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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Cine Especial: 'Tempos Modernos - 90 Anos'

"Tempos Modernos" tornou-se um dos filmes mais conhecidos de Charles Chaplin principalmente por causa das cenas da primeira parte da história, nas quais o personagem Carlitos aparece como empregado de uma linha de montagem que acaba sendo engolido pela máquina. O trabalho de apertar parafusos é tão repetitivo que produz no protagonista comportamentos obsessivos mesmo fora do ambiente da fábrica. Amalucado, ele passa a apertar qualquer botão que encontrar pela frente, com os que vê no vestido de uma senhora que cruza a rua. A crítica à forma mecânica da exploração do trabalho em linhas de produção é evidente, mas não é a única que o filme faz.

Na rua, Carlitos vê passar um caminhão do qual cai uma bandeira, possivelmente vermelha (o filme é em preto e branco). Ele a pega para devolver e logo aparece, atrás dele, uma manifestação, atrás dele, uma manifestação de trabalhadores. O personagem é então preso e acusado de ser comunista. Por essa e outras o filme, supostamente de conteúdo socialista, foi proibido na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini. Nos Estados Unidos Chaplin também enfrentou dificuldades para exibi-lo, devido às críticas que faz ao capitalismo e à desigualdade social.

Nos anos de 1950, durante a chamada "caça às Bruxas", em que o senador Joseph McCarthy liderou um processo de julgamento de pessoas públicas sob a acusação de atividades antiamericanas (leia-se comunismo), este foi um dos filmes que levaram Chaplin a ser perseguido politicamente, o que culminou com seu exílio na Suíça.

Mesmo após o advento do som no cinema (a partir de 1927), Chaplin insistiu em fazer filmes sem falas, como neste caso. Apesar de mudo, "Tempos Modernos" utiliza o som de um modo Chapliniano e burlesco, quando aparecem em cena aparelhos mecânicos de reprodução sonoras, como videofones, fonógrafos e rádios, para reiterar o tema do filme sobre a tecnologia e a desumanização.

Contudo, vale ressaltar que Chaplin explorava as possibilidades estéticas do som compondo ele mesmo as trilhas de seus filmes, o que deu origem a um punhado de canções que entraram para a história, entre as quais Smile, tema da cena final do longa. "Tempos Modernos" é uma crítica à transformação do homem em máquina, onde gradualmente é substituído por novas tecnologias e fazendo do longa se tornar mais atual do que nunca. 

Onde Assistir: Pluto TV.

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Cine Especial: Sessão de sábado no Clube de Cinema: "Amadeus" (21/03) na Cinemateca Paulo Amorim


No sábado, dia 21 de março, às 10h da manhã, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para a exibição do clássico Amadeus, de Milos Forman.

Inspirado na peça de Peter Shaffer, o filme toma como ponto de partida a relação entre Wolfgang Amadeus Mozart e o compositor italiano Antonio Salieri, construindo um poderoso drama sobre talento, inveja e reconhecimento. Mais do que uma reconstituição histórica rigorosa, Amadeus se afirma como uma obra de grande força dramática e estética, que utiliza a figura de Mozart para explorar questões universais sobre genialidade e mediocridade.

No sábado, dia 21 de março, às 10h da manhã, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para a exibição do clássico Amadeus, de Milos Forman.

Inspirado na peça de Peter Shaffer, o filme toma como ponto de partida a relação entre Wolfgang Amadeus Mozart e o compositor italiano Antonio Salieri, construindo um poderoso drama sobre talento, inveja e reconhecimento. Mais do que uma reconstituição histórica rigorosa, Amadeus se afirma como uma obra de grande força dramática e estética, que utiliza a figura de Mozart para explorar questões universais sobre genialidade e mediocridade.

Além disso, reforçamos que também já temos uma sessão especial programada para o próximo sábado, dia 28, na Sala Redenção da UFRGS: exibiremos o filme Notas sobre um desterro, documentário brasileiro dirigido por Gustavo Castro. A sessão é aberta e promovida em parceria com a 1º Conferência Internacional Antifascista. Após a exibição do filme, haverá um bate-papo com o diretor e com Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil.


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 21/03, às 10h da manhã

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, sala Eduardo Hirtz

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Amadeus

EUA, 1984, 160 min

Direção: Milos Forman

Roteiro: Peter Shaffer (baseado em sua própria peça)

Elenco: F. Murray Abraham, Tom Hulce, Elizabeth Berridge, Roy Dotrice, Simon Callow, Christine Ebersole, Jeffrey Jones, Charles Kay, Kenny Baker, Lisbeth Bartlett

Sinopse: Internado em um hospício, o compositor Antonio Salieri relembra sua relação com Wolfgang Amadeus Mozart, cuja genialidade ele admira e inveja profundamente. Ao narrar essa história, o filme constrói um retrato intenso sobre ambição, talento e ressentimento.

Sobre o filme: Em muitos casos, grandes talentos nascem e morrem sem ao menos o povo conhecer, mas fica fragmentos de sua pessoa ao longo da história. Por trás de um mito que entrou para história sempre haverá um homem ou mulher por detrás das cortinas. Talentos que lutaram pelo reconhecimento, mas que viveram na sombra de outros.

Grandes talentos que morrem precocemente, mas que entram para o imaginário das pessoas por toda a eternidade. Talentos que nunca são realmente reconhecidos da maneira que mereciam e morrem esquecidos ao longo do tempo. O clássico "Amadeus" (1984) é sobre talento e obsessão, inveja e admiração, culpa e redenção.

Dirigido por Milos Forman, do filme "Um Estranho no Ninho" (1975), o filme conta a história de Salieri (F. Murray Abraham), que após tentar se suicidar  confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce). Ele relata como conheceu, conviveu e passou a odiar Mozart, que era um jovem irreverente, mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus. As consequências acabam sendo devastadoras.

Confira a minha crítica sobre o clássico já publicada clicando aqui. 


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quinta-feira, 19 de março de 2026

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 19 A 25 DE MARÇO

 ESTREIAS:

NARCISO

Brasil/Drama/2025/90 min.

Direção: Jeferson De

Sinopse:Narciso (11), um menino negro e órfão, mora na casa de Carmem e Joaquim, junto com outras crianças que aguardam adoção. Ele sonha em ter uma família, mas acaba enfrentando uma grande decepção. Para alegrá-lo, uma das crianças da casa lhe dá de presente uma bola de basquete velha e mágica e diz que, se ele acertar três cestas, um gênio aparecerá e realizará todos os seus desejos.

Elenco: Arthur Ferreira, Ju Colombo, Bukassa Kabengele e Seu Jorge

A GRAÇA

Italia/Drama/2025/ 131min.

Direção: Paolo Sorrentino

Sinopse:Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do Bafta, “A Graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?

Elenco:Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello.


EM CARTAZ:

MOTHER’S BABY

Austria-Alemanha-Suiça/Drama/2025/108min.

Direção:Johanna Moder

Sinopse: Julia, uma maestrina de sucesso de 40 anos, e seu parceiro Georg anseiam por um filho quando o Dr. Vilfort lhes oferece uma esperança. Julia engravida após um tratamento bem-sucedido na clínica de fertilidade do médico. O parto não ocorre como planejado e o bebê é imediatamente retirado de seus braços, deixando Julia sem saber o que aconteceu. Quando finalmente se reencontra com a criança, Julia sente-se estranhamente distante. Ela começa a duvidar se é realmente seu filho.

Elenco:Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang e Julia Franz Richter


HORÁRIOS 19 A 25 DE MARÇO (não há sessões nas segundas):

15h: MOTHER’S BABY

17h: A GRAÇA

19h20: NARCISO


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (19/03/26)

 DEVORADORES DE ESTRELAS

Sinopse: Um astronauta tenta salvar a Terra enquanto está sozinho no espaço sideral.


UMA SEGUNDA CHANCE

Sinopse: Após um passeio perfeito com o namorado, Kenna (Maika Monroe, de A Mão que Balança o Berço, Longlegs – Vínculo Mortal) comete um erro imperdoável que a leva à prisão. Sete anos depois, ela retorna à sua cidade natal, no Wyoming, na esperança de reconstruir a vida e conquistar a chance de se reencontrar com sua filha pequena, Diem, a quem nunca conheceu.

CASAMENTO SANGRENTO – A VIÚVA

Sinopse: A noiva retorna em uma nova e sinistra rodada do tradicional jogo de esconde-esconde, agora com elementos sobrenaturais e demoníacos.

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quarta-feira, 18 de março de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Amores Materialistas'

A sul coreana Seline Song surpreendeu o mundo com o seu filme de estreia intitulado "Vidas Passadas" (2024) cuja trama fala sobre os relacionamentos contemporâneos e que certas decisões acabam não lhe dando mais retorno para uma nova escolha. Com o reconhecimento deste trabalho talvez seria questão de tempo para que a cineasta ganhasse um convite para realizar um longa 100% norte americano. A resposta veio com "Amores Materialistas" (2025) , comédia romântica adulta em que a realizadora mantém os ingredientes que moldaram o seu primeiro grande sucesso, mesmo quando o filme cai nas velhas fórmulas do cinema americano.

Na trama, acompanha uma casamenteira chamada Lucy (Dakota Johnson), que se envolve num triângulo amoroso. Apesar de ainda nutrir sentimentos pelo garçom aspirante a ator John (Chris Evans), a jovem começa a se relacionar com um homem rico chamado Harry (Pedro Pascal), irmão do noivo de um casal que se juntou com sucesso. Harry é o partido perfeito, mas, ao reencontrar com John uma noite, Lucy se vê balançada pelo antigo amor imperfeito.

Nos últimos tempos eu tenho dito que o gênero comédia romântica está moribunda devido ao fato que ela foi usada a exaustão durante os anos noventa e enfrentando já declínio já na entrada do novo século. O problema é tentar fazer um filme como esse usando as mesmas fórmulas do passado, mas tentando convencer um público atual que cada vez acredita menos em contos de fadas românticos. Felizmente Seline Song consegue criar uma trama romântica madura, contemporânea e que fala de uma sociedade cada vez mais materialista.

A protagonista, por sua vez, vive do trabalho, não se importando em não ter um relacionamento, mas aguardando a possibilidade de encontrar um par perfeito e bastante rico. Não que Lucy seja uma pessoa ambiciosa, mas sim foi criada mentalmente em acreditar que dotes são essenciais para uma vida a dois e usando esse pensamento para unir pessoas em seu trabalho. Dakota Johnson nos revela novamente porque é uma das melhores atrizes dessa nova geração de grandes talentos, mesmo quando dá um passo em falso como foi em "Madame Teia" (2024).

Suas interações com os bonitões Chris Evans e Pedro Pascal são outro ponto forte da obra como um todo, já que ambos interpretam personagens em que a protagonista procura, mesmo quando cada um apresenta os seus respectivos feitos em cena. Se por um lado Evans interpretada um pobretão cheio de sonhos, Pascal sintetiza um personagem perfeito, mas que não encontra exatamente a necessidade que realmente deseja, pois a faca e o queijo sempre estiveram na sua mão devido os seus recursos. A protagonista, por sua vez, se vê em um dilema, principalmente pelo fato que descobre que o seu emprego não exatamente como ela queria.

Como no seu filme anterior, Seline Song capricha em diálogos caprichados, onde há alguns planos sequências bem criativos e onde as conversas entre os personagens vão ganhando cada vez mais peso. É curioso observar, por exemplo, que a realizadora busca manter o seu olhar autoral para a realização do filme, mesmo quando o resultado fique um pouco aquém do esperado. Digo isso pois o filme não possui a mesma carga emocional de "Vidas Passadas", mas isso seria pedir demais para que a realizadora pudesse alcançar novamente a perfeição vista naquela obra.  

O filme por si só possui as velhas fórmulas de sucesso das comédias românticas, mas tudo filmado de uma forma que não soe repetida. E quando achamos que o filme irá terminar da forma mais convencional possível, eis que a realizadora surpreende com um segundo final que poderia soar até desnecessário, mas que nos diz que a diretora não está disposta a cair na vala comum do esquecimento. "Vidas Materialistas" é uma comédia romântica que dá um novo fôlego ao gênero, mesmo nos apresentando aquelas velhas fórmulas de sucesso em alguns momentos. 

Onde Assistir: HBO MAX

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Cine Dica: Cinesemana de 19 a 25 de março de 2026

A cinesemana de 19 a 25 de março traz a retrospectiva DE LÁ PRA CÁ - UMA MOSTRA DA VARDA, que reúne 20 títulos da diretora que marcou a história do cinema francês e hoje é um patrimônio mundial. Outro destaque da programação é a estreia de A GRAÇA, nova parceria do diretor italiano Paolo Sorrentino com o ator Toni Servillo. Também temos o filme A MENSAGEIRA, produção argentina premiada no Festival de Berlim, e PELE DE VIDRO, documentário sobre um marco da arquitetura moderna de São Paulo.

O longa norueguês VALOR SENTIMENTAL, vencedor do Oscar de melhor filme internacional, segue em cartaz na nossa programação, junto com o espanhol SIRÂT, que concorreu pelo mesmo prêmio. Esta é a última semana para conferir MOTHER´S BABY, da diretora alemã Joahnna Moder, e duas animações indicadas ao Oscar: A PEQUENA AMÉLIE e ARCO, ambas em versões legendadas.

Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 17 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Noiva!'  

Sinopse: Na Chicago da década de 1930, uma cientista traz uma jovem assassinada de volta à vida para ser uma companheira para o monstro de Frankenstein. O que acontece em seguida está além do que qualquer um deles poderia ter imaginado.

Nos últimos tempos o clássico literário "Frankenstein" de Mary Shelley começou a ser redescoberto para essa nova geração através de novas adaptações ou simplesmente de filmes que prestam uma homenagem à obra. Se o recente "Frankenstein" (2025) de Guillermo del Toro busca ser fiel a sua fonte original, por outro lado, "Pobres Criaturas" (2023), de Yorgos Lanthimos,  pega emprestado a ideia e criando uma obra original e provocadora. Temos então "A Noiva" (2026) que segue a premissa do clássico literário, mas sendo modelado para provocar essa nova geração de cinéfilos.

Dirigido pela atriz e diretora Maggie Gyllenhaal, o longa se passa em Chicago na década de 1930 e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada que ganha vida novamente. Sua trágica morte é conhecida pelo monstro do cientista Frankenstein que, solitário, pede por uma companhia para a Dr. Euphronius revive-la. Os dois, então, trazem de volta à vida uma jovem e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva.

Vou ser direto e deixar claro que esse filme não é para todos, sendo que é mais direcionado para os fãs da obra literária, como também para aqueles que são apaixonados pelo próprio cinema. Digo isso porque a trama se passa nos anos trinta, tempos em que a libertinagem e a cultura andavam de mãos dadas até que a igreja conservadora se meteu em cena e obrigando os estúdios a criarem famigerado Código Hays. Esse período, por sua vez, foi visto no longa "Babilônia" (2022), ótimo filme que se aprofunda nesse período, mas sendo ignorado na época de lançamento pelo grande público.

Isso talvez venha acontecer inicialmente com  "A Noiva", já que ele não veio para agradar ninguém, mas sim provocar e fazer a pessoa pensar se ela quiser. Maggie Gyllenhaal tem consciência do vespeiro em que está se metendo, ao alinhar elementos até mesmo de outros gêneros e fazendo uma transição entre horror e musical. Se "Coringa: Delírio a Dois" (2024) foi apontado como problemático neste quesito, o filme de Maggie Gyllenhaal não fugirá desse julgamento.

Curiosamente, é notório  que alguns elementos vistos aqui são semelhantes ao serem comparados com o polêmico filme de Todd Phillips. Jessie Buckley interpreta uma Noiva que mais parece uma entidade da natureza fora do controle antes mesmo de se tornar a criatura da trama e provocando aqueles que a ofendem ou quando se vê diante de uma situação politicamente incorreta contra as mulheres. Sua atuação é tão assombrosa que se o mundo fosse perfeito deveria ter sido ela Arlequina no já citado "Coringa: Delírio a Dois".

Christian Bale, por sua vez, tem uma atuação que é quase nublada perante a sua companheira de cena, mas se esforçando ao máximo para nos apresentar a criatura de Frankenstein de uma maneira nunca vista. Ambos em cena colaboram para que o filme ganhe diversos contornos, por vezes, pouco lúcidos e nos brindando com situações que beiram o surreal. Não há explicação do momento quando todos surtam em uma festa e o casal central começa a dançar, pois o que vale é aceitar e mergulhar nesta insanidade que nem todos irão comprar.

O filme talvez seja acusado por adotar um discurso feminista que por vezes surge do nada, mas que talvez se case com a proposta inicial da diretora. O filme nada mais é sobre uma síntese de seres desajustados perante um mundo que não os aceita, mas que mesmo assim abraçam a ideia de não dar satisfação para aqueles que os julgam de forma tão fácil. Ao meu ver, o filme é uma representação do próprio posicionamento de Maggie Gyllenhaal e da qual a mesma espera que o tempo julgue o seu longa futuramente.

Com uma curiosa homenagem ao clássico "Bonnie e Clyde" (1967) na reta final da história,  "A Noiva" é um verdadeiro estranho no ninho nos tempos atuais de uma Hollywood presa ao único pensamento em adquirir lucro. 


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