Nos dias 18 e 19 de
maio, eu estarei participando do curso François
Truffaut: O Homem que Amava o Cinema, criado pelo Cena Um e ministrado pela
coordenadora e curadora da Sala da Redenção da UFRGS, Tânia Cardoso de Cardoso. Enquanto os dias da atividade não chegam, por
aqui, estarei postando um pouco sobre os principais filmes desse diretor, que
foi um dos pilares que sustentou o surgimento do movimento Nouvelle Vague.
OS INCOMPREENDIDOS
Sinopse: Antoine
Doinel é um garoto de 14 anos. Seus pais não lhe dão muita atenção, então ele
mata aula para ir ao cinema e sair com seus amigos. Certo dia, ele descobre que
sua mãe tem um amante, mas isso é apenas o principio para inúmeras mudanças que
o jovem experimentaria dali em diante.
Numa época (final dos
anos 50) em que o cinema Francês estava cada vez mais sendo feito por pessoas
mais velhas e que não tinha nenhuma sintonia com a juventude daquele período,
coube um grupo de jovens críticos de cinema (de uma revista intitulada
L’Express), para injetar novo sangue para a sétima arte daquele país, mas que
ao mesmo tempo fortalecia o termo “cinema de autor”. Assim nasceu o movimento
Nouvelle Vague, que é referenciado até hoje, como um dos momentos mais
importantes do cinema mundial e que influenciou o surgimento de outros
movimentos pelo globo, como o nosso "Cinema Novo" e a "Nova Hollywood" do cinema
americano. Desse grupo que gerou essa
onda, meu favorito sempre será François Truffaut, que diferente de seus colegas
(como o gênio Jean Luc Godard) não queria fazer um cinema que apenas dizia
sobre o que acontecia na França daquela época, como também queria falar um
pouco de si próprio e do seu amor pelo cinema, em uma filmografia autoral e
muito simpática.
Em sua estréia como
diretor, Truffaut cria em Os Incompreendidos (o que muitos consideram) uma
espécie de reconstituição de sua infância difícil, onde beirava entre a rebeldia
e a busca (mesmo que escondida) por uma redenção. Agora se o personagem Antoine
era um retrato genuíno ou não de sua juventude, isso é o que menos importa, já
que o importante é o fato do diretor ter se encarregado de criar inúmeras
passagens de cenas inesquecíveis: a seqüência onde o jovem protagonista está
caminhando e depois correndo para a praia, está entre as melhores cenas da
historia do cinema. Isso sem contar a cena anterior do brinquedo do parque de
diversões, onde faz inúmeras voltas, fazendo uma representação, não somente o
estado de espírito do protagonista, como também um prenuncio de uma mudança de
360º graus que o cinema Francês experimentaria dali em diante.
Mas essa não seria a ultima
vez que veríamos o personagem Antoine, já que o filme fez tanto sucesso, que
acabou gerando inúmeras continuações, com ele já crescido e com o mesmo ator,
Jean-Pierre Léaud, que se tornaria figura bem conhecida na filmografia, tanto
de Truffaut, como de Jean Luc Godard.
Só o título do curso já é sensacional. Como você, também prefiro Truffaut a Godard. Os Incompreendidos é maravilhoso, talvez só comparável como longa de estreia a Cidadão Kane em sua inovação.
ResponderExcluirAbraços!
Valeu Lê, seria muito bom se participasse comigo.
ResponderExcluirTinha uma colega na pós-graduação que era apaixonada por François Truffaut. Principalmente A noite americana. Era um grande diretor.
ResponderExcluirE ele transmitia simpatia em seus filmes Gilberto, ao ponto de ele próprio, quando atuava eu sentia isso.
ResponderExcluirEm a Noite Americana, uma das minhas cenas preferidas é quando ele está sonhando (ou lembrando) de quando era pequeno e tentava roubar os Posters do cinema através da grade. Uma representação de seu amor que tinha pela sétima arte.