quarta-feira, 22 de julho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'A Divina Sarah Bernhardt'

Sinopse: O longa foca na sua vida íntima e extravagante, destacando seu espírito transgressor, relacionamentos abertos e a luta contra desafios pessoais, como uma grave amputação de perna.

As cinebiografias tendem a seguir a fórmula de sempre ao revelar a consagração, o declínio e a redenção do artista. Se por um lado há títulos convencionais, por outro existem aqueles que fogem do previsível e se encaminham para algo além do comum, como foi o caso do maravilhoso "Piaf – Um Hino ao Amor" (2007). "A Divina Sarah Bernhardt" pode não possuir o mesmo quilate, mas surpreende com seu requinte visual e uma atuação feminina digna de nota.

Dirigido por Guillaume Nicloux, a trama se situa entre o final do século XIX e os primeiros anos do novo século. Exatamente nessa época, Sarah Bernhardt (Sandrine Kiberlain) brilhava como uma grande atriz, rosto do movimento Art Nouveau e uma das pioneiras do cinema. Ela é considerada por muitos a primeira estrela mundial da história. O filme mergulha na vida da artista e nos apresenta um novo lado de uma das precursoras do teatro mundial.

Guillaume Nicloux cria uma abertura que faz uma bela homenagem à maneira como os primeiros filmes do cinema mudo eram apresentados ao grande público, representando tempos mais dourados nos quais a arte, como um todo, era o que dava vida às pessoas. Mas do auge surge a decadência: a primeira aparição da protagonista, já no fim de sua vida, representa o encerramento de uma era, atiçando a curiosidade do público sobre o que aconteceu antes. É então que o cineasta vai e volta no tempo, apresentando um mosaico de informações sobre a atriz.

Tendo atuado em diversas peças — inclusive no Brasil —, Sarah Bernhardt foi alguém à frente do seu tempo; uma espécie de Madonna cuja essência primordial era forte demais para um único corpo, fazendo com que ele não suportasse tanta intensidade por muito tempo. Entre o sucesso, bebidas, sexo e festas, vem a decadência gradual — sem jamais perder a força de suas palavras, principalmente perante aqueles que não souberam compreendê-la. Sandrine Kiberlain nos brinda com uma atuação soberba ao se entregar de corpo e alma a uma personagem histórica que fez toda a diferença no universo da atuação.

O filme não explora apenas a sua forte personalidade, mas também o desejo incontrolável de manter seus amantes por perto para não se sentir sozinha. Dentre eles, sua principal paixão foi Lucien Guitry (Laurent Lafitte), cujas idas e vindas ao decorrer dos anos desencadeiam situações irreversíveis. Ao mesmo tempo, a narrativa sobre essa paixão proibida, desabafada pela própria protagonista, esclarece nuances de sua história e torna o desfecho mais dramático — para não dizer trágico.

Com um figurino deslumbrante alinhado a uma belíssima direção de arte, o filme é uma declaração de amor aos tempos em que a França respirava cultura, mas enfrenava os olhares conservadores da sociedade. Sarah Bernhardt enfrentou tudo isso se entregando a performances teatrais que lhe cobraram um alto preço. Ao final, ela sai de cena, mas seu legado permanece intacto — e as cenas finais simbolizam isso com maestria.

"A Divina Sarah Bernhardt" não é somente a cinebiografia de uma artista, mas também uma ode a uma época dourada para os amantes do teatro, na qual atuar tinha um significado muito mais profundo.

   Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Nenhum comentário:

Postar um comentário