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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Marinheiro de Encomenda'

 Nota: Filme visto pelos associados do clube no último dia 01/08/16.

Sinopse: Dois barqueiros disputam passageiros em River Junction: o capitão William Canfield e o poderoso John James King. Um dia, o filho de William chega à cidade e apaixona-se por Marion King, a filha do rival.

Era o final dos anos 20 e o cinema já estava dando sinais de que passaria por uma metamorfose devido ao surgimento do recurso do som. Filmes como "Don Juan" (1926), "O Cantor de Jazz" (1927) e "Luzes de Nova York" (1928) foram pioneiros ao fazer o público testemunhar os protagonistas falando em alto e bom som, proclamando a gradual extinção do cinema mudo. Neste cenário de mudanças, alguns ainda persistiam em tentar manter as suas raízes, e esse alguém foi Buster Keaton.

Construindo uma carreira mágica através da comédia, Buster Keaton não era somente um mero comediante, mas também um realizador de suas obras, além de sempre se arriscar em cenas perigosas que deixariam qualquer dublê com a maior inveja. Pertencente ao cinema independente, Keaton sempre optou por não se vender aos grandes estúdios para não perder o controle criativo, mesmo quando era avisado pelos engravatados de que era necessário abraçar um novo rumo, já que os ventos da mudança estavam acontecendo. Em meio a essa incerteza, ele viria a lançar "Marinheiro de Encomenda" (1928), sendo apontado pelos historiadores como a sua última grande obra-prima.

Dirigido pelo seu colaborador Charles Reisner, o filme conta a história de William Canfield Jr. (Buster Keaton), que decide conhecer o seu pai, um bronco capitão de barco que trabalha transportando pessoas pelo rio Mississippi. Canfield encontra-o sofrendo com a concorrência do rico banqueiro John James King (Tom McGuire) e se vê forçado a ajudar na salvação do negócio familiar. William se envolve com Kitty King (Marion Byron), filha do inimigo, o que complica ainda mais a sua situação como um todo.

Pode-se dizer que o filme é uma espécie de releitura do seu maior clássico, A General (1926). Aqui, trocam-se os trens de locomotiva para dar lugar aos grandes barcos das águas do Mississippi, fazendo com que o protagonista tenha que lidar com toda a novidade desse cenário que transita entre a beleza e o lucro local. O desentendimento entre pai e filho talvez seja um dos pontos máximos da obra como um todo, já que o bronco capitão não aceita o seu filho como ele é, enquanto este último procura se manter da maneira como Deus o fez.

Não faltam momentos hilários entre os dois juntos, sendo que a minha cena preferida se encontra na loja de chapéus, onde o pai experimenta vários na cabeça do protagonista, mas nenhum o satisfaz. Como sempre, Buster Keaton mantém aquela cara séria, cujos trejeitos cartunescos são uma bela representação da era de ouro de um cinema em que o humor físico falava mais alto. Nesta última observação, o filme alcança todos os seus êxitos.

Sem sombra de dúvida, o ato final entra na lista dos melhores momentos da carreira do intérprete, no qual o seu personagem enfrenta um grande vendaval que o faz entrar em diversas enrascadas. Não faltam momentos hilários, desde quando ele se esconde dentro de uma casa para, logo depois, vê-la ser desmanchada pelo vento, até quando uma fachada inteira cai sobre ele — e ele só não se machuca porque o vão da janela o salvou. Não me admira que o ator tenha servido de inspiração para talentos ilustres da comédia de ação, como é o caso de Jackie Chan.

Infelizmente, o filme não foi o sucesso que Buster Keaton esperava, o que o fez aceitar a proposta dos grandes estúdios para continuar trabalhando. O resultado seria a perda da sua liberdade criativa ao longo dos anos, deixando para trás os seus tempos mais dourados. Conforme o tempo foi passando, a obra passou a ser reconhecida como um dos grandes trabalhos de sua carreira, marcando o final de uma era inesquecível do cinema mudo.

"Marinheiro de Encomenda" foi o começo do fim para a carreira do brilhante Buster Keaton, mas continua sendo visto hoje com muito carinho pelos fãs da comédia dos tempos mais dourados.

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (08/07/26)

 INSACIÁVEL

Sinopse: Uma estudante de medicina desesperada por amor experimenta uma estranha dieta da moda para perder peso. Após consumir cinzas humanas, ela passa a ser atormentada por uma presença sinistra que transforma sua vida em pesadelo.


KATSEYE: WILD HEARTS

Sinopse: Documentário acompanha a trajetória do grupo global desde o reality Dream Academy, destacando imagens inéditas, entrevistas íntimas e a forte conexão com os fãs chamados Eyekons. 



AUTHENTIC GAMES

Sinopse: Após anos comandando um mundo offline, o Império Desconectado decide se vingar. O Imperador planeja sequestrar Marco Túlio, criador do Authentic Games, para levar alegria ao seu reino sombrio. Ao entrar nesse universo, Marco Túlio se transforma em Authentic, um simpático boneco, e embarca em uma grande aventura para resgatar a Família Craft e enfrentar o Império. 


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Cine Dica: Clube de Cinema: "Fanon" (08/08) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (08/08), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para exibir o filme Fanon, de Jean-Claude Flamand-Barny. Ambientado na Argélia às vésperas da guerra de independência, o longa acompanha o período em que o psiquiatra e pensador anticolonial Frantz Fanon desenvolveu parte de suas reflexões sobre colonialismo, racismo e emancipação. Ao articular sua prática médica com o contexto político da época, o filme aproxima a trajetória pessoal do intelectual das ideias que marcaram seu pensamento. A sessão terá comentários dos professores Walter Lippold e Orson Soares, especialistas na obra de Fanon.

Além disso, lembramos que amanhã (06/08), às 19h, exibiremos o clássico São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, na Sala Redenção da UFRGS. A sessão é parte do nosso ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências" e contará com comentários de Daniel Rodrigues, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS).


Fanon

França, Luxemburgo, Canadá e Bélgica, 2024, 132min

Direção e roteiro: Jean-Claude Flamand-Barny

Elenco: Alexandre Bouyer, Déborah François, Stanislas Merhar

Sinopse: Em 1953, Frantz Fanon assume o trabalho em um hospital psiquiátrico na Argélia colonial e promove mudanças no tratamento dos pacientes. À medida que testemunha a violência do regime colonial, aproxima-se da luta pela independência do país e consolida as reflexões que o tornaram um dos principais pensadores anticoloniais do século XX.

Sobre o Filme: No filme brasileiro "Nise — O Coração da Loucura" (2015), vemos Glória Pires interpretar uma psiquiatra que enfrentou o sistema arcaico da época para buscar um tratamento mais digno a pessoas com sofrimento mental. Às vezes, porém, o desafio perante o sistema leva o indivíduo a um patamar cujo cenário é muito maior do que se imagina. "Fanon" (2026) fala sobre um médico que se envolveu em uma luta anticolonial e cujo exemplo ressoa até os dias de hoje.

Dirigido por Jean-Claude Barny, o filme narra a história de Fanon, um psiquiatra de origem martinicana cujo desafio profissional é chefiar os serviços do hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia. Rapidamente, seus métodos inovadores e seu tratamento humanístico atraem a ira de colegas e do diretor da instituição. Determinado, Fanon não abandona seus princípios; perante o conflito entre argelinos e colonizadores franceses, ele opta por ficar ao lado dos "condenados da terra".

Confira a minha crítica já publicada clicando aqui.

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Cine Dica: Cinesemana de 6 a 12 de agosto de 2026

A cinesemana de 6 a 12 de agosto apresenta duas estreias na nossa programação. Uma delas é CHAMPAGNE: UMA VIAGEM DE PAI E FILHO, do diretor holandês Tim Kamps, que ganha lançamento na semana do Dia dos Pais e faz um relato emocionante do reencontro entre um pai doente e seu filho distante. A segunda estreia é YUNAN, do diretor sírio Ameer Fakher Eldin, sobre um escritor que busca sentido para sua vida em uma ilha remota.

Atendendo a pedidos do público, no sábado haverá uma pré-estreia de ACAMPAMENTO MIASMA, o terror slasher que abriu a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.

A programação da semana segue com vários filmes prestigiados, incluindo O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, campeão absoluto de público e que coloca em cena dois casais que discutem as relações. Também continuam em exibição dois títulos baseados na vida e obra de grandes autores: assinado pela diretora polonesa Agnieszka Holland, FRANZ refaz a trajetória do escritor Franz Kafka, enquanto FANON destaca o trabalho do psiquiatra Franz Fanon na Argélia.

Esta é a última semana para conferir os longas A DIVINA SARAH BERNHARDT, em que Sandrine Kiberlain dá vida a uma das maiores atrizes de todos os tempos; e UMA INFÂNCIA ALEMÃ, em que o cineasta Fatih Akin mostra as consequências da guerra a partir do olhar de um menino de 12 anos. O filme gaúcho FUTURO FUTURO, do diretor Davi Pretto, também se despede da nossa programação nesta cinesemana.

Confira a programação completa da Cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema: "São Paulo Sociedade Anônima" (06/08, quinta-feira) na Sala Redenção

Nesta quinta-feira, 6 de agosto, às 19h, o Clube de Cinema de Porto Alegre realiza mais uma sessão do ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

A sessão é dedicada ao clássico São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sérgio Person, que será exibido em sua versão restaurada. Considerado um dos grandes títulos do cinema brasileiro, o filme acompanha Carlos, um jovem gerente da indústria automobilística que enfrenta uma profunda crise existencial em meio ao intenso processo de industrialização e crescimento da capital paulista. As aproximações entre São Paulo Sociedade Anônima e a Nouvelle Vague aparecem na narrativa fragmentada, na filmagem em locações reais, no olhar sobre a cidade como personagem e na investigação da alienação do indivíduo urbano.

Após a exibição, haverá um bate-papo com Daniel Rodrigues, crítico de cinema e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), mediada por integrantes do Clube de Cinema de Porto Alegre. O ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" é uma ação de extensão da Sala Redenção (UFRGS) em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, oferecendo certificados de participação aos inscritos e possibilitando o aproveitamento de horas complementares aos estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA


📅 Data: 06/08 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada por Daniel Rodrigues

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


São Paulo Sociedade Anônima

Brasil, 1965, 107min

Direção e roteiro: Luiz Sérgio Person

Elenco: Walmor Chagas, Eva Wilma, Ana Esmeralda, Otelo Zeloni, Darlene Glória, Mário Audrá

Sinopse: Um jovem da classe média tenta construir uma carreira na São Paulo em rápida industrialização, mas vê suas ambições e relações pessoais serem atravessadas pelas contradições da vida urbana e do mundo empresarial.

Sobre o Filme: Luís Sérgio Person era alguém que não parava no mesmo lugar por muito tempo. Foi ator, roteirista, produtor e diretor. Trabalhava na área de teatro, propaganda  e cinema. Teve uma carreira curta, porém, marcante. Morreu cedo, aos 39 anos. São Paulo, Sociedade Anônima, que escreveu e dirigiu em 1965, foi o seu primeiro longa, mas muitos críticos especializados consideram o seu melhor filme até hoje.

Na trama, Person cria um retrato das grandes mudanças sociais ocorridas na maior cidade do país a partir da trajetória do protagonista Carlos. Além disso, aproveita também para criar uma curiosa crítica a uma sociedade emergente de classe média, que vive nos grandes centros urbanos e se baseia em consumir e cultivar hábitos fúteis, ou seja, algo que viria acontecer mais e mais ao longo das décadas a seguir.

Person iniciou sua carreira na TV Tupi, em meados dos anos 1950. Depois, teve que abandonar a arte para trabalhar em uma empresa, onde permaneceu por dois anos. Veio daí a inspiração para a trama de "São Paulo, Sociedade Anônima", do qual, nem ele imaginaria que viraria um grande clássico do nosso cinema brasileiro. 

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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 6 a 12 de agosto

 Cinema brasileiro em estreia, Robert Altman e clássico com Greta Garbo em cartaz na Cinemateca Capitólio

A Cinemateca Capitólio estreia com exclusividade na quinta-feira, 6 de agosto, o documentário Os Ruminantes (2025), de Tarsila Araújo e Marcelo Mello, que resgata a história de um projeto fracassado do cinema brasileiro, a adaptação cinematográfica do romance A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga, nunca concluída por uma série de adversidades. Os Ruminantes divide horários com outra produção brasileira recente, Futuro Futuro, de Davi Pretto, vencedor do Festival de Brasília no ano passado. Inaugurada em 4 de agosto, segue em cartaz a mostra As Mulheres de Altman, que reúne quatro títulos deste que é um dos grandes diretores do cinema norte-americano do século XX.

Já no sábado, 8 de agosto, às 17h, acontece a segunda e muito aguardada edição do novo projeto da Cinemateca Capitólio, a sessão Clássicos, que irá apresentar uma obra-prima da comédia americana, Ninotchka (1939), de Ernst Lubitsch, protagonizada pela atriz sueca Greta Garbo, a maior estrela de Hollywood na década de 30.

Os Ruminantes

Em 1967, o diretor Luiz Sérgio Person (1936-1976) e o professor e crítico de cinema Jean-Claude Bernardet (1936-2025) escreveram o roteiro daquele que seria um de seus projetos mais ambiciosos, a adaptação cinematográfica do romance alegórico A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga, publicado no ano anterior. Um roteiro que, apesar de todos os esforços de Person, jamais sairia do papel, em função de diferentes impedimentos associados ao contexto histórico da época, marcada pela escalada autoritária e à censura impostas pelo regime militar. O documentário Os Ruminantes, dirigido por Tarsila Araújo e Marcelo Mello, resgata a história desse filme nunca realizado, que durante anos consumiu os esforços de Person, diretor de clássicos como São Paulo Sociedade Anônima (1965) e O Caso dos Irmãos Naves (1967).

A partir de um vasto material de arquivo, a pesquisa da dupla de diretores reúne documentos inéditos e confidenciais, entrevistas de época e depoimentos de pesquisadores e cineastas, reconstruindo a trajetória desse filme fantasma e refletindo sobre as relações entre cinema, censura, repressão e cultura no Brasil das décadas de 1960 e 1970. Entre os entrevistados estão Marina Person, filha de Luiz Sérgio Person, e o próprio Jean-Claude Bernardet, em uma de suas últimas participações registradas em documentário.

Futuro Futuro

Quarto longa-metragem de Davi Pretto, Futuro Futuro teve sua estreia mundial em 2025, no Festival de Kárlovy-Vary. A estreia brasileira aconteceu no mesmo ano, no Festival de Brasília, onde conquistou o prêmio de melhor filme.

O novo filme de Davi Pretto imagina um Brasil distópico de futuro próximo, onde avanços em inteligência artificial desencadearam uma nova síndrome neurológica. K é um homem de 40 anos sem memória acolhido por um clickworker solitário numa cidade chuvosa e degradada. Ao usar um dispositivo de IA durante um curso voltado a pessoas afetadas pela síndrome, ele embarca numa jornada absurda e trágica em busca de sentido e pertencimento.

Mostra As Mulheres de Altman

Um dos principais cineastas norte-americanos do século XX, autor de uma extensa filmografia, Robert Altman ganha uma pequena mostra de seus filmes na Cinemateca Capitólio. A mostra reúne os filmes femininos de Altman, exibindo quatro títulos que colocam mulheres em situação de protagonismo: Uma Mulher Diferente (1969), Imagens (1972), Três Mulheres (1977) e James Dean, o Mito Sobrevive (1982). A mostra se estende até o dia 19 de agosto, e os filmes poderão serão conferidos em diferentes dias e horários, sempre em sessões com entrada franca.

Greta Garbo na segunda edição da sessão Clássicos

Em 4 de julho último, a Cinemateca Capitólio atraiu um grande número de espectadores para a estreia da sessão Clássicos, que lotaram a sala para assistir ao filme que inaugurou o projeto, O Retrato de Dorian Gray (1945), de Albert Lewin. No próximo sábado, 8 de agosto, às 17h, acontece a segunda edição do Clássicos, com a exibição de Ninotchka (1939), comédia sofisticada dirigida por Ernst Lubitsch. Veículo para o estrelato da atriz sueca Greta Garbo, que reinou durante a década de 1930 como a grande diva dramática de Hollywood, Ninotchka foi lançado nos cinemas com uma massiva campanha publicitária como a primeira comédia da atriz. Com o slogan “Garbo Ri”, o filme prometia uma performance inédita e descontraída de uma estrela conhecida por dar vida a heroínas trágicas em melodramas suntuosos como Mata Hari (1931), Rainha Christina (1933), Anna Karenina (1935), A Dama das Camélias (1936) e Madame Walewska (1937).

A direção de Ninotchka ficou a cargo do mestre da comédia sofisticada, o alemão Ernst Lubitsch (1892-1947), que encontrou no roteiro assinado por Charles Brackett, Billy Wilder e Walter Reisch o material adequado para criar uma obra-prima do humor, vista por muitos críticos como o melhor de todos os filmes de Greta Garbo. A atriz interpreta Nina Yakushova, agente do governo soviético enviada a Paris para averiguar o comportamento de três representantes do governo que viajaram à capital francesa para cumprir uma importante missão e se deixaram seduzir pelos encantos da Cidade Luz. A princípio séria e disciplinada, ela própria acaba sucumbindo aos apelos capitalistas e ao glamour parisiense, caindo na lábia de um francês sedutor, típico representante da frivolidade que ela sempre detestou. A trama engenhosa e os diálogos espirituosos criam situações hilárias, potencializadas por um grupo de talentosos intérpretes liderado pela presença magnética de Garbo.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui.  

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Cine Dica: Streaming – 'O Justiceiro: Uma Última Morte'

Sinopse: Frank Castle está pronto para desistir de tudo, mas o seu passado o encontra primeiro.

O Justiceiro não foi um personagem que surgiu por acaso nas HQs; ele está mais para causa e efeito. Nos anos setenta, a criminalidade nos EUA explodiu, e Nova York se tornou mundialmente conhecida como a cidade do crime. Por conta disso, o cinema não deixou barato. Filmes como "Desejo de Matar" (1974) deram o pontapé inicial para o cinema de ação em que o protagonista atira primeiro e pergunta depois, tudo movido pelo desejo de vingança. Entram, então, os anos oitenta, nos quais anti-heróis como "Stallone Cobra" (1986) simbolizavam uma parcela de uma sociedade que pregava que "bandido bom é bandido morto".

Com o passar do tempo, essa ideia acabou ficando um tanto desgastada, ao ponto de as adaptações do personagem para o cinema chegarem atrasadas. Quando "O Justiceiro" (1989), estrelado por Dolph Lundgren, chegou aos cinemas, havia tantos personagens desse tipo que o longa acabou se perdendo em meio ao tiroteio. E quando "O Justiceiro" (2004) e "O Justiceiro: Em Zona de Guerra" (2008) chegaram às telas, o gênero de ação estava moribundo, de modo que um protagonista se tornando um exército de um homem só — e carrasco — já não era novidade havia bastante tempo.

Quando penso no personagem, sempre o enxerguei como um bom coadjuvante que rouba a cena devido à sua carga dramática. Nas HQs, por exemplo, ele se destacava sempre que surgia nas histórias do Demolidor, principalmente naquelas escritas pelo gênio Frank Miller. Portanto, quando o personagem foi novamente adaptado, desta vez para a segunda temporada de Demolidor nos tempos da Netflix, foi ali que ele finalmente obteve o seu estrelato. Suas motivações foram bem trabalhadas, e ele foi brilhantemente interpretado pelo ator Jon Bernthal, que vinha de sucessos como The Walking Dead (2011). Devido ao sucesso, o personagem ganhou protagonismo em sua própria série, que infelizmente ficou aquém do esperado.


Então, por que insistir em um personagem que quase nunca dá certo?

No meu entendimento, não há personagens ruins, mas sim realizadores que não sabem ao certo como conduzir determinado protagonista — principalmente aqueles que podem gerar problemas futuramente. É fácil rotular Frank Castle como uma figura problemática, sendo ele uma referência para um público que é a favor da violência contra a criminalidade e que deseja que a sentença seja imposta com uma bala na testa. Esse público está equivocado, pois a maioria dele não perdeu um ente querido ou algo do gênero; está apenas interessada em ver o cenário pegar fogo. Frank Castle é o que é pela dor da perda, moldado por um país que o fez como uma arma implacável para depois descartá-lo.

Portanto, o média-metragem "O Justiceiro: Uma Última Morte" (2026) acerta em cheio ao revelar o personagem em sua essência. Vemos um Frank querendo desistir de tudo, pois não vê mais sentido em continuar existindo. A produção orquestrada por Reinaldo Marcus Green retrata um bairro de Nova York em frangalhos, onde a criminalidade se tornou a rotina do cenário, enquanto o protagonista caminha pelas ruas como se fosse um mero fantasma em busca de uma luz nunca alcançada. Somente quando o passado vem ao seu encalço é que ele novamente obtém um propósito.

Em menos de uma hora, vemos um protagonista quebrado e trágico, sendo arrastado pela própria violência que tentou extinguir. A partir do momento em que se encontra em um beco sem saída, sua verdadeira essência aflora ao se tornar uma máquina de matar em cenas cruas, simples, diretas e quase gore. Não é um personagem a serviço do extremismo, mas que faz o que faz porque acredita ser esse o único meio de amenizar seus próprios demônios interiores.

Ainda é um personagem complexo, difícil de ser adaptado em tempos nos quais o uso ou não da violência é discutido de forma acalorada e cuja solução talvez nunca seja alcançada. Até lá, figuras como Frank Castle continuarão existindo, mas não necessariamente como um mau exemplo, e sim como a representação de alguém partido ao meio, para quem o sistema falhou. "O Justiceiro: Uma Última Morte" acerta no alvo ao revelar o personagem em sua real essência, mesmo em poucos minutos de tela.

Onde Assistir: Disney+

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