terça-feira, 24 de março de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Cara de Um, Focinho de Outro'

 Sinopse: Para defender os animais jovem funde a sua mente em uma castora robótica. 



Em sua era de ouro era comum dizer que a Pixar não lançava filmes ruins e isso era muito bem representado através de grandes títulos como "Procurando Nemo" (2003) e "Os Incríveis" (2005). Porém, sempre quando se atinge o teto há sempre o risco de haver um desequilíbrio na qualidade e rendendo títulos que não correspondem aos velhos tempos do estúdio como foi no caso de "Elio" (2025). Mas entre altos e baixos ao menos "Cara de Um, Focinho de Outro" (2026) é uma prova que o  estúdio procura saber nivelar ao criar tramas que transitam com diversão mas com boas doses de reflexão.

Dirigido por Daniel Chong, o filme conta a história de Mabel (Piper Curda), que ensinada pela sua querida avó aprendeu desde cedo a cuidar dos animais. Quando ela descobre que o prefeito da cidade Jerry (Jon Hamm) quer fazer um viaduto que pode colocar em risco o lar dos castores da floresta, ela decide se unir com uma cientista que possui a tecnologia de transferir as mentes das pessoas em animais robóticos. Mabel se transforma em uma castora, que acaba se unindo com um rei castor para procurar um meio de contornar esse problema, mas mal sabendo que outros irão surgir em meio a essa cruzada.

Em tempos em que a Pixar anda meio presa com as continuações de seus grandes sucessos é sempre bom ver que ainda há esperança quando o estúdio procura se arriscar em algo novo. Embora a trama soe familiar, principalmente para aqueles que assistiram ao clássico "Sem Floresta" (2005), o filme se envereda por questões que vão desde a proteger a natureza, como também sobre assumir o peso da responsabilidade quando se procura pôr em prática a mudança das coisas. Ou seja, por mais que a gente coloque em prática a nossa boa vontade há também de surgir percalços pelo caminho e nesta questão o estúdio acerta em cheio com relação a esse pensamento.

Outro fator positivo é a sua própria protagonista da trama, sendo que Mabel é uma força da natureza disposta em ajudar os animais da floresta, nem que para isso enfrente grandes autoridades como o próprio prefeito da cidade. Vale destacar a sua singela relação com a sua avó, sendo que as cenas iniciais protagonizadas pelas duas é uma representação positiva e do que irá se desenrolar durante a trama. São momentos como esse que não só irá conquistar os pequenos, como também fará com que os adultos se identifiquem e se emocionem ao mesmo tempo.

Com relação a transferência de mentes para animais robóticos isso se torna somente uma mera desculpa para a protagonista interagir logo de uma vez com os animais da floresta, principalmente com relação ao Rei Castor e que se torna o grande amigo dela. É neste ponto, por exemplo, que a trama me lembrou também o clássico "Irmão Urso" (2003), sendo que em alguns momentos vemos a perspectiva dos animais perante os humanos, ou vice e verça. Uma forma interessante de analisar que a relação de seres diferentes um do outros somente se encontram separados através do medo do desconhecido.

Outro fator interessante da história é explorar o quanto a nossa boa vontade em querer melhorar as coisas pode também gerar grandes consequências. Por mais que Mabel procure ajudar os animais, ela jamais imaginaria que as consequências surgiriam justamente através das regras imposta pelos próprios líderes da floresta e desencadeando situações inusitadas durante uma determinada reunião. Já adianto que as consequências dessa cena não somente desencadeiam uma situação irreversível, como também um dos momentos mais hilários do longa como um todo.

A partir desse momento o filme se envereda para uma verdadeira montanha russa e onde vemos os protagonistas correrem contra o relógio. São nestes momentos, por exemplo, que o estúdio ainda prova que sabe fazer boas cenas de ação e fazendo a gente prender a respiração em alguns momentos e até temendo pela vida dos personagens principais da trama. Claro que o estúdio não perde a chance de fazer mesmo até piada de outros filmes clássicos e portanto a referência do clássico "Tubarão" (1975) e de suas limitações absurdas é mais do que evidente para dizer o mínimo.

O ato final só descamba um pouco para uma ação quase vertiginosa, onde não há um respiro, mas ao menos dando um espaço para que os personagens amadureçam com relação ao que sempre acreditavam. A lição de moral é colocada em prática, onde fazem com que os personagens tomem novos rumos e obtenham um equilíbrio o que antes parecia impossível. Pode não ser o melhor longa do estúdio, mas ao menos obteve coragem de se arriscar e tentar criar algo novo.

"Cara de Um, Focinho de Outro" é uma grata surpresa deste início de ano e provando que o estúdio Pixar ainda pode nos brindar com ótimos longas que remetem aos seus bons e velhos tempos de sua era de ouro. 



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