terça-feira, 11 de março de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'A Verdadeira Dor'

Sinopse: Os primos David e Benji viajam pela Polônia para homenagear sua avó. A aventura se complica quando antigas tensões ressurgem enquanto exploram a história de sua família.  

Em vinte anos de carreira Jesse Eisenberg possui uma versatilidade fora do comum e atuando em filmes em que na maioria se tornaram indispensáveis, como no caso, por exemplo, "A Rede Social" (2010). Porém, o intérprete tentou se arriscar como cineasta no filme "Quando Você Terminar de Salvar o Mundo" (2023), mas que não teve muita repercussão. Não é o que acontece com o seu segundo longa "Verdadeira Dor" (2025) que anda colecionando prêmios no mundo e motivos é o que não faltam.

Na trama, acompanhamos David (Jesse Eisenberg), um pai reservado e pragmático, e Benji (Kieran Culkin), seu primo excêntrico e boêmio. Apesar de suas diferenças, eles embarcam juntos em uma viagem à Polônia para homenagear a avó recentemente falecida, participando de uma excursão que revisita memórias do Holocausto e conecta o grupo às raízes familiares. Durante a jornada, antigas tensões entre os primos ressurgem, transformando a viagem em uma experiência emocionalmente intensa.

Embora na trama David seja o protagonista quem rouba a cena é realmente o seu primo Benji e isso se deve muito a incrível atuação de  Kieran Culkin. Já na abertura, por exemplo, constatamos uma pessoa inquieta, como se guardasse camadas emocionais prontas para explodir, mas que procura se conter e para que assim não revele como um todo o seu real ser. Já David é mais preso à sua rotina, seja profissional ou familiar, mas sempre tendo lá no fundo o desejo de ser que nem o seu primo, mesmo quando o mesmo quase cometeu um terrível erro.

Com pinceladas de humor e momentos dramáticos, o filme é um de muitos que falam com relação ao que os Judeus passaram na época do Holocausto. Porém, assistimos pela perspectiva dos parentes, dos quais jamais haviam participado de tamanho horror e tendo somente uma dimensão pela superfície. Benji, por exemplo, procura sentir a dor daqueles que se foram, mas procurando fazer com que o seu irmão e os demais do passeio sintam o tamanho daquela tragédia e ao mesmo tempo fazendo com que eles se sintam mais vivos.

O filme se torna uma crítica ácida de uma geração atual que não desperta perante a beleza da vida e não aproveitando aquilo que um dia os seus parentes perderam devido ao horror vindo do fascismo. Por conta disso, Benji está desperto com relação ao mundo em volta e fazendo com que a todo momento quebre as regras para encontrar um significado coerente para continuar em frente. Sem sombra de dúvida  Kieran Culkin mereceu a estatueta de melhor ator coadjuvante  último Oscar.

Em suma, o filme é um daqueles roadie movies em que os personagens se redescobrem na vida durante a viagem e cujo roteiro é tão bom que nos faz desejar que tão cedo não acabe. Ao final, vemos Benji na mesma posição da abertura do filme, mas cujo seu próximo passo fica somente na nossa imaginação e fazendo a gente questionar o que viria depois. Nada melhor do que um filme terminar aparentemente de forma brusca, porém, na hora certa.

"A Verdadeira Dor" é um bela comédia dramática que há muito tempo eu não via e que merece ser vista e revista nas telas do cinema. 

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Cine Dica: CINEMATECA CAPITÓLIO PROGRAMAÇÃO 13 a 19 de março de 2025

Encontro com o Ditador

SEGUNDA SEMANA DA MOSTRA CHANTAL AKERMAN

A mostra Chantal Akerman, 1085, Rua Demétrio Ribeiro, Porto Alegre segue em exibição até o dia 16 de março. Na segunda semana de programação, a pesquisadora Maria Henriqueta Satt participa de um debate após a exibição dos filmes Exploda Minha Cidade e Notícias de Casa, no sábado, 15 de março, às 18h30. No domingo, 16, às 17h, a sessão de encerramento apresenta o longa Jeanne Dielman, eleito recentemente o melhor filme de todos os tempos segundo a lista da prestigiosa revista inglesa Sight and Sound.


Mais informações: https://www.capitolio.org.br/novidades/8487/chantal-akerman-1085-rua-demetrio-ribeiro-porto-alegre/


FILME DE RITHY PANH EM CARTAZ

A partir de quinta-feira, 13 de março, a Cinemateca Capitólio exibe o mais novo filme do diretor cambojano Rithy Panh, Encontro com o Ditador. Na terça-feira, 18, às 19h, será realizada uma sessão de pré-estreia de Tempo Suspenso, o mais novo filme do diretor francês Olivier Assayas. O valor do ingresso é R$ 16,00.


Mais informações: https://www.capitolio.org.br/eventos/8519/encontro-com-o-ditador/


GRADE DE HORÁRIOS

13 a 19 de março de 2025


13 de março (quinta-feira)

15h – As Cores e Amores de Lore

17h – Encontro com o Ditador

19h30 – Eu, Tu, Ele, Ela


14 de março (sexta-feira)

15h – Luiz Melodia – No Coração do Brasil

17h – Encontro com o Ditador

19h30 – Projeto Raros: 15 de Agosto + A Mudança


15 de março (sábado)

15h – As Cores e Amores de Lore

16h30 – Anos Dourados

18h30 – Exploda Minha Cidade + Notícias de Casa + debate


16 de março (domingo)

15h – Encontro com o Ditador

17h – Jeanne Dielman


18 de março (terça-feira)

15h – As Cores e Amores de Lore

17h – Encontro com o Ditador

19h – Tempo Suspenso (pré-estreia)


19 de março (quarta-feira)

15h – Luiz Melodia – No Coração do Brasil

17h – Encontro com o Ditador

19h30 – Milton Bituca Nascimento (pré-estreia)

segunda-feira, 10 de março de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - “Mickey 17”

Sinopse: Voluntário se torna descartável em um experimento de clonagem fora da terra.

Se há algo que conseguimos identificar em quase toda a filmografia de Bong Joon Ho é no seu interesse em histórias em que se retrata a divisão entre as classes e o consumismo desenfreado que torna a humanidade dependente. Se na primeira questão foi vista em títulos como "Expresso do Amanhã" (2013) e principalmente "Parasita" (2019), por outro lado, o consumo doentio que abastece a humanidade se vê de uma forma hilária e ao mesmo tempo trágica em "Okja" (2017). Em "Mickey 17" (2025) o realizador prova novamente que ele consegue reunir esses ingredientes em um único filme, mesmo quando achamos que o projeto poderia ter ido mais longe.

Baseado no livro de Edward Ashton, o filme conta a história de Mickey Barnes (Robert Pattinson), um cara endividado que decide ser enviado para uma missão em colonizar o planeta gelado de Niflheim. Ele tem o trabalho de ser descartável, sendo que toda vez que ele for morrer em uma espécie de experimento ele logo é substituído por um clone que tem suas memórias a partir de uma máquina de impressão.  Porém, as coisas dão errado quando o 17º Mickey não morre e ao mesmo tempo o numero 18º é criado e possuindo uma personalidade um tanto diferente.

Embora seja baseado em um livro publicado em 2022 é curioso observar que a premissa tem muita similaridade com o filme "Lunar" (2009), além de umas pitadas de elementos que me fizeram lembrar também "Tropas Estelares" (1997). Contudo, a trama se sustenta graças a sua crítica ácida entrelaçada com um humor sombrio contagiante e que obtêm a nossa atenção do começo até o final da história. Não espere um filme de ficção de ação costumeiro, já que aqui o foco está mais em criar reflexo sobre o nosso próprio mundo atual em que vivemos.

Bong Joon Ho procura criar uma realidade verossímil, onde os efeitos visuais são usados em prol de uma história coerente ao invés de somente encher a tela e que poderiam se tornar dispensáveis. Se isso já havia dado certo em "Expresso do Amanhã" aqui as coisas novamente fluem, assim como também a sua fotografia e edição de arte que nos enche os olhos com os seus diversos detalhes. Curiosamente, o visual remete aos elementos vistos na HQ francesa "Valerian" de  Pierre Christin.

Além disso, o filme deixa da forma mais explicita possível o quanto a humanidade se torna cada vez mais hipócrita e da qual a mesma usa a religião como cortina de fumaça para colocar em prática a sua real ambição e destacando políticos que usam esses métodos a todo custo. Mark Ruffalo dá um show de interpretação ao interpretar um político que se torna o líder desta expedição e que usa a palavra de Deus em meio a maquinações para tentar de todas as formas tornar- se um verdadeiro mito dentro da história. Qualquer semelhança com certos políticos da Extrema Direita do nosso mundo real não é mera coincidência.

Já Mickey é um personagem que facilmente nos identificamos, já que ele é apenas um cara comum sendo mastigado pelo sistema que controla a vida dos humanos e optando ao se entregar em uma experiência em que se explora a questão sobre o que nos faz sermos humanos. Embora a temática sobre a clonagem já tenha sido revisitada no cinema e literatura diversas vezes, é curioso constatarmos o quanto ainda pode-se criar algo novo, desde que seja feita pelas mãos certas. Claro que se o filme funciona não se deve somente ao seu cineasta, como também ao seu astro Robert Pattinson.

Ao interpretar dois personagens em cena, é curioso que o artista procura diferenciá-los até mesmo com o tom de voz, já que o Mickey 17 possui uma voz desengonçada, enquanto numero 18 se distancia de uma forma surpreendente. O protagonista é uma representação de uma humanidade já muito cansada e que procura uma razão de continuar em frente através de suas escolhas. Porém, a partir do momento em que os alienígenas, que mais parecem morsas, surgem em sua vida é então que ele se encontra em um novo jogo de xadrez e que fará com que tenha que decidir sobre o que irá fazer em seguida.

Embora seja um ótimo filme, eu não o colocaria entre os melhores de Bong Joon Ho, já que algumas passagens da trama poderiam ter sido melhor exploradas. Além disso, alguns personagens secundários simplesmente acabam sendo descartados, como no caso daquela vivida pela atriz Anamaria Vartolomei, que rouba a cena na hilária cena do jantar, mas que logo desaparece no decorrer da história. Mas o ponto mais negativo se encontra mesmo em seu ato final da trama.

Tudo se envereda para que ela se encerre de uma forma mais convencional para o público ocidental, já que o mesmo se encontra mais do que acostumado pelo óbvio e não se esforçando em sair de sua zona de conforto. E quando achamos que a trama iria se encerrar de uma forma corajosa, e tendo mais haver com tudo o que tínhamos assistido até ali, eis que o roteiro nos prega uma pegadinha e criando uma sensação mórbida. Ao meu ver Bong Joon Ho precisará lutar ainda mais para manter a sua genialidade na direção caso ainda queira trabalhar em solo americano.

"Mickey 17" nos revela um Bong Joon Ho ainda melhor no que faz, mesmo quando essa última obra não se equipara a sua obra prima "Parasita".

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Cine Especial: Próxima Sessão Clube de Cinema (11/03): "As Bicicletas de Belleville" na Sala Redenção

Na próxima terça-feira, nosso encontro será às 19h na Sala Redenção, para a grande estreia do nosso Ciclo de Cinema de Animação! E já começamos bem, com a encantadora animação francesa As Bicicletas de Belleville (2003), indicada ao Oscar e reconhecida por seu estilo único, humor excêntrico e inventividade visual. Uma verdadeira homenagem à força dos afetos e ao poder da imaginação.

Traga os seus amigos para conhecer o Clube de Cinema, a entrada na Sala Redenção é franca!


Confira os detalhes abaixo:


SESSÃO CLUBE DE CINEMA

Local: Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS (Rua Eng. Luiz Englert, 333 – Campus Central)

Data: Terça-feira, 11/03, às 19h

As Bicicletas de Belleville (Les Triplettes de Belleville)

França, 2003, 80 min, classificação livre

Direção: Sylvain Chomet

Vozes: Michel Robin, Jean-Claude Donda, Monica Viegas

Sinopse: Champion é um menino introspectivo que descobre a alegria sobre duas rodas. Incentivado pela avó, treina para disputar a Volta da França. No entanto, durante a prova, ele é sequestrado por uma organização misteriosa. Sua avó e o cachorro Bruno embarcam em uma jornada improvável até a extravagante cidade de Belleville para resgatá-lo. Uma obra visualmente deslumbrante, quase sem diálogos, que mistura humor, melancolia e afeto com um estilo gráfico inconfundível.

Sobre o Filme: Na época (2003) o estreante em longas-metragens, o animador Sylvain Chomet põe em prática tudo o que aprendeu em quarenta anos de vida e duas décadas de devoção aos quadrinhos e aos desenhos. Assim, o visual desse filme já espanta de cara, pela mistura impressionantemente harmoniosa entre o tradicionalismo artesanal e os artifícios tridimensionais, além de personagens cativantes e melancólicos.

Visualmente o filme presta homenagem ao cinema expressionista alemão e o cinema mudo, contudo é uma obra diferente de tudo que já se viu e que fala por si só. E é por isso mesmo que o filme volta em cartaz em Porto Alegre e nada mais do que justo, uma obra prima como essa, ser apreciada no escurinho do cinema.

Esperamos você para a primeira sessão do nosso Ciclo de Cinema de Animação 2025!

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domingo, 9 de março de 2025

Cine Especial: Próximo Cine Debate -'O Trem Italiano Para a Felicidade'

Sinopse: conta a história de Amerigo, um menino de sete anos que deixa Nápoles para morar no norte da Itália. 

O neorrealismo italiano foi um dos principais movimentos do cinema do país, onde cineastas decidiram criar tramas em meio aos escombros da guerra e retratar as suas histórias da forma mais realista possível. Esse momento não somente serviu de inspiração para outros países, como também provou que aquela nação prosseguiu diante de um novo conflito que foi perante a fome e a miséria. "O Trem Italiano Para a Felicidade" (2024) herda um pouco desse realismo, mas ao mesmo tempo nos transmitindo certa esperança e da qual a própria Itália acabou obtendo no seu devido tempo.

Dirigido por Cristina Comencini, o longa é uma adaptação do romance best-seller de Viola Ardone, sendo que a história se situa em 1946, cidade de Nápoles, logo após a Segunda Guerra Mundial. Amerigo Speranza (Stefano Accorsi) é um menino de sete anos que nunca saiu de Nápoles, onde mora com sua mãe, Antonietta (Serena Rossi). Em meio a falta de esperança, Antonietta decide enviar o seu filho para o norte da Itália, onde há um movimento Comunista para ajudar os necessitados e fazendo o jovem obter uma nova perspectiva com relação ao seu próprio mundo.

Ao assistir ao filme não tinha como evitar de me relembrar dos principais títulos do neorrealismo italiano, que vai desde amado "Ladrões de Bicicletas" (1948) como também o magistral "Roma, Cidade Aberta" (1945). Isso se deve principalmente à sua reconstituição de época, onde vemos uma Nápoles procurando se reerguer, mesmo que para isso a inocência de algumas crianças seja extinta de forma precoce. Porém, diferente desses clássicos, o filme procura sempre nos passar um fio de esperança através do olhar do pequeno protagonista.

Curiosamente, o filme brinca com as mais diversas teorias de conspiração com relação ao Comunismo em solo italiano pós guerra, o que não deixa de ser uma crítica acida ao que o ocidente pensava e ainda pensa hoje em dia. Embora essa observação fique em grande destaque em boa parte do primeiro ato, é através da relação complexa entre mãe e filho que o filme nos conquista e fazendo com que obtenhamos diversos sentimentos durante a projeção. Em certo momento podemos até mesmo sentir raiva da mãe do protagonista, e com razão, mas tudo o que ela faz é para ambos sobreviverem, nem que para isso perca um pouco de sua própria humanidade.

Serena Rossi se sai muito bem ao interpretar uma mulher que perdeu tudo, mas que busca uma forma para que ao menos o seu filho saia vivo dessa realidade sombria e opressora do pós guerra. Porém, o filme pertence ao jovem Stefano Accorsi, ao saber construir, tanto fisicamente como também psicologicamente, uma criança que procura sobreviver perante os obstáculos, mesmo quando o universo dos adultos possa parecer opressor em alguns momentos. Ao conhecer os dois lados da mesma moeda de uma Itália que busca se reerguer,  Speranza se dá conta que a cultura e a prática do bem podem lhe abrir novas portas, mesmo quando há certos sacríficos durante a jornada.

Neste último caso, por exemplo, a questão maternal é colocada a prova, que vai desde a questão do abandono, como também saber quando devemos deixar que os nossos filhos deem o seu voo mais alto. No caso da trama, a boa oportunidade para obter novas chances na vida deve ser abraçada, mesmo quando o protagonista acha que foi abandonado durante a sua cruzada. Ao final, constatamos que nunca saberemos ao certo sobre o que molda realmente uma pessoa, mas basta a suas pequenas ações para obtermos uma vaga ideia.

Curiosamente, o filme me relembrou de outro clássico italiano que foi “Cinema Paradiso” (1988), já que ambos os protagonistas retornam para as suas raízes e para que só assim possam descobrir uma peça importante de suas vidas e que havia ficado para trás. Se o final não chega a ser tão emocionante se for comparado ao clássico de Giuseppe Tornatore, ao menos faz com que a sessão termine de forma satisfatória e os nossos sentimentos com relação ao papel da mãe e filho se torne mais esclarecedores para dizer o mínimo. Pode não se tornar um novo clássico italiano, mas nos emociona na medida do possível.

"O Trem Italiano Para a Felicidade" transita entre o cinema mais pessimista para o mais esperançoso do cinema italiano e é por isso mesmo que vale a pena ser descoberto. 

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Cine Dica: O premiado filme catalão "Alcarràs", da diretora Carla Simón, estará na tela do Cineclube Torre

 Um drama rural sobre as atuais disputas no campo, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, do Cineclube Torres, junto da Up Idiomas Torres.

Em uma pequena aldeia catalã, Alcarràs, uma tradicional família de produtores de pêssego, os Solé, passam todos os verões juntos colhendo para seu sustento as frutas do pomar onde estão assentados. Mas um dia chega ao campo uma nova ameaça para os agricultores da região.Esta já é a segunda longa-metragem da realizadora catalã Carla Simón, após o filme Verão 1993, que verte num tema autobiográfico, incorporando vivências e memórias da sua família, que viveu do cultivo de alimentos.

O filme ganhou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim e desbancou prêmios da Academia do Cinema Catalão "Gaudí", em 2022, tendo sido escolhido como representante espanhol na corrida pelos Óscar como melhor filme internacional. "A realizadora constrói uma narrativa carregada de memórias que valorizam o cultivo da terra, a vida agreste, a ancestralidade e as várias camadas do ambiente familial. Delinea a relação privado-coletivo, trabalho familiar versus mundo capitalista, que imprime uma mudança bruta na forma de produção e valor dos alimentos cultivados pelas mãos." (Lídia Ars Mello, C7nema).

A sessão, com entrada franca, integra o 10° Ciclo de filmes de expressão ibero americana, realizado na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, pelo Cineclube Torres, associação sem fins lucrativos com 13 anos de história, em atividade desde 2011, Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual, Ponto de Memória pelo IBRAM, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur), contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres.


Serviço:

O que: Exibição do filme  "Alcarràs", de Carla Simón (Espanha) - 2h00m

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 10/3, às 20:00

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur

CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 7 de março de 2025

Cine Especial: Revisitando 'Mississípi em Chamas'

Alan Parker chamou atenção da crítica através do seu "O Expresso da Meia-Noite" (1978), filme do subgênero de prisão, mas que fugia de certos clichês já conhecidos na época. Já nos anos oitenta veio a consagração através de títulos como "Pink Floyd - The Wall" (1982) e principalmente "Coração Satânico" (1987). Porém, foi através de "Mississípi em Chamas" (1988) que ele criou o que talvez seja o seu filme mais provocador, mesmo quando se nota estar datado em alguns momentos.

Baseado em um caso real, a trama se passa no Mississípi, 1964. Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe) são dois agentes do FBI que estão investigando a morte de três militantes dos direitos civis. As vítimas viviam em uma pequena cidade onde a segregação divide a população em brancos e negros e a violência contra os últimos é algo constante. Na medida em que a investigação avança, os dois protagonistas conhecem cada vez o lado sombrio daquele estado.

Convenhamos, de todos os países do mundo os EUA é o mais racista, sendo que o país estava dividido quando Abraham Lincoln decidiu libertar os escravos e desencadear o que hoje conhecemos como a grande Guerra Civil Americana. Embora a liberdade tenha prevalecido, as pessoas ainda continuam sofrendo com o preconceito, perseguição e até mesmo morte em alguns estados. O Mississípi talvez tenha sido, ou ainda é, um dos estados mais racistas de sua história, sendo que o ápice dessa insanidade ocorreu em 1964.

Aparentemente, o filme se envereda para o típico filme policial, onde temos dois agentes do FBI com personalidades distintas uma da outra, mas que precisaram deixar as suas diferenças de lado para obter algum resultado durante a investigação. Enquanto Alan Ward é um bom moço que procura trabalhar e agir da forma correta, por outro lado, Rupert Anderson conhece muito mais a realidade em sua volta, pois cresceu e viveu com o preconceito, mas tendo procurado ao longo de sua vida não ser um racista. Se em um primeiro momento achamos que é um, logo percebemos que o seu problema se encontra mais embaixo e é aí que mora o talento de Gene Hackman como um todo.

Sendo um dos grandes talentos que surgiu no início do que chamamos hoje de A Nova Hollywood, Hackman constrói para si um personagem complexo, do qual usa o seu sarcasmo para se defender do lado opressor vindo da realidade, mas escondendo também a sua real fragilidade. Isso, portanto, gera um interessante contraste ao compararmos ao personagem de Willem Dafoe, que jamais se deixa abalar perante a situação do caso, mesmo quando chega ao ponto em que se dá conta que os métodos peculiares do seu parceiro talvez sejam os únicos meios de encarar aquele ambiente hostil. Destaque também para o ótimo desempenho de Frances McDormand, ao dar vida a esposa de um policial racista, ao nos brindar com uma cena digna de nota e sintetiza o quanto é cruel nascer e viver em um estado como Mississípi.

Na medida em que a trama avança ficamos ainda mais com raiva daquele lugar opressor, onde as pessoas negras são silenciadas, casas destruídas e chegando até mesmo a serem enforcadas. Porém, o filme envelheceu um pouco mal com relação ao próprio papel dos negros dentro da história, onde aparentam medo e passividade perante os horrores, sendo que se fosse feito hoje a retratação entre eles seria muito mais forte perante ao racismo branco dentro da história. Talvez o que tenha faltado neste filme foi completado no que Spike Lee queria nos dizer em sua obra prima "Faça a Coisa Certa" (1989).

Tecnicamente é um filme primoroso em termos de reconstituição de época, tendo ganhado Oscar de fotografia, mas sendo pouco para um longa que coloca um pouco o dedo na ferida. Revisto hoje nos damos conta que o fascismo se esconde no racismo atual que se espalha entre as redes sociais e que defende a liberdade de expressão, quando na verdade procura o direito de fazer a saudação nazista sem medo. Ou seja, se as coisas continuarem piorando, irão surgir muito mais Mississipis ao redor do globo.

Mesmo datado em alguns pontos, "Mississípi em Chamas" é um filme corajoso para a sua época e revelando o verdadeiro lado sombrio daqueles que se dizem defender a democracia. 

NOTA: Em memoria a Gene Hackman 1930 - 2025


Filmografia: 

2004 Uma Eleição Muito Atrapalhada

2003 O Júri 

2001 O Assalto

2001 Doce Trapaça

2001 Atrás das Linhas Inimigas

2001 Os Excêntricos Tenenbaums

2000 Virando o Jogo

2000 Sob Suspeita

1998 Inimigo do Estado

1998 Fugindo do Passado

1998 FormiguinhaZ

1997 Poder Absoluto

1996 O Segredo

1996 The Birdcage - A Gaiola das Loucas

1996 Medidas Extremas

1995 Maré Vermelha

1995 O Nome do Jogo

1995 Rápida e Mortal

1994 Wyatt Earp

1993 Gerônimo – Uma Lenda Americana

1993 A Firma

1992 Os Imperdoáveis

1990 Julgamento Final

1990 Lembranças de Hollywood

1990 De Frente para o Perigo

1989 Entrega Mortal

1988 Bat 21 - Missão no Inferno

1988 A Outra

1988 Mississipi em Chamas

1987 Superman 4 - Em Busca da Paz

1987 Sem Saída

1986 Momentos Decisivos

1986 Os Donos do Poder

1985 O Alvo da Morte

1983 Embalos a Dois

1983 De Volta para o Inferno

1983 Sob Fogo Cerrado

1981 Reds

1981 Tudo em Família

1980 Superman 2 - A Aventura Continua

1978 Superman - O Filme

1977 Marcha ou Morre

1977 Uma Ponte Longe Demais

1975 Operação França 2

1975 Um Lance no Escuro

1975 Os Aventureiros do Lucky Lady

1975 O Risco de uma Decisão

1974 A Conversação

1974 O Jovem Frankenstein

1973 Espantalho

1972 O Destino do Poseidon

1971 Caçada Sádica

1971 Operação França

1969 Os Pára-Quedistas Estão Chegando

1969 Os Amantes do Perigo

1967 Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Bala

1966 Havaí

1964 Lilith

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Cine Especial: Próxima Sessão Clube de Cinema (06/03): "Meu Verão com Glória" na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado, nosso encontro será às 10h15 na Cinemateca Paulo Amorim para assistir Meu Verão com Glória, filme francês que nos conduz a uma história sensível e emocionante sobre infância, imigração e laços afetivos. Inspirado nas memórias da diretora Marie Amachoukeli, o longa retrata a relação entre Cleo, uma menina de seis anos, e sua babá Glória.


Confira os detalhes abaixo:


SESSÃO CLUBE DE CINEMA

Local: Sala Eduardo Hirtz, Cinemateca Paulo Amorim, Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 - Centro Histórico)

Data: Sábado, 08/03, às 10h15 da manhã

Meu Verão com Glória (Àma Gloria)

França, 2024, 84 min, 12 anos

Direção: Marie Amachoukeli

Elenco: Louise Mauroy-Panzani, Ilça Moreno Zego, Arnaud Rebotini

Sinopse: Cleo tem seis anos e é completamente apaixonada por sua babá, Gloria, que migrou de Cabo Verde para trabalhar na França. Quando Gloria precisa voltar ao seu país para atender a compromissos familiares, fica a promessa das duas se reencontrarem o mais rápido possível. Assim, a garotinha embarca para uma temporada em Cabo Verde, onde viverá experiências inesquecíveis. O filme constrói uma delicada reflexão sobre as mulheres imigrantes que deixam seus filhos para se tornarem mães de outras crianças.


Sobre o Filme: Os nossos primeiros anos de infância são momentos mágicos e dos quais enxergamos como tempos cada vez mais dourados. Porém, por mais precoce que seja, o amadurecimento acaba surgindo perante as dores emocionais que precisamos enfrentar logo cedo e para que assim estejamos mais preparados perante o mundo. "Meu Verão Com Glória" (2023) fala sobre o amor que nós sentimos pelos nossos entes queridos quando éramos crianças, mas que precisamos aceitar enfrentar a realidade mesmo quando eles não se encontram mais presentes.
Dirigido por Marie Amachoukeli, a história é sobre amor e amizade entre uma criança e sua cuidadora. Aos seis anos, Cleo é apaixonada por sua babá Glória, que a cria e cuida desde seu nascimento. Um dia, após uma notícia trágica, Gloria precisa retornar urgentemente ao seu país natal Cabo Verde, onde vivem sua família e seus filhos. Não demora muito para que Cleo tenha a chance de visitá-la, mas conhecendo um outro lado da vida de Glória do qual desconhecia.

Confira a minha crítica já publicada clicando aqui. 

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quinta-feira, 6 de março de 2025

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (06/03/25)

 Mickey 17

Sinopse: Um herói improvável, Mickey Barnes (Robert Pattinson) se vê em uma circunstância extraordinária, trabalhando para um empregador que exige o compromisso máximo com o trabalho... morrer, para ganhar a vida. Classificação indicativa 16 Anos. Contém conteúdo sexual, drogas, violência extrema.


O MACACO

Sinopse: Quando os irmãos gêmeos Bill e Hal encontram o velho macaco de brinquedo de seu pai no sótão, uma sequência de mortes horríveis se inicia. Decididos a se livrar da ameaça, os irmãos jogam o brinquedo fora e tentam seguir com suas vidas, afastando-se cada vez mais com o passar dos anos.


UMA ADVOGADA BRILHANTE

Sinopse: Michelle é um advogado em plena ascendência que precisa lidar com a inconveniente e constante confusão de seu nome, de origem italiana, com um nome feminino. Além da obrigação de garantir absolutamente todos os gastos de seu filho, caso contrário a ex-esposa vai se mudar do Brasil com o garoto. 

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