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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Cine Dica: Streaming - 'Apocalipse nos Trópicos'

Sinopse: Apocalipse nos Trópicos é um documentário brasileiro dirigido por Petra Costa sobre a influência do cristianismo evangélico na política do Brasil.  

Petra Costa surpreendeu ao lançar "Democracia em Vertigem" (2020), documentário que procura buscar respostas sobre as motivações que levaram ao impeachment dá até então Presidente Dilma e do fortalecimento da Extrema Direita. Em meio a isso, houve um crescimento de discurso de ódio, tanto vindo de lideranças do até então deputado Jair Bolsonaro, como também um crescimento da religião evangélica inserida em território político. "Apocalipse nos Trópicos" (2025) revela que isso não aconteceu ao acaso, mas sim já estava sendo planejado há muito tempo.

No documentário, Petra Costa mergulha na interseção alarmante entre religião e política no Brasil. o longa revela como o movimento evangélico, com sua ideologia apocalíptica, desempenhou um papel crucial na ascensão de Jair Bolsonaro à presidência e levanta questões sobre a ameaça de uma teocracia nacional. Ao mesmo tempo revela um cenário assustador, levando o país para um cenário quase distópico.

Petra Costa procura não vilanizar a religião evangélica, mas sim destacar os seus líderes com interesses políticos e que anseiam pelo controle das instituições. Dentre eles se destaca o Pastor Silas Malafaia, cujo seus seguidores seguiram aumentando ao longo dos anos de forma vertiginosa e fazendo obter poder através de sua palavra. Por conta disso, é notório que tanto ele, como outros líderes dessa área, buscassem alguém que pudesse representar eles para alcançar o poder e Bolsonaro foi esse homem que eles usaram em potência máxima.

Petra Costa não se debruça em teorias da conspiração, mas sim indo em direção ao foco principal e, portanto, é sempre interessante ver as palavras de Malafaia e do próprio Bolsonaro sendo que ambos usaram a palavra de Deus para atrair não somente conservadores, como também jovens desinformados com relação aos verdadeiros fatos da história e assim podendo manipulá-los de modo fácil através de fake news a todo momento. O resultado parece até uma espécie de lavagem cerebral, principalmente onde vemos diversas pessoas orando nas ruas cegamente e mal se importando na possibilidade do nascimento de um governo ditatorial por meio da religião.

O resultado disso foi em crer em qualquer coisa em que o Presidente dizia, principalmente quando ele ignorou todos os alertas sobre os tempos da Pandemia e gerando milhares de mortes, tudo porque os seus seguidores seguiam com a sua desinformação e propagando ainda mais o aumento da doença. É quase como se estivéssemos vendo um filme de ficção cuja realidade era uma distopia, mas que era justamente a nosso mundo real de até alguns anos atrás e fazendo com que as cenas se tornem ainda mais assustadoras. Quem acompanhou de perto tudo isso sabe muito bem o resultado catastrófico e fazendo muitos de nós perderem os seus entes queridos.

O terceiro ato do documentário, portanto, sintetiza a negação, onde vemos seguidores que não aceitam em hipótese alguma o retorno do ex-presidente Lula ao poder. Após a sua última vitória nas eleições presidenciais o que vemos é um país cada vez mais dividido, onde Bolsonaro arquitetou um golpe de estado através dos seus asseclas e resultando nos ataques antidemocráticos no dia 08 de janeiro de 2023. O golpe, porém, falhou, mas revelou o quanto a democracia é frágil perante a persuasão através de determinados líderes e culminando em pessoas que não aceitam mais a verdade por ela não ser mais o suficiente para eles.

Curiosamente, é interessante observar que Petra Costa vai ainda mais a fundo com relação ao nascimento da evangelização, não somente no Brasil, como também nos EUA em tempos em que o governo tornava a palavra comunismo como algo a ser riscado do mapa e usando a religião como uma das principais armas. Ao final, constatamos que, seja religião evangélica ou qualquer outra, ela pode ser facilmente usada como peça primordial para fins políticos e como isso pode mudar o curso da história como um todo. Os livros de história estão aí para nos ensinar a não cometer os erros do passado, mas pelo visto o ser humano está sendo reduzido a seres não pensantes e que podem, infelizmente, serem controlados facilmente.

Apocalipse nos Trópicos é um retrato assustador de uma população sendo doutrinada pelas palavras de falsos profetas e que somente anseiam pelo poder e controle da massa.   

Onde Assistir: Netflix. 

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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Agente Secreto'

Sinopse: Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida.   

No ano de 1977 os meus pais saíram do interior para morar em Porto Alegre. Segundo eles, era comum naquela época pegar um ônibus para logo em seguida ser parados por policiais militares que vinham com a desculpa que estavam procurando determinado meliante, mas a realidade era bem diferente. Assim era o Brasil do final dos anos setenta, onde se fazia tudo do jeitinho brasileiro, mas de um modo para ocultar um país em declínio moral e civilizado.

Kleber Mendonça Filho viveu boa parte de sua vida em Recife e por lá testemunhou as metamorfoses do país como um todo. Isso é sentido, por exemplo, no seu documentário "Retratos Fantasmas" (2023), longa que não somente fala sobre a juventude do diretor, como também sobre uma Recife que estava mudando aos poucos e cujo certos símbolos culturais foram ficando no passado. "O Agente Secreto" (2025) não é somente um dos melhores filmes do diretor, como também sintetiza o calor do momento de um Brasil sem rumo em tempos incertos.

A trama se passa no Brasil de 1977 onde Marcelo (Wagner Moura), que trabalha como professor especializado em tecnologia, sai da movimentada São Paulo e vai para Recife. Ele tenta fugir de algo que, em um primeiro momento, não sabemos ao certo e tendo como objetivo de recomeçar a sua vida. Em Recife ele chega em pleno calor do Carnaval, onde a calmaria dá lugar ao mistério e investigações sobre o seu passado e fazendo se perguntar se Recife se tornou um refúgio ou um beco sem saída.

Abertura do filme já é simbólica, onde o cineasta joga na tela fotos sobre tudo que estava acontecendo naquele período, desde aos filmes, como também a música, televisão e a cultura geral como um todo. Com uma fotografia de cores quentes, alinhada com uma edição de arte que impressiona, é como se voltássemos no tempo ao nos depararmos com um Brasil onde a terra sem lei não era vista nos noticiários, mas que rolava constantemente fora de nossa vista. A figura do corpo vista nos primeiros minutos do filme simboliza muito bem isso, onde o protagonista se torna o nosso guia para nos levarmos em uma realidade opressora nas entrelinhas.

Kleber Mendonça Filho não tem pressa para revelar a premissa principal da trama, sendo que nem precisa, pois, essa realidade vista na tela já nos encanta e desperta a nossa curiosidade sobre o que acontecia nela. Além disso, o diretor presta uma bela homenagem com relação a uma determinada sala de cinema de Recife, da qual exibia filmes de sucesso da época como "A Profecia" (1976), "Tubarão" (1975) e "Dona Flor e Seus Maridos" (1976). É curioso, por exemplo, ver as reações das pessoas diante do filme, assim como também os seus determinados comportamentos e que sendo colocados em prática hoje seriam politicamente incorretos.   

Falando em "Tubarão", é notório que o clássico de Steven Spielberg talvez seja um dos filmes favoritos de Kleber, pois só mesmo desta forma para explicar a aparição de um Tubarão em uma determinada cena e que trazia consigo uma perna decepada. Aliás, esse membro decepado é simbólico, pois pertence a uma época que os jornais usavam histórias surreais para tentar fugir da censura. Portanto, a sequência que mostra a perna atacando pessoas em plena madrugada sintetiza o folclore que havia se enraizado naquele período através de um jornalismo picareta e cujo sistema ditatorial somente agradecia por isso.

Curiosamente, essa sequência da perna sintetiza o quanto Kleber sabe explorar elementos de horror do gênero fantástico. Porém, o sangue jorrando em momentos que representam a violência que ocorria naquele período simboliza uma realidade muito mais assustadora do que qualquer filme de terror da época. E se determinada cena por sua vez não é explícita, por outro lado, a sugestão se torna algo ainda mais angustiante, principalmente na cena de um camburão que diz tudo mesmo não mostrando nada diante dos nossos olhos.

O horror que não se vê acaba se tornando um elemento relevante do filme como um todo, principalmente nas passagens que é revelado que a trama é apresentada através de duas estudantes do nosso tempo atual que estão ouvindo relatos de Marcelo através de fitas cassetes. É neste momento, portanto, que não só descobrimos a cruzada em que o protagonista está enfrentando, como também é o momento em que Wagner Moura mais brilha na tela como um todo. Vale destacar que neste flashback dentro de flashback é que conhecemos uma personagem importante dentro da trama que é a esposa do protagonista e que mesmo em pouco tempo de cena a atriz Alice Carvalho dá um verdadeiro show de atuação e digno de nota.

O filme é uma visão autoral de Kleber Mendonça Filho, onde cada cena moldura uma parte íntima de sua pessoa, mas que realmente funciona também graças ao seu grande elenco. Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Thomas Aquino, Carlos Francisco Udo Kier e dentre outros brilham em seus respectivos papéis, mesmo quando seus momentos são de pequenas passagens da trama, mas de grande relevância. Mas da ala de coadjuvantes se destaca realmente Tânia Maria, Artesã potiguar que começou atuar ao fazer uma rápida, porém, significativa participação em "Bacurau" (2019) e que aqui rouba a cena ao interpretar uma personagem não muito diferente de sua pessoa, mas sendo o suficiente para nos conquistar de forma imediata.

A maioria dos personagens centrais da história acabam por sua vez se cruzando em um ato final digno de nota, onde o cineasta dá uma verdadeira aula de como se faz um verdadeiro filme de suspense e culminando em elementos imprevisíveis. Tudo se direciona para minutos finais simbólicos, onde nos diz que todo o começo tem o seu final, mas o que foi de relevante a história nunca apagará. Resta, porém, saber se essa geração atual está disposta a conhecer a verdade dos fatos como é visto na tela, pois assim como os livros de história o cinema também é uma janela para o conhecimento e que é preciso abri-la para abraçarmos os fatos.

"O Agente Secreto" não é somente a obra prima de Kleber Mendonça Filho, como também uma representação genuinamente histórica de um Brasil que não existe mais, mas que é necessário essa geração atual conhecer. 

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