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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Cine Especial: Retrospectiva 2025 e um Feliz 2026

Foi um ano de desafios, onde tive que enfrentar obstáculos que testaram o meu lado mental e físico. Chego ao final desse ano com o dever cumprido, mesmo sabendo que as mesmas adversidades do ano que está partindo estarão presente no novo ano que está chegando. Ao menos o cinema esteve lá para me manter de pé e fazendo com que a sua magia continuasse viva dentro de mim.

Neste ano tive o prazer de conhecer o novo talento do cinema norueguês chamado Dag Johan Haugerud, cuja a sua trilogia sobre sexo e amor me pegou de jeito e cuja terceira parte "Dreams" me encantou pela sua simplicidade, porém, com grande conteúdo. Foi um ano também que Paul Thomas Anderson voltou com tudo com o seu "Uma Batalha Após a Outra" e provando que a sua consagração nos anos noventa a partir de  "Boogie Nights" (1997) não foi algo do acaso. Ryan Coogler, por sua vez, teve a façanha de realizar um dos melhores filmes de vampiros do cinema recente através de "Pecadores", ao saber alinhar o longa com outro gênero que é o musical e tudo isso falando sobre a própria América de tempos mais racistas, mas que ecoam em tempos atuais nebulosos.

Já o nosso cinema brasileiro segue firme e forte e provando que "Ainda Estou Aqui" (2024) não foi um caso isolado. Kleber Mendonça Filho conquistou Cannes através do seu "O Agente Secreto" e abrindo uma janela para diversas indicações a prêmios. "O Último Azul" é um filme elegante e que possui traços de um futuro distópico semelhante ao que foi visto no genial "Bacurau" (2019). Já "Oeste Outra Vez" é uma prova que o gênero faroeste não pertence necessariamente ao território gringo.

Tivemos também gratas surpresas das quais não esperava como o pesado, porém, necessário "Manas" e do divertido e que me pegou desprevenido pelo seu teor descontraído e imprevisível que foi  "Betânia". "O Homem Com H" retratou a força e a coragem do grande artista Ney Matogrosso enquanto "Um Lobo entre Cisnes" me  revelou um grande talento brasileiro que ainda me era desconhecido. Ainda tem outros títulos que acabei ainda não assistindo, mas que irei vê-los o mais breve possível.

Acima de tudo, desejo continuar com o meu trabalho, continuar a assistir a filmes e escrever sobre eles desde sempre. A arte da escrita, assim como adentrar a sala escura, é um remédio para mim em todos os sentidos e fazendo a minha alma revigorar e me fazendo cada vez mais fortalecido. Para todos um feliz 2026 e que sigamos em frente não importa o que aconteça.             


Top 10 Melhores Filmes  Internacionais

01º Uma Batalha Após a Outra

02º Pecadores 

03º Dreams 

04º Sex 

05º Foi Apenas Um Acidente 

06º A Hora do Mal

07º Sorry, Baby

08º Nouvelle Vague

09º FRANKENSTEIN 

10º Nosferatu


Top 10 Melhores Filmes Nacionais

01º O Agente Secreto

02º O Último Azul

03º Oeste Outra Vez

04º Manas

05º O Homem Com H

06º A Melhor Mãe do Mundo 

07º Sonhar Com os Leões 

08º Um Lobo entre Cisnes

09º Apocalipse dos Trópicos

10º Betânia


NOTA: Que em 2026 você faça parte também do nosso Clube de Cinema. Participe e até lá.   

 


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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'Sorry Baby'

Sinopse: Algo ruim aconteceu com Agnes, mas a vida continua para todos os outros. Quando um amigo querido, à beira de um grande marco, a visita, Agnes começa a perceber o quanto tem estado presa e começa a trabalhar em como seguir em frente.

Em tempos em que os abusos morais e físicos não são mais tolerados fica cada vez mais evidente que determinados indivíduos ainda acreditam que podem adentrar um território do qual não foi convidado. Ao mesmo tempo, ainda há uma parte da sociedade que não sabe ao certo lidar com isso, ou se faz de desentendido e não quer tocar no assunto. "Sorry Baby" (2025) é um retrato de muitos, onde a protagonista procura manter a sua sanidade após uma situação que lhe afetou profundamente.

Dirigido e estrelado por Eva Victor, o filme conta a história de  Agnes, que após sofrer um evento abusivo, se vê sozinha enquanto todos ao seu redor seguem em frente como se nada tivesse acontecido. Agnes é uma professora de literatura em Fairpoint, uma faculdade de artes no Estado de Nova Inglaterra. Quando ela recebe a visita de uma velha amiga é então que certas lembranças começam a vir à tona.

Antes de mais nada é preciso reconhecer o talento de Eva Victor, seja na direção como também na atuação. É impressionante como a sua personagem muda de olhar de forma gradativa, sendo de acordo com os eventos que ela vai presenciando e sentindo ao longo da história. No seu olhar vemos alguém tentar manter o equilíbrio, mesmo quando existe todas as chances dela sair dos trilhos.

Ao mesmo tempo é preciso dar palmas também pela sua direção, onde a mesma constrói uma edição de cenas que nos faz atrair mais pela situação dos eventos, ao ponto que o filme ganha ares até mesmo de um suspense psicológico, pois não sabemos ao certo quais serão as ações da protagonista como um todo.  Além disso, o filme é dividido em capítulos, onde a trama vem e volta na linha do tempo, mas tudo sendo feito de uma maneira compreensível e que não atrapalhe o nosso entendimento. Nada mal para uma realizadora que começou de uma forma tão arrebatadora.

O filme também é uma crítica lúcida sobre uma sociedade ainda conservadora e que não sabe ainda como lidar com as pessoas que se veem invadidas e abusadas fisicamente e moralmente. Por conta disso, o teor hipócrita e atenuante se faz de corpo presente em cenas específicas, desde as representantes da faculdade em não saber lidar com o assunto, como também uma colega da protagonista chamada Natasha, que optou em jogar a favor do machismo desde que ganhe algo com isso. Atenção para atuação impressionante da atriz Kelly McCormack em cena, onde facilmente faz com que a sua personagem seja odiada do começo ao final do longa.

O filme ainda dá espaço para assuntos também espinhosos, desde a questão de filhos, aborto e o real significado da palavra família em tempos em que as pessoas estão cada vez mais com medo em abraçar determinadas responsabilidades. Portanto, a cena final é simbólica, onde vemos a protagonista simbolizando uma geração perdida, enquanto ela segura nos braços a representação de uma geração cujo futuro ainda é indefinido. Ao menos a realizadora nos diz que é preciso ativar uma força interna para  continuar existindo e para assim fazermos a diferença mesmo quando tudo se encontra perdido.

"Sorry Baby" é uma das mais belas surpresas do ano, onde a direção e atuação de   Eva Victor falam por si só e nos fazendo refletir sobre os dilemas cada vez mais complexos do mundo atual. 


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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'Avatar: Fogo e Cinzas'

Sinopse: O conflito em Pandora aumenta quando Jake e Neytiri encontram uma nova e agressiva tribo Na'vi.

Antes mesmo de lançar "Titanic" (1997) James Cameron já tinha em mente o universo de "Avatar", sendo que era o seu projeto mais ambicioso. Porém, ainda não havia a tecnologia que pudesse dar vida aos seres azuis do qual ele imaginava e sendo que para isso também precisaria de um orçamento astronômico. O realizador somente percebeu que poderia levar o que ele queria a partir do momento que a tecnologia de captura em movimento surpreendeu o mundo com a trilogia de "O Senhor dos Anéis" comandada por Peter Jackson.

Por anos, Cameron não queria somente realizar um sonho, mas inovar a maneira de assistir um grande espetáculo e foi assim que aconteceu em "Avatar" (2009), onde uma aventura de ficção em defesa da natureza se alinhava com a melhor tecnologia e dando um passo à frente em termos de 3D. Após isso, o realizador se dedicou por anos pelos novos capítulos e veio então "Avatar: O Caminho da Água" (2022) que, assim como o filme anterior, bateu recordes de bilheteria e foi indicado a diversos prêmios. Eis que então temos agora "Avatar: Fogo e Cinzas" (2025), filme que dá continuidade ao filme anterior, mas nos dando a impressão também de um grande Déjà vu.

Na trama, Após a devastadora guerra contra a RDA e a perda do seu filho mais velho, Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldana) devem enfrentar uma nova ameaça: o Povo das Cinzas, uma nova e agressiva tribo Na’vi, conhecida por sua violência extrema e sede de poder, liderada pelo implacável Varang (Oona Chaplin). O misterioso clã é composto por guerreiros que controlam o fogo e cuja lealdade pode desequilibrar o destino do planeta.

Assim como os filmes anteriores, James Cameron tem a proeza de criar um universo de Pandora de forma verossímil como se aquele mundo fosse realmente real e fazendo a gente sentir até mesmo o peso das cenas. Não se obtém aqui uma nova revolução na captura de movimento, mas ao menos mantém a qualidade que fez do primeiro filme se tornar algo tão revolucionário. Não é como os filmes da Marvel que tem envelhecido mal com os seus bonecos em CGI, pois aqui é tudo crível e que faz encher os nossos olhos.

Porém, se por um lado Cameron se dedicou ao máximo em termos de tecnologia de ponta, o mesmo não se pode dizer com relação ao enredo. Embora seja a terceira parte, me deu a impressão que diversas passagens da história já tinham sido vistas nos outros filmes, como se uma idéia fosse reciclada para parecer nova, mas se perdendo e soando repetitiva. As subtramas, por sua vez, poderiam ter sido solucionadas já no segundo filme, mas sendo aqui esticado e finalizado de uma maneira até mesmo convencional.

Com relação ao elenco, o personagem de  Sam Worthington se torna em alguns momentos coadjuvante, enquanto os seus filhos roubam a cena, principalmente a personagem Kiri, interpretada pela atriz Sigourney Weaver e cuja a sua origem é finalmente esclarecida, mas soando fortemente forçada. Já Zoe Saldana rouba a cena toda vez que surge Ney'tiri e conseguindo nos passar toda a tristeza e raiva que tem contra os humanos.

Dos novos personagens destaque para a selvagem Varang, interpretada com intensidade pela atriz  Oona Chaplin e sempre quando surge em cena simplesmente rouba o filme para ela. Contudo, só acho uma pena que Cameron não tenha explorado melhor uma personagem com tamanho potencial e desperdiçando o tempo em subtramas que muitos que forem assistir não irão se interessar. E o que dizer então Coronel Miles Quaritch novamente sendo usado como vilão principal, mas que já deveria ter sido deixado de lado no momento que morreu  no final do primeiro filme.

Chego até aqui e concluo que essa terceira parte nada mais é do que um grande épico de ficção para ser apreciado em uma grande tela do cinema, para que assim a gente não se distraia perante um roteiro óbvio e cuja trama termina da mesma maneira que havia se encerrado os filmes anteriores. Ao meu ver Cameron precisa largar o universo da Avatar, pois já fez o que tinha que fazer e é chegado a hora de desenvolver outros projetos que possam lhe abrir novos rumos. Claro que nesta história toda o dinheiro sempre falará mais alto e caso esse filme venha se tornar também um grande sucesso talvez voltaremos em breve ao universo de Pandora.

"Avatar: O Caminho da Água" é um grande espetáculo, mas cujo conteúdo nos dá a impressão que James Cameron criou uma releitura do primeiro longa ao invés de se arriscar em adentrar em uma nova fronteira. 


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domingo, 28 de dezembro de 2025

Cine Especial: Cinema - 130 Anos Depois

Hoje, 28 DE DEZEMBRO DE 2025, completamos exatos 130 ANOS do nascimento do CINEMA. Em 1895, no Salon Indien do Grand Café, em Paris, os irmãos LUMIÈRE realizaram a primeira exibição pública paga da história com 10 curtas-metragens projetados para uma plateia de apenas 33 espectadores.

E aqui está exatamente como tudo começou… Operários saindo da fábrica, um trem chegando à estação, ondas quebrando na praia… Aqueles poucos segundos mudaram para sempre o nosso jeito de olhar o mundo. Os Lumière não inventaram apenas imagens em movimento. Eles inventaram o nosso olhar. 

O CINEMA segue iluminando corações e mentes. Sempre.

Fonte: Cine Um 

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Cine Dica: Cinesemana de 26 a 28 de dezembro de 2025

A última cinesemana do ano destaca a estreia de VALOR SENTIMENTAL, um afiado drama familiar dirigido pelo norueguês Joachim Trier e que aparece em várias listas de melhores filmes do ano. Outra novidade é VIZINHOS BÁRBAROS, da francesa Julie Delpy, que coloca em debate questões sociais como racismo e preconceito a partir de um pequeno vilarejo da França. 

Seguem em cartaz NOUVELLE VAGUE, de Richard Linklater, sobre os bastidores das filmagens de “Acossado”; o documentário LUMIÉRE! A AVENTURA CONTINUA, que reúne uma centena de filmes produzidos pelos irmãos Lumière nos primórdios do cinema; além de SORRY, BABY, dirigido e protagonizado por Eva Victor, indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz. Sucesso de público e candidatos a vários prêmios Oscar, também continuam na nossa programação O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, e FOI APENAS UM ACIDENTE, novo filme do diretor iraniano Jafar Panahi. 

Esta é a última semana para conferir MEMÓRIAS DE UM VERÃO, em que Glenn Close interpreta uma avó; LIVROS RESTANTES, com a atriz Denise Fraga; a comédia romântica italiana PRIMEIRO ENCONTRO.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui.  


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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Cine Especial: Revisitando 'Gremlins'

Há inúmeros filmes natalinos que ao longo da história se tornaram grandes clássicos. Porém, há casos de filmes que somente usam a data festiva como pano de fundo e encantam com a sua principal história que foge por completo do convencional. O clássico "Gremlins" (1984) é um desses casos em que o encanto desta data se mistura com um horror de humor ácido e que conquistou uma geração inteira.

A ideia da criação do longa foi baseada no conto do escritor  galês Roald Dahl em 1943, que foi piloto da Força Aérea e depois faria fama mundial com livros infantis como A Fantástica Fábrica de Chocolate, Mathilda e As Bruxas. Ele publicou um livro chamado "Os Gremlins", em que um piloto britânico, cansado de lidar com os Gremlins que provocavam falhas mecânicas em seu avião, se junta às criaturinhas para combater um inimigo comum: Hitler e a força aérea nazista.

A história conquistou o até então desconhecido Chris Columbus, que usou a premissa para criar uma história original onde as criaturas surgissem em uma típica cidade norte-americana em pleno natal. Na época, o todo poderoso Steven Spielberg adorou a história e decidiu se tornar produtor do filme, sendo que o próprio havia se tornado um dos maiores produtores de filmes que se tornaram verdadeiros sucessos de bilheteria nos anos oitenta. Já a direção ficou a cargo de Joe Dante, que já era conhecido através do clássico filme B "Piranha" (1978).

Na trama, Rand Peltzer (Hoyt Axton) é um "inventor" que, ao tentar dar um presente natalino único para seu filho, Billy Peltzer (Zach Galligan), compra em Chinatown um Mogwai, um ser aparentemente gracioso. Porém, regras essências para ter um Mogwai: nunca colocá-lo diante de uma luz forte e muito menos na luz solar, que pode matá-lo; nunca molhá-lo e, a regra principal, nunca o alimente após a meia-noite, mesmo que ele chore ou implore. Não demora muito para que Billy se descuide com relação a essas regras e faça com que surjam na cidade os Gremlins.

Eu assisti há vários na tv e já na época o filme havia me surpreendido pelo seu cruzamento com relação a magia do natal com um teor mais sombrio. Ao meu ver havia um dedo de Spielberg na produção, pois o realizador foi responsável pelos melhores filmes de aventura e fantasia da época. Ao mesmo tempo, se nota que Joe Dante também teve a sua liberdade intacta para desenvolver cenas assustadoras e que fugiam do convencional, e olha que estamos falando de um filme que as crianças assistiam, se horrorizam, mas ao mesmo tempo se encantaram pelo conto.

Talvez o ponto certeiro foi terem criado o pequeno Gizmo como o único Gremlin bonzinho da trama e conquistando a simpatia do público sempre quando surgia em cena. Agora, é preciso reconhecer os esforços para a criação das tais criaturas, já que estamos falando de um tempo que não havia CGI e tudo era feito a mão e com o melhor que a tecnologia da época poderia oferecer. Eles foram criados usando uma combinação de efeitos práticos, como animatrônicos, fantoches, marionetes e até stop-motion.

O resultado possui um peso que é sentido até hoje, já que tanto sentimos a fofura de  Gizmo, como também o teor diabólico e brincalhão dos Gremlins malvados. A minha cena favorita é justamente quando eles saem dos seus casulos já transformados e começam atacar a mãe do protagonista, interpretada pela atriz Frances Lee McCain. Vale destacar que nesta cena ela dá um verdadeiro show de atuação, já que ela transmite medo perante a situação, mas ao mesmo tempo disposta a encarar no mano a mano os pequenos seres.

Outro fator curioso é a maneira como as criaturas interagem com as coisas dos seres humanos e protagonizando cenas hilárias como aquelas do bar em que eles estão dançando, fumando, bebendo e ouvindo música. Ao meu ver existe uma mensagem subliminar nisso, já que eles sucumbiram ao mesmo consumismo que os seres humanos convivem em seu dia a dia. O filme por sua vez transita com relação a magia do natal, mas ao mesmo tempo revelando uma sociedade cada vez mais consumida pelo consumismo desenfreado como um todo.

Ao mesmo tempo, o filme trata de assuntos delicados como o fato que nem todas as pessoas ficam felizes quando chega essa data festiva e sendo vistas como pessoas estranhas. A melhor personagem que representa isso é sem sombra de dúvida  Kate, interpretada pela jovem atriz Phoebe Cates e que fala sobre um passado sombrio e os motivos que a levaram a não gostar mais do natal. Me lembro desta história que ela contou e que assombrou uma geração inteira.

Como não poderia deixar de ser, principalmente ao se tratar de uma obra de Steven Spielberg, o filme está cheio de referências aos filmes de sua autoria, mas ao mesmo tempo com relação aos outros clássicos do cinema. A cidade onde acontecem os eventos em si remete ao clássico "A Felicidade Não se Compra" (1946) e que até hoje é apontado como um dos melhores filmes natalinos da história. Ao mesmo tempo o filme sintetiza a paranóia com relação ao estrangeiro, com relação ao comunismo e não faltam referência a isso, principalmente ao inserir uma cena clássica do filme "Invasores de Corpos"(1956) e do qual era uma metáfora com relação a mentalidade norte americana perante os tempos da União Soviética.

Mas talvez um dos melhores exemplos de homenagem que o filme faz a sétima arte é quando as criaturas vão ao cinema e assistem ao clássico "Branca de Neve e os Sete Anões" (1937). Curiosamente, foi através dessa cena que eu tive o primeiro contato com o filme da Disney, sendo que havia ainda muita restrição do estúdio em exibir os seus clássicos na tv aberta e tendo somente a chance de assistir anos depois em VHS. Um exemplo claro de como um longa pode abrir uma janela para conhecermos outros clássicos.

O longa estreou na mesma época de outro filme que se tornaria um verdadeiro clássico que foi "Os Caça Fantasmas" (1984). Embora com grande concorrência, o filme arrecadou US$ 212,9 milhões, contra um orçamento de US$ 11 milhões e se tornando a quarta melhor bilheteria daquele ano. Logicamente não demorou muito para que surgissem outras imitações como no caso da franquia "Criaturas" iniciada em 1986 e que, para a surpresa de muitos, revelou o até então jovem ator Leonardo DiCaprio. "Gremlins" teria a sua própria continuação lançada em 1990 e até hoje os fãs esperam por uma possível terceira parte.

"Gremlins" é um verdadeiro clássico natalino, mas cuja magia festiva transita com elegância  com um horror hilário e até mesmo a frente do seu tempo.  


Onde Assistir: HBO Max. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (25/12/25)

 VALOR SENTIMENTAL

Sinopse: Gustav sempre foi um diretor de cinema brilhante e um pai distante de Nora e Agnes. Quando a mãe das duas irmãs morre, ele reaparece com uma novidade: quer rodar o seu projeto mais pessoal na casa que era da família e com a filha mais velha como protagonista. Mas Nora recusa o papel e Gustav resolve entregá-lo para uma jovem e entusiasmada estrela de Hollywood, que logo percebe que se envolveu em um doloroso e íntimo drama familiar. O filme conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2025.


VIZINHOS BÁRBAROS

Sinopse: A comunidade de Paimpont, uma pequena cidade do norte da França, aceita receber uma família de refugiados ucranianos que foge da guerra da Rússia contra a Ucrânia. A acolhida terá uma compensação em subsídios do governo e também a gravação de um documentário sobre a região. Mas, devido a falta de ucranianos, quem desembarca em Paimpont é uma família de sírios, que não é bem aceita por parte dos moradores.


ANACONDA

Sinopse: Os melhores amigos Griff e Doug partem para as selvas da Amazônia para filmar um reboot de seu filme favorito de todos os tempos, Anaconda. No entanto, a vida logo imita a arte quando uma anaconda gigantesca com sede de sangue começa a caçá-los.

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