Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Nos dias 17 e 18 de março, estarei participando do curso “O Cinema de Quentin Tarantino”, realizado no Cinebancários, criado pelo CENA UM e ministrado pelo cineasta e diretor de teatro Mauro Baptista Vedia. E enquanto o evento não acontece, por aqui, estarei postando tudo o que eu sei sobre esse grande diretor criativo, que foi a melhor coisa que surgiu nos anos 90!
Jackie Brown
Assim como fez com John Travolta, Quentin Tarantino resgata outros atores da década de 70 neste pequeno clássico de 1997
Sinopse: Jackie Brown é uma aeromoça, funcionária de uma companhia aérea de segunda linha, que reforça o seu baixo salário trazendo para o país dinheiro sujo de um traficante de armas, Ordell Robbie. Um dia, ela é pega por policiais com uma alta soma numa mala. Mas estes lhe oferecem a liberdade se os ajudar a pegar o traficante.
Terceiro filme de Tarantino que abriu mão de um roteiro original para adaptar o livro Poche de Run, de El More Leonard (O Nome do Jogo). Ignorado no Oscar/98 (só Foster foi lembrado com uma indicação a coadjuvante) leva as telas uma trama aparentemente banal que ganha tensão, suspense e humor por meio de sua criatividade. Repleto de referencias dos anos 70 (figurinos, trilha sonora, cenários) resgatou dois atores daquele tempo (Grier e Foster), da época colocou grandes nomes (Deniro, Fonda, e Keaton) em papeis menores, mas importantes. Mais maduro, Tarantino abandonou a estética da violência explicita dos seus filmes anteriores e talvez por isso na época fosse um tanto que incompreendido, mas jamais esquecido. Um dos grandes momentos chaves do filme, que mostra toda a criatividade do diretor, é uma seqüência de trocas de bolsas em um vestuário. Tarantino retorna pelo menos umas três vezes no local dos acontecimentos, para mostrar a mesma trama, mas de ângulos diferentes, focando o destino de cada um dos personagens em decorrência a esses eventos na loja de roupas. Com um uso criativo de montagem de imagens, essa seqüência, apesar de simples é eficaz, que de quebra, é onde os atores estão em seus melhores momentos, em especial a Robert Deniro, Bridget Fonda.
Sinopse: Ryan Gosling interpreta neste filme um piloto profissional que trabalha em cenas de perseguição de carros em Hollywood. Além disso, ele usa sua habilidade e precisão no volante como motorista em assaltos. Dentro do seu mundo solitário ele conhece Irene (Carrey Mulligan), cujo marido sairá da prisão em poucos dias. Disposto a ajudar essa família a pagar uma antiga dívida, ele se dividirá entre usar todas as suas habilidades para salva-lá ou embarcar em uma fulminante paixão.
De novo, a trama de Drive não tem nada, mas a forma que o diretor Colas Winding Refn (Guerreiro Silencioso) dirige, faz com que a historia nos soe fresca e contagiante. Há claro elementos que nos lembra outros filmes como Taxi Drive, Carga Explosiva e até mesmo Os Brutos também amam, porém, Winding faz a diferença ao usar câmera para capturar a cada momento os sentimentos dos seus personagens, sendo que consegue puxar para fora todo o peso que os personagens carregam durante a historia, em especial do motorista. Ryan Gosling (Namorados para Sempre) faz aqui o personagem da sua vida, onde ele passa uma carga de sentimentos múltiplos na tela, onde por vezes, só temos uma idéia exata de quais suas intenções, quando conhece Irene (Carrey Mulligan). Apartir daí, sabemos que o personagem busca um pouco de paz consigo mesmo, para então quem sabe, possa se livrar de certos serviços que usa com o seu carro. Mas apartir que o marido de Irene surge, já temos um palco armado para a queda de cada um dos personagens no decorrer do filme. Para não soar familiar (embora aconteça realmente) Winding Refn faz de cada seqüência crucial, um momento em que a imagem (com uma bela câmera lenta) se misture com os sentimentos que rola na cabeça dos personagens, em especial do motorista. Momentos, como a famosa cena do elevador, ou quando o protagonista usa uma mascara para ir a caça de um determinado personagem, são momentos em que uma direção segura e a competência do elenco fazem a diferença no filme. É interessante também como o diretor foca determinados detalhes, que embora banais para uns, possam ser uma pista do que está por vir, como o desenho de um escorpião na jaqueta do motorista, sendo que ela representa toda a ambigüidade do personagem.
Saído consagrado em Cannes (como o premio de melhor direção) e com uma trilha sonora que crava na mente de quem assiste, Drive é um daqueles casos raros do cinema atual, onde todas as peças estão lugar, para então funcionar de forma redondinha e ser aceito positivamente ao longo do tempo de sua exibição. Pode ter sido esnobado no ultimo Oscar, mas ganhou o premio principal, que é o reconhecimento gradual ao longo do tempo, mesmo num espaço tão curto de tempo!
Nos dias 17 e 18 de março, estarei participando do curso “O Cinema de Quentin Tarantino”, realizado no Cinebancários, criado pelo CENA UM e ministrado pelo cineasta e diretor de teatro Mauro Baptista Vedia. E enquanto o evento não acontece, por aqui, estarei postando tudo o que eu sei sobre esse grande diretor criativo, que foi a melhor coisa que surgiu nos anos 90!
Pulp Fiction: Tempo de Violência
O MELHOR FILME DA DECADA DE 90!
Sinopse: Três histórias são apresentadas de forma não cronológica ao público. Em uma, conhecemos Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), dois mafiosos que devem fazer uma cobrança, que termina em chacina e com uma violenta seqüência no carro. Em outra história, Vincent deve levar a mulher de seu chefe (Uma Thurman) para se divertir enquanto ele viaja, mesmo com todos os boatos que rodeiam o caso. Por último, conhecemos Butch Coolidge (Bruce Willis), um boxeador que deve lutar em um combate com vencedor pré-definido, mas que surpreende a todos, vence e foge com o dinheiro da luta para provar o seu valor, sendo perseguido logo após.
O mais importante (e melhor) filme Americano da década de 90, premiado com o Oscar de roteiro Original (do diretor Tarantino) e Palma de Ouro em Cannes em 94. É pouco para esse filme pop, nervoso, violento, mordaz, verborrágico e na maioria das vezes genial. Começa melhor e termina brilhantemente. Tem atuações perfeitas como Jackson e marca o retorno de Travolta em especial a uma cena de dança com Uma Thurman. Se muitos achavam que Cães de Aluguel era o máximo que poderiam esperar de Quentin Tarantino, muitos desses então devem ter ficado de queixo caído com a revolução da forma de filmar e contar historia que foi esse filme de 94. Assim como o filme anterior, a trama explora o mundo dos gângsteres, mas de uma forma similar do que já foi visto, onde os diálogos afiados e muito espertos dominam durante todo o filme de uma forma, que não tem como cansar deles, porque são soberbos.
Mas o mundo não estava preparado naquela época para Pulp Fiction, tanto que muitos colegas cinéfilos da época, simplesmente não entenderam o vai e vem da historia, sendo que muitos ficaram confusos, quando um dos personagens centrais da historia, morre repentinamente no meio do filme, para depois surgir ainda vivo perto do final da trama. Essa forma de se contar a historia, foi sem sombra de duvida, uma forma de Tarantino fazer o espectador prestar 100% de atenção do que está vendo, sendo que ao longo dos anos, essa forma de apresentar um enredo, foi ainda mais aprimorada atingido o auge em filmes como Amnésia e 21 Gramas. Tarantino ainda por cima não deixa de focar em nenhum momento os seus personagens, onde vemos eles não só falando, mas vendo suas mudanças de expressões no rosto a cada momento, de acordo com a situação em que eles estão passando, fazendo das seqüências, quase uma espécie de filme documentário.
Como sempre, a trilha sonora é outro grande trunfo da trama, sendo que cada seguimento da historia (dividida em quatro partes, mais um prólogo e um epilogo) possui suas trilhas sonoras, que de uma forma bem redondinha, faz um ótimo casamento com as cenas, em especial, dos momentos juntos dos personagens de John Travolta e Uma Thurman. Alias o seguimento onde aparece os dois lado a lado, é sem sombra de duvida o melhor de toda a produção, já que ambos estão a vontade em seus respectivos personagens, onde imediatamente se cria um laço de sintonia de ambos, sendo no dialogo (onde as palavras do mundo de Tarantino saem da boca deles) ou então nos olhares. Uma Thurman faz aqui o papel de sua vida e merecia realmente ter levado um Oscar para casa, pois sua imagem de Mia Wallace (dançando com Travolta) ficou registrada para sempre na mente dos cinéfilos. Samuel L. Jackson é outro que saiu ganhando, tanto, que não foi somente o seu personagem, mas também o próprio ator, que acabou virando um ícone pop. As cenas onde ele dispara (literalmente) palavras da bíblia, ou quando tenta buscar redenção no momento em que excita em não matar um casal de assaltantes é momentos nos quais até hoje Jackson tenta se superar (apesar de ter chegado perto em Jackie Brown, também de Tarantino).
Ao longo dos anos, os fãs do filme levantaram inúmeras teorias sobre inúmeras mensagens subliminares, ou até mesmo situações não explicáveis no decorrer da trama, como do porque de não aparecer o que tem dentro da maleta, ou qual o significado do curativo na nuca Marcelos Wallace. Isso e muito mais, serviu para aumentar a aura pop e de obra prima do cinema que Tarantino lançou com esse filme, fazendo do cinema independente algo tão importante quanto à super produções, que pipocaram os anos 90, e que na maioria delas, se tornaram dispensáveis. Nada mal para um filme com orçamento modesto ( R$12 milhões de dólares), mas com um grande conteúdo significativo e que merece ser sempre visto e revisto inúmeras vezes!
EXTRA: Fiquem abaixo com a trilha sonora do filme, que embalou inumeras baladas nos anos noventa e ainda hoje!
Enfim, finalmente chega aos nossos cinemas, o cultuado Drive, depois vários adiamentos ao longo dos meses. Após o filme ter sido ignorado pelo Oscar, parece que a distribuidora decidiu esperar para que todos os indicados estreassem, para depois exibir esse em nossas salas, o que é uma injustiça, pois o filme é muito imperdível, portanto, aguardem minha critica por aqui. O cinema brasileiro está muito bem representado com a chegada de Billi Pig, que faz referencia dos tempos das chanchadas. Poder sem Limites vem para provar que super poderes podem não ser tão bons assim. E por fim, para aqueles que querem ver vampiros de verdade, Anjos da Noite 4 é uma ótima opção, agora se vocês querem ver uma critica bem humorada de uma das sagas mais dispensáveis do cinema recente, a dica é Saga Molusco: Despertar. Só não sei como não houve mais sátiras a respeito dessa interminável saga, mas acredito que pode vir mais por ai.
Confiram as estréias:
DRIVE
Sinopse: Ryan Gosling interpreta um cara comum, mas que de noite trabalha como piloto de automóveis, financiado pela máfia. Depois que um dos assaltos sai errado e ele se dá mal, passa a desconfiar de que foi traído, saindo assim em busca de vingança.
Billi Pig
Sinopse: A aspirante de atriz Marivalda seu marido Wanderley um corretor de seguros falido e um falso padre fazem de tudo para se dar bem da vida. Em tom de comédia um porco que fala é o grande conselheiro de Marivalda que a adverte sobre as trapaças e confusões que o marido arranja. Uma grande recompensa em dinheiro está em jogo e agora os três terão que correr atrás do milagre prometido.
Poder Sem Limites
Sinopse: Três amigos ganham superpoderes de uma substância misteriosa. Quando surgem problemas pessoais eles precisarão muito um do outro.
A Saga Molusco Anoitecer
Sinopse: Sátira da saga Crepúsculo que mostra Bella o vampiro branquelo Edward e o lobisomem gorducho Jacob como você nunca viu antes. Bella está às voltas com o aguardado casamento com Edward uma possível gravidez do primeiro filho e também com as trapalhadas de Jacob o amigo de todas as horas mas que não larga do pé dela.
Anjos da Noite 4 - 3D
Sinopse: Após ser mantida em estado de coma por quinze anos a vampira Selene descobre que ela possui uma filha de quatorze anos híbrida de vampiro e lobisomem. Com a ajuda dela Selene deve impedir a empresa BioCom de criar super lobisomens que possam matar todos os vampiros.
Nos dias 17 e 18 de março, estarei participando do curso “O Cinema de Quentin Tarantino”, realizado no Cinebancários, criado pelo CENA UM e ministrado pelo cineasta e diretor de teatro Mauro Baptista Vedia. E enquanto o evento não acontece, por aqui, estarei postando tudo o que eu sei sobre esse grande diretor criativo, que foi a melhor coisa que surgiu nos anos 90!
CÃES DE ALUGUEL
UM PEQUENO (E GRANDE) ENSAIO, DO MELHOR QUE IRIA SURGIR NO CINEMA DOS ANOS 90!
Sinopse: Joe Cabot (Lawrence Tierney), um experiente criminoso, reuniu seis bandidos para um grande roubo de diamantes, mas estes seis homens não sabem nada um sobre os outros e cada um utiliza uma cor como codinome. Porém durante o assalto algo ao saiu , pois diversos policiais esperavam no local. Mr. White (Harvey Keitel) levou Mr. Orange (Tim Roth), que na fuga levou um tiro na barriga e morrerá se não tiver logo atendimento médico, para o armazém onde tinha sido combinado que todos se encontrassem. Logo depois chegou Mr. Pink (Steve Buscemi), que está certo que um deles é um policial disfarçado e eles precisam descobrir quem os traiu. Em um clima de acusações mútuas a situação fica cada vez mais complicado.
Vigorosa estréia na direção do também ator e roteirista Tarantino, inspirada em uma trama do Rashomon de Akira Kurosawa em que o fato é contado em diversos pontos de vista. Embora lembre o inicio da carreira de Scorsese, a narrativa seca e violenta tem um frescor irresistível e uma segurança invejável. Já no primeiro filme, Tarantino estabeleceria diversas características, que viriam se espalhar em todos os seus filmes, como diálogos espertos e afiados, que referenciam a cultura pop (como cinema, séries e HQ), violência estilizada, trilha sonora (com sucessos de ontem e hoje), a estética que se filmava nos anos 70, piadas inteligentes e personagens um mais carismático do que o outro.
A simples trama de um grupo de assaltantes poderia render um filme dispensável nas mãos de outro diretor, mas com Tarantino, ele faz com alma, e ao mesmo tempo, é uma forma do próprio cineasta se expressar nas palavras dos próprios personagens, seja quando faz uma critica com humor negro sobre as gorjetas, ou quando faz referencias ao mundo pop que ele curtia quando jovem. O elenco liderado por conhecidos como Harvey Keitel (Taxi Drive) ajuda para colocar mais lenha na fogueira, ao começar por Steve Buscemi, no papel de sua vida, onde no inicio do filme (onde todo o elenco principal esta reunido almoçando) levanta uma teoria sobre as gorjetas. Mas o mundo não estava preparado para o desempenho assombroso de Michael Madsen, onde faz o verdadeiro psicopata do grupo, e que não dispensa em se divertir em torturar um pobre policial. É nesta seqüência, que ocorre a tão famosa cena do corte da orelha, que embora Tarantino use seus truques de câmera, a cena ainda continua chocante. É neste momento que o cineasta mostra porque veio, pois além de tornar a cena chocante (mesmo não mostrando explicitamente), surpreende em momentos originais e inesperados, como quando Madsen vai pegar um galão de gasolina na rua. Tarantino com sua câmera acompanha Madsen durante esse percurso, da saída do personagem do local, até a ida no carro para pegar a gasolina, para então retornar ao local dos acontecimentos, e isso tudo, numa seqüência sem cortes. O porquê de ele ter criado dessa forma, nesse momento é o que menos importa, porque num filme convencional, toda a forma de se filmar uma cena similar como essa, seria esquecível, porque outro diretor faria o convencional de sempre naquele tempo (1991).
Com um final chocante e que sela o destino de todos os protagonistas, Cães de Aluguel foi um marco no inicio de carreira de Tarantino, e ao mesmo tempo, uma espécie de ensaio, para a consagração do cinema independente dos anos 90. Mas mal o publico tinha uma vaga idéia do melhor que estaria por vir em 94, mas isso é outra historia a ser contada amanha!
Curiosidade: Cena diferente (e mais chocante) do corte da orelha do policial.
Sinopse: Serge Pilardosse (Gérard Depardieu) precisa reunir 10 comprovantes de trabalho para que enfim possa se aposentar. Ele decide partir com sua moto dos anos 70 no intuito de encontrar seus antigos empregadores, de forma a obter os papéis que ainda faltam. Nesta viagem ele reencontra mais do que antigos locais de trabalho, mas também velhos amigos, parentes e o fantasma de seu grande amor, que o assombra desde sua morte em um acidente de moto
É sempre bom assistir um filme roadie movie (filme de estrada), porque a viagem pela estrada, na maioria das vezes, é uma mera desculpa, para o protagonista se redescobrir na vida. Essa regra não é diferente de Mamute, ótimo filme Francês de Gustave de Kervern, onde coloca o personagem de Gérad Deppardieu (em mais um ótimo papel) em cima de sua moto, percorrendo inúmeras estradas, para achar comprovantes de seus serviços anteriores, para assim, conseguir se aposentar. Essa missão acaba por se tornar mera desculpa, para o protagonista dar de frente com o seu passado, seja com colegas, chefes e até parentes, tão excêntricos quanto o próprio personagem. Esse encontros alias, faz o protagonista questionar certas situações no qual passou durante a vida, nas quais, tornou ele o que é hoje. Além de encarar o seu passado nebuloso, principalmente com relação a sua ex namorada morta, que vive o assombrando (interpretada por Isabelle Adjane).
Kervern faz um cinema quase documental, onde acima de tudo, foca os sentimentos e as expressões dos personagens no que estão sentindo no momento. Além de focar belas paisagens durante a viagem do protagonista, fazendo delas, poéticas, mas jamais pretensiosas.
GRAÇAS AO NOVO FILME DE MARTIN SCORSESE, IMAGEM DA LUA COM UM FOGUETE NO OLHO, SE TORNA A MAIS NOVA IMAGEM DA CULTURA POP!
Sinopse: Este curta-metragem de Georges Melies mostra uma das visões fantasiosas que os homens possuíam da Lua nos primeiros anos do século XX. Uma expedição formada por corajosos homens vai para o satélite da Terra, onde encontra seres nada amistosos, são capturados e devem fugir para retornar ao nosso planeta.
Quando eu fui assistir A Invenção de Hugo Cabret, nova super produção de Martin Scorsese, eu já ia preparado com uma vaga idéia do que me esperava, já que com certeza o filme exploraria muito sobre os filmes de Georges Miller, mas nunca pensei que chegaria a tanto. A simples menção já seria satisfatória, mas Scorsese vai além, e ao adaptar o livro para o cinema, ele faz com que a imagem que ficou fixada no imaginário do cinéfilo de antigamente, fosse redescoberta por essa nova geração que ama o cinema e busca por conhecimento. A referencias ao maior clássico de Georges Melies (Viagem a Lua) foi tamanha, que acredito que até mesmo uma criança recém nascia agora, saiba de que filme pertence aquela cena.
Graças a esse filme que faz um resgate aos primórdios do cinema (assim como O Arista) não me surpreenderia agora todo mundo querendo buscar e conhecer os curtas metragens que tanto Melies fez. No youtube, por exemplo, pode ser visto esse clássico curta por completo. Hoje em dia, pode até ser um filme ingênuo, mas jamais perdera sua importância histórica para a sétima arte. Confiram abaixo:
EM PLENA CAPITAL DA ARGENTINA, É CRIADA UMA FABULA CONTEMPORANEA E DELICIOSA!
Sinopse: Martin (Javer Drolas) está sozinho, passa por um momento de depressão e não se conforma com a maneira com a cidade de Buenos Aires cresceu e foi construída. Como trabalha de casa, pouco sai e fica o tempo todo conectado na internet. É através dela que conhece Mariana (Pilar López de Ayala), aficcionada por chats. Eles iniciam um relacionamento virtual, sem saber que mora na mesma quadra.
O cinema Argentino vive uma era de ouro de ótimos filmes que estão sendo lançados, sendo graças a uma nova geração de cineastas muito criativos e cheios de idéias. Justamente em sua estréia em longa metragem, Gustavo Taretto mostra que pertence a essa nova geração, e cria um filme contemporâneo, pop e reflexivo. Taretto começa ousado na sua forma de filmar, ao apresentar a própria Bueno Aires, não aquela que estamos acostumados aos cartões postais, mas sim uma selva de pedra com seus prédios cada vez mais altos e sem sentido, onde cada vez mais e mais pessoas vivem se aglomerando. Dentro desse cenário, Taretto retrata pessoas um tanto que perdidas em suas vidas, sendo que as vezes, sem saber exatamente qual o caminho a seguir.
Isso é muito bem retratado pelo casal central, que embora não se conheçam desde o principio da trama, situações fazem com que suas vidas se cruzem, dando a crer que eles nasceram um para o outro, mesmo com tanta agitação do mundo atual, onde faz com que eles demorem em se darem conta um do outro. Ambos os personagens (Javier Drolas e Pilar Lopes de Ayala, ótimos em cena) são um retrato das pessoas da atualidade, conectadas sempre ao mundo da internet, onde suas únicas janelas para o mundo é justamente no mundo virtual que tanto se alastra atualmente, e que por vezes, se esquecem do verdadeiro toque humano de antigamente, mas nem por isso, não deixam de fazer uma critica contra si próprios com a vida que levam. Em meio a esse lema que os protagonistas vivem, Taretto embala toda a trama, com uma montagem pra lá de criativa, bem ao estilo vídeo clipe, auxiliado com ótima edição de arte, fotografia e trilha sonora caprichada, que tornam por vezes inúmeras cenas bem poéticas. Isso sem contar momentos puramente pop, onde se faz referencias a personagens conhecidos como Astro Boy e até mesmo o personagem clássico da literatura e de desenhos animados, Onde Esta Wally? Sendo que, de uma forma inusitada, Taretto incrementa o personagem na trama de uma forma tão criativa, que torna o filme redondinho e muito satisfatório pela sua criatividade.
Vencedor de dois Kikitos (incluindo melhor filme estrangeiro) no ultimo festival de Gramado, Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual, é o tipo de filme que você assiste e revê inúmeras vez, o que comprova que boa coisa está ali escondida, diferente do personagem Wally perdido na multidão e difícil de se encontrar!
Curiosidade: Atenção para a cena onde Taretto usa o clássico filme de Wood Allen (Manhattan) como referencia ao próprio casal da trama, que mesmo distantes um do outro, estão vendo a clássica cena final do filme na televisão!
COM O RETORNO DE BILLY CRYSTAL NA CERIMÔNIA DO OSCAR, VAMOS RELEMBRAR O SEU MAIOR SUCESSO DA CARREIRA!
Sinopse: Após se formarem pela Universidade de Chigago, Harry Burns (Billy Crystal) e Sally Albright (Meg Ryan), um casal de estudantes, viajam juntos para Nova York. Com o passar dos anos cada um leva a sua vida, se vêem esporadicamente, mas aos poucos e de forma um pouco assustadora descobrem que estão se apaixonando.
Do elenco irresistível ao roteiro divertidíssimo de Nora Ephron (que escreveu A Difícil Arte de Amar), tudo funciona bem nesta simpática e envolvente comedia romântica. Os diálogos mordazes brincam com a relação entre homens e mulheres e com a imagem que uns fazem dos outros. Em seu melhor trabalho Rob Reiner (Conta Comigo) usa também “depoimentos” de “casais bem sucedidos” no amor e uma trilha sonora com belas canções românticas.
Mas nada disso funcionaria, se o casal central não funcionasse em cena, mas não só funciona como muitas pessoas consideram como o melhor casal romântico desse gênero, que hoje atualmente vive desgastado. Tanto Meg Ryam como Billy Crystal possuem uma ótima sintonia do inicio ao fim, na qual nos faz nos viciar na historia e em momentos hilários, (como a famosa cena do orgasmo). Depois disso, Meg Ryam se tornaria queridinha da America, estrelando comedias românticas (ao lado de Tom Hanks) durante os anos 90. Já Billy Crystal, se por um lado não se criou uma carreira muito solida depois disso, por outro, se tornou um dos melhores apresentadores da festa do Oscar durante vários anos!
TUDO QUE A FRANQUIA TRANSFORMERS NÃO TINHA, TEM AQUI!
Sinopse: Hugh Jackman é Charlie Kenton, um lutador decadente que perdeu sua chance de ganhar um título quando robôs de aço de mais de 900 quilos e mais de dois metros e quarenta de altura entraram no ringue. Charlie, então um mero e insignificante promotor, ganha apenas o suficiente, juntando sucatas de metal de robôs, para passar de uma arena de boxe para outra. Quando Charlie chega ao fundo do poço, ele relutantemente se une a seu filho afastado, Max (Dakota Goyo), para construir e treinar um competidor para disputar o campeonato. Conforme as apostas na brutal arena sem limites aumentam, Charlie e Max, contra todas as probabilidades, têm uma última chance de dar a volta por cima.
A principio, todos imaginavam que esse filme seria um simples caça níquel para pegar carona com a onda de sucesso que a franquia Transformers adquiriu, porém, essa nova produção de Steven Spielberg (também produtor de Transpormers) tem muito mais personalidade e coração do que qualquer filme daquela trilogia desenfreada. Dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu), essa produção, irá fazer o cinéfilo mais atento, descobrir certos elementos já usados em outros filmes, que fora o fato de lembrar um pouco Transformers, a trama carrega ao maximo momentos que lembram Falcão: O Campeão dos Campeões e a serie Rocky, ambos estrelados por Silvéster Stallone nos anos oitenta, mas dessa mistura, se criou algo fresco e muito bem vindo.
O acerto da trama foi criar a construção do relacionamento do pai ausente (Hugh Jackman, cada vez mais se afastando de sua imagem como Wolverine) com o seu filho esperto Max (Dakota Goyo, um achado). A principio, ficamos até horrorizado com falta de afeto de o personagem de Jackman tem pelo garoto, mas graças as circunstâncias (e com a ajuda de um certo robô) essa relação vai mudando gradualmente, nunca de uma forma forçada, mas bem redonda e crível, o que torna a dupla central bem humana. É claro, que como um dos pontos centrais da historia é luta livre de robôs, o filme nos brinda com boas lutas desses gigantes robóticos, e diferente do que acontecia na franquia transformers, agente vê muito bem todos os movimentos e o que acontece com eles em cena, e até mesmo sentir os sentimentos desses personagens, coisa que não acontecia naquela franquia de forma alguma.
Embora o filme começa e já tenhamos uma vaga idéia do seu final, Gigantes de Aço foi uma grata surpresa do gênero ficção do ano passado. Não é um filme que irá mudar a vida de ninguém, mas é uma sessão para toda a família e que poderá muito bem se tornar um filme de uma sessão da tarde clássica um dia. Destaco também, a presença da atriz Evangeline Lilly, que se em Guerra ao Terror ela fez somente uma pequena ponta, aqui ela tem a chance de aparecer mais e fazer melhor parte da trama, embora ainda não seja dessa vez que ela tenha desvencilhado de sua imagem como Kate da serie Lost.
NUMA CERIMÕNIA DE MAIS ACERTOS DO QUE ERROS, O ARTISTA E A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, SÃO OS GRANDES VENCEDORES DA NOITE E UMA VITORIA PARA O CINEMA EM SI!
Gente, não vou escrever muito hoje porque estou meio dormindo, sendo que estou assim porque fui dormir só depois do Oscar e já fui me levantar as seis para o serviço. Portanto não tem cabeça que agüente, mas em poucas palavras, posso dizer que esse ano a academia conseguiu fazer alguns acertos melhores durante a cerimônia e Billy Cristal é realmente o Curinga deles, portanto que ele não se ausente mais em nenhuma cerimônia seguinte. O Artista confirmou o seu favoritismo merecido, levando os Oscars principais de melhor filme, melhor diretor e melhor ator. A invenção de Hugo Cabret, se por um lado não levou as estatuetas principais, por outro confirmou suas qualidades de super produção, com o melhor exemplo de como se fazer um filme em 3D, e com isso, levou as principais categorias técnicas. Como Rio não estava entre os indicados de melhor animação, torci pela vitoria de Rango, sendo que, num ano em que as animações não convenceram muito, esse filme surgiu como não quer nada, e logo foi conquistando a simpatia de todos. A Separação foi uma vitoria merecida na categoria de filme Estrangeiro, sendo que o filme é um reflexo critico de uma sociedade cansada do lugar aonde vivem. Por fim, Meryl Streep finalmente quebra um jejum de trinta anos e finalmente leva para casa o seu terceiro Oscar, pelo filme a Dama de Ferro.
Confiram a lista de todos os vencedores:
Melhor Filme Oscar 2012: The Artist (O Artista) Melhor Atriz Oscar 2012: A Dama de Ferro, Meryl Streep Melhor Ator Oscar 2012: The Artist, Jean Dujardin Melhor Atriz Coadjuvante Oscar 2012: Histórias Cruzadas, Octavia Spencer Ator Coadjuvante Oscar 2012: Toda Forma de Amor, Christopher Plummer Melhor Diretor Oscar 2012: The Artist, Michel Hazanavicius Melhor Edição Oscar 2012: Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres Melhor Documentário Oscar 2012: Undefeated Melhor Animação Oscar 2012: Rango Melhor Trilha Sonora Oscar 2012: The Artist (O Artista) Melhor Canção Original Oscar 2012: Man or Muppet, Os Muppets (Bret McKenzie) Melhor Roteiro Original Oscar 2012: Meia Noite em Paris Melhor Roteiro Adaptado Oscar 2012: Os Descendentes, de George Clooney Melhor Som Oscar 2012: A Invenção de Hugo Cabret Melhor Edição de Som Oscar 2012: A Invenção de Hugo Cabret Melhores Efeitos Visuais Oscar 2012: A Invenção de Hugo Cabret Melhor Curta-Metragem de Animação Oscar 2012: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore Melhor Filme Estrangeiro Oscar 2012: A Separação Melhor Maquiagem Oscar 2012: A Dama de Ferro Melhor Figurino Oscar 2012: The Artist (O Artista) Melhor Direção de Arte Oscar 2012: A Invenção de Hugo Cabret Melhor Fotografia Oscar 2012: A Invenção de Hugo Cabret
Sim, quando se acha que eu já falei de tudo sobre David Cronenberg neste mês, eis que surge mais uma oportunidade para fazer mais um post sobre ele. Ontem a noite, recebi umas fotos que foram tiradas durante o curso, pelo organizador dos eventos do CENA UM, Sr Jorge. Na primeira fila, lá estou eu trocando idéias com Rosangela, que nos colocou a par sobre todo o universo que envolve Cronenberg.
Confira as imagens abaixo:
Mesmo no calor (o curso começou em meio à maior onda de calor do estado), agente curtiu adoidado.
O curso atraiu muitas pessoas, provando que Cronenberg é popular entre os gaúchos
Eu trocando umas idéias com Rosangela, sobre o que rola na mente de Cronenberg
Leia também: Tudo sobre David Cronenberg clicando aqui.
Em final de semana, onde todos os olhos do mundo cinéfilo estão voltados para o Oscar, o cinema de Porto Alegre tem poucas estréias para esse final de semana, mas significativas, como HIROSHIMA – UM MUSICAL SILENCIOSO. Lembrando, que entra em pré-estréia, Drive, aguardado filme que ganhou ares de Cult pelo mundo no ano passado, mas foi esnobado pelo Oscar, o que não é novidade, já que a academia adora fazer injustiças.
Confiram as estréias:
A Mulher de Preto
Suspense: No suspense Radcliffe vive o jovem advogado Arthur Kipps que viaja para uma região remota da Inglaterra para cuidar dos papéis de um cliente recém-falecido. Enquanto trabalha em uma isolada casa antiga Kipps começa a descobrir seus trágicos segredos. O fantasma de uma mulher amaldiçoa a casa e todo o vilarejo.
Tão Forte e Tão Perto
Sinopse: Oskar Schell aos 11 anos de idade é uma criança excepcional: inventor amador admirador da cultura francesa pacifista. Depois de encontrar uma misteriosa chave que pertencia a seu pai que morreu no World Trade Center no 11/09 ele embarca em uma incrível jornada -- uma urgente e secreta busca por um segredo pelas cinco regiões de Nova York.
HIROSHIMA – UM MUSICAL SILENCIOSO
Sinopse: Juan é um jovem uruguaio, que trabalha numa padaria durante o dia e toca numa banda de rock à noite. Calado e meio solitário, Juan também gosta de vagar pelas ruas de Montevidéu, onde vive histórias bem cotidianas..
FAÇA-ME FELIZ!
Sinopse: Ariane (Frédérique Bel) está convencida de que seu marido Jean-Jacques (Emmanuel Mouret) está interessado em outra mulher. Para salvar seu casamento, ela pede que ele tenha um caso com essa mulher, acreditando que essa é a melhor solução para acabar com as ilusões de Jean-Jacques. Mas, quando ele vai até a casa dessa mulher que mal conhece, ele ainda não sabe que ela é filha do presidente da República.