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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cine Dica: Em Cartaz: GODZILLA (2014)



HOLLYWOOD FAZ AS PAZES COM O REI DOS MONSTROS DO CINEMA E LANÇA UM FILME QUE FAZ JUS A SUA GRANDEZA

 




Sinopse: Um épico renascimento para o icônico Godzilla da Toho coloca o monstro mais famoso do mundo contra criaturas que sustentadas pela arrogância científica da humanidade ameaçam nossa própria existência.



Quando foi anunciado que Godzilla teria uma versão americana em 1998, muitos fãs esperavam com ansiedade ver o maior monstro do Japão sendo apresentado para uma nova geração e com efeitos especiais caprichados. Mas a produção de Roland Emmerich (O Dia depois do Amanhã) foi uma tremenda decepção, principalmente se comparado ao primeiro filme do monstro que foi lançado em 1954 e que atualmente é considerada uma obra prima do cinema japonês. Mas aproveitando o aniversário de 60 anos do monstro, eis que Hollywood decide fazer as pazes com ele e lança uma produção que, não somente respeita o clássico de 1954, como também traz consigo quase as mesmas metáforas que a produção japonesa apresentou há sessenta anos.
Para começar, a produção comandada pelo cineasta Gareth Edwards (Monstros) não tem pressa alguma em mostrar a criatura, mas sim desenvolver o melhor possível o drama dos personagens humanos perante o inexplicável. Para alguns mais fanáticos, essa escolha ao não apresentar o grande protagonista de cara, talvez soe como uma grande decepção. Porém, convenhamos que nós estejamos falando de uma criatura vinda da própria natureza e que homem em si jamais conseguiria dominá-la.
Portanto, ao ver o personagem Brody (Bryan Cranston) encarando a morte da esposa (Juliette Binoche) em um acidente na usina nuclear em que ambos trabalhavam no Japão, se cria então um elo emocional entre os personagens humanos e o publico que assiste. Infelizmente esse elo não se mantém muito forte, no momento em que o filho do casal (Aaron Taylor-Johnson) já crescido entra em cena, pois o interprete não nos convence muito nem como pai de família e tão pouco como herói em cena. Contudo, o veterano Ken Watanabe (O Ultimo Samurai) cumpre com louvor o seu trabalho, ao interpretar um pesquisador e defensor de Godzilla, que acredita que ele possa derrotar os outros monstros e trazer de volta o equilíbrio das coisas.
Sim, há outros monstros, mais precisamente um casal que deseja acasalar e espalhar os seus filhotes pela terra. Curiosamente, ambas as criaturas lembram muito o visual do monstro visto em Cloverfield, sendo que não me surpreenderia se isso fosse uma homenagem a produção de J.J. Abrams, que até então era o melhor filme de monstros ao lado do (claro) sempre mencionado Circulo de Fogo. 
Falando em homenagens, é surpreendente a forma que Edwards filmou essa produção, fazendo a gente acreditar que á cada momento que ele nos apresenta uma cena, ele está prestando um grande respeito da forma que Steven Spielberg filmava os seus filmes como Tubarão e o Parque dos Dinossauros. Assim como o veterano diretor, Edwards apresenta as criaturas de uma forma gradual, lenta, mas muito bem filmada e criando um verdadeiro clima de suspense na medida certa. O Godzilla em si quando finalmente surge, não só é um dos momentos mais esperados do filme, como também nos faz urrar de felicidade ao vermos que esse sim é o Godzilla visto nos filmes de antigamente no Japão, sendo uma verdadeira entidade da natureza na qual o homem não pode simplesmente deter.
Mas é ai que o filme entra num momento arriscado, pois embora Godzilla seja uma criatura que não pode ser detida, os roteiristas ousaram em transformar ele numa espécie de grande herói a serviço da humanidade ao deter os outros monstros. No filme de 1954, o monstro era uma entidade da natureza, que ao mesmo tempo foi remodelada devido aos testes nucleares durante a guerra fria e resumidamente ele nada mais era do que uma metáfora dos maiores temores dos japoneses daquele tempo. Aqui, a metáfora é mantida, mas ao mesmo tempo Godzilla se torna uma espécie de equilibro, que querendo ou não, surge com o objetivo de preservá-lo e fazer com que os protagonistas humanos apenas assistam e torçam por ele.
Seria isso uma forma de tornar a criatura mais acessível para o publico atual? Será que o publico de hoje simplesmente não aceitaria Godzilla como uma criatura bestial da natureza que não pode ser detida? Será que o politicamente correto chegou até mesmo neste terreno?
Embora tenha torcido o nariz com isso, devo reconhecer que, pelo menos aqui essa situação funcionou, mas numa eventual sequência (o final deixa claro que haverá) duvido muito que esse artifício irá funcionar de novo.
Com começo, meio e fim bem amarrados, Godzilla, mesmo com seus sessenta anos de vida, prova que ainda tem fôlego para continuar sendo o rei dos monstros do cinema, mas resta saber se os produtores irão acertar o alvo novamente, criando então uma trama mirabolante, ou simplesmente será mais ou menos o que já foi visto e correndo o risco de ter um prejuízo do tamanho do personagem.



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Cine Dica: Em Blu-Ray e DVD: 12 anos de escravidão





Leia a minha critica já publicada clicando aqui.




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terça-feira, 20 de maio de 2014

Cine Dica: Semana de sessões especiais na Sala P. F. Gastal

SESSÃO PLATAFORMA, CINE ESQUEMA NOVO E DOCUMENTÁRIO PREMIADO AGITAM A SEMANA NA SALA P. F. GASTAL 
A semana está cheia de grandes sessões na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro!
  
Sessão Plataforma exibe na terça-feira, 20 de maio, às 20h30, o filme alemão A Gatinha Esquisita, escrito e dirigido por Ramon Zürcher. A exibição é no formato blu-ray. A reprise do filme acontece no sábado, 24 de maio, às 18h00.
Melhor filme na Mostra de Tiradentes de 2013, o documentário Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar, entra em cartaz a partir de terça-feira, 20 de maio, em sessão diária às 17h. Exibição em blu-ray.
 Na quarta-feira, 21 de maio, às 19h, acontece o lançamento do Cine Esquema Novo 2014, com coquetel e sessão de Pierrot Lunaire, filme inédito do cineasta canadenseBruce LaBruce. Entrada franca.
 
 
A GATINHA ESQUISITA
Das merkwürdige Kätzchen)
dir: Ramon Zürcher, 72min, ALE, 2013
 
O filme narra a visita dos irmãos Karin e Simon ao apartamento de seus pais e sua irmã pequena Clara. Zürcher mostra, com a sensação de tempo real, esse dia da família, seus pequenos conflitos, mistérios e revelações. Com um jogo entre sua intrigante mise en scène e enquadramentos engenhosos, o filme cria tensões e reviravoltas em pequenos acontecimentos cotidianos. Experiência cinematográfica instigante, divertida e cheia de frescor, A Gatinha Esquisita tem sido exibida com bastante êxito em diversos festivais ao redor do mundo, sendo imediatamente colocada como uma revelação importante da jovem cinematografia alemã. Exibição em blu-ray.


OS DIAS COM ELE
dir: Maria Clara Escobar, 110 minutos, BRA, 2014
 

Uma jovem cineasta mergulha no passado quase desconhecido de seu pai. As descobertas e frustrações de acessar a memória de um homem e de uma parte da história que são raramente expostos. Ele, um intelectual brasileiro, preso e torturado durante a ditadura militar não fala sobre isso desde aquele tempo. Ela, uma filha em busca de sua identidade. Exibição em blu-ray
PIERROT LUNAIRE
dir: Bruce LaBruce, 56 minutos, ALE, 2014.
Em 1912, Arnold Schönberg compôs Pierrot Lunaire a partir da colecção de poemas com o mesmo nome, escritos pelo belga Albert Giraud; em 2011, o maestro Premil Petrovic convidou Bruce LaBruce para dirigir uma versão teatral de Pierrot Lunaire baseada na noção de cabaret do compositor austríaco; em 2013, Bruce LaBruce leva Pierrot Lunaire para as ruas de Berlim e, ao som da interpretação que Petrovic faz da música de Schönberg, filma uma história de desejo, amor e transgressão, em que uma mulher vestida de homem seduz uma jovem rapariga que não imagina que o amante é na verdade uma amante. Exibição em blu-ray.
GRADE DE HORÁRIOS
20 A 25 de maio de 2014



20 de maio (terça)

17:00 – Os Dias com Ele
20:30 – Sessão Plataforma (A Gatinha Esquisita, de Ramon Zürcher)

21 de maio (quarta)

17:00 – Os Dias com Ele
19:00 – Coquetel de lançamento do CineEsquemaNovo 2014
20:00 - Pierrot Lunaire, de Bruce LaBruce

22 de maio (quinta)

17:00 – Os Dias com Ele
19:00 – Educação Sentimental

23 de maio (sexta)

17:00 – Os Dias com Ele
20:00 – Já Visto Jamais Visto, de Andrea Tonacci, com a presença da montadora e produtora Cristina Amaral

24 de maio (sábado)

16:00 – Os Dias com Ele
18:00 – Sessão Plataforma (reprise)
20:00 – Projeto Raros Especial com Orgia ou o Homem que deu Cria, de João Silvério Trevisan, com a presença do cineasta

25 de maio (domingo)

15:00 – Educação Sentimental
17:00 – Os Dias com Ele
20:00 – Sessão Surpresa

 
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Cine Curiosidade: ENTRE DEUS E O DIABO

Proximo curso criado pelo Cena Um e dedicado ao cineasta Glauber Rocha é destaque no Jornal do Comércio.


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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Cine Especial: Glauber Rocha: Deus e o Diabo do Cinema Brasileiro: Parte 1




Nos dias 26 e 27 de maio eu estarei participando do curso Glauber Rocha: Deus e o Diabo do Cinema Brasileiro, criado pelo Cena Um e ministrado pelo jornalista e pesquisador André Araujo. Enquanto os dois dias não vem, por aqui irei destacar os principais filmes deste cineasta, que foi um dos principais pilares do “Cinema Novo”.         

 

Maranhão 66 – Posse do Governador José Sarney


Sinopse: Realizado em 1966, por ocasião da posse de José Sarney no Governo do Estado. Em contraponto ao discurso do governador eleito, Glauber filmou a miséria do Maranhão, a pobreza e as esperanças que nasciam dos casebres, dos hospitais.

 

Glauber Rocha rodou esse pequeno curta em  mostra o senador José Sarney tomando posse no governo maranhense a mais de quatro décadas atrás. Intitulado "Maranhão 66", o filme de sete minutos teria sido “encomendado” por Sarney, à época com 35 anos, ao precursor do Cinema Novo no Brasil.

 Em uma crônica sobre o vídeo, o jornalista e produtor musical Nelson Motta descreve:



"Com cabelos e bigode pretos, Sarney discursa para o povo na praça, num estilo de oratória que evoca Odorico Paraguaçu, mas sem humor, à sério, que o faz ainda mais caricato e engraçado. Sobre seu palavrório demagógico, Glauber insere imagens da realidade miserável do Maranhão, cadeias cheias de presos, doentes morrendo em hospitais imundos, mendigos maltrapilhos pelas ruas, crianças esquálidas e famintas, enquanto Sarney fala do potencial do babaçu. [...] O discurso de Sarney e as imagens de 'Maranhão 66' são os mesmos do 'Maranhão 2011', num filme trágico, cômico, e, 46 anos depois, profético". 

                       Di Cavalcanti (1977)



Sinopse: Velório e enterro do artista plástico Di Cavalcanti, em que além de homenagear o amigo morto, Glauber Rocha fala de arte e política, por meio de uma colagem de imagens.



No dia 6 de setembro de 1897 nascia, no Rio de Janeiro, Emiliano Di Cavalcanti, um dos grandes nomes da pintura brasileira. Ele idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna, em São Paulo, em 1922, quando também criou o catálogo e o programa do evento. No ano seguinte, viajou para Paris, onde ficou até 1925. Na Europa, conheceu artistas como Picasso, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau, entre outros. Na sua volta ao Brasil, em 1926, entrou para o Partido Comunista. Nos anos 30, iniciou suas participações em exposições coletivas, salões nacionais e internacionais. Em 1932, foi preso durante a Revolução Paulista. Alguns anos depois, voltou a ser detido por desenhos que satirizavam o militarismo da época. Nos anos 40, voltou a morar em Paris, mas deixou a cidade por conta da Segunda Guerra Mundial. Em 1951, participou da I Bienal de São Paulo e fez uma doação de mais de 500 desenhos ao Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em meados da década de 50, foi convidado por Oscar Niemayer para criar as imagens da tapeçaria que seria instalada no Palácio da Alvorada e para pintar as estações para a Via-sacra da catedral de Brasília. Na década de 70, o Museu de Arte Moderna de São Paulo organizou uma retrospectiva da obra do pintor, que recebeu prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Ele morreu no dia 26 de outubro de 1976, no Rio de Janeiro. Um dia após sua morte, Di Cavalcanti foi homenageado pelo cineasta e amigo Glauber Rocha, que rodou o curta metragem durante o velório do pintor. O filme foi conduzido pela narração frenética e radiofônica de Glauber, filmado com uma câmera de 35mm, que incomodou familiares e demais presentes no funeral. O curta ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes, em 1977. Sua exibição no Brasil foi proibida pela família de Di Cavalcanti, que considerou uma afronta a iniciativa de Glauber Rocha.


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