dia 22 de maio, a Sala Redenção exibe “25 anos da Feira do Menino Deus: a cidade encontra o campo” (2020) e “Mãos à terra” (2025), às 14h e às 16h, respectivamente. Ambas as sessões contam com bate-papo com as pessoas realizadoras.

“Cinema Socioambiental” tem apoio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Casa de Cinema de Porto Alegre, Vitrine Filmes e ACT Promoção da Saúde.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cine Especial: 'O Diabo Veste Prada - 20 Anos Depois'

O sucesso de um filme se deve a muitos fatores, mas, às vezes, é preciso uma dose de sorte vinda dos "deuses do cinema" para que os realizadores alcancem o êxito pretendido. Determinados temas são difíceis de prever, e o universo da moda é um desses casos. "O Diabo Veste Prada" (2006) é um exemplo de longa-metragem que conquistou o sorriso desses deuses, adquirindo o status de cult com o passar dos anos.

Dirigido por David Frankel e baseado no best-seller de Lauren Weisberger, o filme conta a história de Andrea Sachs (Anne Hathaway), uma jovem recém-formada em jornalismo que consegue um emprego na Runway Magazine, a mais importante revista de moda de Nova York. Ela passa a trabalhar como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), a principal executiva da publicação. Apesar da oportunidade com que muitos sonhariam, Andrea logo nota que lidar com Miranda não é uma tarefa simples.

Lauren Weisberger escreveu a obra baseada em sua própria experiência como assistente de Anna Wintour. Apesar do sucesso comercial, o livro não foi unanimidade entre a crítica especializada, que apontou o tom excessivamente queixoso da protagonista. Obviamente, a história não seria vista com bons olhos pelos detentores do poder no universo da moda — um mundo moldado pela estética, pelo vestuário e, acima de tudo, pelo poder. Trata-se de um ambiente regido pelo sistema capitalista, que vende sonhos para aqueles que desejam estar sob os holofotes.

A protagonista Andrea funciona como uma representação do nosso olhar inocente perante esse glamour, inicialmente não enxergando conteúdo algum nele. É a partir do momento em que ela compreende que só sobreviverá ao emprego se decidir adentrar de fato nesse universo — não apenas na forma de se vestir, mas no "jogo de cintura" necessário — que a trama se aprofunda. Um de seus mentores acaba sendo Nigel (interpretado brilhantemente por Stanley Tucci), que lhe mostra como a vestimenta dita as regras em um ambiente onde a beleza é a moeda de troca.

Logicamente, este é um mundo onde, a qualquer momento, alguém pode lhe "puxar o tapete". É o caso de Emily (Emily Blunt), personagem que não esconde suas ambições e vê em Andrea um obstáculo inesperado. Emily Blunt obteve sua consagração na carreira ao interpretar uma mulher que transita entre o humor e o lado trágico de quem sucumbe à ideia de que, para ser alguém, é preciso driblar até mesmo os amigos e colegas.

Embora tenha chamado a atenção anteriormente em filmes como "O Diário da Princesa" (2001) e "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), foi em "O Diabo Veste Prada" que Anne Hathaway obteve o papel de sua vida, abrindo portas para grandes projetos futuros. Sua Andrea é uma personagem com quem nos identificamos facilmente: sua inocência pode ser um obstáculo, mas sua força de vontade em meio às adversidades a leva a cenários nunca antes vistos. O fato de ela não se deixar seduzir totalmente pelo poder talvez seja o principal motivo dessa identificação.

Mas, como não poderia deixar de ser, o filme pertence a Meryl Streep. Sua Miranda Priestly é a representação de uma líder que já não consegue enxergar as "pessoas normais", mas apenas aquelas que compreendem sua visão sobre o mundo da moda. Para ela, todas as suas assistentes são "Emilys" descartáveis, a menos que sucumbam à sua lógica de que o poder dita todas as regras.

É curioso observar como Streep constrói uma personagem não estereotipada, usando a arrogância para esconder uma faceta frágil. Talvez, no passado, Miranda não tenha sido tão diferente de Andrea, mas optou por se moldar ao sistema para sobreviver e dominar aqueles que queriam destruí-la. Sua humanidade existe, mas nem todos conseguem enxergá-la.

Com personagens tão ricos, o filme flui graças a uma edição dinâmica que combina com a correria do meio editorial. Além disso, a trilha sonora é marcante, incluindo sucessos como Crazy (Alanis Morissette), Vogue (Madonna) e Suddenly I See (KT Tunstall). Os figurinos, por sua vez, enchem os olhos e fazem o espectador se imaginar naquelas peças de alta-costura.

Com um orçamento de US$ 41 milhões, o filme faturou US$ 326 milhões mundialmente, recebendo o reconhecimento da crítica e diversas indicações a prêmios. É um caso raro de comédia refinada que não se entrega a fórmulas óbvias, arriscando-se em um cenário inédito para o gênero. Desde então, as bolsas Prada e o próprio filme passaram a sintetizar, com perfeição, o glamour superficial e o alto padrão da moda contemporânea.


Onde Assistir: Disney+

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Cine Dica: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Disque M para Matar" (02/05) na Cinemateca Capitólio

Neste sábado, dia 2 de maio, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Capitólio para assistir o clássico Disque M Para Matar, de Alfred Hitchcock.

Baseado em uma peça teatral de mesmo nome, o filme condensa sua ação em poucos espaços e personagens, seguindo a fórmula consolida pelo mestre do suspense: ao colocar o espectador a par do crime desde o início, Hitchcock desloca o nosso interesse para a execução minuciosa do plano e, sobretudo, para suas inevitáveis falhas, construindo um jogo de ironia e reviravoltas que nos mantém envolvidos na narrativa até o seu desfecho.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 02/05, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cinemateca Capitólio

Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre

Disque M para Matar (Dial M for Murder)

EUA, 1954, 105min

Direção: Alfred Hitchcock

Roteiro: Frederick Knott

Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, Anthony Dawson

Sinopse: Ao descobrir a traição da esposa, um ex-tenista elabora um plano meticuloso para assassiná-la e garantir sua herança. Quando o crime não ocorre como previsto, ele precisa improvisar uma nova estratégia, manipulando evidências e circunstâncias para incriminá-la.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 30 de abril a 6 de maio de 2026

A primeira cinesemana de maio reúne quatro novos filmes na nossa programação, incluindo três estreias brasileiras. Uma delas é A FÚRIA, o longa mais recente do veterano cineasta Ruy Guerra, que chega aos 95 anos em 2026; da seleção de Gramado do ano passado estreamos PAPAGAIOS, que rendeu ao talentoso Gero Camilo o Kikito de melhor ator; e O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA, mostrando o quanto a Covid-19 impactou uma das principais festas brasileiras. A quarta novidade é A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes.

O público lotou as sessões da primeira semana e segue pedindo para ver BETTY BLUE, drama erótico francês que voltou aos cinemas para comemorar seus 40 anos de lançamento. Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus, A CRONOLOGIA DA ÁGUA, com a atriz Imogen Poots dando vida às memórias da escritora Lidia Yuknavitch.

Esta é última semana para conferir CASO 137, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz, e CINCO TIPOS DE MEDO, o longa vencedor dos Kikitos de melhor filme e roteiro no Festival de Gramado de 2025.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – "Zico: O Samurai de Quintino"

Sinopse: Documentário que desvenda os primórdios da era de ouro de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.


Vivemos tempos em que o futebol brasileiro virou moeda de troca. Um jogador se destaca brevemente e logo é vendido para o exterior, pelo valor mais alto. O resultado é a escassez de atletas com amor à camisa; em campo, vemos "bonecos articulados" facilmente substituíveis, fazendo do esporte um grande negócio, e não mais uma paixão. A era de ouro parece ter ficado para trás, e as gerações mais novas talvez não compreendam esse sentimento, a menos que se dediquem a ler um bom livro de história esportiva ou a assistir a produções como esta.

Para quem se dispõe a ver documentários, surge ao menos uma noção de como eram esses tempos dourados. É inegável que Pelé permanece no topo, mas figuras como Zico garantiram seu lugar na história por meio de ações que definiram seu caráter. "Zico: O Samurai de Quintino" (2026) revela não apenas o craque, mas o homem que se tornou peça primordial para o esporte.

Sob a direção de João Wainer, acompanhamos a trajetória do maior ídolo da história do Flamengo, desde a infância no subúrbio carioca até sua ascensão como lenda global. O filme resgata a história de Arthur Antunes Coimbra com um acervo precioso: objetos históricos, vídeos em Super-8, imagens raras e entrevistas inéditas que fazem jus ao seu legado.

Lembro-me de, quando pequeno, assistir a uma notícia sobre um garoto acidentado que era fã do Galinho. Zico fez questão de ir ao hospital presenteá-lo com a mística camisa dez, transmitindo uma sensação de total humildade. Talvez essa mesma postura tenha sido o combustível para sua jornada no Japão, onde se tornou o símbolo máximo do futebol no "País do Sol Nascente". Em um cenário onde o beisebol reinava absoluto, Zico fez a diferença, cultivando no povo japonês uma paixão genuína pelo futebol.

O documentário destrincha com equilíbrio a vida pessoal e a profissional: os primeiros passos no Flamengo, a consagração na Seleção Brasileira, o casamento e a construção da família. Há momentos de puro deleite, como ver o Rei Pelé ao lado de Zico em registros de tempos longínquos. Wainer capricha ao trazer arquivos de jogos históricos, cujas imagens, saturadas pelo calor do Super-8, sintetizam uma estética nostálgica e vibrante.

Ao assistir ao longa, constato que vivemos um presente que pouco olha para o passado e raramente extrai dele o seu melhor. Zico representa um tipo de atleta em extinção, que se entregava à profissão por amor, e não pelas cifras futuras. No passado, havia jogadores de quilate; hoje, infelizmente, sobram aqueles que jogam pelo lance mais alto.

"Zico: O Samurai de Quintino" não é apenas sobre um grande jogador; é o retrato de uma época em que o futebol brasileiro era, verdadeiramente, a nossa principal paixão.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 30 DE ABRIL A 06 DE MAIO

 ESTREIAS:

O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França, Ficção, 2025, 212 min.

Direção:Pedro Pinho

Sinopse:Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.

Elenco: Sérgio Coragem | Sérgio ,Cleo Diára | Diára, Jonathan Guilherme | Gui ,Renato Sztutman | ele mesmo ,Jorge Biague | Borjan , Nástio Mosquito | Horatio ,Bruno Zhuody McCree Everton Dalman

MÃE E FILHO

Irã, Drama, 2025, 133min

Direção: SAEED ROUSTAEE

Sinopse: Mahnaz, uma enfermeira viúva de 40 anos, luta com seu filho rebelde, Aliyar, que foi suspenso da escola. As tensões familiares atingem o auge durante a cerimônia de noivado com seu novo namorado, Hamid, e um trágico acidente ocorre. Como consequência, Mahnaz será forçada a confrontar a traição e a perda, e a embarcar em uma busca por justiça.

Elenco: Parinaz Izadyar, Payman Maadi, Soha Niasti



HORÁRIOS SESSÕES DE 30 DE ABRIL A O6 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

16h: MÃE E FILHO

18h30: O RISO E A FACA

Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR 


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 28 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema e Fantaspoa - 'Sunshine Express'

 Nota: Filme exibido para os associados no último dia 26/04/26.

Sinopse: Um grupo de pessoas embarca em uma viagem encenada rumo a um destino mítico, assumindo papéis dentro de um jogo controlado por regras rígidas.

No início do ano, muitos brasileiros acompanham o Big Brother, um reality show onde pessoas são confinadas e eliminadas conforme a votação do público. Esse formato, por sua vez, já foi explorado pelo cinema de diversas formas — o recente "O Sobrevivente" (2025), por exemplo, é uma crítica ácida a uma sociedade que busca a celebridade instantânea a qualquer custo, mesmo o da própria vida. "Sunshine Express" (2025) surge como uma síntese desse mundo atual tomado por conflitos, mas cuja população é persuadida pela promessa de sucesso financeiro.

Dirigido por Amirali Navaee, o filme narra a jornada de um grupo em uma viagem encenada rumo a um destino mítico. À medida que a experiência avança, a dinâmica lúdica revela as tensões, frustrações e desejos dos envolvidos, transformando a jornada em um reflexo crítico de suas próprias limitações.

Navaee utiliza enquadramentos fechados para construir uma noção de claustrofobia. Já no plano de abertura, os protagonistas são apresentados em uma janela, recebendo seus papéis no jogo e embarcando em uma situação inusitada onde realidade e ficção se fundem. Conforme a trama evolui, notamos que os personagens se tornam cada vez mais isolados; o cenário do trem transita entre a fantasia e o real de forma a instigar diversas teorias no espectador.

Por isso, o filme exige atenção redobrada: em vários momentos, os protagonistas atuam conforme seus personagens, mas suas realidades pessoais se misturam de tal forma que a separação dos fatos torna-se inútil. O objetivo de cada um é o grande prêmio, mote que os faz adentrar nesse programa que se revela mais misterioso do que aparenta. O ato final entrega situações densas para análise.

Em tempos de guerra no Oriente Médio, Amirali Navaee nos conduz por um local desconhecido que serve como representação de um mundo hiperconectado, porém sem privacidade. É o retrato de pessoas que se entregam a redes sociais e programas que distraem as massas de forma viciante. Tudo funciona como um "circo" enquanto o mundo real pega fogo, restando ao indivíduo aceitar um jogo que pode lhe custar a vida. Ao meu ver, a realidade não está distante dessa ficção.

"Sunshine Express" é uma metáfora sobre como nos tornamos marionetes de falsas promessas enquanto o mundo explode para satisfazer a elite.

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