terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Crônica de uma Relação Passageira'

Nota: Filme exibido para os associados no último Domingo (23/02/25)

Sinopse: Charlotte (Sandrine Kiberlain) e Simon (Vincent Macaigne) iniciam um romance sem compromisso, mas logo percebem que sentimentos inesperados podem tornar tudo mais complicado.

As comédias românticas foram levadas tantas vezes pelo cinema americano que ele acabou se desgastando no decorrer do tempo. Em tempos atuais onde as relações amorosas não é mais aquele conto de fadas fica cada vez mais difícil fazer um filme desse tipo que possa agradar o grande público. "Crônica de uma Relação Passageira" (2022) talvez seja um pequeno sopro para esse gênero, já que ele sabe lidar com situações amorosas que são discutidas em tempos contemporâneos.

Dirigido por Emmanuel Mouret, o filme conta a história romântica entre Charlotte (Sandrine Kiberlain) e Simon (Vicenti Macaigne) que se conhecem em uma festa. Charlotte é uma mãe solteira, já Simon é um homem casado e sua esposa está grávida. Eles se reencontram num bar e começam um relacionamento repleto de percalços. A princípio, os opostos realmente se atraem e ambos concordaram em viver uma relação apenas de aventuras, mas tudo se complica quando os dois criam sentimentos um pelo outro na medida em que o tempo vai passando.

Claramente Emmanuel Mouret e seus roteiristas buscaram inspiração dentro do gênero, mais especificamente em tempos em que era comum determinados títulos fazerem um grande sucesso. Há uma pitada de Woody Allen aqui e ali, assim como também sentimos que o realizador buscou inspiração na trilogia romântica de Richard Linklater iniciada em "Antes do Amanhecer" (1995). Neste último caso, por exemplo, isso se encontra nos momentos em que o casal central da trama vive conversando em diversos planos sequências e fazendo com que a nossa atenção com relação a essa relação somente aumente.

Curiosamente, existe sempre aquela desculpa de que não se faz mais comédias românticas como antigamente devido ao advento da internet, onde muitas relações através dela se criam, assim como também traições e relações vazias. Aqui isso não acontece exatamente, já que a tecnologia se encontra presente, mas somente na superfície e fazendo que o lado humano dos personagens e floresça ainda mais. Isso dá espaço a ser usado as velhas fórmulas desse gênero e provando que eles ainda funcionam em pleno século vinte um.

Tanto Sandrine Kiberlain como Vicenti Macaigne se saem muito bem em cena, sendo que 90% do filme são com ambos em cena e nos brindando com diálogos caprichados sobre relacionamentos, paixões e traições. Se por um lado Charlotte é uma mulher bem resolvida e com a mente aberta, por outro lado, Simon age de forma neurótica, sendo que cada passo que a relação fica mais séria, mas ele demonstra uma confusão sentimental e da qual ele transborda. Novamente, qualquer semelhança com a filmografia de Woody Allen não é mera coincidência.

Do terceiro ato até o seu final, a história já nos dá umas dicas sobre o destino dessa relação. Porém, graças ao lado humano e verossímil transmitido pelos personagens é o que faz com que aceitemos um final em aberto, mas que sintetiza tempos atuais em que as relações amorosas estão sempre na corda bamba, mas nunca nos esquecendo do início onde tudo começou de uma forma mais colorida. Ao final, caminhamos com os personagens tendo a certeza que já estivemos na mesma situação deles.

Com uma ligeira, porém, bela homenagem ao clássico "Cenas de um Casamento" (1973) do mestre Ingmar Bergman, "Crônica de uma Relação Passageira" é um outro ótimo exemplo de que a comédia romântica não morreu, mesmo em um mundo atual em que o romance pode parecer piegas para alguns. 


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