Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Cine Dica: Em Blu-Ray - DVD – VOD: Lumière! A Aventura Começa





Leia a minha crítica já publicada clicando aqui.



Me sigam no Facebook, twitter, Google+ e instagram

Cine Dica: CAPITÓLIO E 11ª BIENAL: DIÁLOGOS COM O TRIÂNGULO ATLÂNTICO




De 28 de abril a 6 de maio, a Cinemateca Capitólio Petrobras apresenta uma série de sessões especiais em diálogo com a Bienal11, que nesta edição destaca a arte africana e afro-brasileira a partir do tema central O Triângulo Atlântico. A programação tem entrada franca.

A programação da Cinemateca apresenta obras seminais realizadas no continente africano, como a cópia restaurada de A Negra de… primeiro longa do pioneiro senegalês Ousmane Sembène, considerado o pai do cinema realizado na África subsariana, o curta Monangambé, de Sarah Maldoror, nome influente do cinema político realizado na Angola, e Carta Camponesa, da senegalesa Safy Faye, o primeiro longa-metragem africano dirigido por uma mulher a ser distribuído comercialmente.
Dois grandes filmes de Nelson Pereira dos Santos que buscam diálogo com a cultura afro-brasileira serão exibidos em cópias 35mm restauradas: O Amuleto de Ogum e Tenda dos Milagres.
A programação também apresenta uma sessão especial do Cineclube Adélia Sampaio, programada pelo coletivo Criadoras Negras – RS, em parceria com o projeto Curta na Cinemateca, e exibe pela primeira vez em Porto Alegre dois documentários: Candeia e Mokambo.

FILMES

O Amuleto de Ogum (Nelson Pereira dos Santos, 1974, 35mm)
A história é narrada pelo cego Firmino, um violeiro nordestino. No sertão, Maria leva seu filho Gabriel a um centro de umbanda, a fim de buscar proteção. O rapaz ganha um amuleto, capaz de gerar grande cobiça.

A Negra de… (Ousmane Sembène, 1966, DCP)
Diouana é uma jovem senegalesa que chega a Riviera Francesa para trabalhar como babá. No entanto, o casal que a contratou a faz executar todo tipo de função doméstica sem receber salário. Confinada no pequeno apartamento de frente para o mar, ela reflete sobre a discrepância entre sua vida na França e seus sonhos antigos de viver na Europa. Cópia da Cineteca di Bologna.

Mokambo (Soraya Mesquita, 2017, HD)
O filme idealizado e dirigido pela jornalista Soraya Mesquita retrata a materialidade e a espiritualidade que o povo Bantu trouxe ao Brasil, responsáveis pela introdução da capoeira, do samba, da culinária e do candomblé.

Carta Camponesa (Safy Faye, 1971, DVD)
Carta Camponesa conta a história de Ngor e Coumba, casal que vive em uma pequena vila no Senegal e há tempos tenta se casar. Os dois enfrentam muitas dificuldades para sobreviver e se manter juntos, porque a colheita de amendoim, única opção comercializável “herdada” da colonização, está sofrendo com a falta de chuvas. Permeando uma linha fluída entre documentário e ficção, uma vez que a diretora filma o cotidiano de sua própria vila, expondo as agruras e as delícias do dia a dia de seu povoado, Safie Faye trabalha a dicotomia entre tradição e modernidade, além de fazer uma dura crítica à colonização francesa dos povos africanos. Foi o primeiro longa metragem africano dirigido por uma mulher a ser distribuído comercialmente. Cópia do Arsenal Institut de Berlim.

Monangambé (Sarah Maldoror, 1968, DCP)
A história de um casal em Angola enfrentando uma perseguição política. O título era um grito de mobilização dos anos 1960 da Frente Popular de Libertação. Cópia do Arsenal Institut de Berlim.

Tenda dos Milagres (Nelson Pereira dos Santos, 1977, 35mm)
A Bahia do século 20 e a forte mistura de raças e religiões são temas da adaptação do romance homônimo de Jorge Amado. A narrativa conta a história de Pedro Archanjo, intelectual autodidata que contestou ideias racistas.

Candeia, o Filme (Luiz Antonio Pilar, 2017, HD)
Documentário sobre a vida e a obra do cantor e compositor brasileiro Candeia, um dos principais nomes do samba.

Mulheres Negras: Projeto de Mundo (Day Rodrigues, Lucas Ogasawara, 2016, HD)
Há poucas coisas tão poderosas e transformadoras no mundo do que a união entre mulheres. Quando se tratam de mulheres negras, as experiências coletivas regem as trajetórias desde a vinda forçada para o Brasil; a resistência e luta pela liberdade, e quando livres, ainda padecem do racismo persistente na sociedade brasileira. No documentário “Mulheres Negras: Projeto de Mundo”, nove vozes femininas negras são apresentadas de maneira suave e potente. Em seus depoimentos, cada mulher fala da sua experiência de sobrevivência calcada em sua raça, gênero, classe e desvendam o que significa habitar em pele negra.

Das Raízes às Pontas (Flora Egécia, 2015, HD)
Luiza tem 12 anos e fala com orgulho de seu cabelo crespo e sua ancestralidade. A história de Luiza é uma exceção. O cabelo crespo como elemento do tornar-se negro e ato político. Os entrevistados, dos mais diversos perfis falam sobre o papel do cabelo crespo como elemento do tornar-se negro e como ato político contra imposições estéticas. Questionar os padrões de beleza, que são impostos cada vez mais cedo, além de tratar a afirmação do cabelo crespo como um dos elementos fundamentais da identidade negra são a principal temática do filme, que também avalia a aplicação da Lei 10.639/03 que regulamenta o ensino da História Afro-Brasileira



GRADE DE HORÁRIOS
28 a 06 de maio de 2018

28 de abril (sábado)
14h - O Dia Depois
16h – Arábia
18h – O Amuleto de Ogum
20h – Mokambo + debate

29 de abril (domingo)
14h – O Dia Depois
16h – Monangambé + Carta Camponesa (apresentação da pesquisadora Carla Oliveira)
18h – Tenda dos Milagres
20h30 – Candeia, o Filme + debate

1º de maio (terça)
14h – O Dia Depois
16h - Arábia
18h – A Negra de…
19h30 – Curta na Cinemateca + Cineclube Adélia Sampaio (Mulheres Negras: Projeto de mundo + Das raízes às pontas)

02 de maio (quarta)
16h – O Dia Depois
18h – Arábia

03 de maio (quinta)
18h – Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)
20h - Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)

04 de maio (sexta)
18h – Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)
20h - Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)

5 de maio (sábado)
14h - Arábia
16h – A Negra de…
18h – Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)
19h - Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)

6 de maio (domingo)
14h - Arábia
16h – Monangambé + Carta Camponesa
18h – Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)
20h - Mostra Destrua-se – Maio de 1968 no cinema (divulgação em breve)

terça-feira, 24 de abril de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Construindo Pontes



Sinopse:Construindo Pontes percorre caminhos entrelaçados: o do pessoal e o do político, retrata uma família e um país através da relação entre um pai e sua filha, um debate cinematográfico, poético e amorosamente bélico.
 
No recente filme Aquarius, testemunhamos fotos antigas lançadas na tela, sendo que as imagens são de tempos mais dourados e de recordações que nunca dormem. Em contrapartida, o filme se encerra com um plano em que foca cupins destruindo determinada história e sintetizando tempos indefinidos, não somente da protagonista do filme, como também de todo o cidadão brasileiro. Construindo Pontes segue uma proposta similar, onde tempos dourados é estraçalhado em nome de progresso e sem ao menos se preocupar com o futuro de muitos.
O documentário é conduzido pela cineasta Heloísa Passos (diretora de fotografia de filmes como Lixo Extraordinário), onde no passado ela havia ganhado de presente um rolo em Super-8 com imagens sobre as “Sete Quedas”, um paraíso natural. Infelizmente, em pleno regime militar, as “Sete Quedas” foram destruídas, para dar lugar à usina hidrelétrica, uma das maiores do mundo. Decidida em enfrentar esse passado, a cineasta, não somente decide retornar ao cenário dos acontecimentos, como também tenta convencer o seu pai, engenheiro que trabalhou construindo pontes durante a Ditadura Militar, para mostrar a ele o quão está errado com relação sua visão daquele tempo.
Usando cenas de arquivos, Heloísa cria um paralelo entre o passado e o presente, do qual eventos dos tempos do golpe de 1964 se tornem ondas gigantes na água que ainda avançam em nosso tempo. Em contrapartida, é surpreendente testemunharmos o embate entre ela e seu pai, que não aceita os eventos de 1964 como um golpe, mas sim com uma revolução a serviço do progresso no Brasil. Se por um momento ficamos chateados pelo posicionamento do seu pai, ao mesmo tempo, ficamos tensos com Heloísa, em momentos em que ela reage com certa ira, não somente com o que aconteceu ao passado, mas também com eventos da crise atual do Brasil e sem previsão de encerramento.
Em momentos de calmaria, o documentário se rende as cenas de arquivos, onde conhecemos mais sobre o passado de Heloísa, além de sua família em momentos descontraídos e sem nenhuma preocupação aparente. Ao mesmo tempo, Heloísa cria em sua montagem momentos criativos, onde mesmo com poucos recursos, torna sequências ricas em conteúdo: a cena onde num plano sequência mostra o interior da usina hidrelétrica, cujo cenário se mistura com cenas de arquivos, sintetiza muito bem isso.
Outro detalhe importante a ser destacado são os momentos de improviso vistos na tela, onde determinadas situações que surgem fora do previsto, acabam se tornando os melhores momentos. Quando pai e filha tentam fazer funcionar um super-8, por exemplo, temos uma pequena rixa em andamento, mas fazendo com que ambas as partes concluam o obstáculo com êxito. Um momento singelo, onde mesmo se destacando o atrito entre ambos, dá entender que, às vezes, as diferenças precisam ficar um pouco de lado para se chegar a um consenso.
O ato final, onde pai e filha se dirigem ao cenário que antes era um paraíso a ser visitado, irá desencadear novas reflexões e dando um novo passo na relação de ambos. Porém, assim como aconteceu no decorrer do projeto, as situações que surgem em cena vão contra a pretensão inicial da cineasta, mas ao mesmo tempo, surgindo um “bem vindo” final do qual nem mesmo ela previa. É um desses casos em que o improviso, além de um imprevisível surgimento do acaso, faz com que os minutos finais do documentário se tornar primorosos, dando continuidade com a proposta apresentada nas cenas iniciais da obra, elevando o relacionamento de pai e filha a um novo patamar e que, somente juntos, terão que descobrir. 
Construindo Pontes, não é somente sobre a nossa democracia atual em risco, como também um convite para conhecermos uma relação familiar humana e da qual nos identificamos facilmente com ela.
 
NOTA: O filme entrará em cartaz a partir da próxima quinta, as 17horas, no Cinebancários de Porto Alegre. Rua General da Câmara nº 424, centro de Porto Alegre.   



Me sigam no Facebook, twitter, Google+ e instagram