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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'O Drama'

Sinopse: Um casal feliz e recém-noivado é colocado à prova quando uma revelação inesperada faz com que a semana do casamento saia dos trilhos.

Em pouco tempo, o diretor norueguês Kristoffer Borgli tem chamado atenção ao criar tramas em que seus personagens não são bem o que aparentam — o que não significa que devamos julgá-los em um primeiro momento. Em "O Homem dos Sonhos" (2024), por exemplo, um protagonista pacato começa a surgir nos pesadelos de diversas pessoas, fazendo com que ele seja julgado antes mesmo de qualquer investigação. Já "O Drama"(2026) explora o quanto um relacionamento se desfaz quando uma simples informação, antes desconhecida, revela o lado até então obscuro do outro.

Na trama, no momento em que um casal está na fase final dos preparativos para o grande dia, eles entram em conflito após a revelação de um grande segredo do passado de um deles. A imprevisibilidade do acontecimento coloca em risco toda a confiança e o amor entre os dois, trazendo ao longa uma nova perspectiva sobre os relacionamentos atuais. A situação eleva os ânimos e conduz ambas as partes a um beco sem saída.

Fui assistir ao longa sem muitas informações sobre o enredo, e essa ignorância prévia colaborou para que a revelação se tornasse ainda mais surpreendente. O que inicialmente era visto como um casal aparentemente perfeito logo se transforma em um relacionamento em que as inseguranças e os medos vêm à tona; é como se a pessoa que conhecíamos deixasse de existir, restando apenas o peso do segredo guardado. A velha frase de que "há sempre um esqueleto no armário" logo nos vem à mente, mas aqui ela é revitalizada de forma surpreendente.

Kristoffer Borgli constrói uma edição de cenas quase frenética, na qual sua câmera registra com precisão a ação e a reação dos personagens principais — seja na expressão corporal ou no modo de olhar, que diz muito mais do que se imagina. A insegurança, portanto, toma conta do cenário, fazendo com que o casal central comece a agir por impulso, movido por medos internos que tentam evitar que venham à tona. Lembranças, sonhos, pesadelos e imaginação se entrelaçam e moldam a mente dos protagonistas, que flertam perigosamente com o desequilíbrio.

Robert Pattinson e Zendaya possuem uma química absurdamente peculiar em cena, fazendo disso o maior trunfo do filme. Eles transmitem com verdade o fato de seus respectivos personagens estarem realmente apaixonados; contudo, a partir do momento em que o segredo é revelado, há uma desconstrução da perspectiva que um tinha do outro, fazendo com que, em alguns momentos, ajam como estranhos. Por mais mórbido que pareça, isso não difere da maneira como enxergamos as pessoas próximas na medida em que as conhecemos a fundo: o que inicialmente era fantasia se estilhaça quando acordamos.

Além disso, o filme tece uma crítica ácida a uma sociedade cada vez mais hipócrita, que endeusa os bons costumes quando, na verdade, cada indivíduo esconde seus próprios segredos mórbidos enquanto julga o próximo. Em tempos de paranoia acalorada e de fake news que distorcem a realidade, a velha fofoca de boca em boca ainda se mostra eficaz para linchar alguém por um erro do passado — esquecendo que ninguém nesta vida é perfeito. Todos nós nascemos com luz e escuridão dentro de nós, e cabe a cada um abraçar as melhores ações para obter a redenção.

Portanto, a reta final da trama se torna simbólica. O casal central, enfim, busca a melhor forma de contornar a situação à sua maneira, mostrando que o fim de um ciclo não impede novos recomeços. O final em aberto se torna poderoso: uma vez que tudo deu errado, ambos são forçados a retornar ao ponto de partida, mas desta vez sem segredos, já que a fragilidade de cada um foi completamente exposta. O esqueleto, enfim, está fora do armário — e sem medo.

"O Drama" é uma análise peculiar e muito bem-vinda sobre como certos segredos, uma vez externalizados, revelam não só uma faceta adormecida de quem os carrega, mas também o olhar preconceituoso e paranoico do mundo à volta.


Onde assistir: Em aluguel no Prime Vídeo. 


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