Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sinopse: Os heróis e policiais novatos Judy Hopps e Nick Wilde estão de volta para mais uma aventura extravagante pela grande metrópole animal de Zootopia.
BUGONIA
Sinopse: Dois homens obcecados por conspirações sequestram a CEO de uma grande empresa quando se convencem de que ela é uma alienígena que quer destruir a Terra.
MORRA, AMOR
Sinopse: Ambientado na zona rural dos Estados Unidos, o longa é o retrato de Grace (Jennifer Lawrence), uma jovem que luta para manter sua sanidade após se tornar mãe.
A cinesemana de 27 de novembro a 3 de dezembro marca a realização de mais uma edição do Festival de Cinema Francês (antigo Varilux), com a exibição de 20 filmes inéditos nas salas. Outra novidade é o longa GUARDE O CORAÇÃO NA PALMA DA MÃO E CAMINHE, em que a cineasta iraniana Sepideh Farsi documentou a guerra em Gaza a partir de videochamadas com a jornalista palestina Fatma Hassona. Também estreia nos cinemas o A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS, primeiro longa da diretora Rafaela Camelo e que conquistou Gramado com a história da amizade entre duas meninas de dez anos.
Esta será a última semana de exibição de FRANKENSTEIN, versão do mexicano Guillermo del Toro para o clássico de terror da literatura mundial, bem como JAY KELLY, novo longa do diretor Noah Baumbach.
Seguem em cartaz o “blockbuster” brasileiro O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, que já levou mais de 600 mil espectadores aos cinemas, e também o delicado CORAÇÕES JOVENS, um drama sobre a descoberta do amor na adolescência rodado entre Holanda e Bélgica.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicandoaqui.
Sinopse: Apocalipse nos Trópicos é um documentário brasileiro dirigido por Petra Costa sobre a influência do cristianismo evangélico na política do Brasil.
Petra Costa surpreendeu ao lançar "Democracia em Vertigem" (2020), documentário que procura buscar respostas sobre as motivações que levaram ao impeachment dá até então Presidente Dilma e do fortalecimento da Extrema Direita. Em meio a isso, houve um crescimento de discurso de ódio, tanto vindo de lideranças do até então deputado Jair Bolsonaro, como também um crescimento da religião evangélica inserida em território político. "Apocalipse nos Trópicos" (2025) revela que isso não aconteceu ao acaso, mas sim já estava sendo planejado há muito tempo.
No documentário, Petra Costa mergulha na interseção alarmante entre religião e política no Brasil. o longa revela como o movimento evangélico, com sua ideologia apocalíptica, desempenhou um papel crucial na ascensão de Jair Bolsonaro à presidência e levanta questões sobre a ameaça de uma teocracia nacional. Ao mesmo tempo revela um cenário assustador, levando o país para um cenário quase distópico.
Petra Costa procura não vilanizar a religião evangélica, mas sim destacar os seus líderes com interesses políticos e que anseiam pelo controle das instituições. Dentre eles se destaca o Pastor Silas Malafaia, cujo seus seguidores seguiram aumentando ao longo dos anos de forma vertiginosa e fazendo obter poder através de sua palavra. Por conta disso, é notório que tanto ele, como outros líderes dessa área, buscassem alguém que pudesse representar eles para alcançar o poder e Bolsonaro foi esse homem que eles usaram em potência máxima.
Petra Costa não se debruça em teorias da conspiração, mas sim indo em direção ao foco principal e, portanto, é sempre interessante ver as palavras de Malafaia e do próprio Bolsonaro sendo que ambos usaram a palavra de Deus para atrair não somente conservadores, como também jovens desinformados com relação aos verdadeiros fatos da história e assim podendo manipulá-los de modo fácil através de fake news a todo momento. O resultado parece até uma espécie de lavagem cerebral, principalmente onde vemos diversas pessoas orando nas ruas cegamente e mal se importando na possibilidade do nascimento de um governo ditatorial por meio da religião.
O resultado disso foi em crer em qualquer coisa em que o Presidente dizia, principalmente quando ele ignorou todos os alertas sobre os tempos da Pandemia e gerando milhares de mortes, tudo porque os seus seguidores seguiam com a sua desinformação e propagando ainda mais o aumento da doença. É quase como se estivéssemos vendo um filme de ficção cuja realidade era uma distopia, mas que era justamente a nosso mundo real de até alguns anos atrás e fazendo com que as cenas se tornem ainda mais assustadoras. Quem acompanhou de perto tudo isso sabe muito bem o resultado catastrófico e fazendo muitos de nós perderem os seus entes queridos.
O terceiro ato do documentário, portanto, sintetiza a negação, onde vemos seguidores que não aceitam em hipótese alguma o retorno do ex-presidente Lula ao poder. Após a sua última vitória nas eleições presidenciais o que vemos é um país cada vez mais dividido, onde Bolsonaro arquitetou um golpe de estado através dos seus asseclas e resultando nos ataques antidemocráticos no dia 08 de janeiro de 2023. O golpe, porém, falhou, mas revelou o quanto a democracia é frágil perante a persuasão através de determinados líderes e culminando em pessoas que não aceitam mais a verdade por ela não ser mais o suficiente para eles.
Curiosamente, é interessante observar que Petra Costa vai ainda mais a fundo com relação ao nascimento da evangelização, não somente no Brasil, como também nos EUA em tempos em que o governo tornava a palavra comunismo como algo a ser riscado do mapa e usando a religião como uma das principais armas. Ao final, constatamos que, seja religião evangélica ou qualquer outra, ela pode ser facilmente usada como peça primordial para fins políticos e como isso pode mudar o curso da história como um todo. Os livros de história estão aí para nos ensinar a não cometer os erros do passado, mas pelo visto o ser humano está sendo reduzido a seres não pensantes e que podem, infelizmente, serem controlados facilmente.
Apocalipse nos Trópicos é um retrato assustador de uma população sendo doutrinada pelas palavras de falsos profetas e que somente anseiam pelo poder e controle da massa.
De 26 a 30 de novembro, a Cinemateca Capitólio apresenta a Mostra Cinelimite. A programação apresenta 7 sessões gratuitas que destacam obras brasileiras recentemente recuperadas. Desde 2020, a empresa Cinelimite dedica seu trabalho a ampliar o cânone do cinema de repertório brasileiro, atuando nas áreas de preservação e distribuição para construir um acervo digital com mais de mil obras nacionais, muitas delas nunca antes digitalizadas. Agora, pela primeira vez, a Cinelimite traz uma seleção de suas mostras mais emblemáticas, além de novas surpresas, para o Rio Grande do Sul, em uma semana de sessões inéditas e descobertas renovadas sobre a rica e ainda em expansão história do nosso cinema.
De 02 a 07 de dezembro, na Cinemateca Capitólio, a mostra A Vingança dos Filmes B celebra a sua 12º edição com uma maratona de filmes imperdíveis para os fãs do cinema de gênero. Serão exibidos 31 filmes, entre curtas e longas-metragens, compondo um panorama que vai do horror à ficção científica, passando por obras experimentais até o cinema de ação.
No domingo, 30 de novembro, às 16h, a Cinemateca Capitólio apresenta uma sessão especial do documentário O Evangelho da Revolução, de François-Xavier Drouet. O diretor participa de um debate após a sessão.
Sinopse: Donghwa, um jovem poeta de Seul, leva sua namorada Junhee para a casa dos pais dela, nos arredores de Icheon. Maravilhado com a beleza da casa deles, aninhada em um jardim ondulado, ele conhece o pai de Junhee, que o convida a ficar.
Quem conhece Hong Sang-Soo já sabe o que encontrar nos seus filmes. O cineasta construiu uma filmografia extensa, onde os seus personagens se envolvem em situações distintas uma da outra, mas tendo em comum o fato deles adentrarem em diálogos curiosos em meio a comida, cigarros e bebidas. "O que A Natureza Te Conta" (2025) nos revela mais um capítulo dessa curiosa visão autoral do realizador, mas da qual sempre desejamos degustá-la.
Na trama, o poeta Donghwa (Seong-guk Ha) leva a sua namorada para a casa dos pais dela. Ao perceber que o namorado estava admirado com o tamanho do lugar e com a vasta natureza presente no quintal, Junhee (Yoon So-yi) resolve mostrar algumas partes do local para ele, porém em um dos cômodos eles se encontram com o pai dela. O senhor resolve convidar eles para passar uma tarde bebendo e jogando conversa fora. A bebida coloca diversas questões em risco durante os diálogos.
Hong Sang-Soo coloca esses personagens extraídos de suas zonas de conforto para adentrarem algo novo, seja através do cenário principal, ou através dos pensamentos distintos um do outro. Na medida em que a trama avança, conhecemos melhor o poeta Donghwa, do qual conheceu o mundo em que vive através do que leu, mas não tendo uma total plenitude do verdadeiro mundo real de sua volta. Uma vez sendo desafiado, mesmo que indiretamente através dos demais personagens, ele se vê um tanto que encurralado devido a certos dilemas que talvez ainda não tenha sabido encarar através do tempo.
Hong Sang-Soo procura descascar cada camada das personalidades de seus respectivos personagens através de diálogos bastante afiados, onde eles não cansam em nenhum momento, mas sim faz com que o filme ganhe força na medida em que o tempo vai passando. Além disso, é notório que o realizador procura destacar o cenário natural da trama, onde cada morro, árvore ou estátua acaba obtendo um significado especial para os personagens e ganhando certa relevância através deles. Dividido em diversos capítulos, cada um é uma espécie de metamorfose, tanto dos personagens, como também daquele cenário que ganha novas pinceladas de cores na medida em que o dia vai terminando.
Porém, o ápice do longa se encontra na sua reta final, onde todos os personagens centrais se encontram na mesa de jantar e aproveitando ao máximo a comida e bebida. Uma vez que quase todos se encontram mais do que satisfeitos é então que os sentimentos cada vez mais afloram, onde a incompreensão um do outro desencadeia até mesmo discussões que não imaginávamos que iria acontecer e gerando até mesmo alguns momentos de tensão. São momentos sem cortes, onde o realizador extrai ao máximo o talento de cada intérprete em cena.
No final das contas é um filme que fala o quanto somos ingênuos perante o mundo em que vivemos, onde nunca temos exatamente certeza de tudo, mesmo quando ainda batemos o pé com relação a isso. Uma vez marchando perante a verdade se tem então o estágio do amadurecimento e estando então pronto para nós enfrentarmos a novos obstáculos. O filme, portanto, cria uma análise não somente sobre os relacionamentos atuais, como também os desdobramentos quando não aceitamos as consequências dos nossos atos até certo ponto, mas que é preciso ser sentido.
"O que A Natureza Te Conta" é tudo aquilo que os fãs do realizador Hong Sang-Soo esperam, onde os personagens colocam os seus ânimos aflorados ao máximo e tudo através de diálogos e bebidas que acabam moldando os seus sentimentos.
O longa-metragem "A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS", de Rafaela Camelo, estreia no CineBancários em 27 de novembro. A obra já ganhou três importantes troféus no Festival de Gramado: Prêmio Especial do Júri, Melhor Atriz Coadjuvante (Aline Marta Maia) e Melhor Trilha Sonora (Alekos Vuskovic).
Aclamado em circuitos nacionais e internacionais, o filme passou pela Seção Generation Kplus do Festival de Berlim, em 2025 e já acumula importantes reconhecimentos: Melhor Roteiro no 9º Santander International Film Festival 2025 – Opera Prima Competition; Prêmio de Melhor Filme do Júri Infantil no 43º Festival Internacional de Cinema do Uruguai; Menção Especial do Júri na Competição Ibero-Americana do 51º Festival Internacional de Cinema de Seattle (SIFF) e o “Outstanding First Feature”, Prêmio do Júri no Frameline49 - Festival Internacional de Cinema LGBTQ+ de São Francisco.
Primeiro longa da diretora brasiliense, A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS é um coming of age sobre amizade, despedidas e descobertas. Durante as férias de verão, Glória e Sofia, duas meninas de dez anos, se encontram em um hospital e, unidas pelo desejo de sair dali, embarcam em uma jornada agridoce sobre vida e morte, enfrentando verdades que os adultos tentam suavizar.
Rafaela celebra a longa jornada desde Berlim: “É interessante perceber como o filme, mesmo com elementos muito brasileiros, se comunica com públicos tão diferentes. Falar sobre a morte a partir da beleza de estar vivo parece tocar profundamente as pessoas. É um filme conciliatório, que busca acolher o luto sem negar suas dores, e talvez por isso encontre tanta identificação onde quer que seja exibido. Mostrar o filme agora no Brasil, na Mostra de São Paulo e depois nos cinemas, é uma oportunidade de compartilhar essa história com o público para o qual ela, de alguma forma, sempre pertenceu”.
A cineasta explica que o filme nasceu de um questionamento que a acompanhava durante a infância: “Guardo uma lembrança muito nítida de, quando criança, sentir curiosidade sobre a morte e, ao mesmo tempo, me sentir estranha por ter esse interesse. Muitas perguntas passaram pela minha cabeça, perguntas que na época eu não tinha a liberdade de fazer”.
Essa curiosidade infantil sobre o desconhecido molda a trajetória das protagonistas e reflete na estrutura narrativa do filme, que se divide em duas partes: uma ambientada no hospital e outra em um refúgio no interior de Goiás. “É uma metáfora estrutural, como se, naquele ponto, o filme da forma que foi apresentado tivesse que morrer para outro se formar”.
A jornada de Sofia, é um dos fios condutores da narrativa. A trama aborda sua relação com a identidade de gênero de forma sutil, focando na sua jornada pessoal e na relação com a mãe. “O luto na trajetória da Sofia está ligado a uma despedida simbólica de uma identidade que não existe mais. Quis apresentar Sofia como qualquer outra criança — curiosa, esperta, cheia de desejos e medos — antes de qualquer rótulo”, conta Rafaela.
PROGRAMAÇÃO DE 27 DE NOVEMBRO A 03 DE DEZEMBRO
ESTREIA:
A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS
Brasil-Chile/Drama/2025/90 min.
Direção: Rafaela Camelo
Sinopse: Glória tem 10 anos e passa as férias no hospital onde sua mãe trabalha como enfermeira. Lá ela conhece Sofia, uma menina que está convencida de que a piora na saúde da bisavó é causada pela internação no hospital. Unidas pelo desejo de sair dali, as crianças encontram conforto na companhia uma da outra. Quando a partida se torna inevitável, as meninas e suas mães seguem para um refúgio no interior de Goiás para passar os últimos dias de um verão inesquecível.
Elenco: Laura Brandão, Serena, Larissa Mauro, Camila Márdila, Aline Marta Maia
EM CARTAZ:
O QUE A NATUREZA TE CONTA
Coréia do sul/ Drama/ 2025/108min
Direção: Hong Sang-soo.
Sinopse: Um jovem poeta deixa a namorada na casa dos pais dela e se surpreende com seu tamanho. Ele encontra o pai dela, conhece a mãe e a irmã dela e todas acabam passando um longo dia juntas; alimentadas por conversas, conversas, comida e bebidas.
Elenco: Ha Seongguk, Kwon Hae-hyo, Cho Yunhee
O AGENTE SECRETO
Brasil/França/Holanda/Alemanha /Drama/2024/ 158 min.Direção: Kleber Mendonça Filho
Sinopse: O longa é um thriller político, que acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e volta ao Recife em busca de paz, mas logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura.
Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Carlos Francisco, Hermila Guedes, Alice Carvalho, Roberto Diogenes
HORÁRIOS DE 27 DE NOVEMBRO A 3 DE DEZEMBRO
Não há sessões nas segundas
14h30 – O AGENTE SECRETO
17h30 – O QUE A NATUREZA TE CONTA
19h30 – A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo.
Na quinta-feira, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
Sinopse: Demonizada como a Bruxa Má do Oeste, Elphaba vive no exílio, enquanto Glinda reside na Cidade Esmeralda. Quando uma multidão furiosa se levanta contra a Bruxa Má, ela precisa se unir com Glinda para transformar a si mesma e todo o Oz, para o bem.
Quando eu saí da sessão de "Wicked: Parte 1" (2024) eu tinha certeza de que havia testemunhado um cinema puro e cujo espetáculo deve ser testemunhado por todos em uma sala escura. A passagem "Defying Gravity" que encerrou o filme com chave de ouro é aquele tipo de música que faz você cantarolar mesmo já tendo se passado várias horas após sessão. Portanto, "Wicked: Parte 2" (2025) pode não superar o filme anterior, mas encerra a trama com dignidade e respeitando aqueles que sempre apreciaram a peça teatral.
Dirigido novamente por Jon M. Chu, a trama começa exatamente onde o longa anterior havia se encerrado, onde vemos Elphaba e Glinda agora separadas e tendo que enfrentar as consequências de suas escolhas após saberem a verdade sobre o mágico Oz. Enquanto Elphaba segue sendo vista como a Bruxa Má do Oeste, Glinda vive as glórias de ter se tornado o símbolo da Bondade no reino e sendo amada pela população. O cenário toma novos rumos com a chegada de uma garota do Kansas e que pode gerar o ponto final da história.
Eu fui assistir ao filme com a expectativa equilibrada, já que achava difícil esse segundo filme superar os feitos do longa anterior. Verdade seja dita, ambos os filmes foram rodados ao mesmo tempo e podemos interpretá-los como uma única obra que havia sido dividida em duas partes para ser lançada no cinema. Creio eu que não foi uma forma de atrair maior bilheteria exatamente, mas sim para respeitar a essência original da história.
Neste caso, o filme possui quase as mesmas passagens da peça, sendo que respeita os fãs que estavam preocupados em termos de fidelidade. Neste último caso, pode-se dizer que o filme até mesmo exagera quando leva para as telas passagens da peça que fluem muito melhor lá, mas que aqui deveriam ter sido mais bem adaptadas para a linguagem cinematográfica. Senti isso principalmente na passagem logo após a chegada de Dorothy, onde a cena da desavença entre Elphaba e Glinda soa fiel por demais com relação a peça, mas que poderá agradar os fãs da obra.
Com relação a essa passagem é então que temos o cruzamento da trama principal com os eventos do clássico "O Mágico de Oz". Sou muito fã do longa de 1939 e confesso que as passagens em que mostram os personagens centrais daquela trama por uma outra perspectiva me pareceu insuficiente para que a pessoa possa entender o peso daqueles eventos, mesmo quando a origem e personalidade do Homem de Lata é o que é mais bem explorado. Pode ser fiel a peça, mas me pareceu tudo apressado por demais, mesmo com esse novo olhar que nos levanta outras questões sobre como nasce certas lendas que nós conhecíamos, mas que foram criadas para outros propósitos.
Como não poderia deixar de ser, Cynthia Erivo e Ariana Grande são a verdadeira alma e coração do longa como um todo, onde as suas personagens Elphaba e Glinda sempre foram os dois lados da mesma moeda, mas escolhendo caminhos diferentes através sobre o que acreditavam ao longo da vida. Glinda, por exemplo, sempre buscou a perfeição e o lado positivo da situação, quando na verdade a realidade é muito mais complexa do que é contada nos contos de fadas. Uma vez que ela compreende que toda essa perfeição tem um preço a se pagar é então que ela assume um novo patamar perante as mentiras que foram construídas no decorrer dos anos naquele mundo mágico.
Talvez essa seja a mensagem principal da história como um todo, onde o poder sempre busca a construção da imagem de um grande vilão para nublar os pensamentos da população, enquanto as verdadeiras engrenagens que moldam o nosso mundo são muito mais corruptas e questionáveis. Portanto, o grande vilão sempre foi o próprio Oz, ao vender uma mentira para a população, pois a sua real pessoa não seria o suficiente para obter a confiança de todos. Embora não sendo muito feliz nos números musicais, Jeff Goldblum cumpre o seu papel em uma atuação que sintetiza essa ideia sobre manipulação, mesmo quando nos passa essa sensação de que poderia ter sido explorado melhor.
Mas mesmo entre altos e baixos seria preciso ter coração de pedra para não se emocionar com o desfecho da trama, onde Elphaba e Glinda, enfim, abraçam os seus destinos que escolheram e tendo que se despedirem no momento mais emocional do longa como um todo. É uma pena, portanto, que esses momentos não possuem um número musical que tenha o mesmo peso do que foi sentido em "Defying Gravity", mas que ao mesmo tempo não tira o brilho da mensagem principal do longa. Em tempos atuais onde a sociedade cada vez mais se encontra divisível, a lição que o filme nos passa é que todos merecem um lugar ao sol, independente de suas diferenças e do modo de pensar com relação à vida.
"Wicked: Parte 2" pode até não superar as nossas expectativas, mas cumpre a sua missão de nos emocionar e fazer a gente desejar que haja mais filmes feitos de coração como esse para serem levados às telas do cinema.