Sinopse: Elias, de 14 anos, reside em uma aldeia flamenga. Quando Alexander, também de 14, se muda de Bruxelas para a casa do outro lado da rua, Elias experimenta seus primeiros sentimentos de amor.
Recentemente, tenho observado como o cinema tem abordado o surgimento de relacionamentos homoafetivos na transição da infância para a adolescência. Filmes como o belga "Close" (2022) e o japonês "Monster" (2023) retratam o nascimento dessas relações de forma singela, embora orquestrados para fins trágicos e reflexivos. Já o britânico "Corações Jovens" (2025) conduz essa dinâmica com igual delicadeza, mas ganha contornos esperançosos à medida que a história avança.
Dirigido por Anthony Schatteman, o longa acompanha Elias, um jovem de 14 anos que se sente atraído por seu novo vizinho, Alexander. Logo, ele percebe que está se apaixonando pela primeira vez. Ao contrário de Elias, Alexander é extrovertido e cativante, o que desperta uma admiração imediata. Temendo o julgamento de familiares e amigos diante do desconhecido, Elias esconde seus sentimentos e mente para todos, enquanto a convivência com o novo amigo o deixa cada vez mais confuso.
A transição para a adolescência é um período sabidamente confuso, repleto de sentimentos conflitantes que nos fazem questionar onde nos encaixamos perante uma sociedade ainda conservadora. Schatteman constrói uma narrativa com a qual o espectador facilmente se identifica, já que Elias é o reflexo de muitos jovens — de ontem e de hoje — que se viram desorientados diante das próprias emoções e receosos com a opinião alheia. Paralelamente, notamos a busca do protagonista por ser ouvido, seja através dos pais, muitas vezes atarefados com a rotina, ou através do avô, cuja longa experiência de vida se transforma em acolhimento, colocando-se no lugar do neto por já compreender o que ele atravessa.
Lou Goossens e Marius De Saeger entregam ótimas atuações. O primeiro transmite, por meio de um olhar profundo, toda a turbulência mental de Elias. Já Marius confere total segurança ao seu personagem, construindo um Alexander bem resolvido e decidido a seguir em frente, independentemente das hesitações do vizinho. Como é de se esperar, os conflitos logo surgem, inserindo Elias em um cenário de tensão que desperta o temor do público pelo destino dos garotos.
Contudo, Anthony Schatteman opta por um caminho mais solar, em que as pessoas mais próximas escolhem o acolhimento em vez da neutralidade convencional. Em tempos complexos, torna-se fundamental escutar o outro e aceitá-lo em sua totalidade. Talvez o filme peque por não ser tão autoral quanto "Monster", ou tão visceral e corajoso quanto "Close", mas uma luz no fim do túnel é, no mínimo, um acalento bem-vindo.
"Corações Jovens" é uma singela carta de amor para aqueles que redefinem e abraçam seus verdadeiros sentimentos na flor da juventude.
Onde Assistir: Filmelier+
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