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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: 'A Última Floresta'

Sinopse: Em uma tribo Yanomami isolada na Amazônia, o xamã Davi Kopenawa Yanomami tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições, enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade.

Nos últimos tempos o cinema documentário brasileiro tem transitado entre a ficção e a verdade, sendo que ambas as partes unidas se cria um filme denúncia sobre o que realmente ocorre nas nossas terras brasileiras. "Branco Sai, Preto Fica" (2015), por exemplo, é uma ficção que transita com um teor quase documental e fala sobre o preconceito racial que ainda hoje continua encravado no Brasil. "A Última Floresta" (2021) vai ainda mais além, onde a ficção se torna apenas uma camada fina e dando lugar a verdade sobre o que esse desgoverno atual faz contra o povo indígena.

Dirigido por Luiz Bolognesi, o mesmo de “Uma História de Amor e Fúria “(2013), o documentário fala sobre o fato de garimpeiros que voltaram a penetrar de modo massivo e agressivo nas florestas do Brasil desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, em 2019. Essa movimentação alterou drasticamente o ambiente de vida dos Yanomami na região da fronteira entre o Brasil e a Venezuela. Os invasores envenenam a água com mercúrio e trazem consigo vírus mortais, tais como o da Covid-19, para comunidades indígenas até então isoladas e protegidas.

Luiz Bolognesi procura jamais interferir nas ações do povo Yanomami em cena. Ao invés disso, a sua câmera se torna o nosso olhar que somente observa as ações desses personagens, desde ao fato deles saírem para caçarem, como também no seu dia a dia em sua aldeia. Se tem, portanto, uma visão particular desse povo, do qual se sustenta com que a natureza dá, além de manter as suas velhas tradições vindas de suas crenças de vários séculos atrás.

O documentário cria um clima de ficção no momento em que os personagens centrais transitam entre a verossimilhança com situações que beiram ao universo do sonhar, como se lá houvesse um lugar em que esse povo pudesse escapar para buscar ensinamentos e assim enfrentar o dia a dia do seu habitat natural. Porém, a realidade se sobressai com a presença do índio Davi Kopenawa Yanomami que é escritor, xamã e líder político yanomami. Atualmente, é presidente da Hutukara Associação Yanomami, uma entidade indígena de ajuda mútua e etnodesenvolvimento.

Sua figura se torna a voz da razão daquele povo que se sente seduzido pelas riquezas vindas do homem branco. O seu personagem em si dentro do documentário fala de alguém que conheceu de perto essa realidade da civilização, mas optou por retornar para as suas raízes, pois a civilização já se encontra a muito tempo doente. Aliás, ele é um que viu de perto o massacre que o seu povo sofreu no passado e que acredita que novas quedas ele sofrerá se caso algo não seja feito.

Talvez o ápice do filme se encontra realmente nas cenas em que o diretor usa a sua câmera para testemunhar a cultura Yanomami em sua essência. Na reta final, por exemplo, vemos esses homens e mulheres se entregarem aos seus cachimbos, chás, ervas medicinais e adentrando em uma realidade que o olhar comum vindo da civilização não consegue enxergar. Para se ver é preciso sentir e o documentário nos entrega isso mesmo que em poucos minutos.

Com créditos finais que nos dão um tapa na cara sobre a terrível realidade em que vive atualmente o povo Yanomami, "A Última Floresta" é um filme denúncia contra esse desgoverno atual, que trata os verdadeiros donos dessa terra com arrogância e violência e que cabe nós termos a consciência desse genocídio que ocorre bem diante dos nossos olhos. 



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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (09/09/21)

 Maligno

Sinopse: Em Maligno, Madison (Annabelle Wallis) passa a ter sonhos aterrorizantes de pessoas sendo brutalmente assassinadas. Ela acaba descobrindo que, na verdade, são visões dos crimes enquanto acontecem. Aos poucos, ela percebe que esses assassinatos estão conectados a uma entidade do seu passado chamada Gabriel. Para impedir a criatura, Madison precisará investigar de onde ela surgiu e enfrentar seus traumas de infância.


Parque Oeste

Sinopse: Depois de ser vítima de uma violenta desocupação ocorrida no bairro Parque Oeste, em Goiânia, uma mulher reconstrói sua vida tendo como norte a luta por moradia.

Cidadãos do Mundo

Sinopse: Nunca é tarde para mudar sua vida. Dois aposentados, o Professor, que ensinou latim toda a sua vida, e Giorgetto, um morador de Roma que recebe uma pensão de pobreza, dizem a si mesmos que em outro lugar, em outro país, a grama será mais verde e seu poder de compra mais substancial. A eles se juntam em seu projeto de partida Attilio, boêmio, vendedor de antiguidades e fofoqueiro. Mudar para onde? Esta é a primeira pergunta, e talvez já seja demais. De alguma forma, o trio está organizado. Você tem que dizer adeus, retirar suas economias, etc. Mas a parte mais difícil em ir embora ainda é partir.


Patrulha Canina: O Filme


Sinopse: Patrulha Canina: O Filme é uma produção Nickelodeon e a Spin Master em parceria com a Paramount Pictures. O longa acompanha um grupo de cães falantes que utilizam equipamentos especializados para investigar e resolver crimes, evitando desastres na pequena cidade onde moram.


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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO DE 9 A 15 DE SETEMBRO DE 2021 na Cinemateca Paulo Amorim.

 SEGUNDAS-FEIRAS NÃO HÁ SESSÕES

 POR QUE VOCÊ NÃO CHORA? 


SALA 1 / PAULO AMORIM


15h30 – BAGDÁ VIVE EM MIM Assista o trailer aqui.

(Baghdad in My Shadow – Suíça/Alemanha/Reino Unido, 2019, 105 min). Direção de Samir, com Haytham Abdulrazaq, Zahraa Ghandour, Waseem Abbas. Arteplex Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: O café Abu Nawas é um ponto de encontro popular entre os iraquianos que vivem em Londres. É por lá que se cruzam histórias de vida como a de Taufiq, um escritor fracassado; de Amal, uma arquiteta que se esconde do marido violento; e do jovem gay Muhannad, especialista em tecnologia. Mas Taufiq acompanha com preocupação a trajetória de seu sobrinho Nasseer, que acaba de aderir ao islamismo radical.


17h30 – EMA Assista o trailer aqui.

(Chile, 2021, 105min). Direção de Pablo Larraín, com Gael García Bernal e Mariana DiGirolamo. Imovision, 14 anos. Drama

Sinopse: Ema e Gastón forma um belo casal, moderno e dedicado à dança. Mas, entre quatro paredes, sofrem por conta de uma adoção que não deu certo e também por causa do comportamento nada convencional de Ema. Entre números de danças e muitos questionamentos, a mulher embarca em uma odisseia de libertação, autoconhecimento e desejo – e faz tudo o que estiver ao seu alcance para ser mãe novamente.


* Na terça, dia 14, às 17h30min, exibição do filme “No Tempo das Diligências” (1939), de John Ford, dentro do ciclo “Clássicos na Cinemateca – 35 anos”. Assista o trailer aqui.


SALA 2 / EDUARDO HIRTZ


14h30 – KING KONG EN ASSUNCIÓN Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2020, 90min). Direção de Camilo Cavalcante, com Andrade Junior, Ana Ivanova. ArtHouse Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Um velho matador de aluguel está escondido no interior da Bolívia, na região desértica do Salar de Uyuni. Ele acaba de cumprir sua última missão e tem um sonho: ir ao Paraguai para encontrar sua única filha, que ele não conhece. Nesta longa jornada em busca do paradeiro dela, que já é uma mulher de 38 anos, ele reflete sobre a sua vida e o que restou após passar tantos anos se escondendo e matando gente. O filme foi o vencedor do Festival de Cinema de Gramado em 2020, levando os Kikitos de melhor filme e ator póstumo para Andrade Júnior (1945 – 2019).


16h30 – POR QUE VOCÊ NÃO CHORA? *ESTREIA* Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2021, 105min) Direção de Cibele Amaral, com Bárbara Paz, Carolina Monte Rosa e Cristiana Oliveira. O2 Play, 14 anos. Drama.

Sinopse: Jéssica é uma jovem introspectiva que cursa a faculdade de Psicologia. Um dos estágios obrigatórios do curso a aproxima da explosiva e falante Bárbara, que sofre do transtorno de borderline e precisa de psicoterapia. A convivência entre estas duas mulheres de origens e comportamentos tão distintos faz com que ambas questionem suas vidas e seus princípios, procurando mudar perspectivas. Baseado na experiência da própria diretora, que também é psicóloga, o filme tem como pano de fundo a discussão sobre o suicídio - e se integra agora às campanhas do Setembro Amarelo. O filme competiu na mostra de longas brasileiros do Festival de Gramado 2020.


18h30 – HOMEM ONÇA Assista o trailer aqui.

(Brasil, 2021, 90min). Direção de Vinicius Reis, com Chico Diaz, Emilio de Mello, Bianca Byington. Pandora Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: O roteiro acompanha dois momentos da vida de Pedro. No primeiro, em 1997, ele vive com a família no Rio de Janeiro e trabalha na Gás do Brasil, uma empresa que está passando por um duro processo de reestruturação, com demissões e aposentadorias antecipadas. No segundo momento, em 1999, Pedro vive aposentado em Barbosa, sua cidade natal, na companhia da namorada e das memórias de infância. O filme foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Gramado 2021, ficando com o Kikito de atriz coadjuvante para Bianca Byington.


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS). SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS).

CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES. 

Professores tem direito a meia-entrada mediante apresentação de identificação profissional. Estudantes devem apresentar carteira de identidade estudantil. Outros casos: conforme Lei Federal nº 12.933/2013. Brigadianos e Policiais Civis Estaduais tem direito a entrada franca mediante apresentação de carteirinha de identificação profissional.

*Quantidades estão limitadas à disponibilidade de vagas na sala.

A meia-entrada não é válida em festivais, mostras e projetos que tenham ingresso promocional. Os descontos não são cumulativos. Tenha vantagens nos preços dos ingressos ao se tornar sócio da Cinemateca Paulo Amorim. Entre em contato por este e-mail ou pelos telefones: (51) 3136-5233, (51) 3226-5787.


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Blog: https://cinematecapauloamorim.wordpress.com/

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: ‘Um Animal Amarelo’

Sinopse: Fernando, um cineasta falido, mergulha em uma jornada entre Brasil, Portugal e Moçambique em busca de pistas sobre o passado violento de seu avô. 

O Brasil não era um país desabitado quando foi descoberto, mas sim ele foi invadido por Portugueses que, por sua vez, roubaram a terra dos índios e sendo que esses últimos foram mortos, escravizados ou se refugiando no coração da floresta. Após isso, os poderosos começaram a invadir o continente africano, para escravizar o povo negro e traze-lo para cá como gado e servir ao homem branco. Terras invadidas e raízes misturadas, pois não temos um sangue do qual podemos dizer que é brasileiro, mas sim misturado, um cruzamento de ancestrais estrangeiros que buscavam, infelizmente, poder em outros países, nem que para isso tivesse que matar em busca de sua riqueza e glória.

Devido a essa ambição que perdura até bem recentemente, o Brasil de hoje vive em transe continuo desde o segundo golpe (político dessa vez) ocorrido em 2016, sendo que golpe após golpe perdemos cada vez mais a nossa identidade e fazendo com que não mais saibamos para onde ir. Por conta desse cenário, viver através da cultura neste país atual é o mesmo que pedir esmolas, pois vivemos em terra em que o cinema, por exemplo, está definhando e fazendo com que os realizadores reflitam em que pé estarão amanhã ou no mês próximo. "Um Animal Amarelo" (2021) retrata o indivíduo brasileiro perdendo a sua identidade ao abraçar o que os nossos antepassados faziam e se colocando em um retrocesso continuo.

Dirigido por Felipe Bragança, o filme conta a história de Fernando (Higor Campagnaro), um cineasta brasileiro que está falido. Ele cresceu assombrado pelas lembranças de seu avô e também sempre foi assombrado por um espírito moçambicano que prometia grandes riquezas. Perseguido pelo estado político e cultural do Brasil, Fernando vai a fundo em sua jornada de aventuras e milagres para descobrir seu passado.

Dividido em atos, o filme pode ser interpretado como uma metáfora sobre o Brasil de ontem e hoje, onde individuo brasileiro em busca de riquezas se perdia em sua própria busca e se vendendo em nome de um sistema que diz que não há vida bem sucedida se não se tornar um homem de seu próprio negócio. Por conta disso ficamos conhecendo o avô do protagonista no início da projeção, assim como um misterioso osso que ele vive carregando e de uma presença misteriosa que seria essa o monstro amarelo. A figura em si pode ser interpretada de diversas formas, sendo ela uma figura folclórica, ou uma entidade que faz com que os personagens centrais se lembrem do que tiraram dela.

O filme é cheio de simbolismo, sendo que os navios encalhados em uma praia distante simbolizam a vinda do homem branco a terras desconhecidas, para sim adquirir riquezas e escravizar aqueles que achavam inferiores e descartáveis. Curiosamente, Fernando sai de um Brasil à beira de mudanças após o golpe de 2016, sendo que no passado foi um país invadido, redemocratizado e voltando, portanto, à estaca zero. Ao tentar conseguir a sorte em terras estrangeiras, indo direção as suas raízes portuguesas, constatamos uma similaridade vista no filme "Terra Estrangeira" (1995), de Walter Salles, sendo que ambos os filmes falam sobre a incerteza e do desejo de viver de uma riqueza e glória, mas que se encontra muito mais distante do que se imagina.

Nos últimos capítulos da trama se constata também que a imprevisibilidade é o que domina o protagonista, ao ponto de se encontrar em um beco sem saída e sendo obrigado a rever o que havia ficado de lado em um passado que havia abandonado. O ato final é simbólico, ao vermos Fernando retornando ao Brasil forçadamente e cujo o discurso conservador e hipócrita do novo Presidente do Brasil ecoa ao fundo e tornando tudo muito mais sombrio do que imaginamos. Ao menos ele retorna ao fazer o seu filme, mesmo em um país que se encontra ainda em transe e não valorizando o seu patrimônio cultural e do qual o mesmo é jogado a própria sorte.

"Um Animal Amarelo" confronta de frente com o Brasil de hoje, que não consegue ser uma nação independente e ficando em transe diante da destruição de tudo que nos pertence.

Nota: O filme também se encontra em locação pelo Youtube. 

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terça-feira, 7 de setembro de 2021

NOTA: Brasileiros ouçam Charles Chaplin neste 07 de Setembro

“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!.”

Charles Chaplin no discurso final no clássico "Grande Ditador" (1940). 


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Luto: Jean-Paul Belmondo (1933 - 2021)

Morreu na última segunda-feira (06/09) o ator Jean-Paul Belmondo, aos 88 anos. Astro do cinema francês e um dos maiores representantes da Nouvelle Vague, Bébel, como era conhecido entre amigos e fãs, infelizmente teve seu falecimento anunciado por seu advogado, Michel Godest. "Ele estava cansado há algum tempo. Morreu em paz", disse o profissional à AFP. A causa da morte não foi divulgada.
Belmondo tinha apenas 26 anos quando participou do filme que mudaria a sua vida e o próprio cinema francês: Acossado, dirigido pelo também iniciante Jean-Luc Godard. No filme, ele interpreta Michel Poiccard, um ladrão que, após roubar um carro em Marselha, foge para Paris e acaba matando um policial no caminho. Na capital, ele se relaciona com Patricia Franchini (Jean Seberg), uma jovem americana que passa a escondê-lo em seu apartamento.
Godard, que na época era crítico da revista Cahiers du Cinéma, filmou Belmondo sem um roteiro definido, com baixo orçamento e carregando sua câmera pelas ruas de Paris. Com uma atuação improvisada, Bébel construiu um dos anti-heróis mais famosos da história da sétima arte – e foi o grande responsável pelo sucesso da obra, que se tornou uma das pioneiras da Nouvelle Vague.

Filmografia: 
2016 Viagem Através do Cinema Francês
2009 De um Filme ao Outro
2008 Un Homme et Son Chien
1999 Além do Meu Futuro
1995 As Cento e Uma Noites
1974 Stavisky ou o Império de Alexandre
1972 Armadilha para um Lobo
1971 Os Ladrões
1969 A Sereia do Mississipi
1967 Cassino Royale
1967 O Ladrão Aventureiro
1966 Paris Está em Chamas?
1965 O Demônio das Onze Horas
1964 Gloriosa Retirada
1964 O Homem do Rio
1964 Ouro, Brilhantes e Morte
1963 Dragées au poivre
1963 Peau de banane
1963 Um Homem de Confiança
1962 Técnica de um Delator
1961 Léon Morin - O Padre
1961 Uma Mulher é uma Mulher
1960 Acossado
1960 Como Fera Encurralada
1960 Duas Almas em Suplício
1960 Michele Di Libero
1959 Quem Matou Leda?
1957 Basta Ser Bonita


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Cine Dica: Repensando o Filme Noir

 FILME NOIR

Gênero ou estilo?


Herdeiro do expressionismo alemão, do romance policial hard-boiled e do filme de gângster, o filme noir hollywoodiano teve seu ciclo histórico entre o início dos anos 1940 e o final dos 1950, permeando diversos gêneros, do melodrama ao policial. Este curso introdutório pretende ir além do debate “gênero ou estilo” que norteia muitos dos estudos sobre o filme noir, a fim de pensar sua complexidade histórica, social, cultural e cinematográfica.

A partir da análise de cenas de filmes emblemáticos serão discutidas as principais vertentes e destacados realizadores do cinema noir e, sobretudo, evidenciando que o noir não deve ser reduzido apenas a termos estéticos, mas sim compreendido como uma visão cínica e moralmente ambígua de um mundo corrompido pelo dinheiro, revelando assim o lado sombrio do sonho americano no imediato pós-guerra.

COMO SERÁ?

O Curso online INÉDITO "REPENSANDO O FILME NOIR", de Fernando Brito, vai tratar da origem, das bases e dos conceitos que permeiam toda a produção cinematográfica do período, enfocando a estética fílmica, o comportamento (a)moral das personagens, as grandes obras do ciclo clássico dos anos 40 e 50, concluindo com uma análise da permanência mítica do filmes noir nos tempos atuais e o revisionismo que resultou em novas vertentes, como o neo-noir.


MINISTRANTE: FERNANDO BRITO

Doutor em Literatura Inglesa pela Universidade de São Paulo, com especialização em romance gótico. Pesquisador e crítico de cinema, tendo colaborado ao longo de sua carreira com diversas publicações, como a "Sci-Fi News Cinema" e o "Jornal do Vídeo".

Desde 2001 trabalha como curador na Versátil Home Video, onde idealizou e supervisionou o lançamento de muitos clássicos do cinema. Um de seus trabalhos de curadoria de maior destaque tem sido justamente a série Filme Noir, que já está com 18 volumes e traz, a cada exemplar, seis filmes do período clássico do ciclo noir (1940-1959) em cópias restauradas.


Curso online

"REPENSANDO O FILME NOIR"

de Fernando Brito

* Datas: 11 e 12 / Setembro (sábado e domingo)

* Horário: 14h às 16h30

* Duração: 2 encontros online

(carga horária total: 5 horas / aula)

* Material: Certificado de participação + Apostila

* Investimento

R$ 70,00 (parcelado em até 12x)


Informações

cineum@cineum.com.br / Fone: (51) 99320-2714

Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2021/08/filme-noir.html