Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sinopse: Uma bailarina busca vingança caçando os assassinos de sua família.
Oh, Canadá
Sinopse: Em Oh, Canadá, o documentarista norte-americano Leonard Fife (Richard Gere) vive com uma doença que pode tirar sua vida a qualquer momento. Nessa espécie de leito de morte, ele sente a força do tempo e de sua condição, resolvendo, então, contar sua história de vida sem filtros antes que seja tarde demais.
A cinesemana de 5 a 11 de junho oferece quatro novos títulos em nossa programação. Uma das estreias é TELEFÉRICO DO AMOR, produção da Alemanha e da Geórgia que apresenta uma história de amor sem diálogos. Já DAAAAAALÍ! aborda, com bom humor, a vida e a obra do artista surrealista Salvador Dalí. Outro destaque é a premiada animação MEMÓRIAS DE UM CARACOL, sobre um casal de gêmeos separados ainda na infância. Produção da Tunísia, A MULHER QUE NUNCA EXISTIU gira em torno de Aya, uma mulher que decide reescrever o seu futuro depois de sobreviver a um acidente.
Quatro longas com protagonismo feminino seguem em cartaz nesta semana. MANAS é um filme-denúncia construído a partir de relatos sobre as violências sofridas por meninas na região amazônica; RITAS celebra a trajetória de Rita Lee, uma das maiores artistas brasileiras; VIRGÍNIA E ADELAIDE mostra o encontro das duas mulheres pioneiras da psicanálise no Brasil; e o longa francês ENTRE DOIS MUNDOS é baseado no universo das profissionais da limpeza.
Em última semana de exibições, SANEAMENTO BÁSICO, O FILME, do cineasta gaúcho Jorge Furtado, ganha sessão dupla com o premiado ILHA DAS FLORES, ambos restaurados em 4K. Também chegam ao fim as temporadas de A HISTÓRIA DE SOULEYMANE, sobre a questão dos imigrantes na França, e CRIATURAS DA MENTE, em que o diretor Marcelo Gomes investiga o universo dos sonhos.
Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.
Sinopse: O último longa documental da cantora Rita Lee, falecida em maio de 2023.
Assim como outros ícones da música brasileira eu conheci Rita Lee nos tempos em que eu era um menino e ouvia bastante rádio. Hoje adulto percebo o quanto de suas músicas, não só falavam sobre a sua pessoa, como também de muitos brasileiros que desejavam serem o que bem entendem. "Ritas" (2025) é um documentário pessoal sobre essa artista, onde a própria se coloca à frente da câmera e revela a sua real faceta e o melhor de sua carreira.
Dirigido por Oswaldo Santana e Karen Harley, o documentário retrata o inédito arquivo pessoal da trajetória vivida pela rainha do rock brasileiro, Rita Lee. Dando aos fãs a chance de mergulhar na intimidade dela, o longa além de mostrar as referências intelectuais usadas no processo criativo do vasto repertório musical apresentado por ela em sua carreira, também traz depoimentos recentes. Narrado pela própria Rita Lee através de relatos concedidos em entrevistas ao longo de sua carreira, a musa mostra aspectos da sua vida jamais mostrados ao público.
Falecida em 2023, Rita Lee deixou um legado dentro da cultura brasileira, onde não se intimidou com o preconceito e com a censura e seguiu firme com as suas palavras e letras musicais que escandalizaram os mais conservadores da época. O grande charme do longa é vermos a própria nos seus últimos anos de vida registrando o seu dia a dia em sua casa, onde convive com a sua cultura, escrita e alimentando os seus gatos de estimação. Ao mesmo tempo ela revela fotos das suas raízes, assim como a sua família e revelando o fato de que foi realmente a ovelha negra da família.
Não é à toa, portanto, que a sua música "Ovelha Negra" é o que melhor sintetiza a sua pessoa e sem sombra de dúvida uma das minhas favoritas. Em termos técnicos, os cineastas optaram em incrementar efeitos visuais que nos lembram os tempos coloridos dos anos sessenta e setenta em que a cantora obteve o estrelato e revelando assim um ar psicodélico. Ao mesmo tempo, o longa não esconde o quanto ela foi perseguida pela censura, assim como os demais cantores da época que faziam a diferença.
Falando neles, é sempre bom rever ilustres na tela como, por exemplo, Caetano Veloso e Elis Regina, dos quais Rita Lee os admirava e fazia questão de cantar ao lado deles sempre quando podia. Começando pelo grupo "Os Mutantes" e fazendo parte do período do movimento Tropicália, Rita Lee fez a sua parte na história musical brasileira, onde não se intimidou perante aos conservadores e que faziam questão de rotular da pior forma possível. No final ela fez o que achava o mais correto a fazer, ser ela mesma e que o resto que a menosprezava fossem varridos no seu devido tempo.
"Ritas" é uma carta de amor e de despedida para todos os fãs de Rita Lee e para aqueles que apreciam música de qualidade brasileira.
Na sexta-feira, 6 de junho, às 19h30, uma edição especial do Projeto Raros apresenta Vida em Sombras (1949), marco obscuro do cinema espanhol dirigido por Lorenzo Llobet Gracia, banido durante a Ditadura Franquista, em cópia recuperada pela Cinemateca da Catalunha. Com apoio do Instituto Cervantes de Porto Alegre, a sessão marca o encerramento da mostra O Cinema Vai ao Cinema. Entrada franca.
A Sessão Vagalume de junho contará com o apoio especial da Aliança Francesa Porto Alegre, que comemora 80 anos em 2025. Nesta edição, acompanhe uma jornada com o encontro entre culturas diferentes, explorando o medo do desconhecido e a busca por compreensão, com a exibição de A Viagem do Príncipe, dirigido por Jean-François Laguionie e Xavier Picard, nos dias 07 e 08 de junho, às 15h.
A Cinemateca Capitólio apresenta novas estreias na semana! A Procura de Martina, de Márcia Faria, será exibido a partir do dia 05 de junho, e Caiam as Rosas Brancas!, de Albertina Carri, será exibido a partir do dia 06. O valor do ingresso é R$ 16,00.
Na quarta-feira, 11 de junho, às 19h30, a diretora Ana Luiza Azevedo participa de uma sessão especial do curta-metragem 3 Minutos, na Cinemateca Capitólio, para rememorar os 25 anos de sua exibição no Festival de Cannes. Completam a sessão Meow!, de Marcos Magalhães, e um curta surpresa, obras também exibidas no festival francês. Entrada franca.
Sinopse: Martina é uma viúva argentina que procura há mais de 30 anos pelo neto, nascido em cativeiro durante a ditadura militar.
Os defensores dos tempos da ditadura, seja no Brasil ou na Argentina, sempre desejam que as pessoas de hoje não ouçam ou leiam nada sobre os tempos de chumbo e propagando a teoria que nem sequer havia existido. Porém, enquanto houver pessoas que lutam para que o passado não seja esquecido, as lembranças sempre servirão para que os erros cometidos não se repitam em nosso presente ou futuro indefinido. "A Procura de Martina" (2025) fala sobre feridas nunca cicatrizadas, além de lembranças que não devem ser esquecidas mesmo quando a própria vida lhe prega uma peça.
Dirigido por Marcia Faria, essa co-produção entre Argentina e Brasil conta a história Martina (Mercedes Morán), que aos setenta e cinco anos é diagnosticada com Alzheimer e que recebe um telefonema que pode desvendar o mistério sobre o paradeiro do seu neto que procura a mais de trinta anos. No passado ela havia procurado pela sua filha, que havia sido sequestrada pelos soldados da Ditadura Argentina enquanto estava grávida e tendo dado à luz durante a sua prisão. O bebê foi levado para o Rio e Martina, uma vez sabendo disso, adentra em uma cruzada antes que esqueça de sua própria história.
Tanto a Argentina como o Brasil possuem um passado em comum rodeado de mortes e desaparecidos na época dos tempos de chumbo. Portanto, o filme é perfeito na questão de mostrarmos essa transição de cenário em que a protagonista acaba adentrando, pois as regiões são diferentes, mas os martírios acabaram se tornando os mesmos ao longo da história. Mesmo com a sua doença, Martina mergulha nesta busca, mas mal sabendo que o lado sombrio do ser humano prossegue mesmo com o término dos tempos ditatoriais.
A veterana Mercedes Morán dá um show de interpretação ao interpretar uma mulher que luta para não se esquecer do seu passado e para que assim possa resgatar o seu neto. Por conta disso, a realizadora Marcia Faria faz com que a nossa atenção se torne redobrada, pois o passado e o presente transitam sem prévio aviso, pois o que assistimos nada mais é do que a perspectiva da protagonista em sua jornada física e mental ao longo do percurso. Uma vez que ela se encontra no Rio, ela começa a lutar pelo que acredita, mesmo quando as pessoas que lhe atendem não compreendem em um primeiro momento porque ela se encontra ali.
Vale destacar as atuações das brasileiras Stella Rabelo e Luciana Paes, sendo que a última adentra nesta jornada da protagonista, porém, de uma forma indireta e elevando a sua personagem com relação às suas ações de samaritana. O ato final, por sua vez, faz com que ela, Martina, além de suas velhas amigas, adentre a um cenário familiar corriqueiro dos tempos ditatoriais, mas que, infelizmente, se encontram em nosso presente. É então que o brilhantismo da direção de Marcia Faria fala mais alto e culminando em um final que nos faz pensar por muito tempo.
Ao final, o filme nos fala na luta em mantermos as lembranças, mesmo quando outros ou a própria vida tentam nos tirar conforme o tempo passa. Ao mesmo tempo, é um longa que nos fala em nunca desistirmos mesmo quando há aqueles que anseiam por isso, pois tudo o que eles desejam é somente o nosso próprio silêncio. A luta sempre será árdua, porém, recompensadora.
"A Procura de Martina" é sobre a busca pelo passado e a luta em manter as lembranças enquanto outros buscam "Obscurece-la como um todo.
Sinopse: Lampião, Governador do Sertão" traça a trajetória de Virgulino Ferreira da Silva, o lendário Lampião, desvendando os caminhos entre o homem, o mito e as controvérsias que o envolvem. O filme contrapõe a imagem do temido líder cangaceiro à força simbólica e cultural que seu nome carrega até os dias de hoje. Ao mergulhar na complexidade de sua figura, a obra revela como Lampião transcendeu a história para se tornar um ícone duradouro da identidade nordestina.
EMPATE
Direção: Sérgio de carvalho
Brasil/Documentário/2018/ 90 min.
Sinopse: Empate é um documentário que dá voz aos protagonistas do movimento seringueiro das décadas de 70 e 80, no Estado do Acre, refletindo como este momento histórico ecoa ainda hoje na Amazônia e no resto do mundo.
EM CARTAZ:
RITAS
Brasil/ Documentário/ 2025/ 83min
Direção: Oswaldo Santana
Sinopse: O documentário Ritas retrata o inédito arquivo pessoal da trajetória vivida pela rainha do rock brasileiro, Rita Lee. Dando aos fãs a oportunidade de mergulhar na intimidade dela, o longa além de mostrar as referências intelectuais usadas no processo criativo do vasto repertório musical apresentado por ela em sua carreira, também traz depoimentos recentes. Narrado pela própria Rita Lee através de relatos concedidos em entrevistas ao longo de sua carreira, a musa mostra aspectos da sua vida jamais mostrados ao público. Em uma grande homenagem e lotado de carisma, o filme busca relembrar a importância do feminismo no rock’n’roll nacional e a importância da cantora nessa vitória contínua.
HORÁRIOS DE 05 a 11 DE JUNHO(não há sessões nas segundas-feiras):
15h: RITAS
17h: LAMPIÃO – O GOVERNADOR DO SERTÃO
19h: EMPATE
Dia 06 de junho ás 19h, haverá um debate após a sessão, com entrada franca, integrando a Semana do Meio Ambiente.
Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.
Nota: Filme exibido para os associados no dia 01/06/25.
Sinopse: Em uma balsa que os leva de volta a Oslo, Marianne, uma médica, encontra Tor, enfermeiro no hospital onde ela trabalha. Ele conta a ela que frequentemente passa suas noites a bordo, em busca de aventuras sem compromisso.
Dag Johan Haugerud já pode ser apontado como uma das melhores revelações do ano em termos de um cinema autoral que tem muito a dizer. Em "Sex" (2025), por exemplo, o realizador explora o quanto é difícil para as pessoas falarem abertamente com relação ao sexo, principalmente quando eles se veem envolvidos no relacionamento tradicional e do qual a sociedade mais conservadora cobra por isso. Em “Love” (2025), por sua vez, vemos o outro lado dessa moeda, onde personagens resolvidos com relação aos relacionamentos atuais começam a explorar qual é o significado de realmente amar.
Na trama, conhecemos Marianne, uma médica pragmática, e Tor, um enfermeiro compassivo, ambos com aversão a relacionamentos convencionais. Após um encontro casual em uma balsa, onde Tor costuma buscar encontros com homens, os dois iniciam uma conversa que desafia suas visões sobre o amor e a intimidade. Intrigada pelas experiências e visões de Tor sobre conexões espontâneas, Marianne começa a questionar as normas sociais e se abre para novas possibilidades de relacionamento, mesmo que inicialmente se torne um tanto difícil.
O filme é uma espécie de segunda parte da trilogia comandada por Dag Johan Haugerud iniciada por “Sex” e da qual fala sobre os relacionamentos contemporâneos e como eles são extremamente complexos. Se no filme anterior se explorava o quanto era difícil discutir sobre sexo com alguém muito próximo, aqui vemos personagens bem resolvidos com essa questão e tocando a vida de forma normal. Porém, na medida em que a trama avança, se percebe que a dupla central deixa uma brecha aberta com relação aos sentimentos e fazendo com que personagens ao seu redor adentrem mesmo de forma indireta.
Marianne, por exemplo, enxerga o casamento como um sistema fracasso e cujo sexo é algo para se colocar em prática de forma corriqueira para dizer o mínimo. Porém, nota se em seu olhar, sempre uma curiosidade com relação a vida convencional sobre um relacionamento estável, mas não se desprendendo facilmente do que realmente sempre sentiu até esse ponto. Andrea Bræin Hovig cria para si uma personagem complexa, da qual não anseia provocar uma dor sentimental com relação ao seu próximo, mas correndo o sério risco de não ser compreendida pelo que sempre pregou sobre relacionamentos.
Tor, por sua vez, beira a maior complexidade do que a sua própria amiga e colega de serviço, já que ele sempre busca por novos parceiros para satisfazer os seus desejos. Porém, uma vez que conhece o Bjørn, nota-se que Tor baixa aguarda uma vez que a sensibilidade que ele usa para cuidar dos pacientes no hospital acaba usando para se aproximar de Bjørn, principalmente quando esse último demonstra ter problemas de saúde. Tayo Cittadella Jacobsen cria para o seu personagem Tor uma figura que nos diz como a realidade funciona, mas não escondendo em seu olhar certa inocência.
Em meio a tudo isso, Dag Johan Haugerud novamente acrescenta o mesmo o que ele havia realizado no filme anterior, ao fazer um enquadramento em seus respectivos personagens para que entrássemos cada vez mais em seus diálogos. Esses, por sua vez, se tornam o coração pulsante como um todo, mesmo não sendo tão criativos com aqueles que haviam sido apreciados no filme anterior. O sexo, por sua vez, tem um maior destaque em algumas passagens na trama, mas novamente o realizador opta por algo mais sugestivo do que meramente explicito.
Ao final, o filme é sobre pessoas que construíram as suas vidas de acordo com a música que tocava em tempos em que cada vez mais a sociedade se encontra no piloto automático e se entregando ao amor carnal de modo fácil. Porém, uma vez que se dá uma chance para consigo mesmo, talvez nunca seja por demais abraçar ao que antigamente era mais pregado pelo lado tradicional, mesmo não abandonando o seu verdadeiro eu interior. As pessoas não mudam, mas não significa experimentar algo que sempre foi descrente sobre o assunto.
"Love" é o capítulo do meio da trilogia pessoal de Dag Johan Haugerud e que novamente surpreende pelos seus personagens e diálogos incomuns.