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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Cine Especial: Revisitando 'BER-HUR'

Ao longo dos seus mais de cem anos de existência o cinema sempre foi ameaçado de extinção antes mesmo do advento da tv nos lares da população. Charles Chaplin certa vez disse que quando o cinema começou a ter som uma parte significativa havia sido morta e dando um passo adiante para que essa arte fosse extinta. A evolução tecnológica pode até trazer algum benefício, mas talvez nem tudo seja flores quando a magia se encontrava no que já estava perfeito.

Com o surgimento da tv foi então que o cinema corria risco real, principalmente no início dos anos cinquenta onde os principais estúdios viam o futuro como algo nebuloso. Coube então alguns avanços para atrair a grande massa de volta às salas, como no caso do surgimento do CinemaScope que foi um revolucionário processo de filmagem anamórfica criado pela 20th Century Fox em 1953 e que expandiu a tela do cinema até então de uma forma inédita. Foi graças ao épico "O Manto Sagrado" (1953) que essa nova tecnologia surpreendeu o público e provou que grandes espetáculos visuais não poderiam ser apreciados em sua total magnitude em uma caixa pequena dentro de casa.

Vale salientar que foi graças aos épicos romanos dos anos cinquenta que o cinema obteve novo sangue para atrair as pessoas de volta às salas. Em 1956  a Paramount lançou o magistral "Os Dez Mandamentos", sendo considerado a versão definitiva sobre a história de Moisés e se tornando a última e grande obra do diretor e produtor  Cecil B. DeMille. Porém, o melhor e mais arriscado projeto estava ainda por vir.

Baseado na obra de Lew Wallace, o livro "Ben-Hur" de 1880 já havia sido adaptado para o cinema no ano de 1925 pelo diretor  Fred Niblo e se tornando um verdadeiro clássico para a época. A ideia de levar o conto novamente as telas acontecia desde o início da década de cinquenta, principalmente pelo fato que o gênero épico estava fazendo um enorme sucesso a partir de títulos como "Quo Vadis?". Porém, o projeto não era somente uma forma para obter sucesso, como também a última cartada do estúdio MGM.

Na época, o estúdio do leão estava quase decretando falência e por conta disso apostou todas as suas fichas nesse épico que poderia dar muito certo, ou muito errado. Coube ao diretor  William Wyler comandar a empreitada, sendo que o mesmo já havia sido o responsável por grandes clássicos como "Morro dos Ventos Uivantes" (1939) e "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946). Com um orçamento de R$ 15 milhões, sendo astronômico para aquele periodo, o épico foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma, Itália, sendo que as  filmagens também incluíram locações em Arcinazzo, perto de Roma, e cenas de batalha naval em tanques do estúdio, com algumas miniaturas feitas em Culver City, EUA.

Para o papel principal os realizadores acertaram em cheio ao escolher Charlton Heston, sendo que na época já era apontado como favorito para estrelar filmes épicos como o já citado "Os Dez Mandamentos". Com uma presença forte, o intérprete carrega o filme nas costas em cenas impactantes, seja nos elementos dramáticos envolvendo a sua família, como também nas cenas de ação que exigiu o seu porte físico. Não é à toa que o astro viria a ganhar o seu único Oscar por esse papel.

Em contrapartida, Stephen Boyd foi outra escolha perfeita para a produção, ao interpretar o líder Romano Messala, que trai Ben-Hur e condena a prisão perpétua ele e a sua família. O intérprete constrói para si um vilão de diversas camadas a serem analisadas, principalmente pelo fato do intérprete construir uma aura ambígua com relação aos reais sentimentos de Messala a Ben-Hur, sendo que originalmente ambos teriam um caso homosexual, mas que para os padrões conservadores da época seria algo impossível de ocorrer. Porém, graças a sua atuação sugestiva, isso acabou sendo perceptível para o cinéfilo de olhar mais atento da época.

Há de se destacar outros intérpretes da produção como Jack Hawkins, Haya Harareet, Martha Scott, Cathy O'Donnell e Hugh Griffith. Esse último, por sua vez, interpreta Inderius, dono dos cavalos de corrida que Ben-Hur usaria na corrida de bigas. Com uma expressão forte e presença marcante, o intérprete teve poucos momentos em cena, mas sendo o suficiente para conquistar o público e conquistar o seu merecido prêmio de ator coadjuvante no Oscar. O seu personagem por sua vez é peça principal para que Ben-Hur possa participar de um dos momentos mais marcantes do filme como um todo.

A famosa corrida de bigas levou cerca de cinco semanas para ser filmada, com as filmagens distribuídas ao longo de três meses. A sequência épica, realizada nos Cinecittà Studios em Roma, envolveu milhares de figurantes e mais de 320 km de corrida acumulada. A cena custou US$ 1 milhão e utilizou mais de 70 cavalos e a  equipe de segunda unidade, liderada por Yakima Canutt e Marton, foi a principal responsável por treinar os cavalos e filmar a sequência.

Tudo isso culminando em 11 minutos de pura tensão e adrenalina pura, onde vemos realmente cavalos correndo com toda a sua grandeza e os intérpretes principais quase não sendo substituídos por dublês. O resultado é de um realismo até então jamais visto, onde Charlton Heston quase morreu em uma queda, sendo que muitos cavalos também se machucaram seriamente, mas tudo foi mantido para ser levado às telas do cinema. O resultado não é só um dos melhores como a melhor cena de ação de todos os tempos.

Contudo, o filme é pertencente a uma época em que a igreja tinha um papel fortíssimo em meio a sociedade e isso é sentido quando assistimos aos títulos da época. Os épicos bíblicos surgiram através desta  tendências e "Ben-Hur" vem carregado de mensagens de fé, principalmente pelo fato de Jesus Cristo ter um papel crucial dentro da trama. Vale destacar que o ator Claude Heater que interpreta o Messias aparece quase sempre de costas, pois o diretor William Wyler decidiu que seria mais poderoso mostrar a reação das pessoas ao olhar para Jesus do que mostrar o rosto de um ator.

Lançado em 18 de novembro de 1959 nos Estados Unidos, "Ben-Hur" acabou se tornando um verdadeiro sucesso de bilheteria, arrecadando cerca de US$ 74 milhões de dólares e salvando a MGM da falência. O filme também foi colecionando diversos prêmios na carreira e ao chegar na cerimônia do Oscar acabou levando 11 estatuetas, incluindo melhor filme e melhor diretor e se tornando um recordista para a época. Feito somente repetido vários anos depois a partir de títulos como "Titanic" (1997) e "O Senhor Dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003), sendo que ambos obtiveram também 11 Oscars no total.

Revisitando o filme atualmente no cinema percebo que é um tipo de superprodução que quase não se faz hoje em dia, já que os estúdios se encontram presos por demais pelo CGI e limitando um maior realismo em cena. Contudo, após sucessos como "Top Gun: Maverick" (2023) percebo que o  grande público tem um interesse maior pelo realismo, onde se sente o peso das cenas e fazendo com que a gente se sinta dentro da história. O clássico de 1959 foi isso e muito mais e por isso merece ser conferido em uma grande tela.

"BEN-HUR" é sem sombra de dúvida um dos maiores épicos da história do cinema, ao nos brindar com a melhor cena de ação da história e que nenhum filme atual consegue superar em hipótese alguma.  


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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Cine Especial: 'Um Barco e Nove Destinos' - 80 Anos Depois

Alfred Hitchcock fazia os seus filmes de acordo com os seus pensamentos, medos e desejos. Nos anos quarenta, por exemplo, ele sofria de um certo temor devido a explosão da Segunda Guerra Mundial e principalmente pelo fato de sua Inglaterra começar a ser ameaçada pela Alemanha Nazista. Através desse temor ele criou "Um Barco e Nove Destinos" (1944), mas não sendo um filme que possui dois lados distintos com relação ao bem e o mal, mas sim sobre pessoas comuns que se veem obrigadas a sobreviver a todo custo, nem que para isso desperte o seu pior lado.

A história se passa durante o calor desse conflito no Atlântico, onde um navio e um barco alemão se envolvem em um combate e ambos acabam naufragam, porém, existem alguns sobreviventes que vão para um dos botes. Contudo, eles têm diferentes origens e propósitos, mas surge o pomo da discórdia quando um dos sobreviventes se revela um nazista. A partir daí se nasce diversos dilemas ao longo dessa jornada com um destino indefinido.

Pela premissa acima dá a entender que o filme foi rodado no alto mar. Porém, estamos falando dos anos quarenta, sendo que seria praticamente impossível fazer algo de tamanha magnitude. Além disso, Hitchcock era um defensor ferrenho com relação de sempre rodar em estúdio, pois as cenas externas ele sempre detestou filmar devido ao barulho do ambiente natural.

Por conta disso, o realizador criou um imenso tanque de água onde ele colocou o barco onde aconteceria os principais eventos da trama. Além disso, o barco era dividido em dois, pois somente assim o diretor poderia colocar a sua câmera no meio para que pudesse rodar os diálogos dos personagens. Antes disso, porém, Hitchcock já tinha todo o seu filme idealizado na forma de Storyboard, sendo que as cenas que o próprio havia desenhado em papel ele, como sempre, conseguiu filmá-las com total facilidade.

Revendo o filme hoje em dia notasse que ele possui uma linguagem quase teatral, já que a trama poderia ter sido facilmente encenada em um palco, pois toda ela se passa em um barco com nove personagens. Cada um ali possui uma história para se contar, desde um capitão de coração partido, como uma jornalista implacável e um nazista como prisioneiro de guerra. Esse último, aliás, se tornou peça importante para que os críticos da época ficassem torcendo o nariz para o filme, já que alguns insinuaram que Hitchcock queria mostrar o lado positivo dos nazistas.

É um pensamento bastante limitado, já que na trama assistimos pessoas comuns em uma situação incomum e que se veem obrigadas a trabalharem juntas para sobreviver antes que os recursos comecem a desaparecer. Curiosamente, a figura do nazista não é uma coisa estereotipada que muitos estavam esperando, mas sim uma personalidade que nos transmite certa ambiguidade e fazendo a gente questionar as suas verdadeiras intenções até o final da trama. A meu ver, todos ali são colocados em situação limite e fazendo os mesmos se colocarem a frente perante as suas ações que no passado jamais imaginariam tomar.

Destaque para atriz Tallulah Bankhead, que aqui faz a repórter sem papas na língua e se tornando uma personagem que se diferencia dos demais em cena. Com uma personalidade forte, a sua Constance Porter é o sarcasmo em pessoa, mas cuja essa forma de se apresentar parece que ela usa para se manter forte perante a situação em que ela se encontra. Tallulah Bankhead nunca foi muito diferente da sua personagem, já que sempre teve na vida real um temperamento fortíssimo, sempre provocando polêmicas nos bastidores e se tornado, portanto, a escolha perfeita para o filme.

Com críticas positivas nos primeiros dias de exibição, o longa foi perdendo folego após o surgimento de críticas infundadas que foram citadas acima e a obra logo foi colocada no esquecimento. Porém, o tempo fez com que os fãs e demais cinéfilos redescobrissem o filme e revisto hoje se percebe como ele se encontra mais atual do que nunca, principalmente quando o assunto é com relação as guerras que gera somente medo e ódio contra as nações, sendo que no final das contas estamos todos no mesmo barco. O temor do cineasta, portanto, fez com que o mesmo fizesse um filme sobrevivente ao teste do tempo.

"Um Barco e Nove Destinos" é uma pequena, porém, preciosa perola atemporal de Alfred Hitchcock e que merece ser mais bem reconhecida pelos cinéfilos de plantão. 

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sexta-feira, 26 de maio de 2023

Cine Especial: 'Era Uma Vez no Oeste - A desconstrução de um gênero'

Na cena final do clássico “Rastros do Ódio” (1956) de John Ford, o protagonista (John Wayne) está levando de volta a sua sobrinha para sua família, sendo que essa, por muitos anos, estava sendo criada por uma tribo de índios. No minuto final da obra, cada um entra pela porta da frente, sendo que o protagonista fica por último, mas optando em dar meia volta e partindo sem rumo. A cena é simbólica, já que o típico caubói racista contra o povo indígena daqueles tempos, talvez, não poderia mais ter o seu lugar naquele mundo.

John Ford havia, então, dado o seu recado, pois as fórmulas manjadas dos faroestes, que por décadas haviam sido usadas para gerar lucro para os estúdios, não poderiam continuar mais nesse mesmo formato. A previsão se confirmou quando a década de 60 chegou e o gênero estava dando os seus primeiros sinais de esgotamento. Coube um grupo de jovens diretores italianos do outro lado do mundo ressuscitar o faroeste do seu modo. O resultado, por sinal, foi o nascimento de um subgênero intitulado western spaghetti, onde o velho oeste era retratado de uma forma mais nua e crua, onde o glamour hollywoodiano, para não dizer plástico, não teria espaço para esse novo produto cinematográfico.

Dentre os cineastas italianos dessa nova leva o que mais se destacou foi Sergio Leone, já que o primeiro filme que ele viria a dirigir dentro desse subgênero, "Por Um Punhado de Dólares" (1964), que viria a se tornar um enorme sucesso na Itália. Isso fez com que ele criasse a “trilogia dos Dólares”, da qual se encerraria com "Três Homens e um Conflito"(1966), filme que, aliás, fez com que Leone se tornasse muito conhecido nos EUA. Vendo o potencial do cineasta, o estúdio Paramount convidou Leone para dirigir mais um novo faroeste, mas nem tudo começou com flores.

Após o encerramento da “trilogia dos Dólares”, o cineasta acreditava que não havia mais nada para se fazer a respeito com relação ao gênero e tinha a ambição naqueles tempos de fazer um épico com relação à construção da América. Após muita insistência vinda do estúdio o cineasta veio aceitar o convite, mas tendo a idéia de fazer com que "Era uma Vez no Oeste" (1968) se tornasse o primeiro capítulo de uma nova trilogia, que daria continuidade com "Quando Explode a Vingança" (1971) e se encerrando, então, com o projeto dos seus sonhos que viria a ser "Era Uma Vez na América" (1984).

Com locações na Itália, Espanha e EUA (com o direito ao rico cenário natural de Monument Valley), Leone, não só quis fazer da produção uma homenagem de tudo o que já havia sido feito dentro do gênero western, como também desconstruí-lo. O resultado é um filme que foi contra as expectativas daqueles que foram assisti-lo, onde cada fórmula manjada apresentada na película, logo em seguida era fraturada e levando o filme a um novo rumo. Os dez minutos iniciais, aliás, não só prestam uma homenagem ao clássico "Matar ou Morrer" (1952) de Fred Zinnemann, como também pega o espectador desprevenido, pois começamos a simpatizar com os três misteriosos pistoleiros, mas que são logo eliminados pelo personagem harmônica (Charles Bronson) quando surge ele em cena.

Mal tendo se recuperado desses minutos iniciais, o espectador logo é apresentado a novos personagens. Uma família que, aparentemente, se prepara para uma festa para uma ocasião especial, mas que são logo massacrados por tiros vindos da mata. Com uma trilha poderosa de Ennio Morricone disparando contra os nossos ouvidos, uma criança sobrevivente do massacre testemunha o cenário de horror e dando de cara com os seus algozes que se aproximam da casa onde a família vivia.

Perfeccionista como ninguém, Leone filma de uma forma bem pensada para surpreender o espectador que assiste. A câmera se encontra atrás do assassino, para que quando ela se movimentasse e focasse o seu rosto isso provocaria, então, um efeito devastador para os olhos do público. A cena teve fortíssimo impacto no ano de 1968 para os americanos, já que o assassino não era ninguém menos que próprio Henry Fonda.

Queridinho da América naqueles tempos, Fonda havia ganhado prestigio em produções que o tornaram um astro respeitável nos filmes americanos como, por exemplo, "12 Homens e uma Sentença"(1957). Embora reticente num primeiro momento, Fonda aceitou o desafio de fazer o seu primeiro vilão de sua carreira e criando um personagem do qual ele extraiu do mais fundo de sua alma. O resultado foi tão impactante que alguns espectadores não aceitaram o astro matando uma criança indefesa, ao ponto da cena ter sido cortada quando o filme era exibido nos canais de televisão da época.

Cortes, aliás, é o que o filme mais sofreu em território americano, já que o estúdio achava a obra extensa e, por vezes, monótona. Isso criou problemas para melhor compreensão da história na época do seu lançamento, pois dentre as cenas cortadas, por exemplo, estava à primeira aparição do anti-herói Cheyenne (Jason Robards). Embora tenha ficado mais curto para os padrões que o estúdio, o filme não escapou de um relativo fracasso nos EUA, mas nem tudo estava perdido.

Em alguns países da Europa, por exemplo, o filme foi exibido com o seu corte final (2h55min) e fazendo um grande sucesso. Em Paris, o berço da 7ª arte, o filme foi exibido durante 48 meses numa sala de cinema, ao ponto dos rolos ficarem arranhados de tantas e tantas vezes o filme ter sido exibido para o público. Num país onde se nasceu o movimento cinematográfico Nouvelle vague, era mais do que natural que os franceses acolhessem o lado autoral de Sergio Leone.

Com o passar do tempo o filme foi, enfim, sendo reconhecido pelo público americano que antes o havia ignorado. Em sua total plenitude, o filme não é somente uma homenagem ao gênero, como também uma forma de dizer Adeus aos símbolos que o moldaram ao longo do seu tempo. Se John Ford foi sugestivo com relação a isso no seu clássico "Rastros do Ódio", Sergio Leone optou em sua obra em ser mais explicito.

Nos minutos finais do longa, quando vemos harmônica (Bronson) testemunhar a morte de Cheyenne (Robards), a câmera logo foca a chegada do trem no cenário principal da obra. É a onda do progresso invadindo aquele território, onde a imagem do cavaleiro solitário, enfim, não teria mais lugar ao sol naquele mundo. Com a trilha sonora poderosa de Ennio Morricone, da qual simboliza o fim e o começo de uma nova era, testemunhamos Jill (Claudia Cardinali) aceitar o seu destino em ser dona daquela terra e dar água aos homens que ajudarão a erguer um novo mundo.

Mais de cinqüenta anos já se passaram, mas "Era Uma Vez no Oeste" continua poderoso ao conseguir desconstruir um gênero jaz moribundo e revigorando para novos tempos.

Onde Assistir: Amazon Prime Vídeo

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sexta-feira, 12 de maio de 2023

Cine Especial: 'A Fortaleza Escondida - Uma Fonte de Riqueza'

Sinopse: No século XVI, durante as guerras civis que assolam o Japão, uma princesa, a sua família, os seus guerreiros e o seu tesouro são perseguidos. A cabeça da princesa está a prémio. A princesa parte em busca de refúgio com um general, dois camponeses que este capturara, e o tesouro. 

A frase "na vida nada se cria, mas tudo se copia" pode ser muito bem usado quando pensamos com relação ao papel do cinema ao longo da história, principalmente em tempos atuais em que cada vez há menos filmes com histórias originais, mas sim tramas que nos dá sempre a sensação que já tínhamos assistido em outras obras. Porém, a busca de inspiração pode acabar gerando algo bem criativo e até mesmo rendendo algo vasto em todos os sentidos. Um ótimo exemplo disso é a franquia "Star Wars" criada por George Lucas.

Quando o realizador criou o primeiro e grande clássico da franquia, intitulado "Uma Nova Esperança" (1977) ele buscou inúmeras fontes de inspiração para a criação daquele universo, mais precisamente se inspirando nos antigos filmes de aventura, faroeste e ficção que o mesmo assistia quando era mais jovem. O resultado foi uma obra épica que mudaria a história do cinema, mas revisitando ela se nota as inúmeras referencias de outros clássicos da sétima arte. "A Fortaleza Escondida" (1958) de Akira Kurosawa serviu de base para algumas ideias criadas por George Lucas e sendo revisto hoje como um grande filme de aventura.

A trama se passa durante o Japão do século XVI. A caminho de casa, um poderoso homem escolta uma bela princesa fugitiva em meio ao território inimigo. Em sua viagem cruzam dois medrosos fazendeiros, que estão tentando retornar para casa depois de fugirem da Guerra Feudal.

Claramente se percebe que os dois fazendeiros medrosos se tornariam fonte de influência para George Lucas, mais precisamente na criação de R2D2 e C3PO, os dois simpáticos androides de Star Wars que embarcariam mesmo sem querer para uma grande aventura. Em ambos os casos, são personagens comuns que se envolvem em uma grande cruzada e se tornando peças fundamentais para a vitória dos mocinhos da trama. Ao mesmo tempo, podemos concluir que a dupla criada por Kurosawa seja uma espécie de convite para nós adentrarmos junto com eles para uma jornada cheia de perigos, onde envolve desde lutas e sacrifícios.

Na jornada da dupla eles acabam conhecendo o herói da trama, mais precisamente o General Rokurota Makabe, interpretado por Toshirô Mifune e cujo o mesmo está encarregado de proteger a princesa. O ator, aliás, é uma figura simbólica dos filmes de Samurais, principalmente daqueles dirigidos por Kurosawa e sendo que antes havia sido um dos sete protagonistas de sua obra prima "Os Sete Samurais" (1954). Não me admira, por exemplo, que a figura de Toshirô Mifune serviu de inspiração para os cavaleiros solitários durões do velho oeste do cinema americano, como no caso, por exemplo, de personagens interpretados por Clint Eastwood.

Embora não seja uma super produção monumental como foi "Os Sete Samurais" Kurosawa se encarregou para que cada cena se tornasse inesquecível, sejam elas de maior ou menor grau. Se por um lado tempos cenas simples, porém, intensas de duelos com espadas e lanças, por outro lado, há cenas que nos impressionam até hoje graças ao cenário e inúmeros figurantes que ainda hoje não envelheceram. Quando vemos trabalhadores descendo correndo a escadaria contra os soldados, pisoteando pessoas, caindo e tropeçando pelo caminho, Kurosawa presta uma impressionante homenagem ao clássico russo " Encouraçado Potemkin" (1925) de Serguei Eisenstein.

Com uma belíssima fotografia em preto e branco, "A Fortaleza Escondida" foi o primeiro filme de Kurosawa filmado em Widescreen, com a tecnologia Tohoscope. Kurosawa usou a tecnologia durante uma década em seus filmes. Um belo exemplo de um cineasta de tempos passados que usava a tecnologia que estava surgindo com o intuito de melhorar a história e nunca poluir a mesma.

O filme recebeu o Prêmio FIPRESCI e venceu na categoria de melhor diretor no Festival de Berlim em 1959. Foi indicado ao Urso de Ouro de melhor filme. Os anos se passaram e o filme se tornaria uma das obras mais importantes da filmografia do cineasta, mesmo sendo o mais leve se formos comparar com títulos mais pesados do realizador como no caso, por exemplo, "Ran" (1985).

"A Fortaleza Escondida" é uma obra prima do gênero de aventura do mestre Akira Kurosawa e que serviu de fonte para outros clássicos da história do cinema. 


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