Sinopse: Um casal em crise, Tim e Millie, que se muda para o interior em busca de um recomeço, mas acaba sendo afetado por uma força sobrenatural que funde seus corpos e mentes.
Body horror, conhecido como terror corporal ou biológico, é um subgênero do horror que explora o medo através de violações gráficas e perturbadoras do corpo humano. Talvez um dos melhores diretores que explorou isso foi sem dúvida David Cronenberg através de títulos que se tornaram verdadeiros clássicos como "A Mosca" (1986). Nestes últimos tempos, ao que tudo indica outros realizadores têm explorado esse tipo de horror por outros meios, seja no filme "Substância" (2024), como também "A Meia-Irmã Feia" (2025). "Juntos" (2025) mistura elementos do já filme citados e alinhá-lo com um humor ácido em todos os sentidos.
Dirigido por Michael Shanks, acompanhamos a história de um casal cuja união é posta à prova quando uma força estranha e sobrenatural toma conta de seu relacionamento. Tim (Dave Franco) e Millie (Alison Brie). Após se mudarem para o interior, o que se apresenta como a oportunidade perfeita para recomeçar e fortalecer os laços, logo se transforma num pesadelo quando parece que a floresta se apresenta com um lado sombrio. Após a experiência, o casal começa a ficar obsessivo na união entre ambos, literalmente falando.
Ainda é cedo para dizer se Michael Shanks seguirá a carreira como diretor de cinema, já que ele começou a vida como influencer. Porém, nota-se um extremo cuidado na construção da atmosfera do cenário principal, onde já nos dá a entender que tudo aquilo que é apresentado, seja na floresta, ou na caverna onde o casal central não deveria parar, é como fosse extraído dos contos de fadas mais sombrios dos irmãos Grimm. Ao mesmo tempo, o longa explora determinado ponto da mitologia grega com relação à questão da alma gêmea.
Porém, o roteiro é positivo ao não adentrar mais a fundo sobre o porquê de isso tudo estar acontecendo, mas deixando que tudo flua de acordo com os atos e consequências do casal principal da trama. Sendo casal na realidade, Dave Franco e Alison Brie se saem bem como namorados em crise, mas que no fundo se sentem atraídos mesmo com a relação desgastada como um todo. Uma vez que acabam sendo afetados pela misteriosa caverna é então que a relação se torna obsessiva, beirando ao explícito e puramente gore.
Para aqueles que não gostaram de "Substância" irão gostar menos deste, pois o filme se encaminha por elementos até mais absurdos do que foram vistos no filme de Coralie Fargeat. Porém, se naquele filme levantava a questão sobre a exploração da juventude no universo da fama, aqui o longa explora sobre os relacionamentos atuais, dos quais se apresentam divididos na questão de ainda acreditar em um conto de fadas romântico, ou abraçar o individualismo que é muito mais fácil de ser enfrentado. Embora o final nos diga que o primeiro pensamento é mais válido, ao mesmo tempo ele se torna doentio quando o individualismo se perde em uma relação que não abre um espaço para ambos.
Embora com pouco mais de uma hora e meia, o filme nos faz refletir sobre o nosso papel atual na sociedade, onde procuramos nos completar com relação ao que realmente gostamos, mas dando a impressão que sempre falta algo no percurso. Talvez a resposta não esteja necessariamente no filme, mas a produção acerta precisamente ao fazer a gente pensar sobre isso após uma sessão que ficamos perplexos com que estamos vendo. "Juntos" é um dos filmes mais insanos do ano, ao pegar carona com o sucesso do longa "Substância", mas tendo a sua identidade intacta.
Onde Assistir: Apple TV, Amazon Prime.
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