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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Cine Especial: 'Trainspotting - 30 Anos Depois'

O tempo passa e fica cada vez mais notório que, durante os anos 1990, foram lançados filmes que serviriam de base para o que o cinema se tornaria posteriormente. Obras como "Clube da Luta" e "Matrix", ambas de 1999, sintetizam com maestria o espírito daquela época, na qual a sociedade se tornava progressivamente alienada, consumista e refém do sistema capitalista. Porém, antes disso, em 1996, um pequeno filme britânico tomou o mundo cinematográfico de assalto: "Trainspotting - Sem Limites" (1996), que se tornou rapidamente um dos grandes marcos de um período em que a juventude buscava se definir.

Dirigido por Danny Boyle — que na época já chamava a atenção pelo recente "Cova Rasa" (1994) —, o filme é baseado no livro do escritor escocês Irvine Welsh. A trama se passa em Edimburgo, onde vive Renton (Ewan McGregor), um jovem usuário de heroína que leva uma vida descompromissada, dividindo-se entre o envolvimento com a estudante colegial Diane (Kelly Macdonald) e os encontros com seu grupo de amigos: Sick Boy (Jonny Lee Miller), um imoral aficionado por HQs e fanático por Sean Connery; Tommy (Kevin McKidd), um atleta responsável; Spud (Ewen Bremner), um sujeito ingênuo e de bom coração; e Begbie (Robert Carlyle), um sociopata extremamente violento.

Vindo da linguagem de videoclipes e curtas-metragens, Danny Boyle se aproveita da liberdade técnica para brincar com a câmera, algo perceptível logo nos primeiros minutos. Vemos os protagonistas correndo sob a célebre narração em off, embalados por uma trilha sonora marcante e acelerada por uma montagem dinâmica. Tudo isso nos arremessa direto para aquele universo saturado de drogas e álcool, habitado por jovens desorientados que, paradoxalmente soterrados por opções de consumo, tornam-se ainda mais viciados.

O filme estabelece paralelos com outros grandes clássicos do cinema, como "Taxi Driver" (1976), por também abordar o indivíduo cercado por possibilidades de ascensão, mas aprisionado a escolhas autodestrutivas e ao vício. É justamente no retrato do uso de entorpecentes que Danny Boyle comprova por que se tornaria um dos cineastas mais influentes de sua geração.

"Trainspotting" reúne tantas sequências antológicas que se torna difícil escolher a favorita. Algumas cenas funcionam como símbolos quase surreais do estado psicológico do protagonista — como a cena em que Renton mergulha em um vaso sanitário imundo para recuperar seus supositórios. E, se isso não for o bastante, a sequência da crise de abstinência, com o bebê engatinhando pelo teto, traduz com maestria o delírio e a claustrofobia da privação.

O impacto da obra impulsionou não apenas a carreira do diretor, mas também a de seu protagonista. Após o sucesso do filme, Ewan McGregor alçou voos maiores, transitando entre blockbusters — como a trilogia prequel de "Star Wars" — e produções de perfil autoral, a exemplo de Peixe Grande (2003), de Tim Burton. Todo o elenco principal se reuniria duas décadas depois em "T2 Trainspotting" (2017), uma sequência honesta, mas incapaz de replicar o impacto revolucionário da obra original.

Trinta anos após sua estreia, "Trainspotting" permanece como uma obra-prima de seu tempo e um modelo estilístico para cineastas que continuam buscando criar sua própria "Mona Lisa" cinematográfica.

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segunda-feira, 13 de abril de 2020

Cine Dica: Durante a Quarentena Assista: 'Trainspotting' (1996)

Sinopse: Mark Renton tem amigos estranhos: um psicopata alcoólatra, um desesperado, um fã de Sean Connery mulherengo e um viajante. Todos buscan superar o desemprego, os relacionamentos e as drogas. 


O tempo passa e cada vez fica mais notório que durante os anos noventa foram lançados filmes que serviriam de base para o que o cinema se tornaria posteriormente. Filmes como, por exemplo, "Clube da Luta" e "Matrix", ambos de 1999, foram o que melhor sintetizam o que acontecia naqueles tempos, onde a sociedade cada vez mais se tornava alienada, consumista e presa ao sistema capitalista. Porém, antes disso, um pequeno filme tomou por assalto o mundo cinematográfico em 1996, o britânico "Trainspotting" e se tornando facilmente um dos grandes filmes de uma época em que a juventude procurava se definir na vida.
Dirigido por Danny Boyle, que na época já era badalado pelo filme "Cova Rasa" (1994), a trama é baseado no livro do escritor escocês Irvine Welsh, onde a trama se passa em  Edimburgo, na Escócia, onde vive Renton (Ewan McGregor), um jovem usuário de heroína que leva uma vida despreocupada, dividindo-se entre seu romance com a estudante colegial Diane (Kelly Macdonald) e os encontros com seus quatro amigos viciados: Sick Boy, (Jonny Lee Miller), um imoral desenhista de HQs fanático por Sean Connery; Tommy (Kevin McKidd), um atleta responsável; Spud (Ewen Bremner), um bobalhão de bom coração e Begbie (Robert Carlyle), um violento sociopata.
Vindo de clipes e curtas metragens, Danny Boyle se aproveita ao máximo para fazer o que bem entender com a sua câmera e isso é bem perceptível nos primeiros minutos de filme vistos na tela. Vemos os protagonistas correndo, com sua narração off disparando, trilha sonora pesada da época e cuja a edição de cenas a tornam bastante dinâmica. Tudo isso para nos colocar naquele universo cheio de bebidas e drogas em meio a jovens perdidos na vida, porém, com opções demais de consumo e fazendo deles ainda mais viciados.
O filme pode facilmente ser comparado a outras obras primas do cinema como, por exemplo, "Taxi Driver" (1976) já que em ambos os casos fala do indivíduo em meio a muitas possibilidades para melhorar a vida, mas presos a elas e se enveredando para o consumo ilícito e, por vezes, vicioso. É nas cenas de consumo de drogas, por exemplo, que Danny Boyle comprova porque veio a se tornar um dos grandes diretores que surgiram naquele momento.
'Trainspotting' é um daqueles filmes que possui tantas cenas imperdíveis que acaba se tornando até mesmo difícil escolher qual a sua favorita. Em alguns casos, elas se tornam uma espécie de símbolo abstrato com relação a situação que o protagonista se encontra naquele momento e, portanto, não se surpreenda do próprio se enfiar em um vaso cheio de excremento para somente obter de volta a sua preciosa droga. Se isso não é o suficiente se prepare então para a sequência da abstinência, com o direito de haver um bebê andando no teto e deixando o protagonista ainda mais enlouquecido devido à falta de consumo.
O filme não só consagraria o diretor como também o seu protagonista. Após "Trainspotting",  Ewan McGregor testemunharia a sua carreira chegar a um novo patamar, atuando tanto em superproduções, como no caso da segunda trilogia "Star Wars", como também continuando atuando em filmes mais autorais, como no caso, por exemplo, "Peixe Grande" (2003) de Tim Burton. Tanto ele como os demais do elenco retornaram "T2 Trainspotting" (2016) mas jamais superando o impacto que foi a obra original como um todo.
Quase vinte e cinco anos depois do seu lançamento, "Trainspotting" é uma obra prima de sua época, mas servindo de modelo para outros cineasta para tentarem fazer a sua Mona Lisa cinematográfica.  

Onde assistir: DVD, Netflix e Net Now

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