Sinopse: Kátia Klein, uma escritora de 45 anos e mãe sobrecarregada, vê sua vida sair do eixo devido a um bloqueio criativo e à falência de seu casamento.
No decorrer da história do cinema, não faltam longas-metragens que exploram a questão do alcoolismo, fazendo com que os seus protagonistas adentrem em um verdadeiro inferno astral. Filmes clássicos como "Farrapo Humano" (1945) e "Despedida em Las Vegas" (1995) levam seus personagens ao limite, em tramas moldadas com um teor dramático indiscutível. Porém, "(Des)controle" (2025) é um caso curioso por tratar esse assunto delicado com pinceladas de humor, provocando no espectador reações diversas.
Sob a direção de Rosane Svartman e Carol Minêm, acompanhamos a jornada de Kátia Klein (Carolina Dieckmann), que vive uma crise criativa impulsionada pela pressão do trabalho e da família. Diante dessa rotina caótica, Kátia busca um alívio na bebida, passando de uma despretensiosa taça de vinho ao descontrole completo. Não demora muito para que um lado seu, antes adormecido, acabe despertando diante da situação.
Svartman e Minêm são diretoras que construíram suas carreiras cinematográficas através daquelas comédias brasileiras supercoloridas — mas que, na maioria das vezes, não têm muita graça. Portanto, não se surpreenda se, em um determinado momento, surgir em cena um cenário com quadros referentes a alguns títulos do gênero, sendo o mais destacado "Minha Mãe é Uma Peça" (2013). Este, por sua vez, é talvez um dos poucos que vale a pena ser lembrado, embora não condiga com o tom deste longa.
O primeiro ato, por exemplo, faz parecer que estamos diante de situações que nos encaminham para uma comédia quase pastelão, repleta de gatilhos que fazem a protagonista perder as estribeiras e recorrer novamente ao álcool. É apenas aos poucos que o filme ganha contornos mais sombrios, o que ainda assim não é suficiente para extinguir a sensação de estarmos diante de uma comédia involuntária. Ao menos, Carolina Dieckmann faz toda a diferença.
Estrela de novelas da Globo, Dieckmann já provou sua versatilidade no cinema em obras como o pesado "O Silêncio do Céu" (2016). Aqui, ela demonstra talento ao dar vida a uma personagem que não sofre apenas com o alcoolismo, mas também com o surgimento de uma outra face de sua personalidade após beber. É interessante notar como ambas as facetas acabam sendo bem distintas uma da outra, um mérito que se deve muito ao talento da artista.
Não que o tema não possa ser tratado com certa leveza ou humor, mas fica a sensação de que o filme planejava ser uma coisa e se enveredou por outra. Se, por um lado, essa oscilação faz com que a obra quase perca sua identidade própria, por outro, a iniciativa de debater o quão prejudicial é o vício do álcool ainda se mostra mais do que válida. O discurso final — com depoimentos de pessoas que aparentam ser reais e que sofreram com a dependência — é um ponto alto que merece ser destacado.
No fim, "(Des)controle" se sustenta graças ao talento individual de Carolina Dieckmann, mesmo quando os seus realizadores parecem não ter encontrado o tom ideal para explorar a complexidade do alcoolismo como um todo.
Onde Assistir: Globoplay
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