Sinopse: Impulsionada por garra, determinação feroz e um desejo inabalável de vencer, Christy Martin surge no mundo do boxe sob a tutela de seu treinador e empresário, Jim.
Sempre quando é lançado um filme baseado em fatos reais sobre um grande talento é quase praxe já termos uma noção de como começa e como termina o enredo. Há sempre a consagração, para então ocorrer o declínio e, por fim, a redenção. "Christy: Um Novo Round" (2025) é um desses casos de filmes que nasceu até mesmo para ser indicado há vários prêmios, mas faltou alguns detalhes durante o trajeto.
Dirigido por David Michôd Christy, o filme conta a história da pioneira boxeadora Christy Martin (Sidney Sweeney) que deseja ser muitas coisas na vida, mas jamais imaginaria que o seu maior talento fosse dentro dos ringues de boxe. Se tornando uma das primeiras grandes lutadoras do boxe feminino, Christy conheceu o seu auge, mas também o lado sombrio do sucesso através do seu empresário, treinador e marido Jim Martin (Ben Foster). Christy precisará passar por um verdadeiro inferno e enfrentar o seu pior temor em vida.
Visualmente o filme é caprichado em termos de reconstituição de época, principalmente ao revelar tempos de mudança, ou mais precisamente a transição dos anos oitenta para os noventa. O filme não esconde um teor mais conservador daqueles tempos, onde ser diferente era decretar ser perseguido e isso a protagonista sente dentro de sua própria família. Por mais mórbido que seja, ao menos o filme acerta sobre o quanto a comunidade LGBT lutava para ser feliz em uma época de muito preconceito e intolerância.
É bem verdade que Chisty foi obrigada a ser moldada a ser algo que no fundo jamais queria, mas não escondendo o seu desejo pelo sucesso, mas mal sabendo o preço que iria pagar. Em uma carreira que transita entre sucessos e fracassos é preciso reconhecer que Sydney Sweeney se esforçou ao dar corpo e alma para essa personagem e não se limitando em cenas que exigem força física nas cenas de luta. Embora não tenha uma boa direção vinda do diretor, é preciso reconhecer que as cenas destes momentos simbolizam a entrega da atriz, mesmo com os passos em falso da produção.
Talvez um dos passos em falso da produção mais nítida seja justamente a passagem de tempo inverossímil retratada no longa, sendo que a protagonista quase não envelhece, mesmo sendo a reconstituição de um período de sua vida que cobre em torno de quase vinte anos. Outro fator negativo é justamente Ben Foster, onde ele cria um Jim Martin que faz a gente odiá-lo mas de uma forma errada, já que a sua atuação é sonolenta, como se o intérprete estivesse se perguntando porque ele está ali naquele momento. Ao menos ele seria um bom Donald Trump caso houvesse uma nova adaptação sobre a vida do Presidente, pois a sua caracterização aqui lembra muito o chefão da Casa Branca.
Se por um lado o filme fracassa nestes pontos, ao menos o terceiro ato final nos brinda com momentos de pura tensão e angústia, principalmente quando a protagonista decide enfrentar os seus piores temores de frente. Um final digno de nota, mas cujo os desdobramentos que antecipam esse momento prejudicam o resultado final do longa. "Christy: Um Novo Round" é aquele filme que tinha todos os ingredientes para ser candidato ao Oscar, mas não fizeram com o exato carinho que merecia.
Onde Assistir: Apple TV.
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