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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'The Rocky Horror Picture Show'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 05/09/26.

O recente filme "A Noiva" (2025), de Maggie Gyllenhaal, foi massacrado pela crítica e não convenceu o público a ir ao cinema. Porém, nota-se que é o típico longa que vai conquistando uma fatia de espectadores aos poucos, ganhando status de cult no seu devido tempo. O fato de a obra pegar personagens conhecidos do universo do horror e recolocá-los em uma proposta que vai contra o convencional faz com que prenda a nossa atenção — seja agora ou em uma sessão futura.

Não faltaram, ao longo da história do cinema, experimentos que se tornaram fracassos retumbantes de bilheteria para, posteriormente, serem adorados pelo público. David Lynch, por exemplo, provou o gosto do fracasso comercial com o seu primeiro longa, "Eraserhead" (1977), mas logo alcançou a consagração através das midnight movies — sessões da meia-noite em que produções B, relegatedas a horários marginais, conquistavam um público fiel e duradouro. "The Rocky Horror Picture Show" (1975) é um desses casos: um filme completamente fora dos padrões da época, mas que tirava de trás das cortinas o desejo de uma parcela da sociedade de libertar sua verdadeira faceta.

"Rocky Horror" foi concebido originalmente como um espetáculo teatral musical, surgindo como uma grande homenagem aos filmes de terror e ficção científica das décadas de 1940 a 1970. O sucesso nos palcos foi estrondoso, resultando em adaptações pelo mundo todo — inclusive no Brasil, com Wolf Maya no elenco. Posteriormente, em 1975, ganhou sua versão cinematográfica.

Dirigido por Jim Sharman, o longa acompanha Brad Majors (Barry Bostwick), que decide pedir sua noiva, Janet Weiss (Susan Sarandon), em casamento. Antes da cerimônia, eles partem em uma viagem de carro, mas acabam se perdendo sob uma forte tempestade. Com o veículo quebrado, buscam ajuda em um castelo próximo, onde são recepcionados por Riff Raff (Richard O'Brien), o criado do dr. Frank-N-Furter (Tim Curry), o extravagante dono da propriedade.

Logo na abertura, o filme diz a que veio: a escuridão da tela é invadida por grandes lábios vermelhos que cantam "Science Fiction/Double Feature". A letra faz referência a diversos clássicos do horror e da ficção científica, de Flash Gordon a King Kong, passando por Frankenstein e Drácula. Porém, mesmo com esse início magnético e imprevisível, ninguém imaginava o delírio que estaria por vir.

Basicamente, a obra é um grande musical que pega carona em sucessos como "Cabaret" (1972) e o cultuado "O Fantasma do Paraíso" (1974). Esses dois exemplos sintetizam a sobrevivência de um gênero que parecia em decadência, mas que injetava na tela elementos estéticos que se tornariam populares na era MTV nos anos 1980 — momento em que extravagância e criatividade andavam de mãos dadas. O filme de Sharman, contudo, atinge essa potência em grau máximo.

Podemos simplificá-lo como uma reverência aos clássicos de horror dos anos 1930 e à onda de ficção científica B dos anos 1950 que assolava o cinema norte-americano. Todavia, o longa revela nas entrelinhas que essas obras pregressas operavam sob uma lógica conservadora ao usarem monstros para amedrontar a plateia, enquanto o verdadeiro monstro estava encravado na própria estrutura social. O mundo ainda tinha vergonha de encarar suas próprias barbáries, desde os horrores do Holocausto até a bomba de Hiroshima.

Os anos 1970, por sua vez, revelaram um cinema cada vez mais desafiador após a derrocada do Código Hays, exigindo que o público aceitasse a metamorfose em curso no mundo. Renegada às sombras, a comunidade LGBTQIA+ via-se marginalizada e perseguida; quando "Rocky Horror" chegou às telas, tornou-se um grito de protesto contra o conservadorismo opressor. Mesmo sob o véu do absurdo e do deboche, é impressionante como o longa carrega simbolismos potentes, tornando-se mais atual do que nunca, mesmo passados mais de cinquenta anos.

O casal central representa a elite puritana norte-americana, incapaz de esconder seus desejos reprimidos à medida que a narrativa avança. Frank-N-Furter surge como uma força da natureza que se recusa a viver nas sombras, seduzindo e libertando todos ao seu redor através de sua extravagância. Tim Curry, que demonstrou imensa versatilidade ao longo da carreira, jamais perdeu a marca dessa interpretação icônica que entrou para a história da sétima arte.

A crítica da época, previsivelmente, detestou a produção, taxando-a de incompreensível e obscena. O grande público também não deu atenção imediata, mas a obra cresceu no boca a boca, tornando-se a rainha das sessões da meia-noite, das cinematecas e das exibições com participação da plateia. Revisto hoje, "The Rocky Horror Picture Show" permanece como um ponto fora da curva: um filme transgressor, genial e à frente de seu tempo, perante o qual até o conservadorismo acabou se rendendo.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Nacionalidade do Imigrante'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 03/09/26.

Sinopse: Sidi, um trabalhador mauritano empregado na França, enfrenta, como tantos outros imigrantes, condições precárias de trabalho e exploração por parte dos patrões. Diante do racismo e da exploração econômica, ele e outros trabalhadores começam a se organizar para combater essas condições.

O filme se alinha ao campo da docuficção, em que a linguagem documental transita por elementos que soam fictícios, mas mantêm uma pegada extremamente realista. O clássico iraniano "Close-Up" (1990), do mestre Abbas Kiarostami, recria os passos de um homem em julgamento ao mesmo tempo em que documenta os fatos que o levaram àquela situação. "Nacionalidade do Imigrante" (1975/1976) segue uma premissa similar, mas dialoga com os fragmentos e técnicas deixados pelo movimento da Nouvelle Vague, o que torna o projeto ainda mais instigante de se acompanhar de perto.

Dirigido e roteirizado por Sidney Sokhona, o trabalho foca no protagonista Sidi, um trabalhador mauritano que enfrenta a precariedade e a exploração em solo francês. Diante do racismo e da marginalização econômica, ele e seus companheiros passam a se organizar coletivamente.

A França sempre foi vista historicamente como um destino para diversos fluxos migratórios, rotulada por muitos como uma espécie de "terra das oportunidades". No entanto, se os EUA se consolidaram no imaginário por seu histórico racista e xenofóbico, a realidade francesa não se mostra muito diferente: abre as portas para a mão de obra imigrante, mas nega as condições dignas para quem busca recomeçar do zero. O próprio Sidi procura por muito tempo uma oportunidade para se sustentar, mas encontra no "não" a resposta padrão — da mesma forma que vê seus irmãos de trajetória sendo sistematicamente ignorados.

Feito com recursos modestos, o filme revela uma Paris distante dos cartões-postais. Se num primeiro momento os recém-chegados se deslumbram com os monumentos da cidade, a narrativa se torna crua ao expor a realidade dos alojamentos precários, onde os trabalhadores são praticamente empilhados em quartos sem o menor conforto, testando diariamente sua resistência. É particularmente instigante observar a reação dos parisienses em cena: muitos surgem desconcertados diante das câmeras, transparecendo receio diante da postura e dos protestos dos imigrantes que ocupam o espaço público para reivindicar direitos.

A meu ver, o filme também funciona como uma síntese da ressaca do pós-Maio de 68. Se nos momentos de efervescência estudantil e operária havia a promessa de profundas transformações, o olhar de Sidney Sokhona escancara como essa energia revolucionária foi gradualmente absorvida e sucateada, restando uma militância que por vezes parecia uma imagem pálida de algo que um dia foi maior. Em tempos atuais, marcados por novas crises migratórias e conflitos globais, o filme demonstra não ter envelhecido um único milímetro — o que torna a sua experiência de visão ainda mais impactante e assombrosa.

"Nacionalidade do Imigrante" é um registro histórico urgente de uma Paris crua e realista. Um filme que expõe as dores da experiência imigrante por meio de questões que, infelizmente, permanecem inteiramente atuais.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "The Rocky Horror Picture Show" (05/09) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (05/09), às 10h15 da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre homenageia Tim Curry com uma exibição de The Rocky Horror Picture Show na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim.

Dirigido por Jim Sharman e baseado na peça de Richard O'Brien, o filme combina musical, terror e ficção científica para brincar com convenções e referências do cinema de gênero, especialmente das produções de baixo orçamento. O resultado é uma obra que constrói seu humor a partir dessas referências e de uma narrativa deliberadamente fora dos padrões convencionais. O longa também marcou a estreia de Tim Curry na tela grande, interpretando o excêntrico Dr. Frank-N-Furter, personagem que se tornou uma de suas atuações mais marcantes.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 05/09, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


The Rocky Horror Picture Show

EUA, 1975, 98min

Direção: Jim Sharman

Roteiro: Jim Sharman e Richard O'Brien

Elenco: Tim Curry, Susan Sarandon, Barry Bostwick, Richard O'Brien

Sinopse: Após uma pane no carro, os recém-casados Brad e Janet procuram abrigo em um castelo isolado. Lá, conhecem o excêntrico Dr. Frank-N-Furter, um cientista que está prestes a apresentar sua mais recente criação, Rocky Horror. A partir desse encontro, a viagem do casal toma um rumo inesperado, em meio a festas, experiências científicas e personagens pouco convencionais.


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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "Nacionalidade do Imigrante" (03/09, quinta-feira) na Sala Redenção

Nesta quinta-feira (03/09), às 19h, o Clube de Cinema de Porto Alegre dá continuidade ao ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

O filme da vez é Nacionalidade do Imigrante, de Sidney Sokhona. Realizado a partir da experiência de trabalhadores africanos em Paris, o filme combina elementos documentais e ficcionais para abordar as condições de vida e trabalho dos imigrantes, o racismo e as dificuldades impostas pela burocracia e pela precariedade habitacional. Produzido de maneira independente e com recursos bastante modestos, o longa transforma uma experiência concreta de organização dos trabalhadores em um filme de forte dimensão política.

Após a sessão, teremos ainda um bate-papo com Walter Lippold, historiador e professor da UFRGS, especialista em História da África e pensamento anticolonial. O ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" é uma ação de extensão da Sala Redenção (UFRGS) em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, oferecendo certificados de participação aos inscritos e possibilitando o aproveitamento de horas complementares aos estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: 03/09 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada com Walter Lippold

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


Nacionalidade do Imigrante (Nationalité immigré)

França e Mauritânia, 1976, 70min

Direção e roteiro: Sidney Sokhona

Elenco: Sidney Sokhona, Jacques Ruisseau, Constant Hames

Sinopse: Sidi, um trabalhador mauritano empregado na França, enfrenta, como tantos outros imigrantes, condições precárias de trabalho e exploração por parte dos patrões. Diante do racismo e da exploração econômica, ele e outros trabalhadores começam a se organizar para enfrentar essas condições.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Franz'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 30/08/26

Sinopse: O filme acompanha Franz Kafka em diferentes momentos de sua vida, da infância aos anos de maturidade, abordando seus conflitos familiares, relacionamentos e o trabalho burocrático que dividia espaço com sua verdadeira vocação literária.

Franz Kafka foi um dos maiores gênios da literatura mundial, cujo reconhecimento pleno só veio após sua morte precoce. Entender as raízes de sua obra exige uma análise profunda — mesmo que, por vezes, até os estudos mais dedicados arranhem apenas a superfície. "Franz" (2025) opta por uma abordagem que se envereda para o lado humano do escritor, oferecendo uma clara noção de suas motivações ao conceber determinadas histórias.

Dirigida por Agnieszka Holland, a trama acompanha Kafka desde a infância em Praga até sua morte na Áustria, no período pós-Primeira Guerra Mundial. Testemunhamos seus primeiros passos na escrita, a difícil relação com o pai — que exigia sua dedicação ao escritório de seguros —, o início da amizade com seu editor Max Brod e os complexos relacionamentos amorosos com Felice Bauer e Milena Jesenská. Aos poucos, fica claro para aqueles ao seu redor que ninguém é capaz de controlá-lo.

Holland constrói uma linha narrativa peculiar, em que passado, presente e futuro se cruzam sem prévio aviso, exigindo atenção constante do espectador. Acompanhamos a infância dura do protagonista e seu amadurecimento ao colocar em prática o que verdadeiramente anseia, mesmo quando vai contra as expectativas paternas. Nesse aspecto, cabe destacar a atuação de Peter Kurth, que constrói uma figura paternal autoritária, mas de forma surpreendente, revelando uma dinâmica entre pai e filho muito mais complexa do que se poderia imaginar.

Além disso, a cineasta surpreende ao colocar o protagonista diante do próprio futuro: vemos Kafka observar pessoas do século XXI contemplando seu legado em um museu. Em minha leitura, Holland cria um paralelo com a forma como o escritor enxergava o mundo — através de seus textos, é possível vislumbrar suas expectativas em relação ao futuro, quase nenhuma delas agradável. Embora obstinado em seguir seu destino, é inegável que ele não via com bons olhos o amanhã que se avizinhava, especialmente com a ascensão nazista a partir de 1933.

Curiosamente, os personagens próximos a Franz quebram a quarta parede para relatar, sob suas próprias perspectivas, as ações do escritor e seus passos seguintes, à medida que ele frustrava as expectativas de todos. Embora seja um recurso bastante explorado no cinema recente, aqui ele cumpre a função de dar ritmo à narrativa, ainda que pontualmente passe a sensação de que algumas passagens poderiam ser dispensadas. Nesse apuro técnico guiado pela direção, Idan Weiss busca construir um Kafka próprio, alinhado à proposta autoral da cineasta.

Talvez o filme desaponte apenas os leitores mais fervorosos do autor, já que seus livros não ganham um aprofundamento direto, ficando em segundo plano ao longo do longa. Há de se notar, contudo, que boa parte de suas criações se deu em um momento no qual a humanidade se desgastava com os impactos da Primeira Guerra e já se desenhava para um segundo conflito ainda mais devastador. Mesmo partindo antes dessa tragédia, Kafka parecia antever o que viria pela frente, inserindo em suas páginas não apenas fragmentos de si mesmo, mas também a trilha fraturada de toda uma geração — que as seguintes tentariam compreender por meio de seus livros e em museus de história.

"Franz" é poderoso em sua proposta, ainda que corra o risco de ser visto como aquém do esperado por quem busca uma transposição direta de seu grandioso legado literário.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Sangue Ruim'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 22/08/26

Se há uma palavra que melhor define Leos Carax, essa palavra seria peculiaridade — algo que senti claramente ao assistir a "Holy Motors" (2012) e compreender a dimensão de sua visão autoral como um todo. Em seus filmes não há nada convencional, mas sim uma espécie de experimento constante usado como pretexto para explorar os melhores recursos cinematográficos disponíveis. Talvez, essa sua forma de fazer cinema não pretenda meramente contar uma história, mas sim fazer com que o público sinta a própria linguagem cinematográfica.

Em seu clássico "Sangue Ruim" (1986), adentramos a história de Alex (Denis Lavant) e Anna (Juliette Binoche), que se conhecem no coração de uma Paris desprovida de amor, cujas cores quentes dos anos oitenta surgem sufocadas por um constante temor. Tudo se passa em um futuro distópico ameaçado pelo vírus STBO, que mata casais que se relacionam sem sentimento. Qualquer semelhança com o pavor da AIDS naquela época não é mera coincidência.

Contudo, não é apenas de forma metafórica que o realizador constrói sua narrativa: ele convida o público a imergir em uma trama onde os recursos visuais se tornam parte integrante — e de forma alguma gratuita — do enredo. O protagonista Alex sente-se isolado em uma realidade mórbida, na qual qualquer passo em falso afeta quem está ao seu redor. Mesmo recém-saído de uma prisão onde esteve por quinze meses, a liberdade não se traduz em libertação, mas em um novo patamar de sua própria solidão.

Curiosamente, Alex possui o talento da ventriloquia e usa esse dom para se comunicar quando seu lado exausto já se encontra saturado do mundo que o cerca. Diante de um futuro incerto, ele retoma o contato com velhos conhecidos de seu falecido pai, cuja morte deixou uma dívida com uma mulher estrangeira que agora o assombra. Sua missão passa a ser roubar de uma clínica a cura para o vírus, para que os parceiros de seu pai a vendam e quitem o débito o quanto antes.

Nessa missão quase suicida, Alex conhece Anna, namorada de um dos parceiros do seu pai. Ela desperta nele um sentimento incomum de carinho que contagia também quem assiste. No entanto, ele ainda nutre sentimentos por sua namorada (interpretada por Julie Delpy) e anseia por fugir, viajando sem rumo até que os pneus gastem. Mas a fuga de Alex não é apenas do mundo real; há nele um desejo de escapar para dentro da própria mente em momentos em que o diretor tem muito a dizer, cabendo a cada espectador compreender a sua maneira.

Naquela que é uma das melhores sequências do filme, o protagonista corre em um ritmo frenético ao som de Modern Love, de David Bowie — cena histórica que serviria de inspiração, anos mais tarde, para um momento marcante no genial "Frances Ha" (2012). O diretor, por sua vez, faz questão de focar a câmera na plenitude dos rostos de Juliette e Julie, cujos olhares dizem muito mais do que meras palavras. Vale salientar que este foi um dos primeiros grandes papéis de Juliette Binoche no cinema; sua delicadeza em cena já deixava transparecer a complexidade de atuações marcantes que viria a construir ao longo de sua exemplar carreira.

O lado transparente de sua personagem revela tanto uma pessoa gentil quanto inocente perante uma realidade por vezes opressora. Uma de suas primeiras cenas que chama a atenção é quando ela surge caindo de paraquedas desacordada, como se o protagonista se visse na obrigação de salvá-la, vislumbrando ali a chance de um recomeço. É fascinante notar como eles formam um raro exemplo de casal cinematográfico que não se consolida fisicamente em cena, o que torna a conexão entre eles ainda mais preciosa.

Ao final, o protagonista encontra um destino cruel, mas não sem antes deixar uma marca de seu sangue no rosto de Anna. O sangue não a contamina; pelo contrário, funciona como um impulso que a faz libertar-se e correr sem rumo. Ambientada em uma pista de pouso, a cena final de Juliette torna-se antológica, pois Leos Carax nos passa a nítida impressão de que ela está abrindo as asas e voando.

Leos Carax cria, portanto, um longa-metragem à frente do seu tempo, no qual a paixão não reside apenas no amor carnal, mas em sentimentos que lutam para não serem doutrinados por uma realidade cheia de regras. O espectador pode até esperar por uma consumação romântica tradicional, mas recebe a entrega de uma paixão lírica e profundamente humana, embalada por toda a genialidade e peculiaridade que o diretor emana.

"Sangue Ruim" é o amor sob o olhar único de Leos Carax — uma obra cuja linguagem nada convencional a torna verdadeiramente inesquecível.

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Cine Dica: Sessão dupla no Clube de Cinema: Mostra de Cinema Metropolitano (29/08) + "Franz" (30/08)


Neste final de semana, teremos sessão dupla no Clube de Cinema!

No sábado (29/08), às 10h da manhã, nos reunimos na Cinemateca Capitólio para uma sessão especial em conjunto com o Circuito de Cinema Metropolitano RS. Serão exibidas duas produções recentes realizadas na Região Metropolitana (Enquanto a Partida Durar, de Léo Moura, e Companheiro de Viagem, de Adriano Legionário), além de Au Revoir Shirlei, clássico do cinema gaúcho da década de 1990, acompanhado de uma apresentação inédita de seu making off. Após a sessão, haverá ainda um bate-papo com o diretor do filme, Gilberto Perin, e a produtora executiva Alice Urbim.

No domingo (30/08), nosso encontro é às 10h15 da manhã na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão de Franz, filme da diretora polonesa Agnieszka Holland sobre a vida e a obra de Franz Kafka. O filme acompanha diferentes momentos da vida do escritor, de sua infância à idade adulta, passando por seus conflitos familiares, relacionamentos amorosos, trabalho e dedicação à literatura. Em vez de seguir uma narrativa biográfica convencional, a história combina passado e presente para aproximar o escritor de suas inquietações, especialmente o conflito entre seguir sua própria vocação e corresponder às expectativas que recaem sobre ele.


Confira os detalhes da programação:


SÁBADO (29/08, 10h)

Mostra de Cinema Metropolitano RS

📍 Local: Cinemateca Capitólio – Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre. Exibição dos filmes: Enquanto a Partida Durar, Companheiro de Viagem, Au Revoir Shirlei

🎤 Após a sessão, bate-papo com Gilberto Perin e Alice Urbim


DOMINGO (30/08, 10h15)

Franz

Polônia e República Tcheca, 2025, 127min

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz  – Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Direção: Agnieszka Holland

Roteiro: Marek Epstein

Elenco: Idan Weiss, Daniel Dongres, Jenovéfa Boková, Carol Schuler, Sebastian Schwarz, Katarina Stark, Peter Kurth, Ivan Trojan, Sandra Korzeniak, Aaron Friesz, Carol Schuler, Gesa Shermuly, Jan Budar, Josef Trojan

Sinopse: O filme acompanha Franz Kafka em diferentes momentos de sua vida, desde a infância até os anos de maturidade, passando por seus conflitos familiares, relacionamentos e pelo trabalho que dividia espaço com sua vocação literária.


Nos vemos no final de semana!

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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Corra Lola, Corra'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 15/08/26.

Os anos noventa foram a era de ouro para aqueles que curtiam a MTV, canal que exibia os mais diversos videoclipes que entraram para a história. Foi através desse período que muitos diretores começaram a carreira na direção musical, como David Fincher e Spike Jonze. Porém, além daqueles que migraram dessa área, houve também cineastas que buscavam inspiração na estética dos videoclipes para realizar seus longas-metragens para o cinema.

Vale salientar que isso não se restringiu aos EUA, espalhando-se pelo mundo. Na Alemanha, por exemplo, surgiram realizadores que começaram a fazer filmes experimentais, explorando não só a linguagem rápida ao estilo MTV, mas também utilizando as primeiras câmeras digitais em um período de transição entre o analógico e o digital. Nessa época surgiu Tom Tykwer, cineasta que filmava curtas-metragens desde os onze anos de idade e que, em 1998, lançou "Corra Lola, Corra" — um dos filmes que melhor sintetizou a fusão da linguagem do videoclipe com o universo da sétima arte.

Na trama, Manni (Moritz Bleibtreu), o coletor de uma quadrilha de contrabandistas, esquece no metrô uma sacola com 100.000 marcos e acaba sendo roubado por um mendigo. Ele tem apenas 20 minutos para recuperar o dinheiro ou será morto pelo seu chefe, Ronnie. Sem opção, Manni telefona para Lola (Franka Potente), sua namorada, que vê como única solução pedir ajuda ao pai (Herbert Knaup), presidente de um banco. Assim, Lola corre pelas ruas de Berlim, mas algo inesperado acontece em sua jornada.

O loop temporal (ou laço temporal) é um recurso da ficção em que um período específico de tempo se repete. Quando um limite de tempo é atingido, tudo reinicia e volta ao ponto de partida. No cinema, esse recurso narrativo já foi usado em diversos longas, do drama à comédia. "Feitiço do Tempo" (1993) foi um dos precursores desse formato e serviu de grande influência ao longo da década de noventa.

Embora parta de uma premissa similar, Tom Tykwer faz um trabalho completamente diferente aqui: ele pega apenas vinte minutos de história e os apresenta de três formas distintas, mostrando como qualquer passo em falso faz com que Lola e as pessoas com quem ela cruza tenham destinos completamente diferentes. Vemos Lola correndo em direção ao pai em três ocasiões; quando algo dá errado, o tempo "reseta" para recomeçar tudo do zero em uma nova chance. É como um jogo de videogame em que o personagem morre, ocorre o game over, mas logo se ganha uma nova vida para tentar novamente.

É curioso notar o que acontece quando Lola cruza com determinados personagens — seja uma senhora conservadora irritada ou um rapaz de bicicleta querendo vendê-la. Dependendo de como se dá esse encontro, os destinos dessas pessoas mudam drasticamente em cada versão, mostrando que basta uma pequena ação para alterar os rumos de uma vida. Isso nos é apresentado por meio de fotografias em flash-forward inseridas rapidamente, com uma edição frenética.

Todo o filme segue esse ritmo acelerado, combinando uma montagem dinâmica a passagens em desenho animado e uma trilha sonora techno contagiante (da qual a própria Franka Potente cantou algumas faixas). O uso das primeiras câmeras digitais fica evidente em cenas como a conversa entre o pai da protagonista e sua amante no escritório. Nesses momentos, a imagem assume uma textura mais precária, revelando como os realizadores ainda estavam aprendendo a manejar essa nova ferramenta e a incorporá-la à linguagem cinematográfica.

Se por um lado esse aspecto do vídeo envelheceu com as marcas de seu tempo, por outro o filme continua mais fresco do que nunca. É um dos trabalhos mais dinâmicos do período ao equilibrar ação, ficção e boas doses de reflexão. Correndo quase sem parar, Franka Potente entrega uma atuação marcante na pele da personagem que percorre pontos conhecidos de uma Berlim ainda em metamorfose após a queda do muro. Lola cruza tanto com gerações acostumadas com o país dividido quanto com jovens que cresceram sob um novo mundo e promessas nem sempre cumpridas.

Sob uma ótica interpretativa, o longa oferece múltiplas leituras: desde a possibilidade de obter uma segunda chance na vida até a importância de tomar decisões para alcançar o nosso melhor. A cena em que Lola dá a mão a um homem sofrendo um ataque cardíaco dentro de uma ambulância não serve apenas para acalmá-lo, mas funciona como sua própria redenção particular nessa cruzada contra o tempo. Ao final, testemunhamos uma recompensa selada, deixando os personagens diante de um futuro aberto e indefinido.

"Corra Lola, Corra" permanece como um dos mais belos e autênticos representantes da geração MTV, tendo se tornado um clássico cult atemporal.

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Cine Dica: Clube de Cinema: "Sangue Ruim" (22/08) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (22/08), às 10h15 da manhã, o Clube de Cinema de Porto Alegre promove uma sessão do filme Sangue Ruim, de Leos Carax, protagonizado por Denis Lavant e Juliette Binoche.

Segundo longa-metragem de Carax, Sangue Ruim combina elementos de ficção científica, cinema noir e referências à Nouvelle Vague para construir uma história de amor atravessada por uma epidemia peculiar: um vírus que atinge aqueles que se relacionam sem estar apaixonados. Celebrado por seu experimentalismo e momentos de grande impacto visual, o filme acompanha personagens movidos por desejos, hesitações e relações instáveis em um cenário marcado pela paixão, pelo crime e pelo desencanto.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 22/08, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Sangue Ruim (Mauvais sang)

França, 1986, 119min

Direção e roteiro: Leos Carax

Elenco: Denis Lavant, Juliette Binoche, Michel Piccoli, Julie Delpy

Sinopse: Em uma Paris afetada por uma epidemia que contamina aqueles que fazem sexo sem amor, Alex é procurado pelos antigos parceiros criminosos de seu pai para participar do roubo de um soro experimental. Ao abandonar a namorada Lise e se envolver no plano, ele conhece Anna, por quem se apaixona, enquanto a missão o conduz ao submundo do crime.


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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "Corra, Lola, Corra" (15/08) no Instituto Goethe

Neste sábado (15/08), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne às 10h15 da manhã no auditório do Instituto Goethe para uma exibição do cult Corra, Lola, Corra, de Tom Tykwer.

Combinando ação, romance, animação e experimentação narrativa, o filme acompanha Lola, uma jovem que recebe um telefonema desesperado de seu namorado, Manni. Ele perdeu uma grande quantia de dinheiro e precisa recuperá-la em apenas 20 minutos. A partir daí, ela precisa atravessar as ruas de Berlim em uma corrida contra o tempo, enquanto pequenos acontecimentos parecem ser capazes de alterar o rumo da história.


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 15/08, às 10h15 da manhã

📍 Local: Instituto Goethe -

Rua 24 de Outubro, 112 - Moinhos de Vento, Porto Alegre

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


Corra, Lola, Corra (Lola rentt)

Alemanha, 1998, 81min

Direção e roteiro: Tom Tykwer

Elenco: Franka Potente, Moritz Bleibtreu, Herbert Knaup, Armin Rohde

Sinopse: Lola recebe um telefonema do namorado Manni, que perdeu uma grande quantia de dinheiro e precisa recuperá-la em apenas vinte minutos. Ela parte então em uma corrida desesperada por Berlim, numa tentativa de evitar que ele cometa um ato irreversível.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema: "Fanon" (08/08) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado (08/08), o Clube de Cinema de Porto Alegre se reúne na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para exibir o filme Fanon, de Jean-Claude Flamand-Barny. Ambientado na Argélia às vésperas da guerra de independência, o longa acompanha o período em que o psiquiatra e pensador anticolonial Frantz Fanon desenvolveu parte de suas reflexões sobre colonialismo, racismo e emancipação. Ao articular sua prática médica com o contexto político da época, o filme aproxima a trajetória pessoal do intelectual das ideias que marcaram seu pensamento. A sessão terá comentários dos professores Walter Lippold e Orson Soares, especialistas na obra de Fanon.

Além disso, lembramos que amanhã (06/08), às 19h, exibiremos o clássico São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, na Sala Redenção da UFRGS. A sessão é parte do nosso ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências" e contará com comentários de Daniel Rodrigues, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS).


Fanon

França, Luxemburgo, Canadá e Bélgica, 2024, 132min

Direção e roteiro: Jean-Claude Flamand-Barny

Elenco: Alexandre Bouyer, Déborah François, Stanislas Merhar

Sinopse: Em 1953, Frantz Fanon assume o trabalho em um hospital psiquiátrico na Argélia colonial e promove mudanças no tratamento dos pacientes. À medida que testemunha a violência do regime colonial, aproxima-se da luta pela independência do país e consolida as reflexões que o tornaram um dos principais pensadores anticoloniais do século XX.

Sobre o Filme: No filme brasileiro "Nise — O Coração da Loucura" (2015), vemos Glória Pires interpretar uma psiquiatra que enfrentou o sistema arcaico da época para buscar um tratamento mais digno a pessoas com sofrimento mental. Às vezes, porém, o desafio perante o sistema leva o indivíduo a um patamar cujo cenário é muito maior do que se imagina. "Fanon" (2026) fala sobre um médico que se envolveu em uma luta anticolonial e cujo exemplo ressoa até os dias de hoje.

Dirigido por Jean-Claude Barny, o filme narra a história de Fanon, um psiquiatra de origem martinicana cujo desafio profissional é chefiar os serviços do hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia. Rapidamente, seus métodos inovadores e seu tratamento humanístico atraem a ira de colegas e do diretor da instituição. Determinado, Fanon não abandona seus princípios; perante o conflito entre argelinos e colonizadores franceses, ele opta por ficar ao lado dos "condenados da terra".

Confira a minha crítica já publicada clicando aqui.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema: "São Paulo Sociedade Anônima" (06/08, quinta-feira) na Sala Redenção

Nesta quinta-feira, 6 de agosto, às 19h, o Clube de Cinema de Porto Alegre realiza mais uma sessão do ciclo temático "Nouvelle Vague e suas influências", promovido em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

A sessão é dedicada ao clássico São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sérgio Person, que será exibido em sua versão restaurada. Considerado um dos grandes títulos do cinema brasileiro, o filme acompanha Carlos, um jovem gerente da indústria automobilística que enfrenta uma profunda crise existencial em meio ao intenso processo de industrialização e crescimento da capital paulista. As aproximações entre São Paulo Sociedade Anônima e a Nouvelle Vague aparecem na narrativa fragmentada, na filmagem em locações reais, no olhar sobre a cidade como personagem e na investigação da alienação do indivíduo urbano.

Após a exibição, haverá um bate-papo com Daniel Rodrigues, crítico de cinema e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), mediada por integrantes do Clube de Cinema de Porto Alegre. O ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" é uma ação de extensão da Sala Redenção (UFRGS) em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre, oferecendo certificados de participação aos inscritos e possibilitando o aproveitamento de horas complementares aos estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA


📅 Data: 06/08 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada por Daniel Rodrigues

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


São Paulo Sociedade Anônima

Brasil, 1965, 107min

Direção e roteiro: Luiz Sérgio Person

Elenco: Walmor Chagas, Eva Wilma, Ana Esmeralda, Otelo Zeloni, Darlene Glória, Mário Audrá

Sinopse: Um jovem da classe média tenta construir uma carreira na São Paulo em rápida industrialização, mas vê suas ambições e relações pessoais serem atravessadas pelas contradições da vida urbana e do mundo empresarial.

Sobre o Filme: Luís Sérgio Person era alguém que não parava no mesmo lugar por muito tempo. Foi ator, roteirista, produtor e diretor. Trabalhava na área de teatro, propaganda  e cinema. Teve uma carreira curta, porém, marcante. Morreu cedo, aos 39 anos. São Paulo, Sociedade Anônima, que escreveu e dirigiu em 1965, foi o seu primeiro longa, mas muitos críticos especializados consideram o seu melhor filme até hoje.

Na trama, Person cria um retrato das grandes mudanças sociais ocorridas na maior cidade do país a partir da trajetória do protagonista Carlos. Além disso, aproveita também para criar uma curiosa crítica a uma sociedade emergente de classe média, que vive nos grandes centros urbanos e se baseia em consumir e cultivar hábitos fúteis, ou seja, algo que viria acontecer mais e mais ao longo das décadas a seguir.

Person iniciou sua carreira na TV Tupi, em meados dos anos 1950. Depois, teve que abandonar a arte para trabalhar em uma empresa, onde permaneceu por dois anos. Veio daí a inspiração para a trama de "São Paulo, Sociedade Anônima", do qual, nem ele imaginaria que viraria um grande clássico do nosso cinema brasileiro. 

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