Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Neste sábado (18/07), o encontro do Clube de Cinema de Porto Alegre será no Cine Bancários, às 10h15 da manhã, onde exibiremos o recente longa-metragem brasileiro Criadas, dirigido por Carol Rodrigues. Partindo do reencontro entre duas primas marcadas por trajetórias muito distintas, o filme investiga como o racismo estrutural e a herança escravocrata atravessam as relações familiares e persistem na memória, combinando drama psicológico e elementos de realismo fantástico para abordar questões ainda profundamente presentes na sociedade brasileira.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 18/07, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cine Bancários
Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre
Criadas
Brasil, 2025, 105min
Direção e roteiro: Carol Rodrigues
Elenco: Ana Flavia Cavalcanti, Mawusi Tulani, Sarito Rodrigues
Sinopse: Ao retornar à casa onde cresceu para procurar fotografias de sua mãe, uma antiga empregada doméstica, Sandra reencontra a prima Mariana. O convívio faz ressurgir lembranças da infância e revela marcas deixadas pelo racismo, pelos silêncios familiares e pelas desigualdades que moldaram a vida das duas.
Nota: Filme Exibido para os associados no dia 02/07/26.
Sinopse: Depois de 12 anos, François (Jean-Claude Brialy) retorna à sua vila, na França, onde passou toda a infância. Ele percebe que a localidade não sofreu grandes mudanças, ao contrário das pessoas, que nem mais reconhece. François dedica especial atenção ao seu problemático amigo Serge (Gérard Blain), que passa o dia inteiro às voltas com a bebida, sem dar qualquer atenção à esposa grávida.
A partir de meados da década de 1950, Chabrol e os seus colegas críticos - Eric Rohmer, François Truffaut, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette - foram veementes na condenação do cinema francês contemporâneo, expressando a insatisfação com a tradição, enquanto que foram simultaneamente chamados para uma revisão radical da forma em que os filmes eram feitos e o que seria mais relevantes para um público moderno. Na década que se seguiu, todos estes cinco cinéfilos tiveram a sua oportunidade de pegar numa câmera e mostrar a sua própria visão do cinema. Claude Chabrol foi o primeiro a fazê-lo, mas, ironicamente, seria o último a encontrar o sucesso neste novo trabalho.
Os primeiros filmes de Chabrol são muito diferentes dos filmes com os quais ele é mais conhecido hoje, dramas psicológicos com um toque hitchcockiano, sombrios e um pouco bem-humorados. Estes filmes parecem ser obra de um realizador completamente diferente - mais experimental, mais ousado, mais disposto a chocar o público. "Nas Garras do Vício" (1958) não é o mais ilustre dos trabalhos iniciais de Chabrol, mas é um dos seus filmes mais interessantes, em que já podemos ver os temas que predominam nos últimos anos, nomeadamente um desgosto para a moralidade burguesa falhada. Estilisticamente, o filme parece ter sido influenciado por obras italianas neo-realistas da década anterior. Chabrol rodou o filme inteiro em exteriores, empregando atores não profissionais para todos os papéis secundários e autores bastante inexperientes para os papéis principais. O local é sombrio, fotografia de baixo contraste a preto e branco com ausência de iluminação artificial dão ao filme um sentido austero da realidade que não poderia ser mais diferente da elegância polida de filmes posteriores de Chabrol.
"Nas Garras do Vício"reúne três dos atores que viriam a ser estreitamente associados à Nouvelle Vague francesa: Jean-Claude Brialy, Gérard Blain e Bernadette Lafont. Muitos especialistas consideram este, verdadeiramente, o primeiro filme da Nouvelle Vague.
No sábado (11/07), nos reunimos no Instituto Goethe às 10h15 da manhã para assistir Os Peixes Dourados, de Alireza Golafshan. Partindo de uma premissa inusitada, a comédia utiliza elementos do gênero road movie para desmontar estereótipos sobre deficiência e expor, com ironia, os preconceitos e constrangimentos presentes nas relações cotidianas.
Já no domingo (12/07), às 10h da manhã, exibiremos o clássico Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes, na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim. Um dos grandes marcos do cinema independente norte-americano, o filme acompanha a crise de uma família para investigar os limites entre afeto, sofrimento psíquico e as pressões sociais que moldam as relações humanas, sustentado pelas interpretações memoráveis de Gena Rowlands e Peter Falk.
Confira os detalhes da programação:
SÁBADO (11/07, 10h15)
Os Peixes Dourados (Goldfische)
Alemanha, 2019, 112min
Direção e roteiro: Alireza Golafshan
Elenco: Tom Schilling, Jella Haase, Birgit Minichmayr, Axel Stein, Luisa Wöllisch
Sinopse: Após ficar paraplégico em um acidente, um ambicioso gestor financeiro organiza uma viagem à Suíça ao lado dos moradores de uma residência para pessoas com deficiência, usando a excursão como pretexto para recuperar dinheiro escondido. A inesperada convivência transforma a jornada em uma divertida aventura que confronta preconceitos e redefine o significado de normalidade.
📍 Local: Instituto Goethe Rua – 24 de Outubro, 112 – Moinhos de Vento, Porto Alegre
🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade
DOMINGO (12/07, 10h)
Uma Mulher Sob Influência (A Woman Under the Influence)
Estados Unidos, 1974, 146min
Direção e roteiro: John Cassavetes
Elenco: Peter Falk, Gena Rowlands, Fred Draper, Lady Rowlands
Sinopse: Mabel e Nick tentam preservar o equilíbrio de sua vida familiar enquanto enfrentam o desgaste da rotina, dificuldades de comunicação e o crescente sofrimento emocional da protagonista, retratando a fragilidade dos vínculos afetivos e as pressões exercidas pelas expectativas sociais sobre a vida doméstica.
📍 Local: Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim – Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
Neste sábado (04/07), às 10h15 da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre se reune na Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão de O Estrangeiro, de François Ozon.
Baseado na obra homônima de Albert Camus, o filme traz uma adaptação fiel e visualmente elegante de um dos textos fundamentais do século XX. Ambientado na Argélia colonial e com uma expressiva fotografia em preto e branco, o filme preserva a atmosfera de estranhamento e ambiguidade da obra original, acompanhando um protagonista cuja indiferença diante da vida acaba colocando em xeque as convenções morais da sociedade que o julga.
Aos amantes do cinema francês, é bom lembrar que amanhã (quinta-feira, 02/07), às 19h, damos continuidade ao ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parecia com a Sala Redenção da UFRGS, com o filme Nas Garras do Vício, de Claude Chabrol. Após a sessão, acompanharemos os comentários da crítica e pesquisadora de cinema Fatimarlei Lunardelli. Neste ano, o ciclo participa de ação de extensão da UFRGS, de forma que oferece certificação aos participantes, possibilitando o aproveitamento de horas complementares. Inscreva-se!
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: 04/07 (sábado), às 10h15 da manhã
📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim
Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
O Estrangeiro (L'étranger)
França, 2025, 112min
Direção e roteiro: Fraçois Ozon (baseado em romance de Albert Camus)
Elenco: Benjamin Voisin, Rebecca Marder, Pierre Lottin
Sinopse: Na Argélia dos anos 1930, Meursault leva uma vida marcada pela apatia e pelo distanciamento emocional. Após matar um homem em circunstâncias aparentemente banais, ele enfrenta um julgamento que ultrapassa o próprio crime, transformando sua indiferença diante da morte, do amor e das convenções sociais no verdadeiro objeto de condenação.
Sobre o Filme: François Ozon é, atualmente, um dos diretores franceses mais curiosos de se analisar de perto, justamente por sua versatilidade. Ele transita com facilidade por boas comédias, como "O Crime é Meu" (2023), e por dramas densos cujos temas soam polêmicos, como no caso de "Está Tudo Bem" (2021). "Em O Estrangeiro" (2025), o realizador prova novamente que alguns clássicos literários ainda podem — e devem — ser reaproveitados nos dias de hoje, entregando uma adaptação que é uma prova mais do que genuína desse potencial.
Adaptação da obra-prima literária do franco-argelino Albert Camus, o filme conta a história de Meursault, um homem indiferente que vive na Argélia ocupada dos anos 1930 e demonstra uma completa apatia perante a vida. Quando sua mãe morre, nenhuma emoção parece comovê-lo. Já no dia seguinte ao funeral, ele começa a se relacionar com sua colega de trabalho, Marie. No entanto, a rotina monótona de Meursault é interrompida por um vizinho que o arrasta para uma série de negociações obscuras até que, num dia quente de verão, uma tragédia ocorre na praia.
Confira a minha crítica já publicada clicando aqui e seja sócio do Clube de Cinema.
Nesta quinta-feira (02/07), às 19h, o Clube de Cinema promove mais uma sessão do ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", realizado em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.
O filme da vez é Nas Garras do Vício (Le beau Serge), de Claude Chabrol. Considerado uma das obras inaugurais da Nouvelle Vague, o longa acompanha o reencontro de dois antigos amigos em um pequeno vilarejo francês e, a partir dessa relação, reflete sobre as frustrações da vida provinciana, o peso da culpa e as possibilidades de redenção. Com grande força dramática, o filme explora a melancolia de seus personagens e da própria cidade, aproveitando ao máximo os cenários reais.
Após a sessão, contaremos com os comentários da crítica e pesquisadora de cinema Fatimarlei Lunardelli. Lembramos ainda que o ciclo integra uma ação de extensão da UFRGS e oferece certificado de participação, possibilitando o aproveitamento de horas complementares para estudantes. Inscreva-se!
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: 02/07 (quinta-feira), às 19h
📍 Local: Sala Redenção – UFRGS
R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre
🎤 Sessão comentada por Fatimarlei Lunardelli
🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade
Nas Garras do Vício (Le beau Serge)
França, 1958, 98 min
Direção e roteiro: Claude Chabrol
Elenco: Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Michèle Méritz e Bernadette Lafont
Sinopse: Após retornar à sua cidade natal para se recuperar de uma doença, François reencontra Serge, um antigo amigo consumido pelo alcoolismo e pelo desencanto. À medida que revive lembranças e observa as tensões daquele pequeno vilarejo, ele tenta ajudá-lo a romper o ciclo de autodestruição que passou a definir sua vida.
Neste sábado, dia 20 de junho, nosso encontro será às 10h15 da manhã no Cine Bancários, onde assistiremos ao documentário Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia. Partindo de histórias pessoais e de uma investigação sobre a arquitetura das casas brasileiras, Aqui Não Entra Luz propõe uma reflexão sobre o trabalho doméstico, as marcas da escravidão e as desigualdades que continuam presentes no cotidiano brasileiro. Ao reunir relatos de mulheres que foram, ou ainda são, empregadas domésticas, o filme articula experiências individuais e processos históricos mais amplos, revelando como espaços, relações de trabalho e hierarquias sociais permanecem conectados.
Entre as personagens está Miriam Mendes, mãe da diretora, cujas vivências inspiraram o documentário. A partir de lembranças da infância, quando acompanhava a mãe em seus locais de trabalho, Karol Maia constrói um filme sensível sobre memória, reconhecimento e justiça social.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 20/06, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cine Bancários
Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre
Aqui Não Entra Luz
Brasil, 2025, 79 min
Direção e roteiro: Karol Maia
Sinopse: A partir das trajetórias de cinco mulheres que trabalharam, ou trabalham, como empregadas domésticas em diferentes regiões do Brasil, o documentário investiga as permanências da herança escravista nas relações de trabalho e na organização dos espaços domésticos. Unindo lembranças pessoais, pesquisa histórica e reflexões sobre direitos e reconhecimento profissional, o filme constrói um retrato das experiências de quem dedicou a vida ao cuidado das casas e das famílias de outras pessoas.
Neste sábado, dia 13 de junho, nosso encontro será às 10h15 da manhã, no auditório do Instituto Goethe, onde assistiremos ao filme Cleo, primeiro longa-metragem do cineasta alemão Erik Schmitt.
Misturando aventura, romance e fantasia, o filme transforma Berlim em um espaço repleto de histórias, lendas urbanas e passagens secretas. Ao acompanhar a jornada de uma jovem em busca de um relógio capaz de voltar no tempo, Schmitt constrói animações, truques visuais e referências à história berlinense. Cleo propõe um passeio por diferentes camadas do passado e do presente, explorando a relação entre perdas, desejos e a possibilidade, real ou imaginária, de reescrever a própria vida.
Além da sessão de sábado, reforçamos que amanhã (quinta, 11/06), às 19h, damos continuidade ao ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção. O filme da vez é A Chinesa, de Jean-Luc Godard. Após a sessão, haverá um bate-papo com os pesquisadores Alexandre Guilhão e Juliana Costa. Neste ano, o ciclo participa de ação de extensão da UFRGS, de forma que oferece certificação aos participantes, possibilitando o aproveitamento de horas complementares. Inscreva-se!
🗳️ ÚLTIMO DIA PARA VOTAR! A votação para definir os projetos que serão contemplados pela emenda parlamentar que pode beneficiar a preservação da memória do Clube de Cinema se encerra HOJE! Ainda dá tempo de participar, compartilhar com amigos e familiares. A votação leva cerca de 1 minuto: acesse o site, cadastre seus dados, escolha um projeto da saúde e, em "Demais Áreas", selecione Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). Contamos com a sua ajuda!
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 13/06, às 10h15 da manhã
📍 Local: Instituto Goethe
Rua 24 de Outubro, 112 – Moinhos de Vento, Porto Alegre
🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade
Cleo
Alemanha, 2019, 99min
Direção: Erik Schmitt
Roteiro: Erik Schmitt e Stefanie Ren
Elenco: Marleen Lohse, Jeremy Mockridge, Heiko Pinkowski, Max Mauff
Sinopse: Fascinada pelas histórias e mistérios de Berlim, Cleo sonha encontrar um lendário relógio capaz de voltar no tempo. Quando conhece Paul, um jovem caçador de tesouros que possui pistas sobre o paradeiro do artefato, ela embarca em uma aventura que atravessa diferentes lugares, épocas e memórias da cidade.
Neste final de semana, teremos sessão dupla no Clube de Cinema!
No sábado, dia 30, nosso encontro será às 10h15 da manhã na Cinemateca Capitólio, onde exibiremos Como Era Verde o Meu Vale, de John Ford. Partindo das lembranças de infância de seu protagonista, Huw Morgan, o filme retrata a transformação social e a desagregação familiar em um País de Gales atravessado pela industrialização.
No domingo, dia 31, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para assistir Três Mulheres, de Robert Altman: um filme hipnótico e difícil de decifrar, em que identidades se confundem, personalidades parecem migrar entre personagens e a lógica narrativa cede espaço a uma atmosfera onírica. Situado numa Califórnia desértica e artificial, Três Mulheres transforma gestos cotidianos, silêncios e relações banais em matéria de estranhamento psicológico e reflexão sobre feminilidade, desejo e construção da identidade.
🗳️ Lembramos que o Clube de Cinema está concorrendo a um recurso disponibilizado por meio de emenda parlamentar para viabilizar um projeto de preservação de sua memória, e você pode nos ajudar! Basta acessar o formulário neste link, preencher seus dados e avançar para a próxima etapa. Primeiro, é necessário votar em um projeto da área da saúde. Depois, na aba “Demais Áreas”, você poderá selecionar o Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). Após escolher um projeto da saúde e um projeto em “Demais Áreas”, confirme seu voto. Os projetos mais votados serão contemplados. Ajude a preservar a história e a memória do Clube de Cinema!
⚠️ Recebemos um aviso do Instituto Goethe de que após a sessão de Circusboy, ocorrida no último sábado (23/05), foram encontrados resíduos de alimentos no auditório. Reforçamos aos nossos associados a orientação de não consumir alimentos e bebidas durante as sessões nas salas parceiras.
Confira os detalhes da programação:
SÁBADO (30/05, 10h15)
Como Era Verde o Meu Vale (How Green Was My Valley)
EUA, 1941, 118min
Direção: John Ford
Roteiro: Phillip Dunne e Richard Llewellyn
Elenco: Walter Pidgeon, Mareen O’Hara, Anna Lee, Donald Crisp, Roddy McDowall, Sara Allgood, Barry Fitzgerald e Patric Knowles
📍 Local: Cinemateca Capitólio – Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre
Sinopse: Em uma comunidade mineradora do País de Gales, o jovem Huw Morgan relembra sua infância marcada pelos vínculos familiares, pelos rituais coletivos e pelas mudanças provocadas pela industrialização. Narrado a partir da memória, o filme acompanha o amadurecimento do protagonista diante das transformações sociais e afetivas que alteram para sempre o vale onde cresceu.
DOMINGO (31/05, 10h15)
Três Mulheres (3 Women)
EUA, 1977, 124min
Direção: Robert Altman
Roteiristas: Robert Altman, Patricia Resnick
Elenco: Shelley Duval, Sissy Spacek, Janice Rule
📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz
Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
Sinopse: Em uma cidade desértica da Califórnia, duas mulheres solitárias desenvolvem uma relação ambígua e cada vez mais instável após passarem a viver juntas. Entre deslocamentos de personalidade, desejos reprimidos e imagens recorrentes, o cotidiano gradualmente assume contornos de sonho e pesadelo.
Nota: Filme exibido para os associados no dia 23/05/26.
Sinopse: O filme acompanha Santino, um garoto de circo que viaja pelo país com sua família e seus animais. Para ele, o lar está aqui hoje e lá amanhã.
Por ter nascido no início dos anos oitenta, cheguei a conhecer os circos dos velhos tempos, época em que o picadeiro nos brindava com verdadeiros espetáculos. Posteriormente, conheci o clássico "O Maior Espetáculo da Terra" (1952), no qual as andanças de um grupo circense através dos EUA eram retratadas como uma grande aventura. Hoje, o circo já não é mais o mesmo de seus tempos dourados.
Com o advento de novas tecnologias e o fácil acesso a outros meios de entretenimento, o circo atual sobrevive apenas através da paixão daqueles que não sabem viver de outra forma a não ser manter o espetáculo vivo, mesmo com poucos recursos. O filme brasileiro "O Grande Circo Místico" (2018) sintetiza bem essa realidade ao retratar uma família que, de geração em geração, insiste em manter a lona erguida mesmo quando se encontra à beira da falência. É aí que chegamos ao ponto central de "Circusboy" (2025), um documentário alemão sobre a cruzada de uma família circense através das décadas, testemunhada pelo olhar de uma criança sonhadora.
Dirigido por Julia Lemke e Anna Koch, o documentário foca em Santino, um menino que cresce em um circo itinerante, onde o lar é a sua família, e não um lugar geográfico. Seu bisavô Ehe, um lendário diretor de circo alemão, compartilha histórias de sua carreira, incutindo em Santino o amor pela vida nômade. Em seu aniversário de 11 anos, Ehe o desafia a descobrir seu próprio talento e a contribuir ativamente para a comunidade.
Assistir ao documentário não apenas me fez relembrar a minha infância, como também trouxe à memória os filmes citados acima. No longa, não vemos as cineastas interagindo com as figuras centrais da obra; elas optam por registrar o dia a dia de forma observacional, conduzidas pela perspectiva do pequeno Santino. Os minutos iniciais são uma representação genuína dessa escolha estética, já que a câmera o acompanha de perto, tornando-se uma extensão do nosso próprio olhar sobre o que virá a seguir.
Santino procura sempre ser prestativo nas tarefas diárias para erguer a lona e começar o espetáculo. Ao mesmo tempo, o documentário revela o peso desse nomadismo precoce, já que a rotina itinerante faz com que o jovem mude de escola inúmeras vezes. Curiosamente, nada abala o garoto, que se encontra totalmente encantado pelo universo criado por sua família.
Esse encanto é fortalecido pelo bisavô, que comanda o circo desde a juventude e mantém a tradição viva através das décadas. É nessa relação, por exemplo, que o documentário revela seu real charme: o uso de desenhos tradicionais como uma espécie de reconstituição do passado da família. Essa jornada entre altos e baixos nos encanta pela criatividade, sendo impossível não se emocionar com a trajetória de um determinado elefante que se tornou figura fundamental para aquela comunidade circense.
Acima de tudo, "Circusboy" não é apenas um documentário sobre a resistência da arte circense em pleno século XXI, mas também sobre a jornada de um jovem em busca de seu lugar no picadeiro. Um longa que reforça a importância de mantermos nossos sonhos intactos, mesmo quando as adversidades surgem com o tempo. O show precisa continuar, mesmo quando o mundo diz o contrário.
"Circusboy" é uma sensível declaração de amor para aqueles que guardam boas lembranças da era de ouro do circo e para os que, ainda hoje, lutam para manter esse espetáculo vivo.
Neste sábado, dia 23 de maio, nosso encontro será no auditório do Instituto Goethe, às 10h15 da manhã, onde assistiremos ao filme Circusboy, dirigido por Julia Lemke e Anna Koch.
Misturando elementos de documentário, animação e road movie, o filme acompanha o cotidiano de uma das últimas famílias circenses itinerantes da Europa a partir do olhar de Santino, um menino de 11 anos que tenta descobrir qual será o seu lugar dentro do circo. Ao longo de um ano de viagens, apresentações e mudanças de cidade, o documentário observa não apenas a rotina de trabalho e convivência dessa comunidade, mas também as ambiguidades de uma forma de vida marcada simultaneamente pela liberdade, pela instabilidade e pela permanência de tradições familiares.
Também gostaríamos de te lembrar que o Clube de Cinema está em busca de recursos para realizar seu projeto de preservação da memória de seus 80 anos. Estamos participando de uma seleção pública por meio de uma emenda parlamentar na qual os projetos mais votados serão contemplados. Participar é muito simples: basta acessar o formulário neste link, preencher seus dados e avançar para a próxima etapa. Primeiro, é necessário votar em um projeto da área da saúde. Depois, na aba “Demais Áreas”, você poderá selecionar o Clube de Cinema de Porto Alegre (código 0058). Após escolher um projeto da saúde e um projeto em “Demais Áreas”, confirme seu voto!
Confira dos detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 23/05, às 10h15 da manhã
📍 Local: Instituto Goethe
Rua 24 de Outubro, 112 - Moinhos de Vento, Porto Alegre
Circusboy (Zirkuskind)
Alemanha, 2025, 86min
Direção e roteiro: Julia Lemke e Anna Koch
Sinopse: Acompanhando a rotina de um circo itinerante familiar, o filme segue Santino, um garoto de 11 anos que cresce entre viagens, apresentações e encontros passageiros enquanto tenta descobrir qual será o seu papel dentro da tradição circense herdada de sua família.
Sinopse: Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história.
Quando as enchentes de maio de 2024 começaram no Rio Grande do Sul, eu estava trabalhando em Sapucaia do Sul e testemunhando a chegada das águas na capital através da tela do meu celular. Aos poucos, fui vendo pelos noticiários as cidades sendo destruídas pela força das águas e as pessoas ficando desabrigadas, transformando tudo em um cenário apocalíptico. Porém, nem todos os registros estavam ao nosso alcance, pois, daquela data em diante, cada indivíduo tinha uma história única a ser contada.
Por mais profissionais que sejam, os veículos da mídia tradicional jamais terão a capacidade de adentrar as entranhas daqueles que sofreram com a tragédia, ou de escolher uma única pessoa que se torne a representação perfeita de um povo afetado em maior ou menor grau. Fora da grande mídia, no entanto, cada um registrou os eventos à sua maneira, revelando-nos algo que não foi visto pela maioria. "800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva" (2024) é um registro compacto sobre os fatos, mas que possui um peso enorme ao revelar o lado humano perante o inexplicável.
Dirigido por Thiago Lazeri, o documentário registra os eventos de maio de 2024, período em que o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história. Em apenas dez dias, cidades inteiras foram devastadas pela chuva, pela lama e pelas enchentes. A partir dos testemunhos de pessoas que atravessaram essa experiência, o longa acompanha histórias de perda, sobrevivência e reconstrução, refletindo sobre a memória, o trauma coletivo e os impactos sociais e ambientais da tragédia.
Lembro-me de que, quando os trens foram liberados até a estação Mathias Velho, decidi ir até lá para ver a situação daquele bairro de Canoas após as águas baixarem. Ao chegar, uma sensação mórbida me atingiu em cheio: testemunhar o horror da destruição ao vivo trouxe um impacto que não havia sido transmitido a mim através da mídia tradicional. Ao meu ver, as reportagens de TV capturaram apenas o que era factual e essencial, mas não o horror real da situação.
O documentário de Thiago Lazeri nos leva ao cenário das consequências daquele mês de maio, onde o realizador registra não somente o lado solidário daqueles que decidiram ajudar o próximo, mas também a reconstrução daquilo que foi perdido. O que vemos na tela não é uma reconstituição fria dos fatos, mas sim a revelação crua de uma destruição vinda da própria natureza, fazendo-nos constatar o quanto somos frágeis perante a sua fúria. Os depoimentos das personagens são profundamente sinceros, e elas não têm medo de expor suas dores emocionais ao se depararem com a incerteza de por onde recomeçar do zero.
Através de sua lente, Thiago registra os estragos e recolhe relatos que nos fazem imaginar como eram as residências antes do ocorrido, permitindo-nos comparar mentalmente ambos os cenários. Dois anos depois, ainda existem pessoas que seguem na reconstrução de suas vidas, seja limpando o que foi destruído ou recomeçando a caminhar em outra cidade que não foi atingida como um todo. Porém, por mais que tenham forças para reconstruir, fica o aviso: nem tudo terá retorno.
Talvez o momento mais emocionante do documentário seja justamente o de Lucilene e Dona Lenite, moradoras de Muçum, município gaúcho localizado no Vale do Taquari. Lá, elas não apenas testemunharam seus lares sendo devastados, como também o cemitério onde estavam sepultados os seus entes queridos. O ápice desse momento é a dolorosa constatação de que a enchente não atingiu somente os vivos, mas levou consigo até mesmo os mortos em seu descanso.
"800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva" é o registro mais humano e cru sobre a tragédia de maio de 2024 — alcançando um efeito de empatia e realidade que a mídia tradicional simplesmente não conseguiu transmitir.
Mais informações sobre o documentário vocês conferem no site oficial clicandoaqui.
Neste sábado, dia 16 de maio, nosso encontro será no Cine Bancários, às 10h15 da manhã, onde assistiremos ao documentário 800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva, de Thiago Lazeri. A sessão contará com a presença do diretor, que conversará conosco após o filme.
Partindo da catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o filme acompanha personagens que viveram diretamente os impactos das enchentes e da destruição provocada pelo maior desastre ambiental da história do estado. A partir de relatos e imagens marcadas pelos vestígios da tragédia, o documentário procura registrar não apenas a dimensão material das perdas, mas também as transformações subjetivas, os traumas e os esforços de reconstrução que permaneceram após a água baixar.
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 16/05, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cine Bancários
Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre
🎤 Sessão comentada com o diretor Thiago Lazeri
800 Milímetros: Histórias que resistiram à chuva
Brasil, 2024, 65min
Direção: Thiago Lazeri
Roteiro: Thiago Lazeri e Vitor Chagas
Sinopse: Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática de sua história. Em apenas dez dias, cidades inteiras foram devastadas pela chuva, pela lama e pelas enchentes. A partir dos testemunhos de pessoas que atravessaram essa experiência, o documentário acompanha histórias de perda, sobrevivência e reconstrução, refletindo sobre memória, trauma coletivo e os impactos sociais e ambientais da tragédia.