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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Cine Dica: Streaming — 'Carrie, a Estranha'

Sinopse: Após a morte abrupta e inesperada de seu pai, a jovem tímida e isolada Carrie White (Summer H. Howell) é arremessada no implacável ecossistema de um colégio público.

Mike Flanagan é um nome para prestarmos atenção quando o assunto é cinema de terror. O realizador obteve um grande feito ao dirigir "Ouija: Origem do Mal" (2016) e, posteriormente, ganhou muito prestígio em séries de TV como "A Maldição da Residência Hill" (2018), "A Maldição da Mansão Bly" (2020) e "Missa da Meia-Noite" (2021). Porém, o cineasta pegou gosto mesmo ao visitar o universo literário de Stephen King.

Em "Doutor Sono"(2019), por exemplo, ele teve a proeza de revisitar o cenário imortalizado por Stanley Kubrick no clássico "O Iluminado"(1980) — mesmo dividindo a opinião do público e da crítica. Foi em "A Vida de Chuck" (2024), contudo, que talvez o realizador tenha captado melhor a essência do escritor. Eis que chegamos ao seu trabalho mais ousado: "Carrie, a Estranha" (2026), que revisita o clássico literário adaptado originalmente por Brian De Palma, mas com uma nova vestimenta capaz de agradar às novas plateias.

A minissérie se passa nos dias atuais e explora a vida de Carrie White (Summer H. Howell), uma adolescente criada por uma mãe extremamente religiosa. Após crescer isolada, ela precisa encarar os desafios da vida escolar quando uma tragédia familiar muda completamente sua rotina. Ao chegar ao colégio, encontra um ambiente marcado pelo bullying e começa a descobrir seus próprios poderes telecinéticos.

"Carrie, a Estranha" (1976) foi um dos primeiros grandes sucessos do diretor Brian De Palma e a primeira grande adaptação da obra de Stephen King para o cinema. De lá para cá, surgiram outras reimaginações do conto, mas sem obter o mesmo êxito. Portanto, a ideia de levar essa história novamente à TV parecia um tanto arriscada. Contudo, Mike Flanagan demonstrava ter plena consciência do que estava fazendo.

Ao atualizar o conto para a contemporaneidade, o cineasta acerta em cheio ao tocar em pontos delicados sobre o bullying escolar amplificado pelas redes sociais — dinâmica capaz de desestruturar vidas inteiras. Carrie é o "estranho no ninho" em meio a uma realidade na qual as jovens lutam por status e pelo desejo de ser a rainha do baile. Ao surgir nessa engrenagem aparentemente perfeita, torna-se o principal alvo de gozação, impulsionada principalmente por Chris (Alison Thornton). Esta última é a síntese de uma juventude nutrida pelo desejo de grandeza, que enxerga a protagonista como uma ameaça a ser destruída.

Summer H. Howell teve a missão ingrata de interpretar uma personagem imortalizada por Sissy Spacek nos anos setenta. Aqui, porém, ela constrói a figura à sua maneira: esta Carrie demonstra bem mais iniciativa para conhecer o mundo, enfrentando desde cedo as regras conservadoras de sua mãe. Já Samantha Sloyan se sobressai ao interpretar uma mulher rígida por conta de sua religiosidade, mas que não deixa de ter certa razão ao criticar um mundo cada vez mais desprovido de velhas tradições e preso a um sistema de regras alienantes.

As passagens do conto já tão conhecidas pelo público são entrecortadas por subtramas que se conectam com a história principal — mesmo quando nos passa a sensação de que, sem elas, a obra não perderia tanto. Logicamente, o ápice se concentra na festa do baile, construída através de elementos e personagens cujos caminhos culminam em um evento trágico. Há, porém, certas mudanças estruturais que irão dividir opiniões.

O que talvez me deixe com um pé atrás em relação ao resultado final da série é a alteração no destino de certos personagens, além da inserção de uma figura enigmática inexistente no livro. Tudo soa como uma fórmula para atrair o público que apreciou "Stranger Things" — uma repetição de padrão um tanto pretensiosa por parte dos realizadores —, culminando em um gancho para uma eventual segunda temporada. Resta saber se saberão conduzir uma trama inédita que dê continuidade à obra de Stephen King sem a autoria do próprio escritor.

No fim, a série "Carrie, a Estranha" é uma grata surpresa para os fãs do clássico literário, mesmo quando opta por liberdades poéticas que podem dividir o público.

Onde Assistir: Prime Vídeo.   

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