Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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A cinesemana de 19 a 25 de março traz a retrospectiva DE LÁ PRA CÁ - UMA MOSTRA DA VARDA, que reúne 20 títulos da diretora que marcou a história do cinema francês e hoje é um patrimônio mundial. Outro destaque da programação é a estreia de A GRAÇA, nova parceria do diretor italiano Paolo Sorrentino com o ator Toni Servillo. Também temos o filme A MENSAGEIRA, produção argentina premiada no Festival de Berlim, e PELE DE VIDRO, documentário sobre um marco da arquitetura moderna de São Paulo.
O longa norueguês VALOR SENTIMENTAL, vencedor do Oscar de melhor filme internacional, segue em cartaz na nossa programação, junto com o espanhol SIRÂT, que concorreu pelo mesmo prêmio. Esta é a última semana para conferir MOTHER´S BABY, da diretora alemã Joahnna Moder, e duas animações indicadas ao Oscar: A PEQUENA AMÉLIE e ARCO, ambas em versões legendadas.
Confira a programação completa da Cinemateca clicandoaqui.
Sinopse: Na Chicago da década de 1930, uma cientista traz uma jovem assassinada de volta à vida para ser uma companheira para o monstro de Frankenstein. O que acontece em seguida está além do que qualquer um deles poderia ter imaginado.
Nos últimos tempos o clássico literário "Frankenstein" de Mary Shelley começou a ser redescoberto para essa nova geração através de novas adaptações ou simplesmente de filmes que prestam uma homenagem à obra. Se o recente "Frankenstein" (2025) de Guillermo del Toro busca ser fiel a sua fonte original, por outro lado, "Pobres Criaturas" (2023), de Yorgos Lanthimos, pega emprestado a ideia e criando uma obra original e provocadora. Temos então "A Noiva" (2026) que segue a premissa do clássico literário, mas sendo modelado para provocar essa nova geração de cinéfilos.
Dirigido pela atriz e diretora Maggie Gyllenhaal, o longa se passa em Chicago na década de 1930 e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada que ganha vida novamente. Sua trágica morte é conhecida pelo monstro do cientista Frankenstein que, solitário, pede por uma companhia para a Dr. Euphronius revive-la. Os dois, então, trazem de volta à vida uma jovem e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva.
Vou ser direto e deixar claro que esse filme não é para todos, sendo que é mais direcionado para os fãs da obra literária, como também para aqueles que são apaixonados pelo próprio cinema. Digo isso porque a trama se passa nos anos trinta, tempos em que a libertinagem e a cultura andavam de mãos dadas até que a igreja conservadora se meteu em cena e obrigando os estúdios a criarem famigerado Código Hays. Esse período, por sua vez, foi visto no longa "Babilônia" (2022), ótimo filme que se aprofunda nesse período, mas sendo ignorado na época de lançamento pelo grande público.
Isso talvez venha acontecer inicialmente com "A Noiva", já que ele não veio para agradar ninguém, mas sim provocar e fazer a pessoa pensar se ela quiser. Maggie Gyllenhaal tem consciência do vespeiro em que está se metendo, ao alinhar elementos até mesmo de outros gêneros e fazendo uma transição entre horror e musical. Se "Coringa: Delírio a Dois" (2024) foi apontado como problemático neste quesito, o filme de Maggie Gyllenhaal não fugirá desse julgamento.
Curiosamente, é notório que alguns elementos vistos aqui são semelhantes ao serem comparados com o polêmico filme de Todd Phillips. Jessie Buckley interpreta uma Noiva que mais parece uma entidade da natureza fora do controle antes mesmo de se tornar a criatura da trama e provocando aqueles que a ofendem ou quando se vê diante de uma situação politicamente incorreta contra as mulheres. Sua atuação é tão assombrosa que se o mundo fosse perfeito deveria ter sido ela Arlequina no já citado "Coringa: Delírio a Dois".
Christian Bale, por sua vez, tem uma atuação que é quase nublada perante a sua companheira de cena, mas se esforçando ao máximo para nos apresentar a criatura de Frankenstein de uma maneira nunca vista. Ambos em cena colaboram para que o filme ganhe diversos contornos, por vezes, pouco lúcidos e nos brindando com situações que beiram o surreal. Não há explicação do momento quando todos surtam em uma festa e o casal central começa a dançar, pois o que vale é aceitar e mergulhar nesta insanidade que nem todos irão comprar.
O filme talvez seja acusado por adotar um discurso feminista que por vezes surge do nada, mas que talvez se case com a proposta inicial da diretora. O filme nada mais é sobre uma síntese de seres desajustados perante um mundo que não os aceita, mas que mesmo assim abraçam a ideia de não dar satisfação para aqueles que os julgam de forma tão fácil. Ao meu ver, o filme é uma representação do próprio posicionamento de Maggie Gyllenhaal e da qual a mesma espera que o tempo julgue o seu longa futuramente.
Com uma curiosa homenagem ao clássico "Bonnie e Clyde" (1967) na reta final da história, "A Noiva" é um verdadeiro estranho no ninho nos tempos atuais de uma Hollywood presa ao único pensamento em adquirir lucro.
A Cinemateca Capitólio realiza a partir do próximo dia 17 de março a mostra Clássicos Franceses, reunindo 7 títulos de diferentes épocas, assinados por alguns dos mais importantes diretores do cinema francês, entre eles Alain Resnais, Claude Sautet, Marcel Carné e Georges Franju. A mostra, realizada em parceria com a Cinemateca da Embaixada da França do Rio de Janeiro e o Institut Français, celebra o Dia Mundial da Francofonia, comemorado em 20 de março, e conta com o apoio da Aliança Francesa de Porto Alegre. A programação se estende até o dia 25 de março.
Grade de horários
17 de março (terça-feira)
19:00 – Mostra Clássicos Franceses: As Coisas da Vida (R$ 10,00 e
R$ 5,00) – 89 minutos
18 de março (quarta-feira)
19:00 – Mostra Clássicos Franceses: Os Olhos sem Rosto (R$ 10,00 e R$ 5,00) – 88 minutos
Sinopse: No interior da Argentina, o dom especial de uma menina dá aos seus tutores oportunistas a ideia de oferecer consultas com um médium animal para ganharem a vida.
Recentemente eu participei do curso sobre o cinema Argentino, do qual foi criado pelo Cine Um e ministrado pelo professor Rafael Valles. Durante a atividade se constatou que, tanto o cinema argentino, como também o nosso cinema brasileiro, vive com certas similaridades, assim como também em questões políticas. Neste último caso, por exemplo, os altos e baixos do governo argentino sempre influenciaram o seu cinema como um todo.
O nosso cinema sofreu nas mãos da ditadura, assim como também em tempos de governo Collor e provocando quase a sua extinção. Após esse período turbulento, "Terra Estrangeira" (1995) Walter Salles , foi talvez o melhor título que soube sintetizar a sensação de incerteza com relação ao próprio futuro. "A Mensageira" (2026) talvez venha a se tornar uma representação desse período em que Argentina sofre nas mãos do Presidente Milei e cuja esperança de alguns é explorada pelo oportunismo de outros em tempos turbulentos.
Dirigido por ván Fund, o longa acompanha Anika (Anika Bootz), uma pré-adolescente com o “dom” de se comunicar com animais, vivos e mortos. Em plena crise econômica, seus tutores, Myriam (Mara Bestelli) e Roger (Marcelo Subiotto), transformam esse dom em sustento e organizam consultas mediúnicas para tutores de pets enquanto cruzam o interior argentino em uma pequena van numa fronteira delicada entre fé, afeto e oportunismo.
Com uma bela fotografia em preto e branco, o filme é um verdadeiro road movie onde vemos os protagonistas centrais cruzarem o interior de um país afundado em uma crise que faz com que o futuro se torne bastante incerto. Uma vez tendo esse cenário, o filme explora a questão do papel da fé das pessoas, sendo que esse se torna o único elo da civilização contra a barbárie e da qual a maioria evita de chegar nele. A afeição do ser humano com os animais se torna um ponto de fuga para os personagens vistos na tela escaparem de uma realidade sombria e tendo um pingo de esperança ao acreditar que existe algo a mais além dessa vida.
ván Fund procura extrair o melhor desempenho possível de seus respectivos intérpretes, sendo que os mesmos nos brindam com atuações cujo olhar tem muito mais a dizer do que meras palavras soltas ao vento. Tanto Mara Bestelli e Marcelo Subiotto constrói os seus personagens de forma verossímil, ao passar as suas reais intenções com relação à pequena protagonista, mas também não escondendo um certo carinho que ambos sentem por ela. Uma relação ambígua e que faz com que isso cresça ao longo da história.
Já a pequena Anika Bootz surpreende com uma atuação natural sobre no que pode ser ela mesma em cena, ao não forçar ser uma personagem com dons surpreendentes, mas sim nos passando um naturalismo diga-se de passagem. Essa naturalidade faz com que o filme cada vez mais cresça, pois é através desse teor natural que faz com que nos identificamos mais com ela e fazendo do seu possível dom ser recolocado em segundo plano em alguns momentos do longa. Ao mesmo tempo, sua personagem começa aos poucos descobrindo como são feitas as regras do mundo em que ela vive e que nem tudo ela poderá evitar no decorrer de sua cruzada.
No saldo geral, o filme nos passa que a fé move montanhas, mesmo quando ela nasce de uma forma oportunista em tempos turbulentos que faz as pessoas se revelarem como um todo. O filme procura não fazer com que a gente julgue a situação, mas sim fazer a gente crer que o ser humano possa acordar o seu melhor perante um futuro que pode somente restar cinzas com relação a história. O enquadramento final diz bastante isso e sendo mais do que o suficiente para ser conferido.
"A Mensageira" é uma cruzada no interior Argentino, mas que revela o melhor e o pior do indivíduo perante tempos em que a crise financeira está devorando tudo.
O grande vencedor do Oscar 2026 foi "Uma Batalha Após a Outra", que conquistou seis prêmios, entre eles Melhor Filme e Melhor Direção, para Paul Thomas Anderson, premiado pela primeira vez pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas neste domingo (15/3) em Los Angeles. "O Agente Secreto", que disputava em quatro categorias, não levou nenhuma das estatuetas, mas ao menos obteve a honra de estar ao lado de gigantes e sendo um filme brasileiro que merece o nosso respeito e que será lembrado nos livros de história no decorrer do tempo.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, "O Agente Secreto" disputava em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco. O longa-metragem brasileiro perdeu pelo norueguês "Valor Sentimental" na categoria Melhor Filme Internacional. Já Moura perdeu o prêmio de Melhor Ator para Michael B. Jordan, que venceu pela atuação em "Pecadores". O brasileiro Adolpho Veloso, que concorreu na categoria Melhor Fotografia pelo filme "Sonhos de Trem", perdeu para Autumn Durald Arkapaw, de "Uma Batalha Após a Outra", primeira mulher a vencer nesta categoria.
A cerimonia por sua vez foi dinâmica, mas não escondendo alguns tropeções, como no caso de cortar o discurso de alguns vencedores com determinada música. Em termos de polêmicas, Sean Penn ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por "Uma Batalha Após a Outra", mas não compareceu a festa. Há quem diga que ele viajou para Ucrânia. A publicação não esclarece o motivo da viagem, mas Penn tem uma relação antiga com o presidente Volodymyr Zelensky e, desde 2022, tem passado períodos no país, que está em guerra contra a Rússia.
Mas talvez um dos pontos altos da noite tenha realmente sido a homenagem para aqueles que se foram no ano passado e no início deste ano. Robert Redford, Diane Keaton, Robert Duvall, Claudia Cardinale e tantos outros tiveram as suas merecidas homenagens e para sempre lembrados como grandes estrelas para aqueles que amam o cinema.
Confiram a lista completa de vencedores e indicados:
Melhor Filme
Uma Batalha Após a Outra - VENCEDOR
Hamnet
Pecadores
Marty Supreme
Frankenstein
Valor Sentimental
Sonhos de Trem
O Agente Secreto
Bugonia
F1: O Filme
Melhor Ator
Timothée Chalamet (Marty Supreme)
Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra)
Wagner Moura (O Agente Secreto)
Michael B. Jordan (Pecadores) - VENCEDOR
Ethan Hawke (Blue Moon)
Melhor Atriz
Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria)
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet) - VENCEDORA
Renate Reinsve (Valor Sentimental)
Emma Stone (Bugonia)
Kate Hudson (Song Song Blue)
Melhor Atriz Coadjuvante
Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra)
Amy Madigan (A Hora do Mal) - VENCEDORA
Inga Ibsdotter Lilleaas (Valor Sentimental)
Elle Fanning (Valor Sentimental)
Wunmi Mosaku (Pecadores)
Melhor Ator Coadjuvante
Stellan Skarsgård (Valor Sentimental)
Jacob Elordi (Frankenstein)
Benicio Del Toro (Uma Batalha Após a Outra)
Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) - VENCEDOR
Delroy Lindo (Pecadores)
Melhor Filme Internacional
O Agente Secreto (Brasil)
Valor Sentimental (Noruega) - VENCEDOR
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)
Melhor Direção
Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra) - VENCEDOR
Ryan Coogler (Pecadores)
Chloé Zhao (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
Joachim Trier (Valor Sentimental)
Josh Safdie (Marty Supreme)
Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop - VENCEDOR
Arco
Zootopia 2
A Pequena Amélie
Elio
Melhor Curta de Animação
Butterfly
Forevergreen
Retirement Plan
The Girl Who Cried Pearls - VENCEDOR
The Three Sisters
Melhor Figurino
Frankenstein - VENCEDOR
Pecadores
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Marty Supreme
Avatar: Fogo e Cinzas
Melhor Maquiagem e Cabelo
Frankenstein - VENCEDOR
Kokuho
Pecadores
Coração de Lutador
A Meia-Irmã Feia
Melhor Escalação de Elenco
Pecadores
Hamnet
Marty Supreme
O Agente Secreto
Uma Batalha Após a Outra - VENCEDOR
Melhor Curta-Metragem
Houve um empate nesta categoria, com isso foram anunciados dois vencedores.
The Singers - VENCEDOR
Jane Austen's Period Drama
Two People Exchanging Saliva - VENCEDOR
Butcher's Stain
A Friend of Dorothy
Melhor Roteiro Adaptado
Uma Batalha Após a Outra - VENCEDOR
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Sonhos de Trem
Bugonia
Frankenstein
Melhor Roteiro Original
Pecadores - VENCEDOR
Valor Sentimental
Marty Supreme
Foi Apenas um Acidente
Blue Moon
Melhor Design de Produção
Frankenstein - VENCEDOR
Hamnet
Marty Supreme
Uma Batalha Após A Outra
Pecadores
Melhor Efeito Visual
Avatar: Fire and Ash - VENCEDOR
F1
Jurassic World Rebirth
Pecadores
The Lost Bus
Melhor Curta Documentário
All the Empty Rooms - VENCEDOR
Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud
Children No More: Were and Are Gone
The Devil Is Busy
Perfectly a Strangeness
Melhor Documentário
Alabama: Presos do Sistema
Embaixo da Luz Neon
Cutting Through Rocks
Mr Nobody Against Putin - VENCEDOR
A Vizinha Perfeita
Melhor Trilha Original
Bugonia
Frankenstein
Hamnet
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores - VENCEDOR
Melhor Som
Frankenstein
F1 - VENCEDOR
Uma Batalha Após A Outra
Pecadores
Sirât
Melhor Montagem
Uma Batalha Após a Outra - VENCEDOR
Pecadores
F1: O Filme
Marty Supreme
Valor Sentimental
Melhor Fotografia
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores - VENCEDOR
Sonhos de Trem
Frankenstein
Marty Supreme
Melhor Canção Original
Guerreiras do K-Pop, Golden, EJAE e Mark Sonnenblick - VENCEDOR
Diane Warren: Relentless, Dear Me, Diane Warren
Pecadores, I Lied to You, Ludwig Göransson e Raphael Saadiq
Viva Verdi!, Sweet Dreams of Joy, Nicholas Pike
Train Dreams, Train Dreams, Nick Cave e Bryce Dressner
O premiado filme francês "O Acontecimento" de Audrey Diwan será exibido pelo Cineclube Torres, na próxima segunda-feira, dia 16, às 20h, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo.
Adaptação cinematográfica do livro homônimo da ganhadora do prêmio Nobel Annie Ernaux integra a programação de março dedicada às mulheres. O Acontecimento" retrata as inquietações e a luta de Anne, uma estudante de literatura nos anos 60, para realizar um aborto, quando a prática era ainda ilegal na França (foi descriminalizado em 1975, ampliado o acesso nos anos seguintes, até ser sancionado como direito em 2024).
O filme foi premiado em 2021 no festival de cinema de Veneza com o Leão de Ouro, antecipando assim a atribuição do prêmio Nobel de Literatura (2022) à escritora do livro autobiográfico que inspirou a obra.O tabu atualmente existente na sociedade brasileira, mesmo em frentes mais progressistas, sobre o tema do aborto deve ser contornado pela urgência do debate sobre o resultado da atual política de proibição e criminalização. Para além de negar a autodeterminação sobre o corpo, o quadro legal atual põe em risco à saúde e à vida de mulheres que, tendo uma gravidez indesejada, escolhem de sofrer o aborto na ilegalidade e em condições irregulares e precárias.
A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. A entrada franca até a lotação do espaço. O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.
Serviço:
O que: Exibição do filme "O Acontecimento" (2022) de Audrey Diwan
Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres
Quando: Segunda-feira, 16/3, às 20h
Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).
Cineclube Torres
Associação sem fins lucrativos
Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva
Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus
Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur
Nota: Filme exibido para os associados no dia (05/03/26)
O tempo como vivemos, é composto de camadas nas quais os passado se acumula a cada minuto que passa. Em seu longa de estreia, o francês Alain Resnais foi saudado pela capacidade de traduzir em imagens e palavras tanto as múltiplas presenças do tempo quanto o lugar e a ação da memória, como a faculdade que faz tudo sempre retornar. Essa habilidade seria retomada dois anos depois em "O Ano Passado em Marienbad" (1961), sob uma forma ainda mais radical.
"Hiroshima Meus Amor" (1959) não é apenas um filme, é também um texto de autoria de Marguerite Duras, que imprime às imagens uma densidade poética que ultrapassa o mero sentido dos diálogos. A trama se resume ao encontro entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês na cidade reconstruída depois de ter sido devastada por uma das bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos em 1945. "Você não viu nada em Hiroshima", ele insiste. "Eu vi tudo", ela retruca. Pois, mesmo que nenhum dos dois tenha estado lá no momento do ataque, é a memória que se encarrega de não fazer esquecer os grandes traumas.
É ela pode afirmar que "viu tudo" porque viveu a guerra a seu modo, na alma e na carne, quando jovem, ao se apaixonar por um soldado alemão durante a ocupação nazista da França. O amante foi morto em combate, e ela acabou punida pelo envolvimento. Entretanto, para além das lembranças pessoais, é a memória coletiva que interessa a Resnais, o que já estava evidente em alguns de seus primeiros curtas As Estátuas também Morrem, de 1953 e, sobretudo, em "Noite e Neblina, de 1955, e em "Toda a Memória do Mundo, de 1956.
Em "Noite e Neblina", um documentário sobre os campos de extermínio nazista, o texto do escritor Jean Cayrol servia de alerta contra os riscos do esquecimento: "Onde estão os futuros carrascos? Com certeza entre nós...".
Neste sentido, Hiroshima, Meu Amor" é acima de tudo um filme político, em que o romance individual serve de guia para a lição coletiva expressiva nas palavras do texto de Duras, que reitera os riscos "da desigualdade posta em princípio por alguns povos contra outros povos, da desigualdade posta em princípio por algumas raças contra outras raças, "da desigualdade posta em princípio por algumas classes contra outras classes".
Em "Hiroshima, Meu Amor" o tempo e a memória servem de matéria na construção de uma obra que se posiciona contra os riscos do esquecimento.